Entre Dois
6 CAPÍTULO 04: CONFUSÕES NA ESTRADA +
- Mônica, acorda! — Hã? levantei desconfortável. Não me lembrava de nada. — Mônica, nós precisamos ir. — Ir para onde? — Para sua casa. — E o carro? Não tinha enguiçado? perguntei, me lembrando disso. — B-bom... ele coçou a cabeça. Se havia feito isso, eu o mataria. — Cebola, não me diga que você mentiu...! falei fechando meus olhos com raiva. — Ér... Eu posso explicar... — EU VOU MATAR VOCÊ! gritei enquanto pulava em cima dele. Dava tapas e ele só ria da minha cara. Você é um tremendo idiota. falei parando de bater nele. — Me desculpe. Eu só queria ficar mais com você, mas ai você estragou tudo dormindo. assim que ele terminou de dizer, lhe dei um tapa na cara. Ai! reclamou passando a mão na região onde eu havia batido. — O que você pretendia fazer comigo? perguntei sentando no banco ao lado. — Nada. Só te conhecer melhor. respondeu. — A-ah, era isso? — Sim. É muita maldade? perguntou olhando fixamente para estrada. Ainda estávamos parados no mesmo lugar. Eu acho... — Não. Foi mal pelo tapa. desculpei-me. Uma coisa rara vinda de mim. — Até que não foi nada mal, vindo de uma garota. — Ei, não é porque eu sou uma garota que eu não saiba dar socos. — Ah, que medinho. falou sarcástico, fingindo que tremia as mãos. — Cebola, vamos embora. Já está tarde. mudei de assunto. Entretanto, era mesmo tarde. Uma e meia da madrugada e até agora só confusão comigo. — Mônica, eu não queria te dizer, mas... Rolou. disse enquanto dirigia. — Rolou o que, criatura? perguntei enquanto tirava o esmalte das minha unhas. — Nós... Bom, eu e você... Ah, você sabe. gaguejou. — Pára o carro! mandei. Não me venha com esse, Cebola! Se você fez alguma coisa comigo você...! calei-me com um beijo dele. Que mania! — Sua boba, você caiu direitinho. HÁHÁHÁ! riu. Por que garotos são assim? , pensei. AI! gemeu de dor ao soco que eu lhe dei. — Aprendeu agora? perguntei voltando a colocar o cinto de segurança. — Caramba, a sua direita é forte. — Da próxima vai doer mais. falei. Vai logo Cebola, não quer que ficamos a noite inteira na estrada, quer? — Na verdade... começou. Lancei um olhar nada amigável e ele se calou. E para você saber, a sua amiga vai vir junto com o Cascão. — Tudo bem. Desde que ele não seja nenhum pervertido que queira a conhecer, como certas pessoas. — Isso é uma indireta? — E se for? Algum problema? — perguntei. — Não. Eu só pensei que você fosse do tipo que falasse as coisas na cara. respondeu. — Guarde seus pensamentos para você, Cebola. — Você sempre tem uma resposta na língua, não é Bertolle? Bertolle. Por que ele me chamou assim?, cogitei. — Não me chame assim! gritei. — Por quê? Lembra seu amiguinho é? — Isso não te interessa. — Claro que me interessa se não eu não estaria perguntando. — Larga de ser otário e cuida da sua vida! continuei gritando. — O que foi? Falar no Do Contra te deixa nervosinha? — Já disse que isso não te interessa. gritei tirando o cinto. Pare, eu vou descer. — Tudo bem então. Vaia a pé. — Eu já estou vendo a minha casa, bobão. Não vai me fazer entrar de novo. — Sério? Nem aqueles caras que estão ali na frente? perguntou apontando ao um grupo de caras altos e fortes, que carregavam algo nas mãos. Eu entrei no carro novamente. — Me deixe na porta de casa. mandei. — Ta achando o que? Que eu sou seu chofer? — Então é assim? Tudo bem. falei abrindo a porta do carro. Se algo acontecer a culpa é sua. — Entra logo. revirou os olhos. — Ótimo. disse com um sorriso estampado no rosto. Ele me deixou na porta de casa, como eu pedi. Já era bem tarde. Umas quatro e pouco, por ai. Minha mãe, claro, me encheu de perguntas achando que eu tinha sido seqüestrada ou assaltada. Coisas de mãe...
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