Notas iniciais
Pessoal, esse capitulo ficou, tipo, imenso. Mas eu gostei bastante. Me informem se houver erros.

– COMO É QUE É? A Claire?! Ah, que droga! No que essa garota tá pensando? Ela ficou doida?! – Isabel esbravejou.

A filha de Apolo começou a empurrar campistas como louca para poder chegar à briga. Joseph e Malory e eu a seguimos. Quando alcançamos o centro da confusão, eu vi as duas meninas lutando com espadas e se xingando. A da direita era alta e musculosa, como uma jogadora de basquete. Tinha cabelos castanhos avermelhados, usava calça cargo e coturnos. A outra menina era mais ajeitadinha. Sua a pele era morena e os cabelos eram castanhos e pranchados, pesos num rabo de cavalo. Usava uma blusa preta justa e bermuda jeans. Joseph chegou perto de mim e disse:

– Clarisse é a coturnos. Claire é a outra.

Eu assenti. Ambas eram eximias lutadoras e pareciam não se cansar.

– Você realmente acha que vai ganhar de mim numa luta? – A menina da direita gritou. – Eu sou Clarisse La Rue!

– Ui, to me cagando de meda. – Claire retrucou, irônica.

– Você vai engolir cada palavra que disse, sua vaca!

– Você que fica mugindo e eu sou a vaca? Você precisa rever seus conceitos, meu bem. E precisa mudar de xampu também. – Claire provocou, ao mesmo tempo em que avançava num novo golpe. Nesse momento Isabel surgiu, interrompendo a briga.

– Você pirou Claire? – Isabel gritou, se pondo entre as duas. – Já esqueceu o que aconteceu da última vez?

Malory também se pôs entre as duas filhas de Ares, impedindo Clarisse de fazer Isabel em pedacinhos.

– Chega Clarisse! Vá se acalmar no seu chalé. – ela falou, nervosa. Depois se virou para os outros campistas – E vocês, não tem o que fazer? Vão embora! Não tem mais nada aqui.

Foi possível ouvir a Ahhhhh de decepção vindo dos campistas. Clarisse obedeceu Malory, entrando em um chalé vermelho e mal cuidado enquanto murmurava algo como “Isso não vai ficar assim, vai ter volta”.

Isabel arrastou Claire para os estábulos e eu e Malory as seguimos.

– Eu juro, juro por Ares que vou transformar aquela garota em pó dourado na próxima vez que eu vê-la. – Claire gritava, e tive a impressão de que todo acampamento podia ouvir. Seu rosto estava vermelho de raiva e eu não duvidei de que as palavras dela fossem verdadeiras.

– Não, você não vai fazer nada. Tem noção da confusão que criou? Sabia que eu arrisquei minha vida para separar essa briga agora? – Isabel estava nervosa de verdade. Andava de um lado para o outro e gesticulava bastante. – Com a Clarisse, cara! Você arrumou briga com a conselheira do seu chalé! Tem ideia do que aquela monstra podia ter feito contigo? Você tem é sorte da lança elétrica dela estar quebrada. Agora me responde: por que Hades você estava brigando com ela?

Claire respirou fundo e falou:

– Aquela maldita, aquela vaca, aquela cabrita desprezível teve a ousadia de pegar a minha blusa!

Ficamos chocadas.

– Ah, não acredito! Essa blusa de novo? Já é a segunda vez essa semana, Claire! Blusa do acampamento é tudo igual! – Malory protestou.

– Não, não, não. Não é mesmo. Já viu a blusa daquela tribufu? É GGG! É suja, rasgada... A minha não. É limpinha e bonitinha. Cara, qual é o problema daquela garota? Ela sempre mexe nas minhas coisas!

Estava me controlando para não rir. Isabel, no entanto, não pareceu achar graça nenhuma.

– Não interessa! – ela respirou fundo, tentando ficar mais calma. – Claire, você sabe que se Quíron souber vai te matar, né?

– Ah, é mesmo. – Malory concordou. – Lembra o que ele disse da última vez? “Se vocês arrumarem outra confusão vão limpar estrume de Pégasos por um ano.”

Claire bufou.

– Ah, eu sei, cara! Mas aquela monstrenga sempre consegue me tirar do sério. Ela acha que é a melhor só por que é conselheira. Desculpe, mas eu não me controlo. Além do mais, você não pode me culpar. Isso tá no meu sangue. Eu sou filha de Ares, né?

Claire balançou a cabeça e olhou para Isabel, para Malory e depois para mim. Ela não tinha notado minha presença até aquele momento. Avaliou-me com uma cara desconfiada e perguntou:

– Quem é você e o que tá fazendo aqui? Não me diga que é uma daquelas filhas de Afrodite intrometidas e fofoqueiras, é?

– Não, não sou. Mas acho que vou encarar isso como um elogio. – brinquei. – Eu me chamo Melissa. Ainda não fui reclamada.

Malory sorriu.

– Ela chegou hoje. Poderia tê-la recebido melhor né, Claire?

– Ah, desculpa. – Claire me abraçou, quebrando algumas costelas. – Que graçinha você! Desculpa pela grosseria... La Rue consegue acabar com meu bom-humor do dia, que não é muita coisa. Bem vinda!

Eu agradeci, tentando recuperar o fôlego. Isabel ainda estava muito aborrecida.

– Claire, assim não dá. Você tem que controlar esse seu gênio! Desculpe, mas não tenho condição de ficar separando briga toda semana.

– Eu sei, eu sei. Já me desculpei. Fica calma. Não acho que alguém vá nos dedurar.

– Eu não teria tanta certeza. – Malory murmurou, apontando para um Connor que se aproximava correndo.

– Oi pessoal. – ele cumprimentou, enquanto estabilizava a respiração. – Tudo belezinha?

– Oi Connorzito. – Isabel falou. – Desculpa se fui grosseira com você na hora da briga. Eu estava nervosa.

– Não, tudo bem. Eu sei que todas vocês me amam. – ele respondeu, piscando para mim. Revirei os olhos. – De qualquer forma, meu objetivo aqui não é falar de mim, por mais que eu goste desse assunto. Vim trazer uma mensagem de Quíron.

– Virou menino de recado agora? – brinquei.

– Ah, esse povo acha que só por que eu sou filho do mensageiro dos deuses eu sou obrigado a levar recadinho para eles. – ele falou, fazendo um gesto de desdém com as mãos.

– Tá bom. Diz logo o que Quíron quer. – Claire falou.

– Ah, o recadinho é para você mesma, graçinha.

– P-pra mim? O que ele quer comigo?

– Ele tá chamando você e a Brutamontes La Rue na Casa Grande. Parece que algum linguarudo contou a briga para ele.

– Ah, sabia! – Isabel reclamou. – Eu te disse, Claire!

– Ah, que droga! Quem foi o fofoqueiro filho de Hades? Me diz para eu cortar ele em pedaçinhos e jogar no Tártaro! – Claire esbravejou.

– Você não vai fazer isso. Só vai piorar a sua situação. – Isabel falou, séria. – O que você tem que fazer é ir lá e tentar fazer da briga uma discussão á toa. Por favor, mantenha a calma e não chame Quíron de quadrúpede.

– Oh, acho melhor eu acompanhá-la... – Malory sugeriu. – Serei sua advogada, certo?

Claire concordou com a cabeça e elas tomaram o rumo da Casa Grande.

– Bom, eu já vou indo... – disse Connor. – Tenho muitas coisas para resolver

– Tchau Connor. – Isabel falou.

Connor olhou para mim e levantou uma sobrancelha.

– E você, gatinha? Não vai se despedir de mim?

Me aproximei dele e cruzei os braços.

– Não. Ainda não te perdoei pela vergonha que me fez passar no chalé de Hermes.

– O que, tá falando daquela declaração de amor? Sabe quantas meninas sonham com isso?

– Não consigo imaginar ninguém tão doida.

– Não adianta se fazer de difícil. Você sabe que sou irrestível.

Revirei os olhos.

– Há controvérsias.

Connor riu e foi embora, deixando eu Isabel á sós.

– Connor é uma figura, né? – ela disse.

– Um maníaco implicante, você quer dizer.

– Ah, cara. Ele faz isso sempre que chega uma menina como você no chalé.

– Como eu?

– É. Sabe, bonitinha, arrumadinha, tímida e tal. Se prepare. Connor vai perseguir você até conseguir uns beijos.

Eu franzi as sobrancelhas.

– Como é?

– Uhum. Connor é muito persistente. Quando cisma com algo ou alguém, ele não desiste.

Eu ri, um pouco assustada. Como assim Connor Stoll queria me beijar? Ele mal me conhecia.

– Não, isso não vai acontecer. – eu afirmei. – Connor só está brincando.

Isabel deu de ombros.

– Estou é preocupada com Claire. Quíron vai ficar muito aborrecido, e se bem conheço ela, vai acabar piorando as coisas.

– É. Claire parece ser uma pessoa meio temperamental.

– Meio? – Isabel riu. – Aquela menina vive numa TPM infinita.

– Sério? Bem, ela parece ser uma pessoa bem legal.

– Ela é. Mas tem um gênio difícil de aturar. Só amando muito ela mesmo.

Nós rimos. Eu olhei por trás da Isabel e vi um cavalo alado dento do estábulo. Ele era marrom e tinha a crina cor de caramelo. Ainda era estranho acreditar que existiam cavalos alados. Aproximei-me dele e pus a mão sobre a sua cabeça.

– Então esses são os Pégasos? Eles são incríveis!

– São mesmo.

Nós estávamos acariciando aqueles animais fantásticos quando Isabel olhou por cima do meu ombro, e fez uma cara assustada. Ela baixou a cabeça e sussurrou para mim:

– Shhh. Finja que está sozinha, ok?

Eu assenti. Isabel ficou agachada atrás de uma das portinhas. Olhei para trás, disfarçadamente e vi um menino vindo em minha direção. A sua camisa do acampamento estava jogada no ombro. Ele não tinha notado a minha presença, mas assim que me viu, pôs a camiseta rapidamente. Conforme ele se aproximava, eu ia notando suas características. Tinha o corpo atlético e olhos acinzentados, como os de Joseph. Seu cabelo era castanho-claro, curto e com topetinho. Ele me cumprimentou.

– Olá. Desculpa, eu não te vi aí. Você deve ser Melissa, não?

– Sim. – eu respondi, desconfiada. – Como você sabe o meu nome?

– Ouvi Quíron falar de você. – ele explicou, constrangido. Depois estendeu sua mão. – Eu sou Cory, filho de Atena.

Eu sorri e o cumprimentei.

– Prazer. – Ficamos uns segundos em silêncio até uma pergunta surgir na minha cabeça. Não sei de onde ela veio, mas acabou saindo sem eu pensar. – Ei, achava que Atena fosse uma donzela. Como ela tem filhos?

Ele sorriu e coçou a cabeça.

– Atena ainda é uma donzela. Mas, diferente de Ártemis, ela continua tendo relação com homens.

Fiz uma cara de quem não estava entendendo.

– Você está querendo dizer que o seus pais não... Eles não... Hm, você sabe. – Corei.

– Bem, eles não fizeram isto. Atena continua virgem. Eu meio que nasci do amor puro e verdadeiro entre meus pais. Entendeu?

– Acho que sim. – Eu ri. – Valeu pela explicação.

– Não foi nada. – Ele sorriu. Depois de instantes ouvimos alguém chamando o seu nome. – Ih, desculpa te deixar sozinha, mas eu tenho que ir.

– Ah, não tem problema.

Esperei Cory sumir de vista para falar:

– Já pode aparecer, Isabel.

Ela saiu de seu esconderijo e olhou para os lados

– Ufa, obrigada por não dizer que eu estava aqui.

– Não foi nada. Agora me conta, quem é ele e por que você se escondeu?

Ela suspirou

– Ok. Eu meio que sou apaixonada por ele.

– Ai, que fofo. – eu falei, dando um risinho.

– Mas eu não sei se ele gosta de mim. Acho que ele nem sabe que eu existo.

– Bem, se você ficar se escondendo quando ele aparecer, não vai saber mesmo.

Ela baixou a cabeça.

– Eu sei disso, mas... Ele é tão bonito, inteligente. Nunca vai olhar para alguém como eu.

– Ei, que isso? Você não pode falar assim. Você é uma menina linda, divertida, legal. Ele que vai ser um idiota se não quiser nada contigo.

Isabel sorriu.

– Obrigada. Você é a única pessoa que sabe disso, além da Malory.

Fiquei feliz por Isabel confiar seu segredo para mim. Significava que ela já me considerava amiga.

Nesse momento Malory apareceu, ouvindo música num Ipod.

– Oi gente!

– Não morre tão cedo, né bebê? – Isabel brincou. – Ei... Você sabe que não pode usar tecnologia aqui.

Malory revirou os olhos e tirou um dos fones.

– Cara, isso é um palhaçada. Os monstros nem podem entrar aqui. Além do mais, eu sou filha de Apolo e não posso ficar sem escutar meu Linkin Park.

Eu não entendi aquela proibição de tecnologia para semideuses.

– Por que temos que ficar longe de aparelhos eletrônicos? A minha mãe falou isso, mas não explicou.

– Geralmente, os celulares e computadores atraem monstros. Então isso é proibido aqui dentro. – Isabel respondeu.

– Mas ninguém respeita isso, é claro. Por favor, nós somos jovens, não vivemos sem tecnologia. – Malory comentou, rindo.

Isabel pareceu se lembrar de alguma coisa, ficando com um semblante de preocupação.

– Ei, como foi com a Claire?

– Aquela menina tem uma sorte do cacete. – Malory respondeu. – Quíron não a culpou pela briga. No final, Clarisse que ficou com o castigo. Uma semana limpando o estábulo. – Malory respondeu.

Isabel riu.

– Bem feito pra ela.

Alguns minutos depois nós escutamos o barulho de uma trombeta ao longe.

– O que é isso? – perguntei.

– É o aviso do jantar. Graça aos deuses, eu tô morrendo de fome. – Malory falou, colocando a mão sobre o estômago.

As meninas me guiaram até o pavilhão do refeitório

– Nós vamos ter que te abandonar agora. – Falou Isabel.

– Pois é. Boa sorte na mesa de Hermes. – Malory disse, acenando pra mim enquanto ia para perto dos seus irmãos.

Achei a mesa de Hermes quando vi os irmãos Stoll acenando para mim. Sentei entre Connor e Travis.

– E aí princesa, tá curtindo o acampamento? – Travis perguntou.

– Nem vem de graçinha mano, ela é minha. Você gosta da Katie, lembra? – Connor falou

– O quê? Eu sou sua? Bebeu, Stoll? – eu intervi, aborrecida.

Travis revirou os olhos.

– Cala a boca Connor. A Katie é só minha amiga.

– Amizade interessante. – Connor respondeu. – Vamos ter essa amizade, Mel?

Deu um leve empurrão em Connor.

– Nem começa, Stoll.

Olhei para a mesa atrás da nossa e vi Claire sentada com seus irmãos e irmãs do chalé de Ares. Clarisse lhe lançava um olhar assassino, mas ela não parecia se importar.

Ao meu lado, Connor olhou para o seu copo vazio e disse:

– Pepsi.

Magicamente, o seu copo encheu com o líquido escuro.

– Mas que legal! – eu exclamei. – Como faz isso?

Connor sorriu.

– Você só precisa falar com o copo. O que você quiser beber, que não seja alcoólico, vai aparecer.

– Isso é demais. – eu disse, maravilhada. – Hm... Já, sei. Coca-cola.

O refrigerante apareceu magicamente no meu copo. Eu sorri.

– Acho que vou ficar mal acostumada.

Finalmente, Quíron bateu o casco com o casco no piso de mármore e todos se calaram. Ele ergueu uma taça e gritou:

– Aos deuses!

Todos fizeram o mesmo. De repentes, dríades e outros seres mitológicos surgiram trazendo bandejas com frutas e comidas. Eu me servi com um prato estrogonofe. Estava prestes a dar uma garfada quando todos se levantaram e começaram a andar até o meio do pavilhão.

– Ué? O que aconteceu?

– Vem comigo. – Travis disse. Connor se levantou e eu os segui.

– Onde estamos indo? – Perguntei.

– Vamos jogar uma parte da nossa comida para os deuses. – Connor explicou. – Eles gostam do cheiro.

– Eles gostam de cheirar comida queimada? – Eu peguntei, sem conseguir acreditar.

– Ei, isso é sério. – Travis avisou. – Não deboche.

A fila em que entramos nos levava até uma fogueira, onde campistas jogavam uma parte de sua comida.

– É bem simples – Connor falou. – Você vai até a fogueira e joga uma parte do seu almoço, dizendo o nome do deus para quem você manda a oferenda. Eu ofereço a Hermes, já que ele é o meu pai. Às vezes á alguns outros deuses que possam ter me ajudado de alguma forma.

Travis, que estava na nossa frente, jogou o seu peito de frango na fogueira e murmurou o nome do seu pai. Connor jogou suas batatas e fez o mesmo. Chegou a minha vez. Não sabia para quem eu deveria mandar a comida, então raspei parte do estrogonofe do prato e ofereci a Hermes também. Voltei para a mesa e terminei de comer.

Estava tudo delicioso. Travis havia me dito que teríamos uma espécie de cantoria em volta da fogueira depois da janta. Me pareceu bastante divertido.

Nos sentamos nos troncos que ficavam no centro da formação dos chalés. Isabel estava tocando violão ao meu lado enquanto Malory cantava Yellow, do Coldplay. Ela tinha uma linda voz e cantava super bem. Isabel também era muito talentosa no violão. Senti uma pontada de inveja dos filhos de Apolo, por ter esse talento natural com a música.

Quando elas terminaram, todos bateram palmas e Isabel passou o violão para outro menino, que começou a tocar outra música junto com uma filha de Afrodite, que também cantava bem. E assim foi. Ficamos nos divertindo até o toque de recolher. Connor avisou que nós não deveríamos ficar até mais tarde fora do chalé, por que as harpias adoravam comer campistas.

Eu tomei um banho rápido e pus um pijama de frio, me deitando em seguida. Não posso dizer que aquele saco era confortável, mas quando se está exausta como eu estava, qualquer lugar é ótimo para dormir. Fechei os olhos e peguei no sono rapidamente. E logo estava sonhando.

Notas finais
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