Notas iniciais
Heey gentee linda :D Então, espero que gostem do primeiro capitulo *-* Boa leitura =3

Parece que desde que eu completei 15 anos a minha vida virou de cabeça para baixo. Bem, na verdade, eu nunca tive uma vida muito normal, mas ultimamente, tudo tendeu a piorar.

As coisas começaram a ficar estranhas mesmo no inicio da semana do meu aniversário, quando eu fui para o Brasil visitar os meus avós maternos.

Chamo-me Melissa Benoit. Tenho 14 anos (imagino que já tenha deduzido isto). Moro em Nova York, num apartamento de dois quartos com minha mãe, meu padrasto e a minha irmã. Moramos de aluguel, já que a nossa condição financeira nunca foi das melhores. E só vai piorar, agora que o meu padrasto foi demitido. Ele trabalhava numa empresa de cruzeiros, como técnico de embarcações, mas ela faliu e agora temos que sobreviver do pouco dinheiro que a minha mãe recebe como professora particular.

Eu estava arrumando as minhas malas. Nós íamos viajar daqui a três horas. Era a primeira vez em que eu iria embarcar num avião, e sim, eu estava muito nervosa.

Geralmente, íamos para o Brasil pelo cruzeiro da empresa do meu padrasto, mas agora que ele perdeu o emprego teremos que ir de avião mesmo. Eu fiquei decepcionada quando recebi esse noticia, porque eu adorava viajar de navio. Curtia cada segundo da viagem. Era tudo tão bom. O balanço da água, o cheiro de maresia. Tudo me deixava calma, me fazia esquecer todos os problemas.

Por outro lado, eu queria muito viajar para o Rio. Aquele lugar era maravilhoso e meus avós também eram. Tirar uma folga da minha vida era tudo que eu precisava.

Terminei de arrumar as coisas e fui tomar banho. Depois de me vestir, voltei para o quarto e procurei pelo o meu colar. Era um pingente de coração rosado, feito de madrepérola, preso a uma corrente de ouro. Minha mãe tinha me dado quando eu era bem pequena, e eu sempre o usava, por que ela dizia que era pra me proteger. Achei-o e coloquei no pescoço, então penteei o cabelo, pus uma tiara, calcei meu tênis e fiquei pronta. Dei uma ultima olhada no espelho, peguei a mala e fui para a sala.

Encontrei Steve sentado vendo televisão.

– Ei, já estou pronta. — chamei. — Onde está a minha mãe?

– No nosso quarto. Está arrumando a Lea. — Ele falou sem tirar os olhos do telejornal.

– Ah sim... Que horas vamos para o aeroporto? — perguntei, notando que o tempo estava fechando.

– Temos que estar lá às 21 horas. — Ele respondeu, olhado para o relógio. Depois, desviou olhar para mim. — Você está bonita.

– Ah. Obrigada. — falei, um pouco sem jeito. — Eu vou ver se elas já estão prontas.

Saí da sala e fui para o quarto dos meus pais. Encontrei a minha mãe arrumando o cabelo da minha irmãzinha numa trancinha graciosa. Lea tinha cinco anos e era uma gracinha. Muito esperta e travessa. Mamãe olhou pra mim e sorriu com doçura, como sempre.

– Já estou terminando. — ela pegou um elástico de cabelo da finalizou a trança. — Pronto! Vamos.

Saímos do quarto, pegamos as malas e fomos. E eu não fazia ideia de que aquela viagem mudaria minha vida para sempre.

* * *

– Não, eu não vou entrar nessa coisa aí não! — eu disse enquanto olhava aquela gigantesca máquina voadora bem na minha frente.

– Você já chegou até aqui, não vai desistir agora! — A minha mãe falava, enquanto me puxava pelo braço em direção à porta de embarque.

– Olha o tamanho disso mãe! Esse troço vai cair, eu não quero estar dentro dele quando isso acontecer.

– Ai meu Deus Melissa! Você tá me fazendo passar vergonha! — mamãe falou, me empurrando em direção à porta. Os passageiros a nossa volta olhavam para nós assustados. Quando entramos, ela se abaixou e falou perto do meu ouvido: — Ótimo. Você conseguiu chamar atenção de todo mundo. Feliz?

– Eu só vou ficar feliz quando chegarmos inteiros no Brasil. — Eu respondi, fazendo careta.

Mamãe e Steve sentaram-se nas poltronas em frente de mim e Lea. O avião levantou voo e eu senti meu estômago afundar. Olhei pela janela me vi deixando o meu país para trás. Desviei atenção para o céu. Estava escuro e havia algumas nuvens pesadas. Droga, vai começar a chover. Como se eu já não estivesse nervosa o suficiente."

Lea cutucou meu braço e perguntou se poderia dormir. Eu assenti, inclinei a cadeira dela para trás e lhe entreguei seu travesseiro. Antes que eu pudesse notar, ela já havia pegado no sono. Essa capacidade que as crianças têm de dormir tão rápido sempre me surpreendeu. Tentei imitá-la, mas na primeira turbulência vi que seria impossível. Então agora vou passar a noite em claro?.Olhei para as pessoas a minha volta e notei que quase todos estavam dormindo. Revirei os olhos. Realmente, sou a menina mais azarada do mundo.

Encostei a cabeça na janela do avião e comecei a observar a paisagem abaixo de nós. Estava entretida com os vários pontinhos de luz, distantes e minúsculos, quando ouvi um ruído estranho. Era uma espécie de grasnido. Eu olhei novamente para janelinha, a procura do animal responsável pelo barulho. Pensei que pudesse ser um corvo, mas não sabia se corvos podiam voar tão alto. Outro grasnido, dessa vez mais intenso. Olhei em torno para conferir se alguém mais tinha escutado. Pareceu que não. Todos os passageiros dormiam ou se distraíam com música ou livros. Voltei minha atenção janelinha novamente e levei um grande susto. Definitivamente, aquilo não era um corvo.

Naquele momento, eu não sabia se o que eu estava vendo era real. Não sabia se estava sonhando. Só sabia que aquela criatura era incrivelmente assustadora. Era evidente que aquele não era o tipo de bicho que a gente encontra num livro de Biologia. Estava mais para personagem de contos de terror. Tinha asas de morcego incrivelmente compridas com garras afiadas nas pontas. Um corpo esquelético e patas grandes o suficiente para carregar duas de mim. Sua boca estava repleta de presas amareladas. E, por mais estranho que isso soe, sabia que o monstro olhava para mim. E não olhava de um jeito amigável. Senti um arrepio na nuca e congelei na cadeira. Queria gritar. Mas não conseguia. Tentei olhá-la melhor, para ter certeza de que não estava tendo alucinações, mas havia uma espécie de neblina, que confundia a minha visão. Então, para me deixar mais apavorada ainda, o monstro decidiu que era hora de mudar sua rota. Olhou para mim uma ultima vez veio diretamente para mim.

Certo, quando você é a única garota acordada dentro de um avião não confiável, e um monstro voador maligno surge na janela e em seguida avança na sua direção com o intuito evidente de tirar sua vida, qual é a sua reação? Gritar, eu diria. Bem, foi exatamente o que eu fiz. Dei um grito histérico e consegui acordar todos os passageiros. Aí tapei a boca e fechei os olhos com força. Eu vou morrer eu vou morrer eu vou morrer eu vou morrer... Esse pensamento se repetiu várias vezes durante os segundos que passavam até a criatura atingir o avião e derrubar todos nós. Será que eu já morri? Levantei a cabeça devagar e olhei para ver o que estava acontecendo. Ainda estávamos voando. Eu não tinha morrido. Na verdade, ninguém tinha morrido. Pelo o que pareceu o suposto monstro não atingira o avião. Tinha passado rápido e perto o suficiente apenas para nos desestabilizar.

Aí eu ouvi mais um grasnido e o avião começou a virar de um lado para o outro. Foi quando todos começaram a gritar. As máscaras de oxigênio caíram dos compartimentos. Lea acordou assustada e começou a chorar. Logo, eu também estava chorando também. Mamãe apareceu tentou nos tranquilizar, mas suas mãos tremiam. Passaram-se uns 15 minutos até que o piloto e os funcionários fizessem com que todos se acalmassem. Bem, todos menos eu.

Durante o resto da viagem eu me esforcei para esquecer aquele fato. Tentei me convencer que tudo tinha sido um sonho. Mas sabia que não era verdade. Eu não tinha dormido. Fora real. Estranho, sim, mas real.

Notas finais
E ai? Odiaram? Amaram? Deixem reviews e me façam feliz :3