Entre Cafés Descafeinados E Desenhos

1 Entre cafés descafeinados e desenhos


Notas iniciais
Olá! Primeira fic que faço sobre o Kise, apesar de gostar bastante dele! ♥ Espero que gostem!

Ele era modelo nas horas vagas e jogava para o clube de basquete do colégio Kaijo. Era alto, tinha seus quase 1,90 metros, loiro de olhos dourados. Basicamente, o sonho de toda garota.

A verdade era que Kise Ryouta já estava cansado de ser assediado por meninas o tempo inteiro. No começo ele até achava legal, mas agora estremecia só de pensar em assinar mais alguma coisa ou tirar mais uma foto. Ele andava pela rua do distrito de Kanagawa com o capitão do seu time de basquete e melhor amigo, Kasamatsu Yukio. Os dois falavam sobre os recentes jogos que tiveram e suas sucessivas vitórias. Kise era o ás do time e sempre levava Kaijo à vitória, mas ele não seria nada se não fossem seus companheiros de time. Kasamatsu tratava de lembrá-lo frequentemente que ele era somente um novato e tinha que respeitar seus senpais.

Depois que o loiro e o moreno se despediram numa esquina, Kise continuou reto naquela rua mal iluminada. Não era muito tarde, mas o sol já havia se posto e escurecia rapidamente. Além disso, estava ficando cada vez mais frio, e Ryouta precisava chegar em casa cedo. O garoto estava passando por algumas vielas e notou uma movimentação estranha numa delas. Parou por um segundo, não conseguindo ver muito adiante.

-Me solta, filho da puta. Eu estou falando para me soltar.

-Não vou soltar.

-Vou gritar então.

-Não faça isso, gatinha.

Ryouta somente viu um reflexo prateado refletir a luz. Uma atmosfera estranha preenchia o ar, e ele jurava ter ouvido vozes.

-Me solta! – essa voz foi alta e clara. Kise estranhou.

-Cale a boca, garota.

-SOCORRO! SOCORRO!

Os gritos vinham da viela que Kise olhava. Infelizmente, estava escuro demais para ele ver. Alguém estava gritando por ajuda. O loiro ficou na dúvida se ligava para a polícia ou corria para ajudar. Sacando seu celular, abriu a tela e deixou com que a luz iluminasse o beco escuro por onde entrava.

Entre as poucas formas que conseguiu distinguir, estavam uma garota e dois caras enormes, um deles segurava uma faca e outro apertava os braços da garota, segurando seu cabelo com a outra mão. Todos pareceram surpresos ao ver o loiro ali.

-Ei! Soltem ela! – Kise gritou, parado no lugar.

-Seu idiota, fuja! – a garota gritou, antes de ser calada por um dos caras.

-Saia daqui, moleque! – gritou o segundo.

-Larguem a garota que eu vou embora. – Kise estava sério.

-Pega ele, seu imbecil! – o primeiro gritou.

O cara grande da direita correu na direção do loiro com uma faca nas mãos. Ryouta, por ser muito ágil, conseguiu desviar do ataque. O loiro abaixou, e mesmo vendo muito pouco, conseguiu identificar uma lata de lixo. Pegou a tampa dela e bateu com tudo na nuca do homem. Ele caiu no chão, desacordado.

-Maldito! – o primeiro largou a garota e correu para atacar. Kise desviou de um, dois, três socos, até que abaixou e chutou o cara, que voou contra a parede de tijolos.

-Corra! – o loiro gritou para a garota, mas ela estava em choque.

-Cuidado! – ela respondeu, apontando para trás do garoto.

O ás abaixou bem a tempo de evitar uma pancada nas costas. Rolou pelo chão até perto do segundo cara, e pegou a faca que estava nas mãos dele. Ergueu-se, apontando o objeto para o peito do homem.

-Afaste-se, não quero usar isso.

-Como se você tivesse coragem, garoto. – o homem provocou.

Kise avançou, mas ao invés de usar a faca, deu um soco no maxilar do homem. Ele rodopiou e caiu. Ryouta sabia que o maxilar era um ponto fraco e deixava qualquer um tonto por muito tempo por causa das aulas de autodefesa que teve no colégio.

-Vamos! – o loiro correu em direção à garota, pegou a mão da mesma e os dois correram beco afora.

Só pararam de correr depois de duas quadras. Arfando, o garoto e a garota pararam numa rua movimentada o suficiente. Kise deu uma olhada na garota. Ela era alta, cerca de 1,70, morena de cabelos pretos e olhos muito azuis. O rosto dela estava vermelho, o cabelo bagunçado, ela suava e sua camisa estava toda rasgada, mostrando parte da barriga e sutiã.

-Meu Deus, você está bem? – Ryouta estava preocupado com o estado da menina.

-Sim – ela continuava arfando – Obrigada por ter me ajudado – e sorriu.

-Não tem importância. – Kise deu de ombros, sorrindo também. Ele percebeu que a garota se abraçava, esfregando os braços – Aqui, pegue.

Ryouta tirou o próprio casaco e o colocou nas costas da garota. Ela sorriu gentilmente e agradeceu.

-O que diabos aconteceu? – o loiro estava confuso.

-Aqueles caras são uns idiotas, isso sim. – a garota parecia brava – Eu estava indo para casa e eles me arrastaram para o beco. Rasgaram toda a minha roupa. Que raiva, eu realmente gostava dessa saia. – ela estalou a língua, revoltada.

-E qual seu nome?

-Ikaeda Ai, e o seu?

-Kise Ryouta.

-Bom, Kise-san, obrigada pela ajuda. Tenho que ir para casa agora.

-Nem pensar. Está frio, você está congelando, e eu me recuso a te deixar ir sozinha depois daquilo. – o loiro olhou ao redor, então sorriu – Vamos tomar alguma coisa para se aquecer, então eu te levo para casa. – ele apontou para um estabelecimento na calçada oposta – Topa um cafezinho?

Ai sorriu. Ela estava realmente com muito frio, e odiaria mais que tudo ficar sozinha agora. Não tinha sido uma experiência agradável, então ela estava satisfeita em ter uma companhia tão legal como Kise.

Ela topou o café, então os dois seguiram para a cafeteria. Dentro da loja estava quente e abafado, o cheiro de café preenchia o ar e fazia o estômago de Ai roncar. Ela não comia nada desde o almoço.

-Sente-se – Kise puxou a cadeira para ela. – Vai querer o que?

-Um cappuccino, com bastante chocolate se possível.

-Beleza, já trago.

-Tome – a garota entregou algum dinheiro, mas Kise se recusou a pegar.

-O convite é meu, então eu pago.

As bochechas de Ai ficaram vermelhas com aquele sorriso enorme que Ryouta abriu. O garoto se afastou, indo até o balcão. Fez os pedidos e ficou aguardando. A morena olhava para fora pela janela, apoiando a cabeça nas mãos. A TV estava ligada num canal qualquer. Para distrair a mente, Ai pousou seus olhos na tela, e nem reparou quando o loiro chegou com as bebidas.

-Prontinho, seu Cappuccino com bastante chocolate. – ele foi ignorado pela garota – Hm... Ai-chan?

-Ahn? AH! – a garota se assustou um pouco – Foi mal. – ela riu – E você, vai tomar o que?

-Café descafeinado com bastante chantilly. Quer um pouco?

-Não, obrigada.

Os dois deram um gole nas bebidas. Ai surpreendeu-se com o sabor, sentindo o calor começar a preenchê-la, descongelando as pontas dos dedos. O garoto e a garota continuaram conversando banalidades, até que o olhar de Ai fica preso na TV. O garoto que estava naquela propaganda era terrivelmente parecido com aquele sentado na sua frente. O mesmo cabelo, os mesmos olhos... A morena tirou os olhos da TV e analisou Kise, que corou ao perceber que ela o olhava com curiosidade.

-Q-Que foi? Tem alguma coisa no meu rosto? No meu c-cabelo? – ele perguntou.

-Você parece aquele garoto – ela apontou para a TV. O garoto permaneceu mais uns cinco segundos na tela antes de acabar o comercial.

-Ah, sou eu! – ele riu.

-Você faz comerciais? Que legal!

Ryouta ficou surpreso que aquela garota não o conhecia, e aliviado por ela não ter tido um ataque e ter pedido fotos ou autógrafos. Ele estava de saco cheio dessas coisas.

-Sim, eu sou modelo – Kise corou, coçando a nuca e rindo.

-Como sou sortuda! – a garota riu consigo mesma – Fui salva por um modelo famoso. Desculpa, nem te reconheci. Você deve estar se sentindo péssimo...

O ás riu abertamente, em alto e bom som.

-Não, não tem importância.

Kise estava impressionado pela cor dos olhos de Ai. Eram de um azul muito intenso e brilhante, e ficavam vagando pela cafeteria prestando atenção em todos os detalhes. O loiro achava que ela só estava sendo precavida, mas a verdade era que Ai gostava de observar detalhes por ser uma ótima desenhista.

-Já terminou? – Kise perguntou ao pousar seu copo na mesinha.

-Sim. Muito obrigada, Kise-san. De verdade.

-Não tem problema, Aicchi.

-Aicchi? – ela riu.

-É uma mania estranha, admito. – ele levantou-se – Você se importa? Ou prefere Ai-chan?

-Aicchi é legal – a garota ergueu-se também.

Os dois saíram da loja, e Ryouta estremeceu ao ver o quão frio estava. Tinha cedido seu casaco à garota, mas ela também parecia com frio.

-Onde você mora?

-É meio longe... Lá na rua 89.

-Poxa, é bem longe – Kise riu sem graça – Porque não vamos lá pra casa? Aí eu peço pra uma das minhas irmãs nos levar de carro até a sua casa. Pode ser?

-Por mim tudo bem.

Os dois partiram para a casa do loiro. Não era longe, somente mais três quadras afrente. Era uma casa branca com várias janelas e um segundo andar com varanda. As luzes estavam acesas e podia-se ouvir gente falando. Dois carros estavam estacionados na garagem, e as flores tremelicavam por causa do vento. Ai achou a casa bem bonita, e decidiu que faria um desenho dela depois.

Kise levou a garota até a porta da frente. Ela aguardou enquanto ele destrancava a porta. O loiro pediu para que a garota esperasse um pouquinho do lado de fora. Ele entrou.

-RYOUTA, VOCÊ ESTÁ ATRASADO! – alguém berrou lá dentro.

-Nee-chan, onde está a mamãe?

-Não chegou ainda. – uma voz pacífica falou, bem diferente daquela que tinha gritado.

-ONDE VOCÊ ESTAVA, HEIN? O JANTAR ESTÁ PRONTO HÁ MEIA HORA E...

-Calma, Nee-chan!

A porta se abriu, e Kise apareceu. Atrás dele, Ai pôde ver duas garotas com os mesmos cabelos e olhos que o garoto a sua frente. Ela ficou envergonhada pela situação. A garota que gritava estava parada de boca aberta, somente olhando para a morena.

-Uma garota? – a loira que estava sentada numa poltrona levantou e foi até a porta.

-O-Oi – Ai disse baixinho, corando.

-Entre, Aicchi, está frio aí fora.

Kise pegou na mão da garota e a puxou para dentro. A casa era bem grande e espaçosa.

-Meu Deus, o que aconteceu com você? – a outra garota, a que estava gritando, chegou perto também.

Era incrível a semelhança entre os irmãos. Todos tinham cabelos e olhos dourados, pele perfeita e cílios longos. Pelo visto, Kise era o mais novo, e as duas garotas eram gêmeas idênticas.

-Eu estava vindo para casa, e ouvi alguém gritando – Kise começou a explicar – Eu fui ver, e a Aicchi estava sendo atacada por dois caras, então eu salvei ela. Por isso me atrasei, Nee-chan. Desculpe.

-Calado, Ryouta. – a da direita disse.

-Venha, querida, vou te emprestar algumas roupas. Aqueles brutamontes rasgaram toda a sua camisa, você deve estar congelando nessa saia...

-N-Não precisa...

-Bobagem. Vamos. – a da esquerda passou o braço pelos ombros de Ai e a arrastou até o segundo andar.

-Ryouta, você fique aí embaixo. – uma delas pediu.

-Uma de vocês poderia levá-la para casa de carro?

-Claro, nos dê alguns minutinhos.

Kise suspirou, então jogou-se no sofá. Ouvia as vozes no andar de cima. Lá, as irmãs tinham arrastado Ai para o quarto delas, e ambas reviravam gavetas e gavetas de roupas a procura de alguma coisa para a morena vestir.

-Mas e então, você e o Ryouta estão saindo? – a irmã perto da porta perguntou, curiosa.

-N-Não... Eu não conhecia ele antes de hoje.

-Aqui, vista isso – a irmã que estava perto da TV trouxe uma calça jeans para Ai – Talvez fique um pouco grande, não sei. Se quiser pode ficar com ela.

-Obrigada.

-E vista essa blusa, está realmente frio lá fora – a outra irmã jogou um casaco e uma blusa de manga comprida para a morena.

Ai se trocou rapidamente, e as meninas desceram para a sala de novo. Uma das irmãs levaria o loiro e a morena para a casa dela.

-Pronto? – Kise levantou do sofá, desamassando as roupas. Ele ergueu os olhos e deu de cara com uma Ai toda envergonhada – Não se preocupe, você está ótima! – e sorriu.

Ai vestia uma calça jeans clara com alguns rasgos no joelho, uma camisa de bolinhas coloridas e um casaco azul marinho. Kise achou que ela estava realmente bonita, e que aquelas cores realçavam e muito os olhos dela. A respiração do garoto saiu meio cortada.

-Obrigada.

-Eu vou levar vocês, então vamos? – uma das irmãs segurava a chave do carro e abriu a porta.

-Vamos sim – o ás do time deu um sorriso enorme para a garota.

Ai não se conformava como alguém poderia ser tão gentil e sorridente como o garoto na sua frente. Além do mais, Kise era muito bonito e usava um perfume que a deixava embriagada.

Os três partiram para o carro preto na garagem, e alguns minutos depois já estavam na rua. Ai explicou o caminho para a irmã de Kise. A garota tirou seu caderno de dentro de sua bolsa e começou a rabiscar algumas linhas bobas. Olhava de vez em quando para o garoto ao seu lado para traçar direito os detalhes. Kise estava corado por ver que a garota o observava novamente.

-Que foi? – ele perguntou depois de um tempo.

-Nada, Kise-san. Pegue isso como agradecimento – ela arrancou a folha do caderno e a entregou para o garoto, sorrindo.

-O que é isso?

Kise analisou a folha, surpreso ao ver um desenho seu muito bem feito. No desenho, ele estava parado na frente da cafeteria sorrindo e acenando, com um copo de café na outra mão.

-Uau, ficou incrível! Aicchi, não sabia que você desenhava tão bem!

-Isso não é nada – ela ficou envergonhada demais.

-Ficou ótimo, de verdade. – ele sorriu gentilmente para ela.

-Chegamos, Ai-chan! – a irmã de Kise anunciou enquanto parava o carro perto da calçada.

-Muito obrigada pela carona, Nee-chan – Ai agradeceu profundamente – Obrigada você também, Kise-san. Eu não sei o que teria acontecido se você não tivesse aparecido lá...

-Não há de quê, sério. Espere um pouquinho.

Kise desceu do carro e fez questão de abrir a porta para que a morena descesse.

-Eu devolvo as roupas amanhã, tá?

-Pode ficar com elas! – a irmã sorriu.

-Não, não, imagina. Eu passo na sua casa, Kise-san, e devolvo as roupas, tá?

-Beleza.

Os dois se despediram de novo, Ai agradeceu mais uma vez e entrou em casa. Depois de tomar um banho quente, deixou de fazer lição para ficar desenhando as formas do garoto que estavam grudadas em sua mente. Deve ter feito uns vinte desenhos só do sorriso dele antes de cair no sono em cima de seu caderno. Ryouta, quando chegou em casa, também foi tomar um banho. Deixou seu desenho pregado em seu mural, e só na hora de dormir que percebeu alguns pequenos números no canto inferior direito do desenho. Ai tinha deixado seu telefone. Ambos não sabiam, mas seus corações batiam rápido demais ao pensarem um no outro.

Assim, o loiro e a morena passaram a se ver todos os dias para tomar um cafezinho depois da aula, e Ai e as irmãs do ás viraram boas amigas. A morena topou experimentar um pouco do café descafeinado com chantilly, e Kise passou a pedir uma dose extra de chocolate para os Cappuccinos que tomava de vez em quando na companhia da garota.

Notas finais
Comentem, digam suas opiniões ♥

Obs: esse é o segundo capítulo da série. As histórias não são interligadas, mas se quiser ler os outros, fique a vontade! O próximo capítulo sai em breve.