Entre Barreiras de Uma Nação
4 Capítulo 3 - Atenas, a terra da filosofia.
Notas iniciais
O barulho das carroças era o típico barulho de despertador para o rapaz. Ouviu os cavalos, as pessoas, gritos, o gongo das universidades, e um leve puxão ao seu pé, abriu os olhos lentamente e viu sua mãe sorridente chamando-o. Estava atrasado para a primeira aula. Pegou uma maça que estava sobre a fruteira da cozinha e saiu correndo. E sua mãe ficou ao fundo ficou rindo da situação; já não era a primeira vez que se atrasava para a primeira aula... Se ela fosse como Sebastião (em grego sagrado, reverenciado), Ah não, Sebastião não iria tolerar que seu filho se atrasasse, mancharia a reputação de um amante da cidade como ele... Mas agora ele não tinha mais nenhum poder sobre a casa, pelo menos não diretamente. Havia partido na primeira guerra contra Esparta, e nunca mais voltara.. nem voltaria. A rixa entre Esparta e Atenas sempre interferiu nas vidas dos civis, sempre que uma certa quantidade de soldados era chamada, uma quantidade de cidadãos também era, assim, formar-se-iam filas de proteção aos verdadeiros soldados. Sebastião foi um desses civis, era um mestre em filosofia, amava Atenas mais que a própria vida. Sebastião: Filósofo, professor e pai... doou sua vida e o destino de uma família feliz aos propósitos egocêntricos do rei Cécrope. Uma lagrima teimosa escorregava pela face de Néofita ( em grego convertida para a fé) sempre que lembrava do marido. Haviam se passado anos desde que ele se fora, mas a imagem ainda era vivida em sua mente. Entrou em casa e foi ao pequeno templo construído em sua casa. Depois da morte de seu amor entregou-se apenas a o que os Deuses ‘pediam’. Néofita sempre fora fiel ao seu marido, e agora toda fidelidade foi transferida a seu filho e seu bem estar, e é claro, aos Deuses, tinha fé de que se fosse fiel as entidades poderia dar uma boa vida ao seu único filho. *** Os loiros fios sacudiam e ricocheteavam o rosto de Alexandre, estava atrasado pela terceira vez na semana, e com toda certeza seu professor não ia aceitar aquilo tão facilmente, provavelmente o faria escrever cinco pergaminhos falando sobre a disciplina ateniense, de novo. Ele sabia que essa vida de sábio mestre filosófico não tinha nada a ver com ele, apesar de seu pai ter sido um dos dez maiores mestres de Atenas, Alexandre nunca quis essa vida e essa ‘fama’ para si, até porque, queria ser conhecido por outros méritos e não pelos mesmos de seu pai. Médico. Isso que sempre sonhou em ser... Era uma profissão nada valorizada em Atenas, apesar de ser a terra do saber, era também uma das mais cegas pela credulidade dos atenienses em seus Deuses. Se você era médico, era considerado um ultraje a sociedade. Se Sebastião fosse vivo com toda certeza Alexandre iria desistir de seu sonho, mas agora o caminho estava livre, e provaria a seu pai, e a todos aqueles crédulos que a ciência e não estátuas de Deuses salvariam as vidas dos enfermos. — Alexandre! Está atrasado denovo. — Eu sei, sinto muito professor, fiquei tempo demais... – procurava se explicar — Não quero saber, sente-se. Como punição escreva 4 pergaminhos sobre disciplina ateniense — “ Em pergaminho a menos do que o esperado” – ironizou Alexandre em pensamentos — Um bom filósofo deve ter mente aberta ao mundo, não deve pensar em tudo como todos pensam... O resto da explicação foi ignorado, já havia ouvido sobre aquilo com seu pai, e não queria saber como ser bom filósofo, não pensava em ser isso. O resto das aulas se arrastaram como todas as outras, felizmente era sua ultima semana na escola, logo alcançaria a eufebia. Mas antes, tinha que avisar sua mãe de sua decisão. Havia deixado isso para a ultima hora, sabia que provavelmente não acataria sua decisão, mas com toda certeza não voltaria atrás.
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