Notas iniciais
Como vocês estão? Ando sumida né srsr... Espero que gostem do que andei preparando para vocês.

Entre Acasos e Destinos


Aqui estamos mais uma vez. E, com o passar das linhas, você irá descobrir quem nos narra hoje: se é nossa já velha conhecida Aura, se é a nossa nova companheira de contos, Arina, ou até mesmo vossa narradora, que andou sumida por alguns anos. Gosto dessa parte de escolher uma das três para narrar. Cada uma possui sua própria maneira de contar uma história, sem que isso faça com que percamos a essência do que realmente importa.



Lucia é uma jovem camponesa que sempre sonhara em formar uma família e viver os tão sonhado “felizes para sempre”. Porém, a realidade que a vida lhe apresentara fora completamente oposta àquilo que um dia imaginara. Cresceu cedo demais, carregando responsabilidades que sequer poderia imaginar. Cuidava da casa, dos irmãos, estudava e ainda realizava serviços extras para conseguir o básico, enquanto seus pais faziam o possível — e até o impossível — para manter a comida sobre a mesa.

Em contrapartida, temos Lucian. Um jovem príncipe que tinha tudo ao alcance das mãos. Desde o que vestir até o que desejasse comer. Porém, por trás de todo aquele luxo, sentia-se preso às regras e às incontáveis aulas que precisava ter todos os dias. Não possuía sequer um minuto para si sem que houvesse alguém o vigiando, ensinando alguma coisa, corrigindo seus modos ou simplesmente lembrando-lhe de como um príncipe deveria se portar.


Dois mundos. Duas vidas completamente opostas. Duas pessoas que, em circunstâncias normais, jamais teriam seus destinos cruzados. Porém, é aqui que entra a famosa pegadinha do destino. Ou, como costumam dizer, o acaso — aquele que não teria como dar certo se fosse combinado. Mas deu.

A vida dos dois se cruzou de uma maneira que nenhum deles estava preparado para enfrentar, compreender ou sequer acreditar. E talvez o mais curioso de tudo seja que nenhum dos dois fazia ideia de que, naquele momento, suas histórias estavam apenas começando a se entrelaçar.


LUCIA


Mais um dia se inicia em sua rotina diária. Acordar às 6h, auxiliar sua mãe no preparo do café da manhã para ela e seus irmãos, levá-los para a escola e seguir rumo ao castelo para mais um dia como camareira.

Esse serviço caíra do céu. Ela precisara abandonar os estudos, porém o salário que recebia no castelo era maior que os valores que conseguia com os bicos que fazia na feira livre do condado. Além disso, ainda conseguia ajudar seus pais com as despesas, pois, com a idade avançando, eles já não conseguiam mais realizar trabalhos pesados e estavam perdendo algumas oportunidades de trabalho.

Ao longe, escutava-se seu cantarolar. Por mais difícil que fosse sua vida, ela sempre encontrava um motivo para sorrir e cantarolar, mesmo quando todos a olhavam com pena. Apesar de todo o esforço e da pouca idade, possuía uma beleza natural que, se tivesse melhores condições, poderia fazer com que alguns a confundissem com uma princesa ou até mesmo uma duquesa. Irônico, não?


— Bom dia, jovem Lucia. Vamos começar mais um dia?


— Bom dia, Madame. Vamos sim. Estou pronta para iniciar meus serviços.


Amélia adorava a garra da jovem e, apesar de muitas vezes acreditar que ela deveria estar finalizando seus estudos, entendia que, para alguns, aquela era uma realidade infelizmente muito comum em todo o condado: abandonar os estudos para trabalhar.


— Então vamos, pequena Lucia. Vamos, que hoje teremos muito o que fazer. Nos próximos dias haverá um evento aqui no castelo e precisamos deixar todos os quartos equipados e preparados para os visitantes. Lucia pegou a deixa e já subiu com a senhora até o andar pelo qual ficaria responsável, para arrumar e abastecer os quartos e deixá-los impecáveis para os reis, duques e príncipes que se acomodariam nos próximos dias.

Enquanto trabalhava, deixou sua mente vagar. Pensou se algum dia encontraria o amor e conseguiria ter um relacionamento tão sólido quanto o de seus pais, porém com condições melhores para poder acomodá-los agora, no final de suas vidas.

Estava tão submersa em seus afazeres que quase perdeu a hora do almoço. Sabia que não podia ficar se atrasando. Apesar de todos ali a tratarem muito bem, os horários precisavam ser seguidos corretamente e, caso se atrasasse, não poderia almoçar e teria que esperar até a próxima refeição. Sua sorte era que Amélia sabia o quanto a menina se empolgava com os afazeres e, muitas vezes, acabava perdendo a hora do almoço.


— Vamos, pequena. Vamos almoçar.


— Nossa, por Deus, Amélia! Que susto! Já é hora do almoço? Jesus, como pode ter passado tão rápido?


— Pois passou. Vamos, apresse-se em me acompanhar ou iremos perder nosso horário da refeição.


E, com isso, as duas se apressaram para o refeitório dos criados, onde fariam sua refeição. Pois o que ninguém poderia dizer era que passavam fome ou comiam mal. Apesar da frieza, os reis tratavam muito bem todos os criados, principalmente durante as refeições.

Após a refeição e alguns minutos de descanso, a jovem Lucia já voltou ao andar onde estava trabalhando naquele dia e retomou sua tarefa de abastecer os cômodos com todos os jogos de cama e banho, além de todos os itens que os visitantes poderiam precisar. Sempre se certificava de que tudo estivesse devidamente dobrado e guardado em seus respectivos lugares.

Estava tão submersa em seus afazeres que, ao sair de um quarto carregando várias toalhas recém-dobradas, acabou esbarrando em um jovem que parecia ser nobre, porém ela nunca o havia visto antes.


— Peço-vos sinceras desculpas. Eu estava tomado pela pressa e, por minha falta de atenção, acabei por esbarrar em vós. Espero, por gentileza, que me perdoeis por tamanha indelicadeza. — Lucia havia se abaixado para pegar as toalhas, mas, quando escutou o pedido de desculpas, não sabia se ria ou perguntava a ele por que falava de maneira tão formal.


— Meu rapaz, não fora nada, não. Só me ajude, por favor, a pegar essas toalhas, pois irei levá-las para lavar. Não posso mais usá-las para guardar, pois caíram no chão. — E, com isso, continuou pegando as toalhas, pensando que todo o seu serviço fora desperdiçado, já que havia dobrado todas elas e agora teria que mandá-las para lavar.

Mal percebeu a expressão de choque do rapaz à sua frente. Talvez por tamanha ousadia.

Ou, quem sabe, porque ela realmente não fazia ideia de que acabara de mandar um príncipe pegar toalhas do chão.

Notas finais
O que acharam Kizlars?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.