Notas iniciais
Olá meus queridos, como estão? Sei que não devem estar muito bem depois da bomba do último capítulo... Que cena difícil! Sasuke e Itachi com Madara é impensável, mas garanto que tudo tem um motivo. Eu pretendia seguir contando mais sobre o passado do patriarca já nesse capítulo, mas fiquei com dó de vocês kkkkk Decidi fazer um capítulo mais leve e mais fofo para todo mundo se recuperar bem do choque, então podem respirar aliviados porque vai ter emoções, mas cenas leves e tranquilas também. Muita gente ficou revoltada perguntando o motivo da cena Uchihacest e, bem, é porque ela era necessária, oras. Eu não queria jogar a bomba sobre o Madara e ele sair como um coitadinho/vítima, então pensei o que ele poderia fazer que mostrasse de vez, para quem ainda não tivesse entendido, o tipo de pessoa que realmente é. A cena veio na cabeça na hora. Ao mesmo tempo, penso que Sasori e Naruto já sofreram muito nas mãos dos Uchihas, mas a responsabilidade recai pouco sobre os "responsáveis" por fazê-los ingressar no clã. Ou seja, algo muito doloroso precisava marcar tanto o Sasuke quanto o Itachi. Esse também é o estopim para eles desejarem fazer Madara cair. Tudo se encaixava e foi o que fiz. Pra mim, o sacirfício do Itachi é uma forma de "pagar" com o próprio corpo, de bom grado, toda a dor que o Sasori passou quando perdeu a Aiko, estando completamente sozinho. Por isso essa cena é tão importante. Da mesma forma, o sacrifício do Sasuke para manter o Naruto e os gêmeos à salvo mostra que os irmãos Uchiha chegaram ao grau de maturidade emocional de quem entende o tipo de clã horrível do qual é herdeiro. Eles serem capazes de se encarar depois de tudo é a maior prova disso, e estou sinceramente muito feliz de conseguir descrever isso. Ao mesmo tempo, Madara é um homem rico e influente, cuja culpa nunca recai sobre si. Andaram vendo os casos recentes da socialite que atacou aquela criança? Ela o faz porque quem vai prender uma pessoa rica e influente? É triste, é revoltante, e esse é o país em que vivemos. Por que seria diferente em uma fanfic? Eu já vi dezenas de vezes o modo como muitas pessoas influentes se sentem superiores e sabem que o poder está em suas mãos. É uma das verdades mais amargas desse mundo. Creio que eu já disse que estou revisando a fic toda do começo né? Motivo simples: minha falta de tempo que não me deixa reler e escrever de uma vez só, normalmente escrevo pedaços picados e depois os junto. Na maioria das vezes eu atualizo sem nem conseguir ler bem os capítulos anteriores porque senão conta mais tempo na atualização. Aos que estão reclamando por causa de erros de digitação ou furos, casais da fic e número de personagens que aparecem (ou não)... Menos, né? Que eu saiba não recebo nada para escrever e nem trabalho para vocês, vão se achar o editor-chefe de outra pessoa. Quem me dá bronca de enredo e me dá dicas sabe que eu rio e concordo sempre que estou errada, agora vir se achar no direito de dizer o que eu devo ou não escrever é muita folga. Vá cuidar da sua própria fic e tentar conseguir alguns favoritos para ela, ou vá jogar hate em outro lugar. Se desgosta tanto do que está lendo então não entendo porque ainda está aqui. Fecha a aba e segue o baile. Antes eu até me preocupava mais, penso que melhorar a escrita é importante, mas não encano quando erro ou esqueço alguma coisa. A vida é curta demais para isso e eu escrevo para me divertir. Agora vamos falar de coisas boas! Como sempre, quem me ajuda com a fic é a maioria esmagadora e eu amo vocês por isso. Pra quem me add no face sabe que acabo de voltar de Orlando e socorro, eu me diverti demais passeando pela Disney que amo de paixão, Universal Studios, fiz feitiço no parque do Harry Potter, dei abraço nas girafas do Busch Gardens, encontrei minha rainha Elsa, chorei todos os dias de alegria... Eu tô novinha em folha! Hahahahahaha, voltei com o espírito muito leve e muito disposta a fazer essas crianças lindas que o Naruto espera aparecerem de vez na fic! Chega de conversa agora que tem muita emoção pela frente. Preparados? Boa leitura!

Morar perto um do outro tinha algumas desvantagens. Uma delas era que sempre que fazia algo simples como ir à padaria acabava fatalmente encontrando quem não queria.

Tal foi o caso enquanto esperava na fila do pão e olhou para frente. Lamentou horrivelmente a hora que pensou “Oh, um dia de frio! Vou buscar pãozinho fresco para encher de manteiga e comer com minha xícara cheia de café enquanto assisto seriado!” e por conta disso, Deidara praguejou em nome de todas as pragas que existem, se é que isso é possível, ao ver Nagato vindo na direção oposta, com uma sacola cheia. Ao bater os olhos em Deidara, imediatamente eles se iluminaram.

“Aff, guarde esse olhar irritante para você” — pensou, mas ficou um tantinho feliz, tinha que admitir. Olhares de admiração eram sempre bem vindos ao ego inflado. Ficou parado esperando ele vir em sua direção, sabia que faria isso.

— Oi, Deidara. Como está?

— De boas — resmungou de volta e não demorou muito tempo olhando-o nos olhos porque ficou ligeiramente sem graça. Antes, desviou a atenção para a sacola que ele carregava — Tem comida aí pra quantos meses?

Nagato riu meio sem graça.

— É que gosto de cozinhar e acabo fazendo mais do que aguento comer.

Aquela conversa logo pareceu clara para o artista. “Oh claro, ele vai dizer que não aguenta comer tudo sozinho e em seguida perguntar se eu quero ir lá comer também. Vai sonhando!”- resmungou mentamente dando um passo à frente na fila do pão. Preferia jantar isso do que ceder e ir à casa de Nagato!

— Você já jantou? Poderia me acompanhar se quiser.

“Tão previsível” — inteirou na mente para em seguida responder — Valeu o convite, mas eu vou recusar.

Era nítido o desapontamento dele, tanto que Deidara se sentiu a pior pessoa do mundo.

“Ora, vamos, não me olhe com essa cara, seu maldito desgraçado! Não me faça ficar com pena!!!” ficou subitamente arrependido de ter recusado. Nagato somente lhe deu um sorriso sem muita vontade em troca.

— Ok então… Eu vou indo. Bom te ver, Deidara — nem esperou resposta e saiu caminhando.

Deidara rolou os olhos para cima, querendo gritar de raiva. Antes que se desse conta havia saído da fila e estava rumando para fora da padaria. Avistou Nagato caminhando a passadas duras logo à frente. Sem cerimônias segurou seu braço, chamando-lhe a atenção.

O rosto confuso e subitamente vermelho dele pareceu fofo, não podia negar. Expirou bem forte, o movimento fazendo os cabelos compridos e loiros escorregarem para frente dos ombros.

— Pode me convencer de acordo com o que for cozinhar. Eu sou chato com comida — lhe mostrou uma cara emburrada.

Passada a surpresa inicial Nagato se inclinou em sua direção, interessado no tom daquela conversa.

— Me diz o que quer e eu faço para você.

Fora pego, não esperava essa resposta.

— Uma costela assada me faria bem mais feliz do que jantar pão, acredite — riu debochado e desavergonhado, forçando o outro a fazer o mesmo.

Nagato riu e então fez sinal para que o seguisse.

— Se importa se eu passar no mercado primeiro?

— Não, tranquilo. Já é folga o suficiente te fazer cozinhar para mim — deu um sorriso grande de lado para ele e endireitou o pescoço para frente, caminhando em silêncio, só ouvindo os passos dos dois, deixando o vento gelado bater no rosto.

Normalmente odiava ficar em silêncio, mas caminhar assim não era nada ruim. Vez ou outra esbarrava o braço sem querer e isso fazia seu corpo arrepiar de leve. Em provocação esbarrou mais vezes, vendo-o ficar sem graça. Em dado momento isso pareceu irritar o homem a seu lado porque ele tirou a mão do casaco e segurou a de Deidara entre a sua, olhando-o fixamente. O artista ia retrucar, mas mudou de ideia.

Era quentinho afinal de contas.

—-

Quanta folga ficar largado na sala assistindo enquanto alguém cozinhava. Até Deidara sabia disso!

Incomodado, ele se levanta e segue em direção a cozinha, espiando dentro dela.

— Me deixa fazer alguma coisa, vai. Eu tô me achando folgado.

— Está praticamente pronto — esboçou um sorriso calmo e paciente que remexeu Deidara por dentro.

Era verdade o que dizia, tudo estava arrumado, as louças lavadas. Ele parecia saber muito bem como lidar com a cozinha. O vidro da porta do forno começava a embaçar, sinal que a carne começava a assar.

Só então Deidara se deu conta do óbvio: levaria algum tempo até a comida ficar pronta. O que faria nesse meio tempo?

Começou a ficar subitamente nervoso.

— Deidara? — chamou o outro que parecia em outro mundo.

— Err… Você deve estar cansado depois de trabalhar o dia inteiro, devia ir tomar um banho. Eu olho o forno, juro que não deixo queimar — tentou ganhar tempo para pensar no que fazer — Normalmente nada me relaxa mais do que um banho quente e eu tomaria um agora mesmo se pudesse.

Nagato ficou sério e Deidara percebeu que estava falando demais, como sempre! Mas que droga, quando aprenderia a calar a maldita boca?

Ficou surpreso quando Nagato deu dois passos em sua direção. Um nervosismo imenso tomou o peito e não soube bem o que fazer. Olhou Nagato nos olhos sem saber o que esperar, ou como ele ia reagir.

E então ele sorriu, sem jeito.

— Vá na frente então — disse somente, demorando algum tempo como se pensasse e então deu-lhe as costas.

Deidara ficou petrificado no mesmo lugar.

— Como é??? Você é tapado ou o quê? Achei que fosse pedir para eu entrar junto!

Nem bem terminou a frase e tapou a maldita boca.

Que mania dos infernos tinha de falar demais!!!

“Alguém me mata!!! Só assim pra aprender a ficar quieto, inferno!!!”

Nagato não esperou ele se explicar. Apoiou uma mão de cada lado da bancada, encurralando-o e tendo o corpo dele entre os braços. Encarou-o bem de perto.

— Então… Quer tomar um banho comigo?

A respiração ficou mais forte de repente e todo o corpo de Deidara incendiou só de pensar. Internamente tudo nele gritava que sim! Queria muito!

Mas sua mente não acompanhava. Era estranho de todas as formas.

As mãos que estavam sobre o mármore escorregaram para suas costas e Deidara sentiu, mesmo sobre o tecido, o quão frias estavam. Nem tentou se afastar, sabia que não conseguia. Na verdade, se aproximar era tudo que tentou fazer desde que chegou àquela casa, desde que o viu mais cedo. Procurar uma oportunidade para se aproximar era tudo que fazia. Sempre.

Odiava admitir, mas aquele homem mexia consigo.

Enroscou os dedos nos passadores do cinto, erguendo o rosto para encará-lo.

— Talvez… — testou, como quem não tem muita certeza de nada.

— Significa que tem uma chance de você aceitar — Nagato subiu as mãos pelas costas dele. Era quase uma dança, um gingado lento e provocante. Deidara adoraria dizer que não estava ficando quente, mas seria mentira.

— Achei que fossemos começar como amigos — desconversou, mas da posição em que estava conseguia ver a gola em formato de “v”, e a pele que aparecia debaixo. Conseguia também sentir como aquele homem era cheiroso!

— Somos amigos que estão se conhecendo melhor. Tudo começa assim — juntou mais o corpo ao dele. Queria enfiar as mãos por dentro da camiseta, mas sabia que estavam geladas. Em razão disso desceu-as, perigosamente, e se enfiou nos bolsos do jeans do artista.

Imediatamente Deidara volveu o rosto para ele. O olho visível continha uma expressão bastante atrevida. Entreabriu os lábios e ergueu mais o queixo, ao fazer isso o cabelo loiro e sedoso deslizou pelo pescoço. Nagato suspirou em resposta.

Ele era como uma perdição. Que homem lindo!

Sem ver muita resistência, Nagato apertou as mãos na carne e odiou o jeans que não o permitia sentir com precisão a textura e o calor. Assistiu ele se contorcer de leve e espalmar as mãos em seu peito, sobre o avental preto.

A esta altura Deidara já começava a esquecer palavras como pudor ou cautela. Estava ardendo e fez questão de deixar isso claro quando desamarrou o avental.

Uma pena porque ficava muito bem nele.

Enfiou então as mãos debaixo da blusa, sentindo a pele quente. Um arrepio gostoso subiu pela espinha ao tocar nele.

Quando ergueu o olhar já sentia o rosto febril e não era mais capaz de resistir ou negar. Queria mais contato, mais proximidade. Queria Nagato e agora!

Entendendo exatamente isso o rapaz de cabelos ruivos segura com certa rudeza os cabelos longos e loiros, puxando para baixo e aproveitou quando ele resmungou para o beijar.

A princípio, Deidara ofegou porque não imaginava que ele o tomaria com tanta empolgação. Para onde foi aquele cara calmo e comedido?

Retribuiu o beijo, passeando as mãos pelas costas largas, impondo um ritmo que só aumentava. Se sentiu ser carregado e chegou a abrir os olhos, com medo de esbarrar em alguma coisa, mas foi erguido e sentado na bancada de mármore da cozinha planejada. Nem parou o que fazia e tampouco se importou, abrindo as pernas e deixando ele tomar espaço entre elas. Beijou-o como queria ter feito há tempos e quando abriu os olhos, ele o fitava intensamente, o olhar de quem ia devorá-lo.

Oh, certo. Ele adorava seus olhos, não é? Não demorou nada para ele afastar a franja, deixando os dois bem visíveis. O tom destoante da íris azul e da esverdeada o acenderam num instante e Deidara sentiu um volume latente pressionando sua virilha. Riu safado, já não tão desconfortável por se deixar ser visto da forma que considerava indefeso.

Claro que ainda tinha vergonha de mostrar seus olhos, mesmo para ele. Um trauma tão grande não se apaga tão rápido. Leva tempo e empenho.

Mas, quando pensava que tudo não passava de um tolo mal entendido não via razão para se sentir desconfortável. Ergue o rosto e o encara intensamente, ambos os olhos postos fixamente. Uma exibição do que havia de mais bonito em si mesmo.

Em resposta Nagato beijou o canto de seu rosto e Deidara já bem sabia o que ele queria. Não podia deixar de sentir uma excitação estranha nisso e quando percebeu a língua dele em sua pálpebra gemeu e apertou os dedos em seus ombros, a voz saindo rouca. Teve as pálpebras mantidas abertas e sentiu a língua quente passar pelo globo ocular. Era difícil manter os olhos abertos, mas a vontade de piscar aumentou a excitação num nível além do esperado. Alcançou a barra da blusa dele e a puxou bruscamente para cima, querendo arrancá-la até certo nível em que o próprio Nagato terminou de tirá-la, fazendo o mesmo com a do artista. Colaram o peito nu, esfregando a pele. O beijo voltou afoito e impaciente, as mãos buscavam contato maior e o tecido restante se tornou um problema.

Logo o som de zíper se abrindo arrepiou Deidara que se pôs a abrir o próprio até aparecer o tecido da cueca branca, arqueado por conta do volume que pulsava ali. Nagato o segurou apertando entre os dedos, esfregando no tecido, fazendo Deidara arfar mais pesado. Sem paciência enfia a mão para dentro da cueca, em busca do que queria. Beijou-o querendo sufocar seus gemidos enquanto o manipulava.

Deidara em resposta o sufocou com os gemidos abafados durante o beijo. Adorava ser tocado daquela forma. Desviou um pouquinho do beijo, puxando atrevidamente a calça dele para baixo, de uma vez, até fazer a ereção saltar para fora. Riu malicioso, chamando atenção de Nagato.

Até pensou que ele ficaria sem graça, mas parecia igualmente excitado e até o surpreendeu quando juntou a própria ereção, tocando-as juntas na mão larga, esfregando uma contra a outra enquanto apertava e dedilhava. Deidara jogou a cabeça para trás e se apoiou nas bordas de mármore, se abrindo mais, sem ligar para mais nada. Gemidos arrastados e manhosos escapavam dos lábios e fez questão de encará-lo enquanto fazia isso, exibindo a expressão mais erótica que tinha guardada em si.

Péssimo sinal. Nagato despertava nele um tipo de sensação que não estava acostumado.

Segurou-lhe a mão livre e chupou os dedos, enroscando a língua, deixando a saliva pingar. Queria deixar bem claro o que queria e o outro entendeu prontamente, levando os dedos úmidos em direção à entrada dele. Molhou ali como pôde, e devagar, começou a rodear até enfiar o dedo indicador.

—... Vai doer se não passar nada.

—... Pare agora e eu trucido você — rosnou de volta, falando muito sério. Nagato riu, e fazendo exatamente o que ele queria colocou o dedo até o fim, bem devagar. Passou a movê-lo, entrando e saindo. Lambeu o ombro nu de Deidara enquanto o fazia, e não demorou em sentí-lo mais largo.

—... Entra tão fácil. Você anda brincando sozinho? — sussurrou no ouvido, aproveitando para lamber a orelha.

Deidara subitamente corou e se arrepiou, mas ele prosseguiu.

— Aposto que sim. Você tinha comprado um brinquedo bem grande quando nos encontramos da primeira vez, não é? — enfiava devagar o segundo dedo, pedindo passagem ao interior quente e já não tão apertado -... Em quem você pensa enquanto brinca sozinho?

A mente do rapaz loiro nem processava mais nada, estava concentrado somente no modo como os dedos moviam para dentro de si.

— ...Quer que eu diga que estava pensando em você? — sorriu, corado e suado, extremamente provocante.

Nagato sorriu malicioso em resposta e enfiou um terceiro dedo, arrancando o sorriso descarado dele.

— Vai ser só no que vai pensar de agora em diante — arqueou os dedos lá dentro, bem fundo, como um gancho, para apalpar o ponto sensível. Deidara ronronou em resposta.

— ... Ahnnn… Até parece, seu... Hmmmm, seu cretino!

— Não ligo para o insulto. Você parece estar gostando bastante.

— Cale… Essa maldita boca! Oooooh aí! Exatamente aí!!!

Era divertido irritá-lo. Ele ladrava e rosnava, mas no fim estava totalmente entregue, bem à sua frente.

Retirou os dedos e segurou a base da própria ereção , levando-a de encontro à entrada para se esfregar ali. Percebeu-o rebolar de volta, sem fazer cerimônias.

“É de fato um homem impaciente” — divertiu-se com o pensamento e sem mais delongas entrou, devagar a princípio apenas porque ainda era apertado, mesmo que o tivesse preparado bem. Um arrepio gostoso subiu pela espinha, fazendo-o estremecer.

Teve as costas agarradas e foi encarado por uma face impaciente.

— Mova… Bem rápido!

Obedeceu. Apoiou as mãos nas pernas dele e forçou o quadril para frente, algumas vezes e já estava completamente dentro. Perguntava-se como ele não sentia o desconforto, mas não negaria o pedido que recebeu. Estocava cada vez mais forte. As pernas de Deidara rodearam seu quadril, obrigando-o a ir mais fundo.

O olhar que trocaram em meio ao ato era a coisa mais excitante que Deidara recordava em eras! O rosto daquele infeliz imerso em prazer fez seu baixo ventre pulsar e apertar o membro rijo dentro de si com um espasmo. Há tempos não se sentia tão envolvido com alguém, a ponto de criar uma conexão.

Com Nagato era diferente. Talvez porque, no fundo, nunca deixou de gostar dele.

Puxou-o pelo pescoço para um beijo. Era difícil respirar devidamente ou impedir a voz de sair porque o ritmo das investidas não lhe dava tréguas! Os olhos púrpura daquele homem pareciam enfeitiça-lo! Não aguentava mais, estava quase lá …

Foi então que um cheiro estranho começou a subir pelo ar, como o de alguma coisa queimando, mas o torpor era tanto que demoraram a perceber. Somente quando uma fumaça negra começou a subir pelo ar que eles se entreolharam, assustados.

— O forno!!! — Deidara o empurrou de sobre si quando viram que a fumaça escura saía do forno. Nagato correu para a pia, tropeçando nas próprias calças e pegou um pano, embolando na mão para então abrir o forno. Tossiu com a fumaça que veio toda em seu rosto e tirou a forma, largando-a de qualquer jeito sobre a pia.

Deidara desceu da bancada e veio bisbilhotar, pelado, melado e ainda meio ereto.

— Me fala que não queimou muito, cara, eu tô morto de fome!

— Chamuscou um bocado, não sei se dá pra salvar alguma coisa — remexeu com um garfo.

O rapaz de cabelos loiros tirou o garfo de sua mão e beliscou um pedaço, cutucando para soltar a carne do osso. O molho havia evaporado, mas ainda estava macia apesar de chamuscada. Enfiou na boca, mesmo quente, soprando um pouco pro ar quente sair.

Revirou os olhos de prazer.

— Isso aqui tá divino! — disse de boca cheia, ainda mastigando — Nem ligo que queimou um pouquinho, isso é um orgasmo culinário. Seu filho da mãe, você cozinha bem pra caralho!

Nagato não sabia se ria, ou retrucava e acabou só dando de ombros.

— Quer tomar um banho antes de comer?

— De jeito nenhum — puxou uma cadeira e sentou, sem se importar de estar nu e melado. Oras, a cadeira era estofada mesmo, era só passar um paninho depois. Cutucou outro pedaço de carne, comendo com muito gosto. Nagato achou melhor nem retrucar, chutou para longe a calça e ficou igualmente nu. Caminhou em direção ao armário para pegar pratos e talheres, tudo sob o olhar atento do loiro que examinava muito bem cada pedaço daquele corpo.

— Sabe, você não mudou muito desde o tempo de escola.

— Acha? — a voz calma ressoava de um jeito gostoso. Um tom grave e rouco que Deidara gostava de ouvir — Sempre achei que ganhei mais peso.

— Você ganhou corpo, é diferente. Era mais mirrado naquela época.

— Você não mudou muito também, embora pareça maior e mais forte.

— Ah ta, eu pareço um frango — encheu mais a boca de carne porque simplesmente não conseguia parar de comer.

Se era verdade que se fisgava um homem pela boca então funcionou para ele.

— Eu te acho lindo. Você parece um modelo — entregou um prato e talheres. Serviu-o de batatas e encheu taças com vinho.

— Isso tá muito bom, sério. Eu vou vir comer aqui todo dia.

— Já lhe disse que não me importo — sentou de frente e passou um tempo observando-o comer — Na verdade vai me deixar muito feliz se vier.

Deidara volveu os olhos bicolores em sua direção, ainda mastigando.

— Você sempre fica em casa sozinho?

— Quase sempre. Não gosto muito de sair.

— Isso parece solitário.

— Na verdade é libertador. Ter sua própria casa, seu próprio espaço, é uma coisa muito agradável.

—... Por acaso nunca se casou? — desviou o olhar para as batatas assadas em seu prato, cortando um pedaço grande com o garfo e se pondo a mastigar para não ter que olhar para ele.

Aquela conversa de certa forma o incomodava, nem soube dizer porque a começou.

Pego de surpresa, o outro rapaz toma um gole de vinho, sem deixar de observar como ele parecia nervoso.

— Não, eu nunca me casei.

Isso de certa forma aliviou Deidara e parte do aperto no coração sumiu.

— Então, você deve ser um homem muito difícil, do tipo que ninguém quer.

— Talvez seja isso mesmo — riu — Na verdade meus relacionamentos nunca deram certo.

— Você não parece o tipo de cara que magoaria alguém.

— Eu só não consegui me envolver de verdade. Até porque sempre tive outra pessoa na cabeça.

Deidara lhe ergueu o olhar imediatamente, mastigando, corado como nunca.

—... Vai me dizer que estava me esperando esse tempo todo?

Ele pareceu muito sério quando respondeu.

— O espero desde que sumiu da minha vida. Nunca te esqueci nem por um segundo.

O peito do artista encheu de uma forma que o ar escapou todo de uma vez. Bebeu grandes goles de vinho para tentar tirar o engasgo da garganta.

Ah, merda, porcaria, desgraça!!! Estava tão feliz por ouvir isso!

— Você nunca me procurou antes…

— Achei que nem teria chance. E você parecia me odiar. Eu me conformei em amar alguém que achei que nunca seria meu.

Ok, estava bastante corado agora. Colocava distraidamente mechas de cabelo dourado para trás da orelha, um hábito antigo que repetia quando estava nervoso.

— Eu te odiei por muito tempo, muito mesmo. Achei que nunca tivesse esquecido aquele dia por causa do trauma. Você sabe, por causa dos meus olhos.

— Acho que já percebeu que só de olhar para eles eu perco o controle imediatamente.

Ficou ainda mais desconcertado com o comentário.

— Enfim, eu só nunca me permiti pensar que, sei lá, eu estava nervoso com você… O sentimento foi de amor à raiva num piscar de olhos! Agora que a raiva passou eu penso… Se por acaso não pode voltar ao que era antes...

Terminando a frase, torna a encará-lo, meio incerto do que esperar. Nagato parecia muito surpreso. Um brilho lindo estava estampado nas íris púrpuras. Ele demorou alguns segundos para processar a frase e então cobriu a boca e parte do nariz, olhando para o lado, ficando tão vermelho quanto a cor de seus cabelos.

— Ainda é capaz de me amar, Deidara?

— Eu não sei — desviou de novo, aquela conversa era um jogo de revidar — Eu estou confuso! Não sei mais o que eu sinto, já faz muito tempo.

— O que sinto não mudou, em nada. Pelo contrário só parece ter crescido. Eu sempre pensei que a pessoa que quero ao meu lado, para completar minha vida, é você.

— Ah cara, não vem com esse discurso lindo — fez um bico enorme, desconsolado — Eu caía nessa conversa e nessa sua cara de cão sem dono. É tão bonitinho que não dá para aguentar.

— Me dá uma chance então. Pra nós dois, pra gente tentar dar certo dessa vez — esticou a mão na mesa alcançando a dele, entrelaçando os dedos — A gente já sofreu muito tempo, e sem motivo nenhum. Acho justo compensar o tempo perdido agora.

Internamente, Deidara lembrou de todas as vezes em que desejou ouvir esse tipo de discurso meloso e clichê. Do quanto queria um romance de novela, exagerado, e que o balançasse e fizesse suspirar enquanto ouvia música romântica e suspirava.

Em todas essas vezes voltava ao que sentia durante o colégio, na época em que se apaixonou por Nagato. Era como se nunca tivesse resolvido, nunca tivesse posto um ponto final. Achou que nunca mais se apaixonaria por ninguém como se apaixonou por ele.

Seria possível que, na verdade, nunca o esqueceu e se remoía por não ter dado certo? Agora que tinha uma chance, uma satisfação plena tomou seu peito.

Lembrou subitamente de Itachi e Sasori, e como eles pareciam perfeitos juntos. Será que teria tal tipo de sorte?

A lembrança o assustou e ele volveu um olhar confuso ao homem diante de si.

—... Eu não sei como vou contar isso pro Sasori… — pareceu ligeiramente perturbado — Ele anda passando por uma bad, não quero jogá-lo em mais uma.

Nagato endireitou-se na cadeira.

— O problema que Sasori tem é com meu irmão, não comigo. Eu quase nunca conversei com ele. Não tem motivos para ele me odiar.

— Err, na verdade eu fiz ele te odiar porque falei mal de você por anos — coçou detrás da cabeça — E querendo ou não você é irmão do desgraçado do Pain e o que aquele bastardo infeliz fez ao Saso é imperdoável. Eu tenho medo que isso cause uma preocupação a mais…

— Eu entendo que Sasori seja importante para você, mas não existe um jeito de impedir que Pain o veja, se ele assim quiser. E não acho justo que nos separemos por conta disso.

— Odiaria se ele não entendesse…

— Então vou falar com ele, pessoalmente.

— Nem pensar — cortou-o mas para sua surpresa Nagato parecia realmente firme no que dizia.

— Eu vou pessoalmente falar com Sasori, dizer a ele que não estou brincando sobre você. Eu te quero na minha vida, Deidara. Sempre quis. Se esse é um motivo que pode nos separar então eu tenho que resolver isso. Não vou deixar que se afaste de mim de novo.

Tal frase o deixou sem fala, sem estrutura, sem conseguir revidar.

Era uma chance que ganhou da vida de finalmente ser feliz?

— Nagato… — precisou respirar fundo para juntar todo o ar que escapou de dentro dele

— Se Sasori é como sua família, assim como você diz, estou certo que ficará feliz por você. Não existe alegria maior do que ver quem você ama feliz.

Suspirou, tendo que concordar.

— Eu não tenho ninguém na vida, só ele. Cresci com ele, aquele imbecil cabeça de fogo — riu com a lembrança — Aquele estúpido é um cara bom demais, sabe? Tão bom que não me conformo com a vida dele. É tanta droga que acontece, e não tem motivo. Não pro danna. Sabe, ele só quer ser feliz, só quer os filhotes dele. O cara era compatível até o puto do Madara foder com a vida dele… E agora ele tá lá sofrendo porque quer ser pai e não pode. Podia gerar um filho dentro dele e tiraram isso! Quantos compatíveis você conhece por aí?

— Nenhum, para ser franco.

— E também ele sofreu pra caramba quando achou que ia perder o Ita, mas na hora que ele ficou depressivo numa cama eu tava lá. Eu queria que ele ficasse bem, eu fiz o que podia para ele levantar, comer, viver a vida dele de novo. E deu certo. Não posso chegar e jogar mais problemas na vida dele, porque ele só resolveu os meus! Aguentou o quão difícil e problemático eu sou! E tudo com a maior paciência do mundo! Eu daria minha própria felicidade de presente pra ele, de bom grado, se pudesse fazer o Sasori não sofrer nunca mais! Ele tava lá pra mim quando meu pai sumiu no mundo, quando minha mãe me deixou, quando eu precisei me virar e trabalhar pra não passar fome, ele nunca me largou! Como eu poderia fazê-lo sofrer agora? Sasori é a única família que tenho nessa droga de mundo!

Quando terminou, estava vermelho, ofegante, cuspindo um monte de palavras que estavam entaladas dentro dele por anos e anos.

E só então percebeu que depois que acabou de falar sentiu-se inexplicavelmente mais leve.

Nagato não o interrompeu até ele terminar e então, assentiu.

— Vou reformular a frase então — usou aquele tom de voz calmo e sereno que era só dele, tornando a segurar a mão de Deidara — As pessoas que são importante para você são naturalmente importantes para mim. Se Pain chegar perto de Sasori com intenção de fazer alguma coisa, eu mesmo acabo com ele — fitou-o intensamente — Não tenho como prometer que vou manter meu irmão longe, mas vou deixá-lo ciente de que se fizer mal ao Sasori vai se arrepender. Pode não ser a melhor opção, mas é o que temos no momento. Você me diz que não tem mais ninguém, e isso pode mudar se eu puder estar com você. Vou cuidar de você, te ajudar no que for preciso, para que nunca mais precise passar por uma situação difícil sem ter com quem contar.

O outro ainda respirava depressa, mas estava bem mais calmo.

Pareciam bons termos, uma solução razoável. Internamente, torcia para que tudo ficasse bem.

Fez que sim com a cabeça, tentando se acalmar.

— Obrigado, por entender.

— É importante para você. Como eu não entenderia?

— Tem gente que nem se importa, acredite.

— Eu me importo porque amo você.

Deidara mordeu bem forte ao ouvir a frase. Era muito estranho ouvir isso de quem estava há tão pouco tempo junto, mas que ao mesmo tempo conhecia há tantos anos. Remoeu-se por dentro, achando fofo e querendo gritar.

—... Eu não sei o que te responder.

— Não tenho pressa. Não se preocupe com isso.

Olhou de relance o prato, a comida esfriando e a fome parecia tê-lo deixado.

— Acho que perdi a fome.

— Tome um banho, pode passar a noite aqui se quiser — fez menção de se levantar e arrumar os pratos, mas Deidara o segurou pelo braço.

— Escuta… — piscou devagar volvendo o olhar para cima — Aquele banho juntos ainda está de pé?

Recebeu um sorriso enorme em resposta, convidativo e malicioso.

— Pra você, sempre.

—-

Ficaram parados, imóveis, as mãos dadas como se buscassem alento e conforto na presença um do outro.

Sasuke foi o primeiro a rolar o rosto no encosto do banco. Havia recebido no celular uma mensagem com a localização de Naruto.

A julgar pelo número de telefone a mensagem vinha de um dos subordinados de Madara, que de fato cumpriu a promessa. Sasuke deslizou o dedo pela tela do celular, constatando a localização do noivo através do GPS. Quando conseguiu pronunciar algo a voz soou fraca.

—... Naruto está no bairro Uchiha — copiou a mensagem digitada para compartilhar com as pessoas que estavam preocupadas. A começar por Minato que parecia bastante aflito.

Itachi rolou a cabeça no banco também, em sua direção.

— Nem há o que pensar. Você deve ir imediatamente.

O mais novo assentiu, endireitando o corpo. Havia parado no acostamento para pensar, organizar a mente, chorar um bocado…

Apertou a mão entre a sua, sentindo-a gelada. Não o culpava, não depois do que acabaram de vivenciar. Controlou o engasgo na garganta, até porque precisava ficar calmo. Por Naruto, afinal tudo o que fez foi por ele.

—... Itachi, o que aconteceu entre nós…

— Você deve esquecer. Isso não pode virar uma marca na sua vida — cortou-o bruscamente.

— É mais fácil dizer do que fazer… Não me conformo pelo que te fiz.

— Eu lhe dei permissão, não tem motivo para se sentir culpado. Acho que o mais prudente agora é volver esse ódio ao responsável por tudo isso. Madara deve pagar pelo que nos fez.

— Não há dúvidas disso. Vou fazê-lo pagar por ter nos feito nos envolver… assim... — não conseguiu terminar, mas sentiu a mão de Itachi sobre sua cabeça.

— Você ainda é meu irmão e a forma como te vejo não mudou, nem nunca vai. Sei que é doloroso, mas precisa esquecer isso, Sasuke.

— O que me machuca não é eu ter dormido com você, Itachi. Dar meu corpo a você não é uma infâmia, ao menos não para mim — encarou-o muito sério — Não há como sentir vergonha ou repulsa porque você é minha única família, é o pai que nunca tive. E Madara nos obrigar a dormir juntos nunca vai apagar isso. Estou nervoso justamente por ele ter posto as mãos em você!

Itachi deu um sorriso triste.

— E pensar que mesmo sendo como um pai pra você tivemos uma experiência como essa… Eu queria tê-lo protegido por mais tempo, Sasuke.

— Não é justo que só você passe por dificuldades enquanto eu vivo tranquilamente. Eu escolhi fazer isso, eu quis me sacrificar, ao menos uma vez.

— Compreendo perfeitamente. Sasori está sofrendo longe de Rin. Aquela menina fez a ele um bem tão grande que eu me deitaria com Madara quantas vezes fossem necessárias se com isso puder trazê-la de volta para casa. Sasori já sofreu demais por minha causa e essa era a única coisa que que poderia fazer por ele.

— Isso foi uma surpresa. Aquela menina que Karin trouxe ao meu apartamento… Eu não fazia ideia de que estivesse com vocês, mas entendo como se sente. Eu faria qualquer coisa pelo Naruto. Embora o que Madara nos forçou a fazer tenha sido asqueroso.

— Por isso eu lhe disse: usaremos a força desse ódio para promover nossa vingança, com cautela. Madara não ficará impune, não depois disso.

Sasuke apenas assentiu, já mais calmo e até mesmo um pouco aliviado.

Nada havia mudado, e nem iria. Teve medo que depois disso Itachi não o olhasse mais nos olhos, que não se falassem mais. Não suportaria ficar longe dele, como nos anos dolorosos em que ele esteve em coma.

Mas ainda era como antes, ele ainda o fitava como sempre.

— Madara gosta de cultivar ódio entre pessoas que se amam, Sasuke. O que ele queria não era somente o meu ou o seu corpo. Ele queria nos humilhar, nos ludibriar. Pode estar certo que vai fazer comentários ofensivos, jogar palavras sujas de duplo sentido, porque quer nos ver sofrer. Se nos sentirmos culpados então daremos a ele exatamente o que quer.

Sasuke piscou demoradamente.

— Ele não vai conseguir, não dessa vez. Esse é um segredo nosso, mas tenho medo que ele conte a mais alguém.

— Se alguém descobrir o que ele fez, a imagem de patriarca pode ser afetada. Fique tranquilo, ninguém além de nós vai saber o que aconteceu. Basta tentar esquecer… É o preço que se paga por estar inserido nessa família doentia.

— Não seria mais conveniente irmos à delegacia dar parte?

— Quer mesmo que Naruto saiba o que aconteceu hoje?

Um tremor passou pelo corpo do mais novo.

— Céus, não… — rolou os olhos para as mãos sobre o colo — Sabe que, quando eu via na mídia notícias sobre mulheres vítimas de violência, que não tinham coragem de denunciar o que foi feito, eu sentia que de alguma forma faltava coragem a elas. Agora que me vejo nessa situação eu consigo entender a dor e a vergonha… Ninguém acreditaria em nós, não quando o acusado é um homem tão influente, que manipula tudo a seu bel-prazer. Madara sairia impune e sobraria para nós os olhares de repreensão, os boatos, as acusações… Nossa reputação seria arruinada, talvez permanentemente.

— O modo como a sociedade te julga te faz escravo, Sasuke. É muito injusto ter que abafar a dor para continuar vivendo sem acusações. No caso das mulheres que me diz, ainda tem o risco de serem mortas, de serem taxadas como culpadas… No nosso caso, seríamos os netos lascivos, degenerados. Sabe a reputação que temos por aí, ainda mais por termos relacionamentos taxados como anormais. Agora que decidimos viver sob o título de herdeiros novamente a responsabilidade da Uchiha Co é nossa, os subordinados são nossos. Acha que teríamos o mesmo prestígio se as pessoas que trabalham para nós soubessem de um escândalo como o que aconteceu hoje?

— Jamais, odeio admitir.

Sem querer prolongar aquele assunto Sasuke ajusta o cinto e dá partida no carro. A casa de Itachi era caminho, então o deixaria em casa rapidamente antes de buscar Naruto. De acordo com a mensagem ele estava bem, e imaginava que estaria mesmo. Madara adorava causar medo, mas dessa vez estava cumprindo sua promessa. O que ele realmente queria era uma noite de diversão, nada mais.

O que Sasuke não sabia porém era que a pessoa que estava mantendo Naruto em cárcere não tinha nada a ver com Madara.

—-

Passando pelo corredor já esperava que seu vigia estivesse ali, a postos para confrontá-lo. Tal como esperava, Obito parecia transtornado ao encarar Madara. Este o ignorou, saindo da casa de banho. O cheiro de shampoo e sabonete ativou as narinas de Obito que se pôs à frente dele, desacreditado.

— Senhor patriarca, por que isso tudo…?

— Eu lhe devo algum tipo de satisfação por acaso, Obito?

— Posso lhe dar muito mais que uma noite. No instante em que quiser eu o satisfaço! Por que não pode ser eu???

Madara encarou o homem por alguns minutos, calado.

— Meus netos mereciam uma lição. E para ser franco era meu desejo tê-lo em meus lençóis há muito tempo. A beleza dos dois é digna, e eu como patriarca sou aquele que deve recebê-los.

— Eu não compreendo. O senhor diz que está atraído por Itachi, e digamos que isso seja verdade…

— É a verdade — disse sem rodeios — Itachi me fascina em absoluto. Tudo nele me causa admiração e vontade de devorá-lo. Me delicia ver o quanto ele suporta qualquer coisa sem perder aquela pose majestosa.

Obito engoliu em seco.

— Itachi é seu parente direto.

— Não seja ridículo, Obito. Todos nós, Uchihas, somos parentes diretos. Do contrário seria impossível manter nosso sangue e linhagem puros.

— Sim, mas… São casos de parentesco entre primos, tios…

— Não se esqueça que também existe o parentesco entre irmãos. Sabe que genes Uchiha não são afetados. Não vou correr o risco de macular minha raça perfeita.

— Seria capaz de conviver com Itachi se ele assim quisesse?

— Não tenho interesse em coisas frívolas como casamento, se é o que quer saber. Meu interesse era unicamente tornar Itachi meu, nada mais.

— Se é verdade o que me diz… — usou um tom muito contrito, até mesmo magoado — Por que o manteve em coma por tanto tempo? O senhor sabia que Karin o estava medicando e não fez nada para impedir! Ao contrário, parecia disposto a matá-lo!

— Era conveniente no momento. Sasuke é dono de uma rebeldia insuportável, mas se tornou um cãozinho obediente quando o irmão sofreu aquele "acidente" — sorriu endiabrado ao homem diante de si — A sensação de punir Sasuke, de vê-lo sofrer, de mantê-lo na palma da minha mão... Eu queria ter ido mais além, todavia o garoto loiro acabou tirando Itachi do hospital antes que mudássemos a medicação dele.

— Mas ele podia ter morrido naquele hospital!

— Culpa de teimosia e estupidez. Considero o tempo em que Itachi esteve em coma como uma punição merecida por me desafiar. Ele escolheu casar com aquele homem com cara de ferrugem e está pagando até hoje. Percebe como a memória dele ainda não voltou ao normal? É capaz que fique lesionado, um desperdício para um homem tão bonito, devo admitir, mas não permito pessoas defeituosas no meu clã. Se ele ficar com sequelas mentais imediatamente deixa de ser meu herdeiro.

Obito apenas engoliu forte, a garganta completamente seca. Estava bastante alterado depois de tudo que ouviu.

Já havia percebido outras vezes, e sempre tentou negar para si mesmo a verdade por conta de todo o amor que sentia por Madara, um amor maior que ele mesmo. Mas, para ser franco em alguns momentos o patriarca Uchiha provocava-lhe uma espécie de temor no profundo de sua alma.

Aquele homem não era capaz de sentir coisa alguma por outra pessoa.Duvidava até mesmo que ele tivesse sentimentos.

— Senhor patriarca… O que realmente aconteceu para torná-lo uma pessoa tão distante de tudo e de todos?

— Nada que seja de seu interesse — fez menção de desviar, mas novamente Obito se pôs à frente dele, ainda que o medo o impedisse de fitar-lhe o rosto diretamente.

—... Certa vez... Ouvi algo imperdoável, algo que eu não devia ter escutado… Mas que me apavora até hoje.

— Ainda se apavora com alguma coisa depois de todo esse tempo aos meus serviços? -desdenhou.

—... É verdade o que dizem os anciãos a seu respeito?

Madara ficou emudecido, uma expressão indecifrável no rosto. Não havia traço de absolutamente nenhum sentimento, o que apenas piorou o medo insano que Obito sentia.

Era como fitar um cadáver.

Percebendo que que não teria respostas a menos que insistisse, a menos que fosse mais fundo, Óbito continuou.

— O senhor... É mesmo compatível?

Madara passou minutos de um silêncio incômodo e esmagador. Suor frio brotava na testa do homem diante dele, mas não desistiria de obter uma resposta.

Já havia ido tão longe, não podia desistir logo agora!

O som de um riso baixo e cruel causou um calafrio que obrigou Obito a fitar diretamente o patriarca. Este havia estampado no rosto o desdém costumeiro, a indiferença que lhe era típica.

— Achei que soubesse que nenhum Uchiha nasce com essa anomalia abominável.

— Mas eu ouvi claramente, mais de uma vez! Os anciãos dizem que o patriarca gerou uma criança no ventre e que ela é a origem de todos os males! Ela é a razão da ruína do nosso clã!

Apenas as íris de Madara se moveram, o corpo todo imóvel. Aquele olhar era tão firme que praticamente ordenava ao subordinado que se calasse, coisa que ele prontamente fez.

— Se fosse verdade então teriam que ter tirado a compatibilidade de mim, visto que hoje não sou um homem compatível. Nenhum Uchiha é.

— Não é impossível de acontecer... Eu só não consigo entender porque o senhor esconde seu passado de mim. Eu não o abandonaria não importa o que aconteça! Nem mesmo se o senhor fosse o único compatível de todo o clã Uchiha!

Mal terminou a frase e teve o pescoço apertado. Os dedos de Madara pressionavam sua garganta fechando a passagem de ar.

— Vou lhe dar um aviso importante, Obito. Não se ache muito importante, a ponto de virar meu confidente ou seja lá o que você quer. Em seu lugar eu pararia de me meter no que não é da minha conta, ou algum dia desses posso querer substituí-lo. E bem sabe que só há uma forma de sair dos meus serviços.

—... Morto... — respondeu numa golfada dolorosa quando os dedos afrouxaram da garganta. Odiava admitir, mas ser maltratado de tal forma o deixou muito excitado. No fundo quanto mais Madara o ameaçava, mais se sentia atraído por ele.

Assistiu o homem que povoava suas fantasias seguir pacificamente seu trajeto pelo corredor, sem parecer em nada afetado. O humor dele oscilava em questão de segundos, era como uma caixa de surpresas. Enquanto observava o cabelo negro, sedoso e molhado, bem como as curvas deliciosas do corpo de Madara, Obito jurou que teria as respostas que queria. E para isso só havia uma coisa a se fazer.

Teria de perguntar diretamente aos anciãos.

—-

Naruto subiu as escadas conforme foi ordenado, adentrando a casa de Sakura.

Estava nervoso, muito mesmo. Sabia que a mulher vinha armada detrás dele e que o menor movimento a faria atirar, ainda mais porque pelo que conhecia dela era inexperiente com uma arma na mão.

Enquanto subia as escadas se pôs a pensar na preocupação de seu pai ao descobrir que havia deixado a clínica, assim como Sasuke que era naturalmente alarmado com relação à Sakura. Nem podia imaginar o tamanho do susto de sua mãe, de Sasori e Itachi…

Precisava dar um jeito de sair dali.

Parou na sala e ouviu os passos dela detrás de si.

— Eu vou me virar, está bem? — fez a volta, ficando de frente para encará-la.

Sakura era uma mulher irreconhecível agora. Muito magra, de feições cansadas, praticamente desfigurada. O oposto da mulher vaidosa que conheceu um dia, por quem chegou a se apaixonar e a quem propôs casamento. Se dissesse à seu eu do passado que chegaria o ponto em que ela tentaria matá-lo, nunca acreditaria. No passado, bem no momento em que conheceu Sakura, Naruto realmente a achava uma mulher incrível, realmente chegou a amá-la. Imaginava realmente uma vida com ela.

Suspirou, tristemente.

— Em que momento deixamos isso acontecer conosco, Sakura?

— Talvez no instante em que me deixou plantada no altar na frente de todos aqueles convidados? — usou um tom sarcástico. Permaneceu de pé diante dele, a mão no bolso, e Naruto sabia que mirava nele.

— Sakura… — iniciou em um tom muito tranquilo — Já conversamos sobre isso, sobre tudo isso. Você diz que quer se vingar, que nos odeia, mas olhe para você mesma. Está debilitada, não merece viver dessa forma, não por uma vingança sem sentido.

— Eu enfrentaria todos os riscos necessários para fazer você e o Sasuke pagarem por tudo.

— E como eu supostamente pagaria por isso?

— Quero ver o Sasuke enlouquecer de tristeza ao perder você, Naruto — estreitou os olhos verdes, irreconhecíveis.

— Você é uma moça jovem, muito bonita, e que não merece nenhum de nós dois. Merece encontrar alguém que te faça feliz.

— Minha felicidade foi roubada por vocês dois há muito tempo.

— Você criou uma obsessão pelo Sasuke, e ódio por mim. É impossível encontrar felicidade desse jeito. Diferente de você, eu amo o Sasuke de verdade — havia um tom contrito naquela voz — E só te peço que pare de tentar destruir isso. Nenhum de nós dois poderia chegar a te amar algum dia. Sei que quando você estava comigo era o Sasuke a quem realmente queria.

— Está enganado — pela primeira vez o tom dela não era carregado de raiva. Havia uma mágoa nítida em sua voz — Eu cheguei a te amar, Naruto. Eu queria que tivéssemos uma vida feliz ainda que meu maior desejo sempre tivesse sido o Sasuke. Ele representa poder, status, o inalcançável. Você por outro lado nunca poderia me dar a vida que eu sempre quis, mas eu me sentia bem ao seu lado. Sempre foi muito carinhoso, paciente e gentil. Eu queria ter me casado com você naquele dia.

— Nós teríamos sido muito infelizes. Sinto dizer, mas eu já estava grávido no dia do nosso casamento. Eu desmaiei justamente por isso, porque já estava sofrendo os efeitos da gravidez difícil de um compatível.

A expressão dela se tornou ainda mais cheia de pesar e rancor.

—... Como fez uma coisa dessas comigo, Naruto? Foi ao altar comigo estando grávido de outro… E me diz que não tenho motivo para odiar você e o Sasuke!!!

— Eu não sabia que já estava grávido. Sei também que não devia ter te traído, mas não é diferente do que você fez. Ambos temos culpa nisso. Quando foi demitida da Uchiha Co o motivo foi você se insinuar ao Sasuke, certo? Você queria dormir com ele. Estávamos juntos, noivos. Se Sasuke tivesse dito sim vocês teriam dormido juntos naquele dia e talvez eu nunca soubesse.

— Mas ele nunca disse sim pra mim. Ele nunca me escolheu. Ele prefere você. E me mata de ódio saber que mesmo eu tentando tanto ele nunca nem sequer olhou pra mim, Naruto!

— Entende porque traímos um ao outro? Nós não estávamos mais felizes juntos. Nossa relação era somente brigas. Havia toda uma preocupação com o dia do nosso casamento mas e o que viria depois disso? Como seria nossa vida de casal? Essa é a parte mais importante e que todo mundo esquece! O importante de um casamento não é o quão glamurosa será a festa, nem a viagem, os convidados… Um casamento é para os noivos! E para as pessoas que realmente estão felizes com nossa união! Para elas pouco importa ter uma festa imensa ou não porque estão celebrando conosco!

— Eu nunca faria um casamento sem uma recepção! Isso é uma vergonha!

— Apresentar sua união à fé em que acredita e perante as pessoas que te amam. Comprometer sua vida com a de outra pessoa e fazer de tudo para isso durar. Para mim esse é o significado de um casamento e só agora entendo isso. Em que momento pensamos em nós dois, Sakura? Quando paramos para pensar em juntar nossas coisas com calma? Fazer uma casa do jeito que queríamos, fazer planos, ajudar um ao outro a crescer, falar sobre nossos futuros projetos e os filhos que poderíamos ter? Nunca! Estávamos preocupados demais fazendo esse ridículo e estúpido ritual que todo mundo joga pra cima da gente! Casamento pra mim é mais que usar roupas brancas, que trocar anéis ou fazer uma festa. É sobre querer juntar sua vida com uma pessoa cheia de defeitos, mas que você escolhe amar e conviver mesmo assim porque não consegue mais viver sem ela!!!

Ao terminar, um silêncio perturbador se instalou pelo cômodo. Sakura postou os olhos, cheia de raiva, na barriga enorme de Naruto.

—... E acha que é justo dizer que quer ser o único a ser feliz, Naruto? É você quem terá esse casamento tão idealizado, é pra você que o Sasuke olha, são dele os filhos que estão na sua barriga… Você tirou tudo de mim, tudo que eu mais queria, que mais sonhei e pelo qual lutei a vida toda. Vocês dois arruinaram a minha felicidade. Eu nunca vou perdoá-los por isso.

— Procurou sua infelicidade sozinha, ninguém te obrigou.

Sakura estreitou os olhos.

— Está muito diferente de quando nos conhecemos, Naruto. Eu nunca o ouvi retrucar tanto.

— Isso se chama respeito próprio. Depois de tudo que eu passei eu tinha mesmo de aprender alguma coisa.

— Chame do que quiser. Resmungar contra mim não vai salvar-lhe a vida.

— Você está sozinha, Sakura. Ninguém mais te apóia. Pare de se destruir, ainda tem a chance de recomeçar.

— Não me venha com esse discurso barato. Eu tomei uma decisão e não sou covarde de voltar atrás.

— E vai mesmo me matar? — encarou-a seriamente — Vai carregar nas costas o assassinato de três inocentes?

— Se Sasuke vier te salvar, como pretendo que ele faça, esse número pode aumentar — respondeu séria — Quatro mortos neste lugar. Acho um preço justo.

— Sasuke nem sabe que estou aqui.

— Não somente sabe como está vindo pra cá te salvar. Acha que seu desaparecimento tem algo a ver com Madara, nem imagina que sou eu quem estou com você e não me admira, uma vez que ele não sabe o meu endereço no bairro Uchiha. Eu pretendo matar você na frente dele e então decido o restante. O importante é vê-lo sofrer. Isso vai aliviar ao menos um pouco de toda dor que eu já senti.

Naruto mantinha a mesma pose, mas no fundo estava com medo. Torcia para tudo não passar de um blefe.

Uma pessoa comum não tem a coragem necessária para matar outra a sangue frio. Sakura precisaria estar completamente fora de si para matá-lo. Ela pretendia ganhar tempo fazendo todo aquele teatro, mas para quê? Havia avisado Madara? O que afinal ela pretendia?

O nervosismo e a adrenalina logo o cansaram e teve vontade de se sentar. Sabia que ela não se importava com sua condição, e por isso respirou fundo, sem dizer nada. A mão escorregou para a parte baixa de sua barriga, e podia sentir os gêmeos se movendo, tirando seu ar.

Precisava ficar calmo.

O som da fechadura se abrindo chamou atenção de ambos e fitaram a porta. O coração de Naruto acelerou ao ver um Uchiha que não conhecia entrando pela porta da frente, o susto o fazendo sentir uma dolorosa pontada no ventre.

Por que as coisas eram tão complicadas? Quem era ele? O marido de Sakura?

A jovem por sua vez pareceu realmente surpresa e desestruturada quando o encarou.

—... Hikaku…? — a voz tremeu — Por que está em casa tão cedo?

O homem olhou de Sakura para o rapaz grávido à sua frente, com uma nítida carranca de desagrado — Saí mais cedo porque meu chefe teve uma emergência familiar. Que droga está acontecendo aqui, Sakura?

A jovem pensou seriamente no que responder, esquecendo Naruto um instante que apoiou no móvel, porque suas pernas estavam bambas e a dor incômoda que conhecia tão bem se alastrava no ventre. Pensava numa forma de sair dali, mas não conseguiria correr. O ideal era esperar um momento de distração deles.

Sakura então sorriu a Hikaku.

Tanto melhor que ele chegou, a ajudaria em seu plano perfeito. Era a chance que precisava.

— Temos um trunfo na manga, Hikaku! Algo que vai nos levar direto ao topo da hierarquia Uchiha!

— De que está falando? — desdenhou, ainda sem entender o que aquele homem asqueroso fazia em sua casa.

Sakura chegou mais perto, os olhos verdes brilhando de antecipação.

— Ele é Naruto Uzumaki! O odioso rapaz que Madara tanto quer ver morto! E eu o trouxe aqui justamente para manipular o patriarca, já que sempre quis pôr as mãos nele e essa é a chance perfeita para uma vingança completa! Nós faremos o serviço para ele.

Hikaku olhou seriamente sua esposa, em seguida pondo os olhos no rapaz que começava a passar mal logo à frente.

Sorriu.

— Como o trouxe para cá?

— Estou armada — retirou a arma debaixo da blusa, mostrando-a para Hikaku — Desculpe ter tirado do cofre sem pedir, mas eu não poderia perder uma oportunidade dessas.

— Madara já sabe que ele está aqui?

— Ele sempre sabe de tudo, certo? Eu só preciso dar um telefonema e em minutos tenho certeza que estará aqui pessoalmente.

O sorriso no rosto do homem aumentou.

— Não achei que você de fato fosse pensar nisso tudo sozinha, Sakura.

Ela riu, satisfeita consigo mesma.

— Eu os odiei tanto tempo, e agora estão nas minhas mãos! Sasuke vai surtar quando souber que Naruto está aqui comigo, que está entre a vida e a morte e sou eu quem decide isso! É tudo pelo qual sempre esperei, nem sei porque perdi tanto tempo esperando!

— Me dê a arma, eu o vigio — retirou devagar o revólver da mão fria e pequena — Apenas faça a ligação.

Sakura assentiu, retirando o celular do bolso.

Naruto começava a ficar realmente nervoso e olhou para o homem disposto a implorar misericórdia, que o deixasse viver porque a dor se alastrava perigosamente pelo ventre.

Estava nos dias de ganhar seus bebês, a cesárea já estava marcada! Não podia desistir estado tão perto!

Porém, ficou calado e assustado quando viu Hikaku mirar a arma. Não para si, mas para Sakura.

A garota ergueu o rosto no instante em que se viu a poucos centímetros da mira da arma, apontada no meio da testa.

A primeira reação dela foi de susto, a ponto de deixar o celular cair no chão.

— Hikaku… O que está fazendo?

— Você certamente não soube, porque não é uma Uchiha — havia um sorriso comedido na face dele, quase divertido — Madara deu a Sasuke permissão de ter os filhos desde que não se case legalmente com esse moleque. A informação está correndo solta pelo clã, parece que houve um enfrentamento entre eles mais cedo.

Sakura não sabia o que fazer ou pensar, estava apavorada.

— Como assim ele permitiu…? Hikaku, abaixe essa coisa!

— Uma vez que o patriarca dá uma ordem ao clã não temos o direito de interferir. Aparentemente Sasuke vai voltar a obedecer os deveres de herdeiro, cedeu sua liberdade em troca de ter os gêmeos. Logo, não posso deixar você machucar o rapaz.

Naruto ouviu tudo pasmo e apavorado.

Sasuke teve um enfrentamento? O que aconteceu? Nada de bom vinha de um encontro com Madara e sabia disso melhor do que ninguém!

E se Sasuke estivesse ferido? Essa conversa sobre ceder sua liberdade… O que ele havia feito? E se o levassem para longe? Se exigisse que nunca mais se vissem?

O nervosismo subiu a um nível crítico. Queria ver Sasuke! Queria saber que estava tudo bem!

Alheios ao seu desespero, Sakura e Hikaku se mantinham em sua própria discussão.

A jovem de cabelos rosados estava assustada e ensandecida. Nunca pensou que aquele homem pudesse chegar tão longe!

— Hikaku, eu não vou repetir! — a raiva subiu-lhe à cabeça, mas quando ele encostou o metal frio da arma em sua testa a garota tremeu, verdadeiramente assustada — Hikaku, por favor…

— Você até que foi boa algumas vezes, mas não tem a essência de uma mulher adulta na cama — deu de ombros — É muita dor de cabeça para pouco retorno, sabe? Acho que o patriarca vai entender: uma mulher molestada e sofrida que decide acabar com a própria vida. Acho uma história bastante plausível.

— Não pode fazer isso — fez menção de se mover mas ele levou o dedo ao gatilho.

Um movimento mínimo decidiria tudo, e Sakura ficou realmente apavorada.

Não ainda! Não conseguiu sua vingança! Para que havia se esforçado tanto???

— Não pode me matar! Eu não escolhi casar com você, eu só queria ser uma Uchiha para acabar com Naruto e com Sasuke! Se eu morrer esses dois malditos vão ficar juntos rindo da minha desgraça! Depois de tudo que me fizeram!

— A vida é injusta assim, querida. Eu que não vou arriscar ter problemas com o patriarca por sua causa.

O medo, a raiva e o sentimento de incapacidade fizeram a mente da jovem trabalhar depressa demais. Olhou de relance o rapaz maldito que arruinou sua vida, lágrimas de ódio rolando pela face.

— É ele que tem que morrer! — explodiu em um choro de raiva — Ele me largou no dia do meu casamento!!! Me traiu com o homem dos meus sonhos e ainda engravidou dele! Eu o odeio mais do que qualquer coisa na minha vida, Naruto! Eu espero que você morra junto de Sasuke, espero que essas coisas que estão na sua barriga se enforquem e nasçam mortas!!! Eu desejo somente infelicidade para todos vocês!!!

Naruto sequer retrucou, estava concentrado demais na cena, no horror que se estampava à sua frente. Virou o olhar à Hikaku, como se pedisse a ele para não fazer isso.

Sakura não merecia… Ninguém realmente merece ser morto dessa forma.

Ao virar o olhar ao seu algoz Sakura não teve tempo de refletir, de se arrepender ou de implorar. Foram apenas segundos, um tempo tão rápido que a dor nem se alastrou pelo corpo. O cérebro não teve tempo de assimilar.

Um disparo certeiro, no centro da testa, partindo o osso até estourar do outro lado, fazendo sangue e parte dos miolos espirrarrem no ar. Uma cascata de sangue e pedaços viscosos que jorrava de forma macabra no ar.

Naruto caiu de joelhos porque o susto foi mais do que podia aguentar. Viu os olhos verdes de Sakura adquirindo um pavoroso tom vermelho, o olhar sem a menor expressão. O corpo dela tombou de frente, a cabeça voltada em sua direção como se o fitasse, como se lhe perguntasse o por quê.

Os olhos de Naruto arderam e as lágrimas rolaram pelo rosto. Respirou tão depressa que quase engasgou.

E então a dor o fez envergar o corpo para frente e gritar, cravando os dedos no móvel ao lado. Levou a mão livre à barriga sentindo tanta dor que a vista escureceu um instante.

Percebeu nitidamente quando a calça ficou ensopada e olhou assustado para baixo.

Arregalou os olhos ao perceber a poça de líquido transparente que se formava no chão, sinal de que o susto fizera a bolsa se romper.

“Não agora...” — volveu os olhos ao homem à frente, a preocupação o impedindo de pensar em qualquer outra coisa que não o bem estar dos gêmeos.

Eles estavam vindo! Não queria morrer!

— Por favor… — estava pronto a implorar por misericórdia, mas Hikaku baixou a arma, guardando-a no bolso da calça. Pegou o celular de Sakura caído no chão, ao lado de seu corpo. Agitou o aparelho levemente para limpar o sangue.

— Nada contra você, rapaz. Se Madara diz que essas crianças aí podem viver então é dever do clã fazer isso — esclareceu calmamente com total desinteresse ante à jovem morta aos pés, ou de ter sido ele próprio quem findou a vida dela — Imagino que Sasuke esteja vindo para cá também, certo?

Naruto não soube o que pensar e sequer conseguiu responder, até porque estava começando a sentir dores incômodas e fortes. Talvez fruto da gravidez de compatível. Céus, por que a gravidez masculina tinha de ser tão complicada e dolorosa, tão diferente das mulheres?

Nem sabia o que havia acontecido entre Sasuke e Madara, mas seja havia sido realmente importante, a ponto de fazer o patriarca mudar de ideia e manipular todo o clã acerca dos gêmeos.

Ficou parado, tentando manter a mente funcionando e observando os sinais do próprio corpo. A dor das pontadas estavam começando a preocupá-lo.

Tinha medo de entrar em trabalho de parto numa situação dessas. Esperava que ainda tivesse algum tempo até que as contrações viessem. Os médicos lhe disseram sobre os riscos e que era muito mais seguro fazer uma cesárea por conta da posição dos bebês. Era o que queria, ter um parto sossegado. Infelizmente seus planos tinham sido antecipados.

Ergueu o olhar aturdido ao homem à sua frente.

— Eu preciso sair daqui — avisou de modo calmo, esperando de verdade que ele o deixasse sair.

— Fique quieto e espere sua carona chegar.

— Minha bolsa rompeu, eu não posso ficar aqui esperando, é perigoso.

— Madara pode cortar minha cabeça se souber que você saiu sozinho daqui. Fique quieto e espere.

Naruto praguejou baixo, mas dessa vez nem foi por conta da raiva. Uma dor aguda o fez prender o ar e contrair os músculos do rosto. Sentiu nitidamente a abertura, uma passagem que até então permanecia fechada. Dores que começavam a se formar e teve a certeza que precisava. Estava entrando em trabalho de parto, e isso o apavorava. Logo daria à luz e tinha medo de algo grave acontecer.

Ao ouvir um barulho, Hikaku volveu o olhar pela fresta da cortina, em direção à porta.

— Sua carona chegou. Peça pra te levar para algum hospital perto e que te atenda direito. Eu não quero problemas com Madara, entendeu?

Naruto fez que sim rapidamente tentando se levantar. As pernas tremeram, mal aguentando o próprio peso do corpo. Ergueu-se apoiando na cômoda, precisava fazer isso sozinho, pelos gêmeos! Foi por eles que se pôs em pé, mesmo sentindo tantas dores.

O barulho de passos desesperados nem foi ouvido por Naruto, estava concentrado demais tentando caminhar em direção à porta.

Mas, eis que ela se abre de uma vez revelando a silhueta confusa de seu noivo. O olhar dele imediatamente encontrou o jovem raposo e não demorou a perceber o estado que ele se encontrava.

— Naruto! — ia correr para ele mas ao postar os olhos no corpo de Sakura dá um passo para trás, olhando aturdido para Hikaku.

— Mas o quê …?! — cobriu a boca com a mão, nauseado com a visão da cabeça estourada de sua antiga secretária, estirada no chão. Hikaku somente o encarou como quem dá um aviso importante.

— Pegue esse moleque e tire-o daqui. Não faça perguntas, não conte a ninguem, esqueça o que viu aqui e ambos não teremos problemas. Você entendeu, Sasuke? — a voz era fria e em tom de ponto final.

Ele somente assentiu, atravessando com certo receio a sala, o coração batendo a mil.

O que diabos havia acontecido ali?

Suas preocupações mudaram de foco ao ver Naruto e imediatamente o amparou. O olhar do raposo pareceu muito preocupado.

—… Sasuke, eles estão vindo! — gemeu alto com a dor que vinha cada vez mais funda.

— Está machucado? Alguem te fez alguma coisa?

— Não, mas eu preciso ir pro hospital — apoiou no ombro ossudo, soltando o ar pela boca enquanto caminhava pela sala. Queria sair o quanto antes daquele lugar, a cena horrível de minutos atrás não saía da cabeça e jamais a esqueceria! Por hora tudo o que queria era ter os gêmeos em segurança.

O Uchiha percebeu o chão molhado e viscoso e não hesitou, pegou Naruto nos braços ainda que o esforço fosse muito grande.

— Pare com isso, sabe como eu estou pesado? -resmungou com a voz cansada — Eu posso andar sozinho, sabia?

— Não tenho dúvidas quanto a isso — respondeu entre golfadas de ar, dado o esforço que estava fazendo — Considere uma medida de precaução. Pode me carregar de volta para me pagar.

Riu baixo com a resposta dele, respirando fundo em seguida para tentar se acalmar.

Sasuke atravessou a sala sob o olhar atento de Hikaku, e fez questão de não olhar para ele. Não queria mais problemas. Também tentou bravamente não olhar o corpo de Sakura que jazia numa poça de sangue, evitando a todo custo pisar nele.

Para ser sincero estava muito confuso. Achava que Naruto estava com algum subordinado de Madara, mas nunca imaginou que Sakura estivesse envolvida nisso. Sequer imaginava que o fim disso pudesse ser tão trágico. Estava grato que Naruto estivesse bem, que estivesse seguro.

Logo ele daria à luz aos gêmeos e todo esse tormento acabaria. Dariam um jeito de se proteger do patriarca, nem que pra isso Sasuke precisasse obedecer cegamente como herdeiro. Era um preço justo para defender sua família.

Desceu as escadas com a maior rapidez que conseguiu por estar carregando o noivo. O carro estava estacionado logo na entrada, mas a porta estava fechada.

Lamentou profundamente quando o pôs no chão.

— Meu amor, eu vou precisar te soltar só para abrir a porta — ajudou a colocá-lo de pé e Naruto se apoiou na lataria, respirando cada vez mais depressa porque os intervalos das contrações parecia diminuir.

Rapidamente Sasuke abre a porta detrás e o ajuda a entrar e sentar, deitando-o no banco e fechando a porta.

O carro arranca em alta velocidade, até porque tudo que Sasuke mais queria no momento era tirar Naruto do bairro Uchiha e levá-lo para longe em segurança. Agradeceu por ter escolhido um hospital próximo para o parto.

Olhava pelo retrovisor de minuto em minuto. Suas mãos tremiam no volante.

— Naruto, aguente só mais um pouco, já vamos chegar!

O Uzumaki largou a cabeça no encosto do banco quando terminou o período da contração, respirando depressa.

Sasuke olhava para os lados ao passar o sinal vermelho, buzinando para alertar os carros que vinham das outras vias. Pegou o caminho mais curto, mas ainda assim os carros se aglomeravam por conta do sinal fechado.

Praguejou e olhou pelo retrovisor .Naruto se contorcia de dor em intervalos cada vez menores.

— Tsc! — nem pensou duas vezes quando manobrou o carro, buzinando para saírem do caminho e entrou no corredor do trólebus, uma via destinada somente ao transporte público e que era naturalmente vazia. Pisou no acelerador em direção à avenida principal. No meio do trajeto um carro da empresa de transporte que vinha na direção oposta tentou barrá-lo.

— Essa via é somente para trólebus!

— Meus bebês estão nascendo! Saia da minha frente!!! — forçou o pé no acelerador e o homem entendeu, manobrando rapidamente o carro e dando passagem.

Pouco à frente havia um retorno, um modo de sair da via e pegar a rua que levava à avenida. Faltava pouco para chegar e Naruto arfava cada vez mais. Sasuke tinha medo que ele desse à luz ali mesmo, não teria o que fazer para ajudar!

— Estamos chegando, logo vai ficar tudo bem! — embora dissesse isso a Naruto estava genuinamente apavorado! Só conseguia pensar em chegar a tempo e dar tudo certo.

Minutos intermináveis depois avistou a maternidade, aliviado que tivesse chegado a tempo. Avançou rumo ao portão de emergência. Parou o carro e quase esqueceu de tirar o cinto, saltando do banco para acudir Naruto.

— Vem comigo — apoiou o joelho no banco para ajudar o noivo a descer enquanto pedia por ajuda, virando a cabeça em direção ao portão de acesso.

Não demorou e a ajuda veio, aquele era um bom hospital, o alto valor do convênio condizia. Enfermeiros ajudaram a tirar Naruto e o sentaram numa cadeira de rodas, levando-o rapidamente ao centro cirúrgico. Ele era até famoso ali, a equipe toda sabia que receberia o rapaz compatível que engravidou de Sasuke Uchiha.

Naruto arfava, segurando a barriga, um medo inexplicável o fazendo fitar o rosto da médica que avistou ao entrar no centro cirúrgico. Ela percebeu o desespero ao postar os olhos em seu rosto e imediatamente tentou confortá-lo.

— Meu bem, você precisa se acalmar. Vai dar tudo certo.

— Meu bebê não está na posição certa — parou e gemeu com a nova contração — Ele está virado! O médico pediu… Para fazer uma cesárea… Mas entrei em trabalho de parto antes!

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— Vamos examinar você e ver a posição do bebê. Não se preocupe.

— São dois — gemeu mais alto e não perderam mais tempo. Encaminharam-no ainda na cadeira de rodas à sala em que faria o primeiro atendimento, um local chamado sala de admissão de parto. A médica responsável pelo parto logo tornou a conversar para tentar fazer aquele rapaz relaxar ao menos um pouco. Era perigoso ficar tão nervoso.

— Dois de uma vez? Você é um compatível muito sortudo — a voz calma realmente o fez relaxar, ao menos um pouco, de todo o estresse das horas anteriores. A equipe deitou-o no leito e se pôs a fazer os primeiros exames.

Pela primeira vez desde a loucura dos últimos acontecimentos Naruto se entendeu em uma maternidade prestes a dar à luz aos bebês que quis por tanto tempo. Estava prestes a ser pai, mal podia acreditar que esse dia chegou.

— Agora você precisa respirar fundo e se acalmar porque temos longas horas importantes pela frente.

Naruto obedeceu, respirando profundamente, os olhos cansados atentos e os ouvidos apurados ao que diziam.

Aquela equipe parecia muito calma, muito certa do que fazia, tendo um controle perfeito do estado gestacional em que estava, e do fato de ser compatível. Exames como medir a temperatura, os batimentos cardíacos, e a pressão arterial foram feitos, bem como anestesia lhe foi aplicada. Ao final deles a médica o fitou.

— O primeiro bebê está na posição certa, virado para baixo, então vamos tentar o parto normal. Provavelmente os dois vão nascer assim, mas caso haja algum problema podemos tentar uma cesárea de emergência para o segundo bebê.

— O menino complicações, é por causa dele que me indicaram a cesárea — tentava manter os olhos abertos — Os dois vão ficar bem?

A mulher analisou os dados dispostos no prontuário. Exames e acompanhamento do pré natal. Sorriu então a Naruto.

— Vamos fazer o possível para isso, logo vai ter seus dois bebês no colo, senhor Uzumaki. Vamos prepará-lo para o parto e levá-lo para a sala de cirurgia. Por precaução vamos descartar a suíte de parto para garantir que podemos fazer qualquer procedimento de emergência. Você já apresenta dilatação.

Naruto assentiu. Teve as roupas tiradas, um incômodo muito grande dada a dor das contrações. Foi vestido com um avental de hospital.

Volveu o rosto suado ao enfermeiro, só então lembrando de algo quase óbvio.

— Meu noivo…

— Ele logo estará na sala de parto, agora você precisa pensar em você e nos seus bebês.

Fácil dizer para quem não estava sentindo dores cada vez mais intensas. Naruto estava zonzo quando foi levado ao centro cirúrgico. Foi acomodado e recebeu soro na veia, além de outro tipo de anestesia. Olhava o teto da sala cirúrgica perguntando-se quando tudo aquilo iria acabar, quando teria Daisuke e Aiko em seu colo. Lutou por eles tanto tempo, passou por tanta coisa! Só o que queria era que nascessem logo, que estivessem saudáveis, sobretudo Daisuke.

Um toque incômodo indicou o dedo da médica adentrando um orifício que não sabia ter, e entendeu que era a abertura, pronta para o parto. Sentia a fenda que ia dos testículos, enrugados e contraídos para esse momento, até o ânus. Ela fez o exame de toque e percebeu que não demoraria para o parto começar.

Outra pessoa se aproximou do leito, mas ele não teve tempo de ver quem era porque franziu o rosto e gemeu muito alto, os dentes fechados um contra o outro, para então largar-se na mesa novamente. Percebeu que uma mão gelada segurar a sua e ao virar o rosto para cima encontrou os olhos de Sasuke entre a máscara cirúrgica e a touca descartável azul. Aqueles olhos negros lhe passaram toda a segurança que não teve quando estava sozinho em outro país, com medo de perder Daisuke.

Sasuke apertou a mão dele mais forte contra a sua.

E então a dor aumentou, ininterrupta, e Naruto soube que o primeiro bebê estava mesmo à caminho. Os olhos umedeceram com a dor fora de série de se sentir abrindo inteiro lá embaixo enquanto ouvia a voz da médica.

— Sua menina está vindo. Você precisa fazer força!



Continua.

Notas finais
"Malki, como que você para nessa parte????", sabe que eu não consigo escrever mais sobre o nascimento dos gêmeos no mesmo capítulo da morte da Sakura? Sério, eu me sinto mal porque a vinda deles é algo muito feliz e o que acaba de acontecer é de fato uma tragédia. Entendo que a Sakura fez suas próprias escolhas, mas ela é vítima de um casamento terrível e de um homem inescrupuloso. Eu já queria ter feito ela sair da fanfic faz muito tempo, mesmo. Penso que não há forma dela perdoar, ela não queria fazer isso. Já havia decidido que ela seria morta, mas acabei deixando por vários capítulos, por ter coisas mais importantes para resolver. Achei que não podia esperar mais porque eu penso que tanto ela quanto Madara já fizeram seu papel muito bem. Calma que ele não vai morrer não kkkkk Vocês são perspicazes pra caramba então tenho certeza que já entenderam do que estou falando depois que leram a conversa do patriarca com o Obito, certo? Por causa disso alguns arcos se encerram para outros terem espaço de acontecer. No demais eu tô muito feliz porque o próximo capítulo é todo voltado aos gêmeos e aos papais babões! Imagina, eu voltei de viagem mega encantada então já estou escrevendo um capítulo muito cheio de amorzinho pra vocês. Estou MUITO feliz, até parece que a mãe sou eu! Naruto foi um pai muito corajoso, que cresceu muito como personagem, aprendeu a se respeitar e se impor, estou tão orgulhosa do meu raio de sol! E o que dizer do Sasuke? Era arrogante e prepotente, disposto a só mais uma aventura sem compromisso e agora tá todo bobo, sendo um noivo maravilhoso e aparentemente ele será um ótimo pai (ainda que ciumento). Eles merecem, passaram por muita coisa. Sei que tem um monte de gente pra aparecer e eu até ia escrever mais algumas coisas nesse capítulo mas tô com sono rss, vou jogar no próximo mesmo. No demais, obrigada a você que lê essa fic há dois anos (quase 3, pqp!) e aguarda esse momento desde que o Naruto descobriu láááááá atrás que estava grávido. Demorou, mas chegou! Comentem aqui embaixo o que acharam, o que querem ver, até me dêem bronca se quiser mas se for jogar hate sem motivo some daqui hahahahaha É sério povo chato, me deixa em paz. Beijo meus amores e nos vemos no próximo capítulo!