Notas iniciais
Olá queridos leitores do Nyah, como estão? Primeiro de tudo: obrigada a todos que mandaram mensagem privada desejado coisas tão boas para mim, adoro cada um de vocês e é um prazer escrever para vocês Eu pretendia postar esse capítulo antes do Natal desejando a todos felicidades mas minha viagem foi antecipada e estive eufórica com as festas. Agora estou na reta final com os preparativos para a virada do ano. Para me redimir estou trazendo um capítulo enorme para vocês, que tem o dobro do tamanho normal então eu mereço o dobro de comentários! u_ú Fantasmas, entrem em sua conta e comentem, independente de lerem pelo tablet, computador público ou celular. Quando vejo o número de visualizações eu penso que vocês leram, não gostaram e por isso não comentaram e isso me desanima. Quer que a fic continue? Faça sua parte. Antes que eu esqueça a ilustração capa da fanfic não é minha mas a abertura desse capítulo sim foi feita por mim, espero que gostem. Não tenho técnica, faço porque gosto, ok? AVISO O universo dessa fic, bem como os termos utilizados estão registrados por serem de minha autoria com os devidos direitos autoriais e não é permitido copiar trechos ou o texto na íntegra sem meu consentimento. Leiam as notas finais porque são importantes. Boa leitura.

Kushina observava com curiosidade aquele jovem desconhecido deitar seu filho na mesa, segurando-lhe a cabeça com o braço para não bater contra a madeira. Depois, ele despiu o paletó cobrindo o tronco dele, delicadamente.

Estavam na sacristia da igreja, uma com iluminação fraca e vários vitrais coloridos. Assemelhava-se a um escritório com armários, cadeiras e algumas estátuas de santidades que permaneciam ali olhando para eles com seus olhos de vidro. Havia uma mesa grande onde o rapaz de cabelos loiros permanecia deitado, inconsciente.

Do lado de fora podiam ouvir a balbúrdia de pessoas indo e vindo no salão da igreja. O som de ambulância soava fracamente, indicando que estava se aproximando.

Somente quando tirou os olhos do rapaz sobre a mesa, Sasuke percebeu que a mulher ruiva o mirava com curiosidade. Virou os olhos, suas bochechas corando levemente.

— Você é amigo de meu filho? – Kushina indagou, curiosa.

— Sim. Temos contato devido ao trabalho – ele corou mais intensamente. Pigarreou, logo se recompondo e assumindo a postura austera – Sou Sasuke Uchiha, muito prazer.

— Kushina Uzumaki, o prazer é todo meu. Muito obrigada por ajudar o meu filho.

— Qualquer pessoa o teria socorrido após desmaiar, senhora. O que fiz não foi nada demais.

— Não estou falando exatamente sobre isso – ela sorriu e o moreno surpreendeu-se por um momento. Foram interrompidos por um paramédico que entrou na sala.

— O que aconteceu? – colocava uma maleta de primeiros socorros numa cadeira próxima de onde Naruto estava deitado.

— Ele desmaiou subitamente após uma crise de nervosismo – Sasuke explicou calmamente, dando espaço para o paramédico trabalhar – O pulso e a respiração parecem normais, mas ele não quer acordar.

— Quando aconteceu isso?

— Há cerca de 20 minutos.

— Vou examiná-lo. Podem me esperar lá fora.

Ambos assentiram e se dirigiram ao corredor. Sasuke carregou consigo uma cadeira e a colocou para a mulher se sentar.

— Obrigada – lhe sorriu ternamente e ele sorriu de volta.

Não tinha lembranças muito vívidas de sua mãe, visto que ela havia se separado de seu pai e partido para longe quando ainda era muito novo. Mas imaginava que possuísse aqueles mesmo olhos gentis.

Algum tempo depois, Minato veio até eles com uma expressão cansada no rosto.

— Como estão as coisas? – Kushina quis logo saber.

— Estão tentando acalmar a Sakura. Ela não para de chorar por nada. Falei com o padre e eu mesmo anunciei para os convidados que Naruto vai ficar bem, mas que o casamento foi cancelado.

Ele volveu o olhar para o rapaz recostado à parede. Sasuke o encarou de volta, constatando que era como olhar Naruto mais velho, um homem inacreditavelmente bonito, porém mais sério. O temperamento intenso e divertido do loiro fora logicamente herdado de sua mãe.

Estava feliz por ter conhecido ambos. Conseguia descobrir um pouco mais sobre Naruto apenas olhando para eles.

Minato caminhou até o Uchiha e lhe estendeu a mão grande e larga.

— Obrigado por sua ajuda, rapaz. Como se chama?

— Sasuke Uchiha, é um prazer conhecê-lo, senhor…? – apertou a mão do mais velho.

— Minato – completou enquanto encarava o rapaz firmemente – Não sei de onde conhece meu filho, nem o que te motivou a invadir a cerimônia, mas estamos gratos por isso. Naruto pode ser muito teimoso às vezes.

Sasuke riu de lado.

— Extremamente teimoso – mirava o chão ao confessar.

Kushina não conseguia desviar o olhar daquele rapaz misterioso. Havia alguma coisa nele, no modo como falava e como agia. Algo que a fazia pensar que não era somente empatia o que ele sentia por seu filho. O brilho negro daqueles olhos parecia diferente toda vez que olhava para Naruto, e ele parecia realmente desesperado quando invadiu a cerimônia de casamento.

Ouviram passos e então uma figura alta, com cabelos ruivos rebeldes e olhos muito verdes se aproximou do trio, a passadas calmas, as mãos nos bolsos da calça de alfaiataria.

— Como ele está?

— Estão examinando ele agora – Kushina respondeu prontamente, sabia que se tratava de Gaara, o chefe de seu filho.

— Caso alguma coisa aconteça ou se ele não se sentir bem para trabalhar na segunda feira peço que me avisem de antemão.

Sasuke se pronunciou prontamente. Conhecia o rosto de Gaara, sabia a qual departamento ele pertencia.

— Senhor Sabaaku, não é? Sou Sasuke Uchiha da Uchiha Co. Terei prazer em enviar um prestador de serviços na segunda feira para fazer o trabalho pendente do senhor Uzumaki em seu lugar, creio que sua condição de saúde exige algum cuidado. Obviamente todos os custos serão por minha inteira responsabilidade e espero que ele não seja prejudicado por isso.

— Naturalmente que não, senhor Uchiha. Agradeço sua preocupação, mas Naruto tem trabalhado de maneira extremamente satisfatória nos últimos dias e sua parte correspondente no processo de criação está deveras adiantada. Ele tem solicitado horas extras há vários dias. Diga-lhe então para descansar na segunda e que o esperamos de volta na terça. Mande meus desejos de melhoras.

Tendo dito isso, Gaara fez uma breve vênia, deu as costas e seguiu seu caminho.

Sasuke observava enquanto ele se afastava. Tornou a encostar na parede e respirou aliviado. Estava um pouco mais calmo desde que tudo aconteceu.

Teve medo de não chegar a tempo, mas por sorte conseguiu evitar que o estúpido se casasse! Foi por muito pouco.

Percebeu olhares fixos em si e constatou que os pais de Naruto o encaravam fixamente, muito surpresos.

Bem, não seria diferente. Era um estranho que havia aparecido para estragar o casamento do filho, e ainda oferecia um contratado para cobrir um dia de folga. Realmente tinham todos os motivos do mundo para se perguntar quem era e o que queria.

Mas nenhum dos dois fez pergunta alguma a ele.

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O cheiro de remédio invadia seu nariz, era enjoativo.

Naruto abriu os olhos lentamente. Estava confuso, sua boca e garganta estavam secas e ele engoliu, mas tossiu em seguida.

Demorou alguns segundos para sua mente trabalhar adequadamente e as lembranças surgiram todas de uma vez, assustando-o. Tentou se levantar, mas foi impedido por um braço que o forçou a recostar o ombro em algo macio. Sentiu um bater rápido contra sua bochecha e ergueu os olhos para se deparar com o rosto de Sasuke acima do seu, a centímetros de distância. Estava sentado sobre seu colo, entre os braços fortes, recostado junto ao peito largo. Corou violentamente e tentou se desvencilhar do toque, mas o outro novamente o impediu.

— Fique calmo, você precisa descansar.

O cheiro familiar, a textura macia da pele, o calor dos braços trespassados por seu corpo, a respiração quente que batia em seu rosto... Tudo estava deixando Naruto ainda mais confuso. Encarou o Uchiha por longos segundos, aquela boca rosada estava tão próxima da sua que sentiu desejo imediato de beijá-lo. Suas mãos subiram inconscientemente aos ombros fortes, apertando o tecido. Seus olhos foram se fechando e percebeu de bom grado que Sasuke aproximava o rosto do seu. Ansiou tanto por isso, temia que nunca mais pudesse vê-lo, tocá-lo ou fazer amor com ele. Quando se deu conta de que o perderia para sempre quase enlouqueceu! Preferia morrer a ficar longe daquele homem metido que invadiu sua vida reivindicando espaço em seu coração.

Sentiu um roçar de leve nos lábios e prontamente correspondeu, muito grato. Um calor agradável cobriu seu corpo ao perceber que ainda poderia ficar com ele, que não era tarde demais, que poderiam ser felizes juntos. As palavras escaparam de seus lábios sem que percebesse.

—... Sasuke... – murmurou fracamente -... Acho que amo você.

O contato parou. Naruto abriu os olhos pesados para se deparar com um Sasuke pasmo, olhando-o seriamente.

Só então se dera conta de suas próprias palavras e corou intensamente, agitando-se no colo do Uchiha até conseguir sair de cima dele e ficar de pé. Péssima ideia porque perdeu o equilíbrio e quase caiu, precisando se escorar.

—... Desculpe... Acho que ainda não me sinto muito bem.

Sasuke suspirou e fechou os olhos por um segundo.

—... Entendo. Deve estar sob efeito dos medicamentos – ajudou-o a se sentar. Naruto estava meio alto e dopado, mas ainda podia perceber que Sasuke parecia decepcionado.

Ouviram a balbúrdia do lado de fora da sacristia e a porta se abriu com um estrondo revelando uma Sakura esbaforida, aos prantos, que irrompeu pela sala até o noivo. Segurava com dificuldade as barras do vestido. Fuzilou o Uchiha com os olhos. Este sustentou o olhar firme como quem compra aquela briga, e ela acabou se esquivando. Sempre ficava vermelha quando encarava por muito tempo aquele deus em forma de ser humano.

Sasuke passou de leve a mão sobre os cabelos loiros.

— Me ligue se precisar de alguma coisa – tendo dito isso caminhou calmamente para fora, fechando a porta. Rumou para fora da igreja pelos fundos para evitar topar com algum convidado. Já havia chamado atenção o suficiente.

Naruto fitava a noiva sem saber o que dizer.

— Sakura... Me desculpe. Eu não sei o que me deu...

— Nunca passei tanta vergonha e desilusão em toda a minha vida! Eu jamais vou me recuperar, Naruto! Você sabe há quanto tempo eu tenho sonhado com este dia? – largou as barras de tecido no chão e estes caíram farfalhando ruidosamente. A seda pura e o crepe se misturando a sujeira do chão, mas ela sequer se importou.

— Eu realmente sinto muito, Sakura. Toda a pressão deve ter me subido à cabeça.

— Porque não respondeu de uma vez quando o padre te perguntou se queria se casar comigo, Naruto? E por que raios o imbecil do Sasuke apareceu no meio da cerimônia para atrapalhar tudo?

Ele baixou os olhos, incapaz de responder.

Era incapaz de dizer que Sasuke foi até a igreja para impedi-lo de se casar, provavelmente por estar apaixonado por ele. Também não conseguia confessar à noiva que não sentia mais nada por ela.

Sakura percebeu que ele não responderia.

— Minha mãe me disse há pouco que conseguiu remarcar a cerimônia para daqui a um mês – fungou longamente e esfregou o nariz que escorria de tanto chorar.

O coração do rapaz até falhou uma batida.

— O q…? Sakura, não podemos fazer isso!

— Eu sei! Como eu poderia fazer outra festa em apenas um mês? Não seremos reembolsados pelo valor gasto com o buffet, com a viagem... E não existe casamento sem festa! Sem fotos! E o meu vestido? Sabe quanto custou esse modelo sob medida? Não posso repetir o mesmo modelo, preciso de um novo! Vai levar meses até juntarmos o dinheiro de novo!

Naruto não podia deixar de notar que todas as preocupações dela estavam relacionadas com dinheiro e bens materiais.

— Escute, não é isso que significa um casamento para mim. É mais sobre cumplicidade e envolvimento, e não sobre dar uma grande festa. Acho que o que realmente importa vem depois do dia do casamento.

— Porque você é um caipira! Não sabe nada sobre coisas sofisticadas! Não chega nem aos pés de alguém fino e elegante como o Sasuke!

— Mas que droga, Sakura! Quando vai parar de me comparar ao Sasuke? Quando vai gostar de mim pelo que sou e deixar de me criticar o tempo inteiro? – se enfureceu de verdade. Nem sabia dizer há quanto tempo estava fazendo horas extras no trabalho, fritando os miolos para desenvolver duas campanhas publicitárias ao mesmo tempo, tudo para dar à noiva o casamento de seus sonhos. Estava extremamente cansado, de tudo.

— Eu não criticaria se você fosse um noivo melhor, e se me desse todas as coisas que mais preciso!

— Eu estou tentando, Sakura! Estou fazendo o meu melhor para te dar a vida que você quer!

— Pois não está tentando o suficiente! Você ainda não é rico, não tem carro, me levaria para morar num apartamento medíocre num bairro de classe média baixa, está ficando barrigudo e sequer me atende na cama como deveria!

Naruto se calou e a encarou, magoado e ferido. Só depois de extravasar sua raiva é que a garota se deu conta do que acabara de dizer. Ainda tentou consertar as coisas, mas ele a cortou.

—... Acho que isso nunca daria certo mesmo.

— Do que está falando?

— Olhe bem para nós dois, Sakura. Não agimos como um casal em dia de casamento. Estamos sempre discutindo, sempre discordando. Acho melhor repensarmos direito, antes que seja tarde demais para nós dois.

Ela arregalou os olhos como se não acreditasse.

— Você... Não pode estar falando sério, Naruto! Coloque um pouco de juízo nessa cabeça oca, nós já chegamos até aqui! Não pode simplesmente desistir e me fazer passar essa vergonha!

— O que estamos prestes a fazer é um erro! Gosto muito de você, mas não te amo. E sei que se sente da mesma forma.

— Mas nós já estamos junto há dois anos, Naruto!

— Mas não nos amamos, Sakura! Não mais! Estamos enganando todo mundo, mas não a nós mesmos!

Ela franziu a testa enorme, armando um longo berreiro, as lágrimas grossas escorrendo pela face.

— Eu não acredito que esteja fazendo isso comigo! – chorava alto, sem reservas. Naruto sentiu-se horrível por fazê-la chorar, mas precisava ser sincero ao menos dessa vez. Murmurou um pedido de desculpas, virou-lhe as costas e saiu a passadas largas, sem olhar para trás, ignorando pela primeira vez a vontade da noiva que gritava sem parar atrás dele.

— Eu ainda não terminei de falar! Naruto, volte aqui agora mesmo!

Não atendeu ao chamado. Precisava mesmo ficar sozinho.

Encontrou do lado de fora seus pais conversando em tom baixo, na porta da igreja. Todos os convidados já haviam ido embora e quase todas as luzes estavam apagadas. Algumas flores estavam despedaçadas no chão e a decoração já havia sido levada embora.

Minato o ouviu se aproximar e virou-se para ele, mas não conseguiu dizer nada ao ver o estado em que o filho se encontrava, a face molhada pelas lágrimas. Kushina sentiu-se impotente.

—... Podem me tirar daqui, por favor?

— Claro – Minato prontamente assentiu e passou um dos braços pelo ombro do filho enquanto Kushina os guiava até o estacionamento.

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A mansão parecia ainda mais imponente do lado de dentro. Karin estivera poucas vezes na casa sede dos Uchiha, afinal a entrada de pessoas de fora do clã sempre foi vetada. Aquele casarão no passado foi ocupado por várias famílias, porém atualmente era ocupada era pelo patriarca e alguns empregados.

Madara era quem estava à frente do clã, aquele que estabelecia as regras. Seu filho Fugaku era responsável pela administração de grande parte dos bens e relações de família.

Ali também viviam servos, criados, pessoas próximas da família. Os que nasciam sob o sobrenome Uchiha tinham suas vidas minuciosamente monitoradas, para que nada saísse do controle. Era como viver em uma jaula. Dentre os quesitos, os casamentos eram basicamente efetuados entre Uchihas, primos com algum parentesco e não em raras ocasiões até mesmo entre irmãos. Em pouquíssimas exceções, alguns casamentos eram concedidos somente às famílias aliadas ou de grande renome e fortuna. Era o caso de Karin, que conseguiu um casamento com Sasuke por conta de um interesse financeiro dos Uchiha, um empréstimo generoso em troca da mão da jovem. Muitos outros que tentaram fazer parte dos Uchiha não tiveram a mesma sorte.

Até mesmo o padrão estético e a beleza do pretendente eram levados em consideração. Madara queria ter a certeza de que os Uchiha se manteriam sempre no topo como uma das famílias mais belas e poderosas do país.

De maneira irrefutável, cada pretendente vindo de “fora” da família precisava passar por exame médico prévio. Uma medida de segurança para assegurar genes considerados defeituosos, propensão a doenças, anomalias... Caso os genes do pretendente se mostrassem dominantes o casamento era vetado, uma vez que se o casal tivesse filhos eles não teriam o padrão dos Uchiha, ou corressem riscos de nascerem deficientes, com má formação. Qualquer tipo de deformidade era abominada pelo patriarca.

Essa era a regra absoluta. Quebrá-la estava fora de questão.

Aquela imensa casa antiga era o que havia de mais temido e odiado dentro dos limites do bairro Uchiha, uma delimitação na cidade, semelhante a um condomínio fechado em que somente famílias pertencentes ao clã moravam.

A casa era escura, de atmosfera tediosa e pesada. O cheiro forte de madeira de lei subia pelo ar. Os móveis eram rústicos e antigos, de qualidade indiscutível.

Karin não recordava com exatidão qual a última vez que esteve ali, provavelmente no dia em que acertou os detalhes de seu casamento. Percebeu que nada mudou, e que aquele lugar ainda parecia assustador.

Estava sentada junto a um bistrô na sala principal, servindo-se de chá em uma xícara de porcelana especialmente bonita. Diante dela estava seu sogro, que parecia completamente desgostoso e irritado. A face austera era assustadora.

—... Poderia ser mais específica, senhorita Karin? — passou a mão pelo rosto, tentando manter a calma.

— É como eu lhe disse, ao que tudo indica Sasuke está me traindo. Ele tem andado distante e diferente comigo – ocultou convenientemente a parte de haver pego seu marido com o garoto loiro — Por isso exijo que afastem essa pessoa de perto dele, ou serei obrigada a pedir a anulação do casamento, e o senhor sabe que se fizer isso a fortuna dos Uchiha ficará com minha família, não é?

Fugaku cruzou os braços, a expressão se tornando ainda mais austera do que antes.

— Não será necessário chegar a tal ponto. O idiota do meu filho ainda age como criança, mas dessa vez será obrigado a se comportar de acordo com sua posição na hierarquia de nossa família.

— Sei que o senhor diz isso, mas Sasuke não permite que ninguém se aproxime, é frio e distante e sequer toca em mim... Dessa maneira é impossível cumprirmos a cláusula principal do contrato.

Fugaku a encarou seriamente.

— Esteja certa que as providências serão tomadas, Karin. Sasuke está ciente dos termos e o prazo está acabando. Vocês precisam de um herdeiro, era uma das condições impostas no contrato. Querendo ou não ele terá que cumprir sua parte do acordo.

A jovem abriu um largo sorriso de satisfação, lágrimas se formando no canto dos olhos por detrás dos óculos de armação negra.

Era o que mais desejava na vida! Ter um filho de Sasuke seria maravilhoso! Estava certa de que um filho era o presente mais valioso de um casamento. Sim, quando Sasuke se tornasse pai, quando visse seu filho pela primeira vez, com certeza iria mudar. Para Karin filhos eram benção dos céus, e sem eles não existia casamento.

“Uma mulher nasce somente com o propósito de ser mãe” — pensou aturdida. Se lhe negassem a maternidade sentia que não era nada, que não valia nada.

— Obrigada, senhor Fugaku. Esse é o meu maior desejo! Meu sonho é ser mãe, dar a Sasuke um filho vai completar nossa felicidade – agradeceu formalmente e se levantou, disposta a deixar o recinto. Porém se deteve ao se lembrar de algo importante.

— Oh sim, eu recomendaria que pesquisasse na internet, senhor. O nome de seu filho se tornou muito popular neste fim de semana e todos estão comentando. É imprescindível que assista para entender o motivo. Creio que vai ficar pasmo ao descobrir com quem Sasuke anda me traindo...

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A manhã de segunda feira chegou depressa, e mesmo tendo recebido o aviso de poder ficar em casa para descansar, Naruto compareceu normalmente ao trabalho. Não queria causar problemas a ninguém e já se sentia um tanto melhor. Foi o estresse.

Claro que não podia negar que estava exausto. Tanto seu corpo como sua mente estava um bagaço. Talvez fruto dos analgésicos que tomou. Achou melhor ir trabalhar para ocupar a mente, afinal seu casamento havia sido um total fracasso e passou parte do fim de semana telefonando para se desculpar com os convidados, cancelando a viagem, resolvendo os assuntos pendentes da festa. Sua geladeira estava abarrotada de comidas finas que não foram sequer tocadas. Quando pensava em quanto dinheiro havia sido gasto em vão tinha vontade de sentar e chorar, mas não havia muito a ser feito.

Na realidade estava grato por não ter se casado com Sakura. Não fosse por Sasuke ter chegado no momento exato teria feito uma imensa besteira ao responder sim.

Corou ao se lembrar do modo heróico como Sasuke irrompeu no meio da cerimônia, como um majestoso arauto negro, para lhe salvar no momento exato. Ele havia superado a vergonha, as opiniões alheias, e até mesmo as rejeições somente para impedi-lo de se casar.

Toda vez que repassava a cena em sua mente seu coração batia mais depressa.

Provavelmente Sasuke falara sério quando disse que gostava dele... Caso contrário não teria insistido tanto.

E pensar que se deixou levar pela emoção e disse a ele que o amava! Que vergonha! Não era o tipo de coisa que se dizia sem pensar daquele modo, ainda mais tão rápido! Mal se conheciam! Provavelmente foi um impulso causado pelo torpor, ou por causa dos remédios que o paramédico lhe deu. Sim, só poderia ser por isso. Tomou um remédio forte para conter a dor abdominal e imaginava que isso o fez dizer besteiras.

Quando Naruto botou os pés na área de criação do prédio publicitário, todas as cabeças se voltaram para ele e o rapaz corou e praguejou. Baixou a cabeça e disse bom dia, caminhando entre as mesas em direção à sua. Sentia os olhares fixos e o murmurinho das conversas a seu respeito.

“Será que ele se recuperou? Eu vi desmaiar num vídeo da internet, estavam compartilhando sem parar nas redes sociais!”

“Soube que o presidente da Uchiha Co foi até lá e impediu ele de se casar!”

“Sim eu vi, aquele ricaço lindo!”

“Tá brincando, é sério?”

Naruto praguejou mentalmente.

Gente maldita! Deveriam cuidar de suas vidas e deixá-lo em paz!

Óbvio que não o fariam, porque o vídeo dramático logo se tornou viral. Não se falava de outra coisa.

Andava de cabeça baixa e acabou esbarrando na pessoa que vinha na direção oposta. Deu de cara com o chefe, Gaara o fitava com certa expressão de curiosidade.

— Uzumaki, pensei ter lhe dado o dia de folga.

— Ah sim, eu soube e sou muito grato, mas já me sinto bem – corou violentamente de vergonha — Gostaria de me desculpar pelo que aconteceu, e já providenciei para devolver o presente de casamento que me enviou.

Gaara deu de ombros.

— Fique com ele. E trate de não passar mal no trabalho. Se o fizer eu mesmo vou te enfiar em um táxi e te mandar daqui direto para o hospital, entendeu?

— Sim, senhor. Obrigado.

Fez uma vênia com a cabeça e se sentou, querendo afundar na cadeira. Abriu a gaveta de sua mesa à procura dos fones de ouvido, pois sabia que seria o assunto do dia e não queria ouvir nada. Na mesa vizinha uma cabeça morena se esticou para olhá-lo por cima da divisória branca.

—... N... Naruto?

— Bom dia, Hinata – sorriu gentil, mesmo estando envergonhado ao extremo. Hinata era uma das pessoas do trabalho que estavam em seu fatídico casamento.

— Bom dia... Você está bem?

— Estou. Me desculpe, de verdade.

— Não precisa se desculpar, eu... Fiquei muito preocupada com você.

— Obrigado, mas eu já estou bem.

— E quanto à Sakura? E como ficará seu casamento?

Ele piscou algumas vezes, sem saber direito o que dizer.

— Ainda está bem abalada. Acho que precisaremos nos dar algum tempo – confessou, suspirando longamente.

Hinata arregalou os olhos prateados e se abaixou rapidamente para ocultar o rosto vermelho. O outro ficou olhando-a sem entender, por fim colocou os fones de ouvido ligando o som do notebook com música bem alta para abafar o burburinho das fofocas.

Hinata sorria tão feliz que nem poderia explicar.

Então eles não iriam mais se casar? Seu coração começou a bater mais forte por causa disso. Quem fosse hora de agir, de fazer ele a notar.

Talvez ainda tivesse uma chance!

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Sasuke estava mergulhado em trabalho o fim de semana inteiro. Precisava ocupar sua mente. A nova secretária ainda não havia sido aprovada na experiência de maneira que estava contando com ajuda de uma substituta e isso dificultava ainda mais o trabalho.

Porém, se colocasse em uma balança o trabalho da novata e o trabalho mau feito de Sakura seria equivalente no fim das contas.

Recostou-se à cadeira, apertando com a mão o ombro dolorido e cansado. Precisava de uma pausa e de um café bem forte.

O telefone tocou pela milésima vez aquela manhã e ele atendeu exausto.

— Pronto — disse sem ânimo.

— Pode me explicar o que diabos você pensa ter feito naquela igreja, Sasuke?

O rapaz ficou sério. Era a voz de seu pai.

— Vejo que gosta de passar seu tempo livre vendo bobagens na internet.

— Você tem ideia do que fez à sua imagem? Você é um dos presidentes dessa companhia, Sasuke!

— Ah, por favor — cortou o sermão — Sabe tão bem quanto eu que meu cargo é uma fachada. Sou manipulado, faço o trabalho que jogam nas minhas costas, mas no final as decisões nunca partem de mim.

— Óbvio, porque você ainda é jovem. Mas está no topo da companhia por ser herdeiro Uchiha, portanto precisa cuidar de sua imagem, não aparecer nesse tipo de escândalo!

— Já acabou? Porque eu tenho muito o que fazer, ninguém trabalha nessa empresa e sobra para o “presidente” mais jovem e herdeiro fazer todo o trabalho.

O homem bufou de raiva ao telefone.

— O que te deu na cabeça para fazer algo tão impensado? — embora soasse nervoso, Fugaku também estava curioso.

— Não tenho que lhe dar satisfação alguma sobre o que eu faço. Ou está pensando em criar um contrato para me controlar também?

— Não seja atrevido! Karin esteve na sede conversando comigo, e me afirmou que você a está traindo. Em seguida vejo na internet você interromper um casamento! O que quer que eu pense? É aquela garota de cabelos rosados que te interessa, a que era sua secretária?

— Não diga isso nem de brincadeira.

— Pois acho melhor você criar juízo, Sasuke. É hora de passar a se comportar como herdeiro dos Uchiha. Um dia você será o presidente da companhia, o futuro patriarca! Não vou permitir que faça o que bem entender, toda a nossa fortuna está empregada no casamento de vocês. Pelo seu bem, e pelo bem de Itachi espero que não cometa mais loucuras como esta!

O som do telefone sendo desligado com força soou no ouvido do moreno. Ele bufou entediado e colocou o aparelho na base.

As coisas estavam se complicando, precisava ser rápido ou acabaria envolvendo Naruto em seus problemas. Seu tempo estava acabando.

Olhou o imenso quadro na parede onde os quatro Uchiha estavam ilustrados. Demorou-se fitando o irmão mais velho.

— Que maldita hora você foi escolher para ficar doente, Itachi!

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Os dias foram passando e Naruto evitava contato com Sasuke de todas as formas que conseguia.

Estava preocupado com diversas coisas. Se Sasuke estava mesmo sério sobre ficar com ele, bem isso o deixava muito feliz, mas em partes o aterrorizava. E já havia dito que gostava dele, mas não obteve resposta e isso estava formigando em sua mente.

“Não posso ter me apaixonado a ponto de amá-lo! Não e não, isso não é amor, é só um sentimento forte de paixão. Ainda tenho pleno controle de mim mesmo!”

A preocupação era somada ao trauma de ter sua noiva telefonando sem parar, querendo explicações e desejando remarcar a data do casamento.

Estava farto, cansado e precisava realmente beber alguma coisa. Aceitou o convite de seus colegas de trabalho para tomar alguma coisa em um bar próximo ao local de trabalho. Saiu apressado ao fim do expediente, sentindo-se aliviado e revigorado.

Conversava distraidamente enquanto cruzava a avenida longa em direção ao barzinho. Percebeu um carro importado escuro um tanto familiar parado ali próximo. Naruto já estava ficando receoso e pensando em fugir, mas não teve tempo. A porta do carro se abriu revelando a silhueta irritada do Uchiha. Ele caminhou sem se deter até Naruto, agarrando-o pelo braço.

— Você vem comigo – puxou um loiro protestante e desesperado. Seus colegas ao verem que se tratava do Uchiha o deixaram ir, pois bem sabiam do rolo que havia acontecido no casamento.

Naruto foi jogado sem muita força no banco de passageiros.

— O que deu em você???

— Eu é que pergunto – Sasuke sentou no banco do motorista, fechando a porta e colocando o cinto, guiando o veículo em direção à avenida principal – Por que está me evitando?

—... Não sei do que está falando – olhou para o outro lado.

— Nem se faça de bobo. Você não atende minhas ligações, não responde mensagens, nem emails. Também não me atendeu quando fui à sua casa. Por que está me evitando logo depois de se confessar para mim?

Naruto resmungou e baixou o rosto, porque sabia que estava vermelho. Esperava que o outro não o pudesse ver pelo reflexo no vidro.

Me confessei nada. Eu estava grogue por causa dos remédios.

A carranca do outro só aumentou.

— E acha muito apropriado brincar com meus sentimentos? – fez uma curva mais acentuada e Naruto lembrou de colocar o cinto de segurança.

— Não estou brincando, é sério!

— O que é sério, Naruto?

O rapaz de cabelos loiros foi ficando mais e mais nervoso.

— Olha Sasuke, sou eu quem deveria fazer perguntas. Você que invadiu meu casamento mesmo eu tendo dito que não desistiria da Sakura. Daí eu comecei a passar mal, fiquei confuso e acabei dizendo algo que não devia. Nunca quis brincar com você.

— Então eu sou culpado por ter livrado você de alguém que não se importa com o próprio noivo desmaiado e ainda bate nele?

Naruto sentiu-se envergonhado. Sua mãe havia lhe contado, louca da vida, o que aconteceu depois que havia desmaiado. Do modo frio como Sakura o tratou.

—... Claro que não. Eu sou muito grato pelo que você fez Sasuke.

— Não parece muito grato — desdenhou, bastante irritado.

— Mas estou, caramba! Foi burrice minha, eu sei. Não amo a Sakura e não devia ter ido tão longe. Eu ainda estou confuso com tudo que está acontecendo.

— Pois bem, vejamos se essa sua confusão se resolve de vez. Está com seu documento de identificação?

— Sim estou, mas... Por quê? — abriu a carteira distraidamente, retirando a identidade e o outro a tomou de sua mão.

O carro entrou em uma curva que dava acesso a uma rua mais estreita e com menos iluminação, ainda que fosse um local bem localizado. Luzes noturnas dos letreiros piscavam em vermelho vivo, cortando a noite com brilho intenso. Naruto estranhou e começou a ficar realmente intrigado conforme o carro avançava, até que se deu conta de tudo. Quando o carro estacionou no guichê ele quase teve um treco.

— VOCÊ ME TROUXE NUM MOTEL??? – gritou desesperado e a atendente até levou um susto, olhando assustada para o rapaz loiro.

— Devo ligar para a polícia??? — ela perguntou já tirando o fone do gancho.

— NÃO!!! — Naruto exclamou depressa, tentando consertar tudo e deu um sorrisinho.

Era só o que faltava a polícia ir buscá-lo dentro de um motel! Já andava conhecido o suficiente, não precisava de mais fama.

Cutucou o Uchiha e resmungou baixinho.

Por que me trouxe logo aqui?Porque tenho coisas a te perguntar e você anda me evitando.Mas tinha que ser logo… AQUI???

Sasuke por sua vez o encarava com uma expressão de deboche.

— Por acaso é sua primeira vez em um desses?

— C… Claro que não — a voz saiu com muito mais ênfase do que queria.

Sasuke o ignorou e virou para a atendente, entregando o documento de identidade de Naruto juntamente com sua habilitação.

— A suíte imperial, por favor.

Ela assentiu, entregando as chaves do quarto para o Uchiha que seguiu dirigindo tranquilamente.

Naruto estava ficando escarlate de tanta vergonha. O caminho até o quarto era repleto de imagens eróticas, corações e frases de duplo sentido. Ele estava sentado nervoso, com as pernas juntas e apertava as mãos junto ao colo.

Ao passar diante de um dos quartos pode ouvir os gritos desenfreados de um casal perdido em êxtase e se encolheu de tanta vergonha. Sasuke, no entanto, aumentou um pouco o volume do rádio como se nada estivesse acontecendo.

Por fim estacionaram na garagem de um quarto privativo, afastado de todos os outros. O portão se fechou sozinho assim que o carro parou. Sasuke saiu do carro, dando a volta para abrir a porta para seu acompanhante tão especial daquela noite. Naruto estapeou a mão estendida, resmungando sem parar, tão corado que até suas orelhas estavam vermelhas.

Estava sem jeito, óbvio. Mas não era só vergonha o que sentia.

Sasuke girou a chave delicadamente e abriu a porta. O rapaz de cabelos loiros piscou algumas vezes, admirado.

A suíte era de tirar o fôlego! Havia uma cama grande e redonda forrada com lençol de seda branco com pétalas de rosas vermelhas espalhadas por ele e pelo chão. Havia uma garrafa de champanhe disposta em um balde de gelo sobre a mesa com taças de cristal ao lado. Espelhos estavam pelas paredes e no teto. Tudo muito revelador, até sua alma ficava visível naquele lugar!

Adiante, havia uma sauna, banheiros e chuveiros impecavelmente limpos, uma jacuzzi e poltronas específicas para ter momentos agradáveis e românticos a dois. Ao menos era o que parecia, mas Naruto ficou sinceramente olhando uma delas pensando como diabos se usava aquilo!

Quanto mais desbravava a suíte, mais envergonhado ficava. Tudo naquele quarto lembrava sexo! Os quadros, o cardápio, a lista de “brinquedos” que poderiam ser comprados... Estava diante de uma TV imensa, mas teve medo de ligá-la e imaginar o tipo de filme que apareceria.

O som ambiente estava ligado e oferecia uma música lenta, instrumental, tão bem tocada que arrepiou sua pele.

Um cheiro delicioso invadiu suas narinas e ele estremeceu. Sasuke riu com isso enquanto jogava o paletó sobre uma cadeira próxima. Percebeu que seu precioso acompanhante estava começando a reagir ao aroma da essência afrodisíaca que subia das velas aromáticas espalhadas pelo quarto. Baixou a luz para uma naturalmente azulada, que dava um ar intrigante ao ambiente. Entrar naquela suíte era como um pedido por uma longa noite de amor e prazer intenso.

Naruto observou a silhueta do outro, pouco definida devido a luz baixa e o ar lhe faltou por alguns segundos. Ia dizer alguma coisa mas foi surpreendido por um movimento rápido. Sasuke o imprensou contra a parede sem lhe dar tempo, beijando-lhe apaixonadamente. Naruto estremeceu e tentou empurrá-lo, mas teve as mãos seguradas firmemente acima da cabeça.

Esqueceu o que ia dizer, o motivo de estar ali, até a raiva se foi. Quando Sasuke o beijava era como se o tempo parasse, como se tudo parecesse certo, da maneira como deveria ser.

Sasuke... – conseguiu balbuciar, tarefa um tanto difícil porque o Uchiha descia a beijar e lamber seu pescoço, provocando arrepios a cada vez que a língua deslizava pela pele, traçando uma linha de saliva até os ombros, fazendo o outro arfar de desejo. A cada mordida, a cada vez que chupava a pele salgada, as forças para resistir desapareciam de Naruto.

—... Espera... – embora pedisse por tempo estava completamente entregue, visivelmente excitado, a testa suada onde os fios loiros grudavam – Um minuto só, Sasuke…

— Me dê um bom motivo para esperar.

Naruto o encarou, surpreso, sem conseguir fugir dos olhos negros, sem conseguir achar uma resposta. Tanto que nem protestou quando o outro se aproximou de novo, quando roçou os lábios, entreabrindo-os e tornando a beijá-lo. Apertou com ambas as mãos o traseiro macio do outro por cima da calça. Naruto se contorcia e segurava com força em suas costas.

Aproveitando-se disso Sasuke o empurrou-o com apenas uma mão e Naruto caiu deitado sobre a cama. Nem quis protestar quando o corpo forte o imprensou contra os lençóis, esfregando-se enquanto o beijava. Naruto afundou as mãos nos cabelos negros, correspondendo ao ritmo urgente do beijo, roçando a língua à dele. Quando seus lábios foram soltos estavam vermelhos, úmidos e ele respirava depressa. Fitava maravilhado os olhos do rapaz sobre si, turvos de prazer. Um calafrio o fez tremer. Sentia que ele queria devorá-lo por inteiro!

—... Sasuke… — arfou sem saber o que dizer, o que pensar.

—... Naruto... – beijou sua testa, bochechas, pescoço, provando cada pedaço.

Eles se encaravam longamente, como se fosse a primeira vez, como se um dia tivessem despertado de um longo sono e pudessem admirar somente um ao outro à sua frente.

Seus lábios se selaram num beijo profundo, inebriante e úmido. Naruto se contorcia debaixo de Sasuke enquanto sentia com prazer a língua aveludada invadir sua boca, uma das mãos bagunçando as madeixas escuras, a outra abrindo habilmente os botões da camisa branca, buscando a pele quente debaixo dela. Escorregou uma das mãos para as costas dele, trazendo-o para mais perto de si. Sasuke ergueu de leve a cabeça de cabelos espetados para poder beijá-lo com todo o fervor que desejava.

Como sentiu falta daquele loiro imbecil! Como sentira falta de seu perfume e do seu calor, aquele miserável o deixava louco! Beijava seus lábios, o mordiscava, beijava seu rosto, para voltar a unir aos lábios dele. Adorava tudo nele, e o queria por inteiro! Tateou a barriga, circulando o umbigo, subindo para o peito.

Deixou escapar um riso abafado e Naruto interrompeu o beijo para fitá-lo à meia luz azulada do quarto, sem entender.

— O que foi?

— Você engordou, sabia? – riu, um daqueles lindos sorrisos que guardava somente para si.

Naruto inflou as bochechas, incomodado.

— Está me chamando de gordo?

— Eu não disse isso e nem reclamei – beijou seu queixo vagarosamente. Abriu os botões da camisa e se deparou com o peito pardo que arfava depressa, o suor despontando por ele – Não importa quantas vezes eu te olhe, você continua lindo...

Os olhos azuis tremeram de leve com tais palavras, mas ele escondeu habilmente e tornou a beijá-lo, rolando pelos lençóis enquanto o ajudava a tirar a camisa. Localizou o cinto e o abriu para então puxar o zíper para baixo num movimento contínuo. Baixou-lhe as calças até as coxas. Sasuke interrompeu o beijo para atirá-las para longe, juntamente com a roupa de baixo. Naruto já retirava a própria calça e se livrava do restante das roupas, a pressa surgindo em cada movimento. Suspirou quando sentiu seu corpo completamente nu junto ao corpo que tanta falta lhe fizera, a ereção pulsante se esfregando junto à sua conforme se beijavam apaixonadamente.

Naruto sentia as mãos quentes percorrerem seu peito, descendo por seu ventre em direção a púbis e um arrepio longo eriçou os pelos do corpo todo.

Não aguentava mais, precisava ser tomado ou ficaria louco.

—... Coloque... Depressa...

— Tem certeza? – esfregava o membro duro contra o de Naruto e este se contorceu, o calor da ereção pulsante contra a sua, seus testículos roçando um no outro. Esboçou uma expressão doce e sofrida ao mesmo tempo, a voz entrecortada num gemido completamente adorável.

—... Você está bem para fazer isso? Não serei capaz de parar mesmo se você me pedir...

O rapaz loiro nem pensava mais.

—... Apenas coloque de uma vez! – implorou com urgência e rebolou os quadris. Sasuke riu maliciosamente descendo o dedo indicador até a entradinha rosada que pulsava de tanto desejo. Percebeu admirado que estava lubrificada e pronta, como as demais vezes. Enfiou o dedo inteiro num movimento longo e o rapaz arqueou as costas até tirá-las do colchão, soltando um longo gemido de prazer. Sasuke movia devagar, fascinado pela visão do loiro gemendo largado sobre as pétalas de rosa. Deslizou com facilidade outro dedo pelo buraquinho apertado, sentindo o calor quase febril da cavidade, a lubrificação natural inexplicavelmente tornando o ato fácil.

Naruto ronronava o nome de seu amante enquanto segurava os lençóis acima de sua cabeça, as pernas abertas a ponto de o outro poder vê-lo por inteiro, a ereção apontando para o alto, trêmula e molhada, gotículas escorrendo do buraco na base, se espalhando por toda a extensão, circulando os testículos, desaparecendo nos lençóis brancos.

Sasuke tivera certo temor de tomá-lo depois o ver desmaiar dias atrás, mas Naruto parecia perfeitamente bem. Sabendo disso, arrancou os dedos de dentro dele de uma só vez, ouvindo impropérios e palavrões indignados como resposta, mas o calou ao deslizar a ponta em sua entradinha, contornando o buraquinho, provocando arrepios longos.

—... Enfia de uma vez...

— Como se diz? – adorava provocá-lo.

— Agora ou arrebento sua cara!

— Resposta errada – passou a deslizar o pênis inteiro entre as nádegas dele, o atrito apenas fazendo o buraquinho pulsar ainda mais, implorando ser penetrado o quanto antes.

—... Seu... Maldito... Pervertido... Aah!...

— Sei que está gostando.

Ia reclamar, mas quando abriu os olhos viu a própria imagem refletida no espelho do teto e a cena lhe pareceu mais erótica do que nunca. Podia se ver com perfeição, assim como o corpo divino do moreno sobre ele, deslizando o pênis duro contra sua entradinha. A visão o excitou mais, um calor insuportável correndo seu corpo, o próprio membro pulsando como se tivesse vida própria.

Num momento de raiva empurrou o bumbum para baixo, o movimento fazendo a cabeça rosada entrar de leve e conseguindo arrancar um gemido entrecortado do outro. Sorriu vitorioso por isso, mas Sasuke o desafiou com o olhar.

—... Vai se arrepender – preveniu, ao passo que o invadiu com uma estocada longa e funda, rápida e certeira. Naruto mal teve tempo de gemer, sua voz nem conseguiu sair com o torpor que o atingiu. Sentiu-se completamente preenchido e respirava depressa, os movimentos começando lentamente, alargando seus anéis, rompendo a resistência, ganhando entusiasmo aos poucos. Sasuke apoiava o peso do corpo nos cotovelos, seus quadris se movendo enquanto o penetrava, a boca aberta por onde escapava uma respiração quase falha. Se aumentasse muito o ritmo era capaz de gozar muito depressa, precisava se controlar, mas era uma tarefa árdua. Aquele buraquinho apertado fazia a pele deslizar em torno de sua ereção e lhe provocava um prazer intenso, tinha vontade de enfiar tudo para dentro do loiro.

Naruto sentia um arrepio delicioso subindo por seu corpo a cada vez que se enfiava nele, cada vez que roçava seu peito suado, cada vez que buscava seus lábios para beijá-lo, quase sem ar. Aquele pedaço quente de carne rígida se encravava todo, exigindo passagem para então voltar, violando seu buraquinho apertado. Gemia abandonado de prazer, mas controlou a própria voz ao se ouvir quase gritar. Sasuke por sua vez mordiscou um de seus mamilos, circulando a ponta da língua por ele enquanto o fitava, sem parar de penetrá-lo.

—... Você pode gritar o quanto quiser aqui... Ninguém vai te ouvir.

Naruto não conseguiu processar a frase quando começou a ser estocado com força, sua cintura fina sendo segurada pelas mãos fortes, as cadeiras deste se chocando contra sua virilha enquanto o penetrava bem fundo, se enfiando com força o máximo que conseguia, o suor escorrendo pela testa entre os fios negros como ébano.

A voz explodiu na garganta de Naruto como se tomado pelo desejo e ele gritou de prazer, arrebatado, chamando o nome do amante inúmeras vezes, seu corpo chacoalhado pelas investidas fortes, num ritmo alucinado. Sua entradinha estava quente pelo atrito desenfreado e espasmos de deleite atingiam seu corpo cada vez que Sasuke se encravava bem lá no fundo, a cada penetração forte que recebia.

Adorava ser dominado por aquele moreno pervertido, amava quando ele rebolava os quadris de maneira que o pênis largo esbarrasse em todos os cantos do canal apertado.

Ouvia de bom grado a voz grave de Sasuke a cada ida e vinda, estremecia com aquele timbre forte e rouco junto ao seu ouvido. Este forçou as pernas do loiro até os joelhos encostarem-se ao peito estreito do raposo sem parar de estocá-lo, a posição favorecendo uma penetração mais funda, um atrito mais prazeroso. Naruto cerrou os dentes e comprimiu os dedos dos pés, retesando-os bem forte. Segurava no pescoço do outro com ambas as mãos. Encaravam-se inebriados, as bocas entreabertas, as vozes entrecortadas, os gemidos em uníssono, o suor se misturando.

Pediu com a voz sôfrega que ele fosse mais rápido. Era fofo e tão sensual que talvez nem tivesse consciência do quanto deixava o Uchiha louco!

Sasuke obedeceu se enfiando com mais força, bem rápido, o barulho molhado ecoando sem parar. Naruto estava tão lubrificado que o movimento ficava mais fácil a cada ida e vinda.

Já estava chegando lá, e o culpado era aquele moreno gostoso que o estocava bem naquele ponto que o deixava a ponto de subir pelas paredes. Sasuke percebeu e ergueu-lhe a cintura. Por um momento Naruto não entendeu o que estava acontecendo. Num movimento rápido ficou apenas com os ombros no colchão, as costas e o bumbum foram suspensos no ar, sendo segurados, os joelhos ficaram um de cada lado da cabeça. Sasuke sorriu quase maligno quando se ergueu e o penetrou novamente, ainda com força, olhando para ele sem parar o que fazia, gemendo de prazer. Naruto quase não conseguia respirar, as pernas suportando o peso do corpo, e então Sasuke passou a masturbá-lo no mesmo ritmo em que o penetrava, intenso, rápido, forte. O loiro entendeu o que se passava e tentou voltar a deitar as costas no colchão, mas o outro o impedia, ainda penetrando-o com vigor.

—... Sasuke... Eu já estou... Quase lá... – anunciou temeroso. O outro riu em resposta.

—... Pode gozar... E se lambuzar inteirinho! – o bombeava cada vez mais rápido, apertando a cabeça rosada com os dedos. As gotículas que anunciavam o gozo começaram a pingar no rosto de Naruto que se assustou. Naquela posição seu rosto estava exatamente debaixo do próprio pênis.

— Mas... – tentou argumentar, mas as palavras saiam sem sentido e ele foi tomado por uma onda deliciosa, estava tão perto e Sasuke não lhe dava tréguas – Mas eu...

— Goza pra mim... – pediu com um tom rouco, os olhos turvos de deleite.

—... Não... Eu vou... Eu vou... – não conseguiu mais se controlar, contorcendo o rosto, segurando a mão do moreno ajudando a movê-la bem depressa. Um espasmo forte chacoalhou seu corpo e ele gritou tão alto quanto pode.

Irrompeu em um gozo intenso, vários jatos longos de sêmen quente disparando contra seu próprio rosto, pelos cabelos, enchendo a boca aberta até quase a garganta enquanto gritava e engasgava de prazer ao atingir um orgasmo intenso. Espirrava sem parar sujando seu rosto inteiro, o cheiro e o calor do gozo aumentando a sensação do clímax a ponto de nem se importar em ser esporrado, quase ficando maluco de tanto prazer. As paredes do ânus contraíam rapidamente, apertando com força a ereção de Sasuke, que ficou tão excitado com a cena que se enterrou bem fundo, gozando em seguida, soltando um grito longo, chamando o nome de Naruto enquanto o enchia com jatos tão intensos que escapavam por entre o buraquinho rosado e escorriam para fora.

Caíram deitados um sobre o outro, arfando depressa, descontrolados. Encaram-se e o Uchiha riu malicioso, mesmo muito cansado, ao ver a face suja do outro. Naruto riu também e procurou no criado mudo uma caixa de lenços tomando tantos quanto possível até ter conseguido limpar o rosto por completo.

Encararam-se ternamente. Sasuke puxou-o para si beijando sua testa e colocando-o em seu peito enquanto o abraçava. Naruto riu de ser paparicado, mas estava contente.

— Sasuke?

—... Hm...? – murmurou sonolento, de olhos fechados.

— Preste atenção! Preciso te dizer algo importante.

—... Você acabou comigo, idiota – sibilava com sono, quase ronronando e o loiro riu por isso, brincando com a franja escura.

— Sakura quer remarcar o casamento para daqui há um mês.

Sasuke abriu os olhos no mesmo instante, sério.

Que coisa maravilhosa de se ouvir em um momento como este...

— Eu decidi recusar- cortou-o antes que começasse com o sarcasmo — Eu estou certo do que quero dessa vez. Sei que quero ficar com você – sorriu, sincero.

Sasuke o fitou por segundos de silêncio, mas as íris negras brilhavam intensamente.

— Eu não vou te socorrer de novo. Esteja certo de sua decisão.

— Eu estou – apoiou os cotovelos na cama, ficando de bruços enquanto balançava os pés no ar, distraidamente. Observava o quadro imenso na parede de um casal em uma cena ardente. Sasuke só conseguia olhar para o espelho do teto redesenhando com os olhos o bumbum macio e perfeito.

— Ótimo, me poupa o trabalho de ter de procurar outro estúpido presente de casamento.

— Você comprou um presente de casamento? – fitou-o confuso, arqueando a sobrancelha.

— Por mera precaução, caso não conseguisse impedir certo imbecil de se casar – olhou feio para ele de soslaio — Como as coisas deram certo acabei cancelando a entrega.

— E posso saber o que era?

— Um vídeo editado das câmeras de segurança do dia em que fizemos amor em minha sala. Eu o mandaria para sua futura esposa assim que chegassem da lua de mel.

Naruto engasgou com a própria saliva devido ao susto e o outro bateu algumas vezes em suas costas.

— SEU MALDITO INCONSEQUENTE MISERÁVEL!!!

— Deveria é me agradecer. E eu já disse que cancelei a entrega depois do dia da cerimônia.

— E por que não me disse que sua sala tinha câmeras de segurança??? Eu nunca teria feito nada com você se soubesse disso!

— Somente eu tenho acesso ao conteúdo. Já assisti várias vezes, você deveria ver também. Estava fantástico naquele dia – sorriu, sem vergonha.

— Quão obstinado você pode ser, Sasuke? – apertou os olhos, incrédulo.

— Eu já havia lhe dito que não te perderia para alguém como a Sakura, que não te merece. Faria o que fosse preciso para impedir seu casamento.

Naruto ficou vermelho e disfarçou escondendo o rosto entre os travesseiros macios e perfumados. Sentiu quando Sasuke se levantou da cama. Algum tempo depois ouviu o barulho de rolha estourar e virou o rosto para o outro. Ele vestia um kimono leve, de cor azul marinho e com um grande dragão dourado estampado nas costas.

— Quer champanhe? – ofereceu-lhe uma taça, sentando-se sobre a cama e ligando a TV com um controle remoto, em um canal de música. Naruto tomou uma das taças entre as mãos, sorvendo de bom grado o líquido doce, as bolhas de gás fazendo cócegas em sua garganta.

Um silêncio agradável se instaurou e cada um ficou imerso nos próprios pensamentos por um instante. O som da TV sendo ligada cortou o ar.

Naruto tornou a se deitar de barriga para baixo, afundando nos lençóis macios, muito relaxado. Um sorriso bobo estampava sua face. Sasuke estava recostado à cabeceira bebendo calmamente enquanto assistia na imensa TV à frente um show de rock de uma banda californiana. O ar condicionado deixava o ambiente agradável. Ao lado da cama um robe de seda branco estava pendurado no cabide caso Naruto desejasse vesti-lo. Ao lado da jacuzzi e dos chuveiros toalhas limpas estavam dobradas cuidadosamente.

Naruto ronronou como um gato, se espreguiçando e esticando o corpo todo, afundando o rosto no lençol.

— Me sinto ótimo!

Sasuke riu de lado. Sentou-se de frente para ele, um dos joelhos dobrados onde apoiou a mão que segurava a taça de champanhe, o tecido deslizou deixando-o completamente exposto. Naruto inconscientemente desceu os olhos para a virilha. Sasuke tinha contornos exatos, era esguio, mas bem definido. Tão perfeito que mais parecia uma pintura. Às vezes se perguntava o que um homem como aquele estava fazendo a seu lado.

— Bem, esperma contém frutose e hormônios, dizem que se você o engole pode ajudar a combater estresse e sintomas de depressão – riu.

O rapaz de cabelos loiros gargalhou alto.

— Mesmo? Que ótima maneira de manter longe meu estresse! Mas te aviso que sou uma pessoa muito estressada!

— Quanto a isso não se preocupe, sempre que estiver se sentindo tenso pode me procurar que resolvo num instante – piscou.

— Da próxima vez quem vai acabar com seu estresse sou eu, Sasuke. Esteja preparado – alertou, já imaginando sua revanche contra aquele atrevido. Sentou-se de frente para o outro, suas pernas se entrelaçando.

— Continue sonhando, idiota – puxou-o pelos cabelos, sem maldade, para lhe dar um beijo calmo e molhado.

Naruto correspondeu prontamente. Quando soltou seus lábios colou sua testa à do outro, encarando os orbes negros, fascinado.

— Todos os Uchiha são bonitos como você?

Sasuke corou e tentou disfarçar volvendo o olhar para o lado, mas suas maçãs do rosto estavam avermelhadas.

Desde muito pequeno sempre teve plena consciência de sua beleza ideal, e já ouviu isso de muitas pessoas. Entretanto pela primeira vez sentiu-se realmente feliz ao ouvir tais palavras.

— Depende do que você entende por beleza.

— Eu gostaria de saber mais sobre sua família.

— Minha família é muito tradicional. Um império governado pelos velhos Uchihas e controlado por meu pai. São pessoas mesquinhas que não se importam com nada exceto dinheiro e poder. Meu próprio casamento significa um investimento sólido. Rompê-lo vai resultar em guerra, além de quebrar a cláusula principal de meu contrato.

— Cláusula principal?

— Karin impôs um filho como condição prioritária. Foi determinado um prazo para a gravidez dela e para o crescimento da criança, e esse prazo já está se esgotando sem que eu sequer a tenha tocado. Ela está possessa, mas nunca tive a menor intenção de cumprir os termos do contrato, mesmo que nossas famílias desejem isso. Não vou dormir com ela, e jamais lhe darei o filho que tanto espera.

A alegria de Naruto se esvaiu na hora. Apertou com força a mão dele contra a sua. Sentia que ainda que estivessem juntos não era o bastante, e que poderiam ser separados a qualquer momento.

Sasuke percebeu isso e passou a mão pelas bochechas, carinhosamente.

— Desculpe, eu não devia entrar em tantos detalhes.

— Está tudo bem. Mas se você ficar comigo jamais poderá ter um filho. Isso só vai aumentar a fúria de seu pai.

— Esqueça isso, é um alívio.

— Por que diz isso?

— Por que eu odiaria ter essa criança. Nunca tive intenção alguma de ser pai do filho de Karin. Eu seria terrível. Não tive amor algum em minha criação, jamais saberia como me comportar. A última coisa que iria querer agora é um bebê para me encher com mais problemas.

O outro fez que sim, compreendendo totalmente. Embora gostasse muito de crianças e até pensasse se desejava mesmo ser pai, precisaria abrir mão disso caso quisesse levar a relação com Sasuke adiante.

— Por hora vamos manter isso entre nós, não será bom se souberem que estamos juntos. Preciso me certificar que não vão fazer nada com você. Karin já sabe, obviamente, e o correto é negar por um tempo, porque não quero que ela abra a boca para o patriarca do clã. Meu avô não é um homem maleável, acredite. Terei de rever alguns investimentos do qual sou dono, sobretudo os gastos com o hospital. Terei de repassar tudo para meu nome, e...

— Gastos com o hospital? – indagou confuso.

Só então Sasuke se deu conta do que estava dizendo, ficou pasmo consigo mesmo.

Jamais expôs fatos de sua vida privada a ninguém antes. A frase saiu tão natural que estava surpreso consigo mesmo. Naruto insistiu.

— O que quer dizer com gastos com o hospital? Você está doente?

— Não é nada, esqueça.

— Mas...

— Esqueça, mesmo.

O outro resmungou de raiva.

— Você pode me contar, eu não vou sair correndo para espalhar por aí.

Sasuke o olhou fixamente por alguns instantes, refletindo sobre a frase, no modo como mostrou com tamanha facilidade um segredo que poucos conheciam. Alguma coisa naquele tonto o fazia baixar a guarda, e não sabia se isso era exatamente ruim.

— Venha comigo.

— Para onde?

— Tem uma pessoa que quero que conheça.

—-

Entraram em um quarto reservado do hospital, numa área restrita a pacientes em internação. O silêncio era absoluto, cortado apenas pelos ruídos dos aparelhos que vez ou outra apitavam de leve.

As luzes estavam acesas revelando um quarto grande, espaçoso, com apenas um leito. Havia flores em um vaso próximo à cama, mas elas começavam a murchar. Sasuke as jogou no cesto de lixo, colocando um novo buquê de flores silvestres que trouxera consigo.

Naruto se aproximou do leito querendo ver o rosto da pessoa deitada. Arregalou os olhos com a surpresa.

Uma versão mais velha de Sasuke estava ali, adormecido, acometido por um sono profundo e angelical. O homem tinha longos cabelos negros, e seu rosto era mais sério e adulto. Estava muito pálido, talvez pelo tempo sem receber luz do sol, os lábios estavam um pouco ressecados.

Era absolutamente lindo! Naruto corou só de olhar para ele.

Parecia muito com Sasuke, mas tinha um ar diferente, talvez a maturidade.

Estava fascinado que não percebeu quando Sasuke o olhou de soslaio e riu. Aproximou-se do irmão, sentando ao seu lado, baixando para pentear com as mãos a franja negra longa para detrás da orelha. Em seguida segurou a mão grande contra a sua, passando de leve e distraidamente o polegar por ela.

— Ele pode nos ouvir? — indagou, sem tirar os olhos do Uchiha mais velho.

— Os médicos dizem que não – respondeu sem expressão, mas seus olhos estavam acinzentados, mais opacos que o normal – Ele não reage a nenhum tipo de estímulo.

— Sinto muito — sentiu-se horrível ao constatar o óbvio. — Por acaso ele é...

— Meu irmão mais velho, Itachi.

— Claro, vocês dois são muito parecidos. Ele também é muito bonito...

Sasuke riu de lado.

— Há quanto tempo ele está desacordado?

— Há quase três anos. Itachi cuidou de mim depois que minha mãe foi embora. Éramos apenas nós dois contra toda a família. Ele teve um acidente de carro e depois disso nunca mais acordou.

Naruto pousou uma das mãos sobre o ombro do outro.

— Sinto muito mesmo...

Sasuke segurou a mão sobre seu ombro firmemente, sem deixar de encarar a face adormecida do irmão. Podia se lembrar do sorriso gentil, de como ele sempre o compreendia, das broncas, das vezes em que o tirava do sério.

—... Então os gastos com o hospital ao qual você estava falando...

— Não há muitas esperanças, mas existem. Itachi ainda pode acordar, e de certa forma o tratamento tem custo elevado. Parte do contrato de meu casamento está relacionada aos gastos que tenho com o hospital. Passei esses últimos anos pensando em meios alternativos para resolver esse problema.

Naruto era capaz de compreender agora. Sasuke estava trilhando o próprio caminho para se soltar da prisão da família Uchiha, e precisava de tempo para isso.

Percebeu-o levantar-se da cadeira, puxando o lençol que cobria o corpo do irmão até seus ombros.

— Volto para te ver outra hora, Itachi – sorriu ternamente. Girou nos calcanhares e seguiu para fora do quarto. Naruto o viu se afastar, mas aproximou-se do ouvido do Uchiha mais velho. Não sabia se ele poderia ouvi-lo, e não sentiu nenhum retorno, mas mesmo assim sussurrou-lhe o mais baixo que pode.

— Seu irmão precisa de você agora mais do que nunca, Itachi. Por favor, acorde!

Tendo dito isso correu para alcançar Sasuke.

—-

A manhã estava linda. O céu azul estava limpo e um calor agradável se espalhava. Adorava dias de sol, eles o enchiam de energia!

Tomava um longo banho enquanto cantava desafinado. Esfregava seus cabelos espetados livrando-os do shampoo.

Os últimos dias haviam sido excelentes e ele não se lembrava há quanto tempo havia se sentido tão feliz, e tão disposto. Talvez fosse o indício de que alguma coisa boa estava para acontecer.

Lavou o rosto e abriu os olhos para começar a se ensaboar.

Mas sentiu pânico total ao mirar o chão do banheiro.

Estava lavado de sangue! O vermelho vivo tingia o azulejo branco e ele se assustou, procurando em si mesmo o corte que pudesse ter originado aquilo.

Assustou-se ainda mais quando percebeu que o sangue escorria por entre suas pernas.

“Mas o que é isso?” – lavou-se mais intensamente a fim de deter o sangramento. Não sentia dor alguma, mas aquilo definitivamente não era normal! Terminou seu banho rapidamente e decidiu que era melhor chegar um pouco mais tarde no trabalho, porque precisava ir ao médico.

—-

Estava sentado em uma cadeira de um consultório médico do convênio da empresa. Uma médica auxiliar sentou-se diante dele no consultório. Era jovem, com cabelos negros curtos e uma face muito calma. Em seu crachá era possível ler seu nome. Shizune.

— Em que posso ajudá-lo? – sorriu pacificamente.

— Ah, bem... – começou, envergonhado. – Hoje pela manhã eu estava tomando banho e... Percebi que eu estava sangrando...

— Em que lugar?

A vermelhidão em seu rosto aumentou até tingir também as orelhas.

—... Entre... Minhas pernas...

— E teve mais algum sintoma?

—... Bem, acho que não. Só tive tonturas, um pouco de náusea também. Ah sim, e há alguns dias senti uma dor insuportável no estômago e desmaiei, mas confesso que estava sob muita pressão. Acho que o estresse não tem me feito nada bem.

A médica encarava-o atentamente enquanto ouvia seu relato.

— Você fez algum tipo de exame ultimamente?

— Fiz um check-up, minha noiva me obrigou – riu, sem graça e estendeu um envelope com os resultados impressos. Ela analisou tudo e arqueou a sobrancelha.

— Tudo normal. Há quanto tempo fez esses exames?

— Há cerca de dois meses, eu acho.

Ela balançou afirmativamente a cabeça.

— Você disse que tem uma noiva, certo?

— Tinha... Não estamos mais juntos...

Ela o fitou, seriamente.

— Teve relação com algum homem nesse meio tempo?

Naruto pasmou de vergonha. Oras, e para que ela queria saber de algo tão pessoal? Nem a encarou quando respondeu.

— Tive... – respondeu fitando o chão, quase morto de vergonha.

A mulher suspirou.

— Entendo. Vou pedir um novo exame de sangue por desencargo, ainda mais vendo que você é compatível.

O mundo parou por um instante. Ele encarou a médica com espanto, sem piscar, sem se mexer, a informação sendo processada em sua cabeça.

— Eu acho que não ouvi direito.

— Um de seus exames era um teste de compatibilidade e deu positivo. Em outras palavras você possui um corpo compatível para ter gravidez masculina, por isso é conveniente que façamos exames de confirmação.

Um calafrio correu por sua espinha e ele estremeceu, apavorado.

Já havia ouvido falar a respeito. Já conheceu muitos homens compatíveis que engravidaram e tiveram filhos saudáveis. Era uma coisa de certa forma ainda rara, mas de maneira alguma incomum.

Não se sabia ainda a causa exata para um homem nascer compatível, mas o processo era completamente natural, de forma que mesmo os mais ortodoxos eram obrigados a compreenderem o fato como algo normal.

Mas algo assim acontecer com ele? Não podia ser...

— Eu sou mesmo compatível?

— Sim, você tem o invólucro, o que vulgarmente chamamos de “útero” em seu abdômen. Caso esteja em gestação o motivo de suas dores é compreensível, visto que o feto se forma na região abdominal comprimindo alguns órgãos. É uma gravidez de alto risco então melhor termos certeza o quanto antes.

Ele não conseguia digerir a informação, tão nervoso estava. Respirava depressa, seus olhos arregalados, a pressão sanguínea caindo aos poucos.

Não podia ser, qualquer coisa menos isso! Não agora que estava se acertando com Sasuke, que estava liberto de seu casamento, que colocaria a vida nos eixos.

A sala inteira rodou diante de seus olhos.

— Está me ouvindo? Senhor Uzumaki?

Foi a última coisa que ouviu antes de perder os sentidos.

—-

O cheiro de álcool o fez voltar aos poucos e ele abriu os olhos cansados. Quando despertou, suspirou aliviado por se ver livre de um terrível pesadelo, um dos piores que já tivera em toda a sua vida.

A mera lembrança lhe causava arrepios!

Imagine descobrir ser compatível? A simples ideia o assombrava!

Percebeu que estava deitado em um leito de hospital. O nervosismo aumentou novamente, estava em um quarto todo branco, em seu braço havia um pequeno curativo na veia. Sinal óbvio que haviam tirado seu sangue.

A angústia voltou toda de uma vez.

Não havia sido um sonho.

— Enfermeira! – chamou desesperado, ansiando que alguém entrasse pela porta para lhe dar as respostas que precisava – Enfermeira!!!

Uma garota veio imediatamente ao ouvir seu chamado e o deitou novamente.

— Você precisa se acalmar, ou terei de lhe dar uma injeção de calmante.

— Eu preciso sair daqui, preciso ir ao trabalho. Por favor.

— A médica virá te examinar antes de liberá-lo, senhor Uzumaki. Por hora é conveniente que fique calmo. Não faz bem em seu estado ter qualquer tipo de nervoso ou emoção forte.

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O choque o fez paralisar, nem percebeu quando começou a chorar porque o pânico congelou sua face.

— M... Meu estado?

A moça era capaz de entender o motivo da reação apavorada, mas tentou ser o mais gentil que podia.

— Fizemos um exame enquanto dormia, senhor Uzumaki. E o resultado deu positivo.

O peso do mundo caiu sobre seus ombros. Inconscientemente levou uma das mãos a boca, incrédulo..

—... Então eu...?

— Sim, espero que seja motivo de grande alegria para o senhor e seu companheiro. Está grávido de quatro semanas.

Continua.

Notas finais
Enfim posso gritar aos quatro ventos: NARUTO VAI TER UM BEBÊ! Uhuuuu! Estou eufórica por escrever a gravidez do meu loirinho favorito. Talvez alguns de vocês digam: Nah, eu já sabia! Mas havia muitas pessoas que ainda não tinham certeza ou que sequer imaginavam! Então quem estava preocupado com o Naruto fique sossegado, ele está grávido, por isso os sintomas. Desde já aceito sugestões para o sexo do bebê e nomes, de preferência japoneses. Mandem os que acharem bonitos e faremos uma votação. E o que faz uma autora atualizar bem depressa? Comentários, eles são mágicos, é serio! Quero montanhas de comentários. Quero desejar um excelente ano novo para todos vocês, que seja repleto de alegrias, coisas novas e divertidas, romance e realizações. Espero que tudo de ruim que tenham passado em 2014 não possa atingi-los no ano novo. Muito obrigada a quem me motiva, me inspira e me encoraja a continuar. Sem vocês não existiria essa fic. Um beijo enorme da Malki, feliz 2015 e nos vemos no próximo capítulo!