Entre A Razão E O Desejo - Em edição
12 Reminiscências
Notas iniciais
Despejava água quente delicadamente no interior das xícaras de porcelana dispostas sobre o bistrô de centro.
Estavam sentados em confortáveis cadeiras de jardim na varanda, de modo que era possível ter a visão perfeita do grande jardim no quintal da imensa casa de Sasori. As várias fontes ecoavam o som de água corrente, os pássaros sentavam nas folhagens das árvores baixas, de modo que seu canto ressoava. Naruto sentiu que a paz o preencheu naquele lugar. Se era verdade que locais se enchem de energia acreditou que ali havia uma sobrecarga de boas vibrações.
Agradeceu pelo chá e pela cheirosa quiche de frango sobre o prato, mas na realidade não estava com a menor vontade de comer coisa alguma. Sasori pareceu perceber isso e decidiu desconversar.
—... Itachi tem álbuns cheios de fotos de Sasuke quando criança. Ele era um bebê adorável – riu, tentando fazê-lo relaxar. Funcionou, porque Naruto abriu um imenso sorriso em resposta.
— É mesmo? Sasuke nunca me mostra essas coisas mesmo que eu implore!
— Se ele souber que te mostrei fotos dele tomando banho quando criança eu serei morto! – gargalhava.
— Não acho. Vocês parecem se dar muito bem.
— Acredite, não foi sempre assim. Logo que me casei com Itachi, Sasuke se afastou completamente de mim. Ele achava que eu estava só brincando com o irmão dele, que o abandonaria quando as coisas se complicassem, que o faria sofrer.
— E o que o fez mudar de ideia? Sei que Sasuke pode ser muito teimoso quando quer.
—... Meu bebê – ergueu as íris rubras para o rapaz, que engoliu forte – Engravidei pouco tempo depois de me casar oficialmente, nessa época já era claro para todos que Itachi e eu não estávamos brincando, que nossos sentimentos eram sérios. Obviamente o clã Uchiha não aceitou nada bem, e tentaram a todo custo nos separar.
— Posso imaginar.
— Eles nunca foram a favor de meu relacionamento com Itachi. Por eu ser “de fora” da família tudo foi mais complicado. Minha cor de cabelos, meus olhos, minhas raízes, minha condição financeira... Tudo era motivo para me incriminar.
—... E como Itachi se sentia sobre isso?
— Itachi sempre foi muito gentil, muito protetor... Ele abdicou dos direitos como herdeiro para ficar comigo, para termos nosso filho em paz. Eu me sentia mal por ele, estava transformando sua vida num inferno. Mas ele sempre me dizia não suportar mais a pressão do clã, que daria tudo para se ver livre dos laços que o prendiam à família.
— Sasuke me diz a mesma coisa...
— Quando conheci Itachi eu estava destroçado, havia acabado de perder meus pais. Ele me devolveu a vida, me acolheu, sou muito grato por isso. Se não fosse por ele eu não teria conseguido seguir em frente.
Baixou o olhar para a flor de jasmim abrindo-se vagarosamente no interior da xícara, o calor desprendendo o aroma e sabor do chá na água.
Suas lembranças eram ao mesmo tempo dolorosas e inacreditavelmente reconfortantes.
—-
A noite parecia mais fria e sombria que as demais, talvez porque uma tempestade se aproximasse. Sasori se sentia um tanto culpado, tivera uma crise de falta de ar e por esse motivo, Itachi voltara de sua viagem de negócios exclusivamente para cuidar dele. Já se sentia bem, mas a culpa o perseguia.
Estava sentado no sofá quando o telefone soou. Estranhou, já era um tanto tarde.
Naquele momento não fazia ideia de que toda a sua vida mudaria drasticamente após aquele telefonema.
Era Madara querendo falar diretamente com ele. Estranhou aquele contato, sabia que o sogro o odiava mais do que qualquer um na face da Terra.
Talvez quisesse na verdade falar com Itachi?
Impossível, ninguém sabia que o esposo havia voltado mais cedo de viagem. Todos imaginavam que ele ainda estava em outra cidade.
Cobriu o aparelho com uma das mãos e caminhou pela sala em direção à varanda para que Itachi, que estava no chuveiro, não os pudesse ouvir.
— Será que posso saber o que o senhor deseja comigo? – indagou pausadamente, sua voz evidenciando o quanto aquela conversa o desagradava.
— Eu preciso falar com você, pessoalmente. Não é o tipo de coisa que podemos tratar por telefone – a voz do Uchiha era grave e parecia calma. Sasori franziu a testa.
— Não acho que tenhamos algo a conversar.
—... Tenho sido muito severo com você, Sasori – a voz parecia complacente, arrependida – Venha até a casa principal, estarei te esperando para acertamos tudo. Eu estou velho, doente. Não me resta tanto tempo para esperar. Tenho que acertar as coisas com você, me redimir por roubar sua felicidade e pelas injustiças que cometi.
Sasori sentiu um nó doloroso no estômago, se negando a acreditar.
Aquela conversa toda não fazia sentido algum. A mesma pessoa que se dizia arrependida o humilhara inúmeras vezes diante do clã, ofereceu dinheiro para ele se afastar do neto, sugeriu que doasse sua criança para adoção.
E por que, de uma hora para outra, ele mudaria de ideia?
Ouviu o som pesado de tosse ao telefone, uma tosse rouca e doente.
Seria possível que o velho patriarca estivesse mesmo em seus últimos momentos e quisesse partir sem arrependimentos?
—... Estou te esperando, Sasori. Por favor.
O rapaz não respondeu, apenas desligou a ligação e tornou a entrar na sala, muito confuso.
— Quem era? – Itachi secava os cabelos em uma toalha em volta dos ombros nus.
— Seu avô... Disse que queria fazer as pazes comigo.
O Uchiha arqueou uma sobrancelha.
— Como é?
— Foi o que ele disse. Que está doente, que quer se retratar. Hoje é dia de reunião na casa sede, não é? Talvez ele quisesse falar comigo, mas como não compareci, telefonou para que eu vá até lá.
— Você não irá nessa reunião, é perigoso. Eu conheço meu avô suficientemente para saber que nada de bom vem dele.
— Sei disso, mas será um problema se eu não aparecer.
— Nesse caso quem vai sou eu.
— Mas, você...
— Sem “mas”. Você está grávido, precisa se poupar de passar nervoso – beijou-lhe a testa carinhosamente, acariciando o ventre arredondado em seguida.
Sasori baixou os olhos àquela mão, pensativo. Na noite anterior tivera um sonho incomum. Estavam os dois diante do berço de uma garotinha, chamando-a repetidas vezes.
Aiko, o nome que Itachi escolheu se fosse mesmo uma menina.
Mas, por mais que a chamassem ela não acordava, continuava adormecida calmamente, um sono angelical. Sasori despertou com um nó no estômago, o sonho apesar de simples o deixou transtornado.
Se a criança em seu ventre era mesmo uma menina então por que sua Aiko não acordava quando a chamavam?
Seu pensamento foi interrompido por um beijo. Os lábios de Itachi eram doces e quentes. Os braços longos e fortes o seguravam com firmeza.
— Logo estarei de volta. Cuide-se bem.
Sasori sentiu um aperto inexplicável no coração.
Por que parecia uma despedida? Por que sentia que ao deixar o esposo sair por aquela porta nunca mais o veria? Antes que desse conta segurou-lhe o braço com força, os dedos marcando a pele muito branca, tornando-a rosada.
—... Não quero que você vá.
— É só uma reunião rápida, não precisa ficar tão apreensivo – sorriu e beijou-o – Volto em poucas horas. Seu carro está mais próximo da rua, não é? Se importa de eu ir com ele?
Sasori assentiu, vencido. Não teria como impedir que ele saísse, conhecia bem aquele Uchiha teimoso e um tanto arrogante.
— Tome cuidado... — resmungou baixinho — Amo você, Itachi.
— Eu sei – brincou – Não mais do que amo você, Sasori.
—-
A estrada estava escura, parte da iluminação naquele trecho havia sido cortada por conta da queda de algumas árvores, partidas por raios. O breu tomava conta, os faróis altos eram a única iluminação disponível. O céu estava escuro e fechado, e uma tempestade desabava dificultando ainda mais a visibilidade.
Agradeceu por impedir o esposo de sair em tais condições, mas sentiu-se inquieto e irritado.
Com toda certeza o patriarca sabia do problema de iluminação naquele trecho. Sabia que para um homem grávido o medo de passar por aquela estrada poderia ser prejudicial ao bebê.
—... É típico... Não deveria me surpreender – murmurou, irritado.
Quando os deixariam livres para viverem suas vidas em paz? Quando o clã perceberia que eram somente duas pessoas apaixonadas de verdade ansiando ardentemente dividir suas vidas e formar uma família?
Dirigia atento, o rádio desligado, os olhos felinos atentos na estrada escura, vasculhando o menor movimento. Trafegava no mínimo de velocidade estipulada, o que ainda era bem alto, uma apreensão incomum no peito.
Tudo estava tão estranho... O telefonema, as condições da estrada, a tempestade que começou a desabar.
Sabia poder esperar de tudo do patriarca, mas seria possível que ele iria tão longe?
Em momentos assim Itachi amaldiçoava o sangue Uchiha que corria em suas veias. Desejava ser um homem normal, sem tantas posses, sem o título de primogênito, sem a obrigação de presentear os Uchiha com o novo herdeiro perfeito.
Queria ser ele mesmo, escolher a quem amar e a vida que queria viver.
A estrada estava deserta, o que o deixava ainda mais apreensivo. Um veículo na pista oposta vinha trafegando vagaroso, talvez por culpa da chuva intensa. Era o primeiro veículo que via desde que pegou a estrada. Se tivesse outra escolha ele próprio também jamais escolheria trafegar naquela via, sequer teria saído de casa se possível. Mas se Madara andava maquinando algo era melhor descobrir de vez de que se tratava.
Tudo que desejava era voltar logo para casa, para os braços de Sasori.
Foi então que, sem aviso algum, o veículo que trafegava na faixa oposta mudou o curso e desviou do caminho que fazia, tão depressa que mal deu tempo de Itachi reagir. O farol alto o cegou quando o carro invadiu a pista na contra mão, entrando na frente do carro de Itachi.
Colidiria em questão de segundos, ele avançava em alta velocidade e se chocaria com tudo!
Por instinto Itachi girou o volante, jogando o carro para o lado para impedir o impacto, era a única maneira de escapar de uma batida fatal. Girou a direção, os pneus fazendo um ruído alto enquanto deslizavam pela pista molhada.
E quando virou o olhar para o lado seu coração deu um solavanco de susto.
Havia um imenso tronco de uma árvore tombada no local exato em que jogara seu carro, óbvio que o outro veículo o lançara ali de propósito. Não havia como desviar. Tentou frear, mas já era tarde demais. Não pôde evitar a colisão.
Parte da frente do veículo colidiu ruidosamente contra a madeira, esmagando-se por completo. Sentiu quando as rodas do lado direito se ergueram do asfalto.
Tudo aconteceu muito depressa. Só o que conseguiu sentir foi seu corpo chacoalhado, várias batidas enquanto seu carro capotava, lançado pelo ar várias vezes numa cena inacreditável. A cada vez que se chocava contra o solo mais ferido ficava, mais confuso, o pânico preenchendo-o dando lugar somente ao instinto de sobrevivência.
O primeiro impacto veio quando o carro se ergueu e bateu de lado contra o asfalto, lançando sua cabeça em direção do vidro, que se partiu em vários estilhaços contra o solo, ferindo-lhe a ponto do sangue jorrar, ficou completamente aéreo com o golpe, seus sentidos se tornaram lentos. Uma dor intensa e latente deixou claro que havia deslocado o ombro esquerdo com o impacto da batida.
Foi chacoalhado, virado de cabeça para baixo e o segundo impacto veio ainda mais forte, a lataria da porta se partindo e encravando na perna. Gritou ao perceber que a havia quebrado. Não conseguia enxergar mas a dor do osso exposto fora da carne lhe causava uma dor lacerante. Estava fora de si, não conseguia se soltar, apenas uma coisa passando por sua cabeça repetidas vezes.
Sasori!
E no último impacto o capô do carro se chocou com estrondo contra a pista molhada, com tamanha violência que o crânio do rapaz colidiu ruidosamente, tamanho foi o golpe que sua vista se cegou na hora, desacordando-o. Apagou por completo, largado do interior do que restara do veículo, em meios aos destroços e à lataria amassada que feria seu corpo. Um rastro vermelho tingia o asfalto, misturando-se com a chuva que não parava de cair forte. Trovões cortavam o céu iluminando por alguns segundos a devastação que o acidente causara.
Havia muita fumaça, peças e destroços pela pista. Cacos dos vidros se espalhavam por vários metros.
E então o silêncio voltou, a escuridão completa tomando conta, a chuva intensa caindo sem cessar.
Um pouco distante dali, o outro veículo que provocou o acidente estava parado. Um homem baixou os vidros escuros, observando atentamente o que acontecia. Ativou o farol alto apenas para poder ver a cabeça pendida para o lado, coberta de sangue.
Obito sorriu enquanto acendia um cigarro com toda a calma, como se assistisse algum programa tedioso de TV e não um acidente terrível como aquele. Esperava apenas para ter certeza de que aquele que acreditava ser Sasori estivesse mesmo morto. Como não vira nenhum movimento, nenhuma voz soava, acreditava ter tido sucesso.
Soprou a fumaça calmamente antes de pegar o celular e discar o primeiro número na memória do aparelho. Ao primeiro toque a ligação foi logo atendida.
— E então?
— Não precisa mais se preocupar. Já está tudo resolvido – soltou um risinho de lado, a fumaça saindo pelas narinas.
— Ele está morto?
— Se não estiver sairá com muitas sequelas e bastante transtornado. O carro girou no ar ao menos umas três vezes.
Um sorriso fino de contentamento surgiu na face do homem que sentiu um peso imenso sair de suas costas.
— Muito bem – Madara sorriu aliviado junto ao telefone – Saia daí antes que alguém o veja. A polícia rodoviária só nos deu quinze minutos de cobertura.
Obito desligou a ligação e calmamente terminou de fumar seu cigarro, jogando a ponta ainda acesa na pista, sem se importar com a gasolina que escorria do veículo. Ao se aproximar dos destroços do veículo percebe que a porta do motorista estava destruída e viu de relance o rosto do jovem desacordado, a boca aberta de onde escorria sangue. Por um segundo achou ter visto longos cabelos negros naquele rapaz. Franziu a testa, tentando ver melhor. Havia muito sangue e estava escuro, era difícil distinguir.
Bobagem, era coisa de sua cabeça. O carro era de Sasori, ele estava sozinho em casa e estava se dirigindo à reunião conforme o combinado. Era ele quem estava ali, indubitavelmente.
Convencido disso acelera o carro, fazendo o retorno e dirigindo tão depressa quanto possível em direção à casa sede, afinal a festa havia apenas começado e nem bebera mais do que algumas cervejas. Era uma noite para celebrar!
—-
Sasori andava de um lado para outro, alarmado.
Itachi havia dito que voltaria depressa, mas já havia se passado um bom tempo e nem sinal dele. A casa sede dos Uchiha não ficava muito longe. E para preocupá-lo mais uma tempestade terrível caía lá fora desde que o marido saiu de casa.
Não recebeu sequer uma mensagem dizendo que ele chegou bem, que já havia conversado com o avô, que estava voltando para casa.
Não era típico de Itachi. Ele já teria mandado uma mensagem com algum emoji bobo em forma de coração ou algo do tipo que o faria rir para não se preocupar.
Ligou pela milésima vez para o celular dele. A ligação tocou até cair na caixa postal, somando incontáveis chamadas não atendidas na caixa de entrada.
Seu coração doía. Alguma coisa estava errada, podia sentir isso.
Talvez a chuva estivesse atrapalhando o sinal e as mensagens não chegassem? Podia ser... Torcia para que fosse assim.
Só que havia alguma coisa no âmago que lhe dizia que algo terrível poderia ter acontecido.
Seu pensamento foi interrompido quando o telefone residencial soou, assustando-o. Ele correu para atender, alarmado. Provavelmente o sinal do celular falhou mesmo, por isso ele decidiu ligar no fixo.
— Itachi?! – quase gritou ao telefone, desejando mais do que tudo ouvir a voz grave e bonita, o risinho cínico e alguma frase costumeira do tipo “Não conseguiu ficar algumas horas longe de mim?” seguida de um “estou brincando”.
Mas a voz que soou do outro lado era de uma mulher.
— O senhor é esposo de Itachi Uchiha?
O chão pareceu sumir debaixo de seus pés.
O que teria acontecido?
Teve medo de responder, medo de perguntar qualquer coisa. Suas pernas tremeram e fraquejaram e ele caiu sentado, segurando o telefone sem fio entre os dedos trêmulos.
— Sou... O que aconteceu com ele?
“Por favor que não seja nada, por favor que Itachi esteja bem!” – repetia mentalmente, como um mantra, mas conforme as palavras da mulher soavam ele sentia seu mundo desabar.
— Seu esposo sofreu um grave acidente na estrada principal. Você deve vir vê-lo o mais breve possível.
Sasori prendeu o ar, provocando um ruído de susto. Seus olhos estavam estáticos.
Como ele está??? – a cada pergunta que fazia mais medo sentia. Sua mão seguiu até a própria barriga, apertando o tecido sobre ela.
“Por favor que ele não esteja... Por favor não...”
— O carro em que ele estava ficou completamente destruído, é um milagre que ainda esteja vivo. Todavia seu estado é bem grave e bastante delicado. O senhor deve vir ao hospital imediatamente, vou lhe passar o endereço.
Sasori deixou o aparelho de telefone cair ao chão. Podia ouvir o som abafado da mulher chamando-o para saber se ele ainda estava na linha.
Ele não se importou, ergueu o corpo com tanta pressa que escorregou os pés descalços no tapete, quase se chocando contra o chão, mas se apoiando antes de cair. Correu pela casa à procura das chaves do carro de Itachi, revirando as gavetas. Encontrou-as e saiu apressado, sem pegar um casaco ou guarda chuva, chorando alto e sem controle quando correu até a garagem e desligou o alarme, jogando-se no banco do motorista e se pondo a dirigir desesperado pelas ruas.
Se pensasse com cautela veria que dirigia como um vândalo, mas por sorte nada lhe aconteceu. O trajeto para o hospital era oposto ao local onde Itachi sofrera o acidente. Dirigiu acelerado até lá, o cheiro do marido impregnado no veículo somente o fazia se desesperar ainda mais. Não conseguia controlar as lágrimas que caíam sobre seu colo.
Não queria perdê-lo! Não poderia perdê-lo!
—-
Entrou correndo no hospital, calçando chinelos, calça escura de pijama e uma camiseta clara. Não sentiu o frio que fazia aquela noite. Uma maca era levada rapidamente rumo à emergência e ele reconheceu as roupas, os sapatos sociais. Correu, já quase sem fôlego enquanto o chamava.
— Itachi! – conseguiu chegar ao seu lado, a maca sendo levada rapidamente por vários médicos. Sasori andava tão depressa quanto podia, tentando acompanhá-los.
Quando postou os olhos e percebeu o estado em que o esposo se encontrava teve vontade de sumir. Era uma cena tão pavorosa que a imagem se encravou na mente e jamais se apagaria.
Itachi estava coberto de sangue. Vergões, marcas roxas e ferimentos horríveis se espalhavam pelo corpo inteiro, pelo rosto antes tão lindo e perfeito. Estava muito inchado, era possível ver o ombro deslocado, o braço estendido em uma posição grotesca. O osso fraturado saía da carne da perna, partido e envergado. Havia um imenso ferimento na cabeça que não parava de jorrar sangue denso e de cor vermelho muito vivo. Péssimo sinal! Aquela cor intensa de sangue significava um ferimento muito profundo e grave.
Era tão pavoroso! Há algumas horas ele estava tão bem… Itachi lhe sorriu antes de sair de casa, disse que voltaria em pouco tempo.
Disse que o amava como se fosse uma despedida...
Sasori levou as mãos ao rosto, horrorizado, sem conseguir olhar mais para o estado terrível em que se encontrava o homem que mais amava na vida. Foi logo acudido por uma enfermeira que o impediu de entrar na sala de emergência. Ela percebeu que ele estava grávido e chamou por ajuda, para que lhe trouxessem uma cadeira de rodas.
Pediu a ele que se acalmasse, mas Sasori não sentia nada, estava torpe, sequer percebia as lágrimas escorrendo sem controle no rosto.
A única coisa que conseguia sentir era culpa, crescendo e tornando-se uma massa fria no fundo da alma.
Por sua culpa Itachi saíra no meio da noite, tomando seu lugar, se envolvendo naquele acidente terrível. Não fosse isso ainda estariam juntos, felizes como sempre foram, aconchegados um ao outro em um sono tranquilo.
Por sua culpa Itachi dirigira no meio da noite apenas para falar com o patriarca!
Um estalo então passou pela mente confusa do ruivo.
Madara! Ele planejara aquilo tudo, não havia dúvidas! Por isso telefonou tarde da noite, mesmo sabendo da tempestade!
Gemeu de angústia quando constatou o óbvio.
Pensaram que fosse ele dentro do carro! Itachi, na pressa de voltar logo para casa acabou dirigindo o carro de Sasori, que estava mais perto da saída na garagem. Ninguém sabia que ele já havia voltado de viagem, então imaginaram que era Sasori dirigindo seu próprio carro.
Eles estavam tentando lhe matar naquele acidente! Tirá-lo de vez da família Uchiha, afastá-lo definitivamente de Itachi, matar a criança que trazia no ventre… E sem saber de nada disso, Itachi se lançou na armadilha, pagando por um crime que nunca cometeu.
A culpa perfurava a alma do rapaz ruivo, como lanças afiadas se encravando profundamente.
Destruíra a vida de Itachi. Por sua culpa ele já havia sofrido muito e talvez nem passasse daquela noite!
Tremeu, desejando despertar do que parecia um pesadelo sem fim. Do mesmo modo como perdera seus pais... Perderia seu grande amor também?
O choque foi demais para suportar. O desespero o fez se curvar para frente e gritar de dor. Era tão forte que pensou que morreria ali mesmo, contrações intensas apertaram seu ventre. Chorou de dor, se segurando nos braços da enfermeira que gritou por ajuda.
Mordeu bem forte e prendeu a respiração. Doía demais, ao ponto de achar que não suportaria.
Sentiu então algo úmido entre as pernas. A seguir uma cascata de sangue caiu ruidosa ao chão. Tudo apagou quando perdeu os sentidos, desabando, totalmente inconsciente.
—-
Seu sono era profundo, gelado, cheio de pesadelos. Um sono alucinógeno.
Piscou algumas vezes e soltou um muxoxo doloroso preso na garganta. Sentia o gosto forte de remédio na boca e sua cabeça latejava. Gemeu de dor ao tentar se mover. Até respirar era difícil.
“Onde...?” – perguntava-se, sua mente estava embaçada demais para pensar com clareza. Não lembrava direito o que havia acontecido.
Era um quarto de hospital? Por que estava ali? Sentia a boca seca. Fez menção de se levantar, mas sua barriga doeu muito e ele postou a mão sobre ela.
Gelou de pânico na mesma hora.
Tateou assustado o próprio corpo, sem se reconhecer. Arregalou os olhos se negando a acreditar, erguendo as cobertas em desespero. Seu queixo então tremeu, franziu o rosto e emitiu um longo gemido agudo de dor e tristeza.
O volume da barriga havia desaparecido.
O tecido da blusa de hospital se mantinha reto e liso. A barriga arredondada não estava mais ali. Ergueu a blusa, já em prantos, e tateou sua pele percebendo a costura dos pontos dolorosos no abdômen chapado.
—... Não... – murmurou de tristeza, um choro tão sofrido que perfuraria a alma de quem quer que ouvisse. Tateava sua barriga sem conseguir acreditar -... Não, não, não!
Soluçava tanto que não tinha controle. Um médico entrou na sala, ouvindo o som e Sasori virou os olhos vermelhos para ele, sem acreditar, seu rosto inundado de tanto chorar. Ele soluçava tanto que mal conseguia falar.
— O meu... O meu bebê... – sua voz mal saía.
O médico compadeceu-se do sofrimento daquele rapaz.
—... Sinto muito, senhor Akasuna. Fizemos tudo o que podíamos, mas a gravidez de um compatível é muito delicada. E passar por um evento traumático pode ser muito perigoso, tanto ao pai quanto à criança. Infelizmente não pudemos salvar o bebê.
Os olhos do ruivo transbordaram. Ele se sentiu perdido, desolado, devastado. Queria perguntar alguma coisa, queria gritar, mas mal conseguia se mover.
—... Tiraram ele de dentro de mim? Onde está? – indagou desolado, ainda abraçado à sua barriga.
—... Nesses casos não há corpo, era pequenino demais. Não restou nada que... Bem... Pudesse ser levado para enterrar. O meu conselho é que o senhor reze uma missa, independente de sua religião.
Foi como se o tempo parasse, como se sua mente se negasse a compreender.
Seu bebê estava morto, e por sua culpa... Assim como foi o responsável pelo acidente de Itachi, a criança que trazia no ventre, a quem tanto amava, havia partido. Sentiu-se miserável, incompleto, um pedaço imenso dele faltando, arrancado sem piedade.
A gravidez mal havia começado… Nem conseguiu sentir seu bebê crescer e se mexer dentro dele. Não o sentiu chutar, se agitar ao som de alguma canção, lhe causar desejo súbito de comer alguma coisa estranha e incomum. Nem pudera conversar com ele.
Nunca conheceria seu rosto. Jamais saberia se era um menino ou menina...
Lembrou-se subitamente do sonho que tivera no dia anterior. Chamava por Aiko no berço, mas a garotinha dormia pesadamente, sem responder. Um óbvio sinal de que seu bebê nunca despertaria.
Aquilo doía tanto...
Mesmo aos três meses de gestação ele já amava tanto aquela criança, sonhara com ela várias vezes, desejava tanto ser pai! Itachi a queria tanto...
Virou os olhos angustiados, mal conseguindo pensar com clareza.
— Meu marido... – segurou com força nos braços do médico — Ele estava aqui porque sofreu um acidente! Onde ele está?
— Acalme-se, por favor, ou terei que pedir que lhe apliquem um sedativo.
— Onde está Itachi??? – apertou as mãos nos braços do médico.
— Seu esposo sofreu uma lesão cerebral durante o acidente. Ele está em coma, não sabemos ao certo quando ele vai acordar.
Sasori cobriu as orelhas com as mãos, não querendo ouvir mais. Queria gritar para que ele saísse de seu quarto, que o deixasse em paz.
Era tudo tão terrível, tão surreal. Por que sua família sempre era atacada, afastada dele? Estava novamente sozinho no mundo. Suas pessoas a quem tanto amava lhe foram tiradas, seus maiores motivos de alegria.
Parecendo entender o sofrimento do rapaz o médico se despede educadamente e deixa o quarto, permitindo que ele ficasse sozinho para assimilar aquela terrível realidade.
—-
As horas passaram sem que conseguisse dormir. Ouvia o som de passos, gente chegando ao hospital, conversas das enfermeiras. Varou a noite em claro, rejeitando o sedativo que lhe foi receitado.
Sentia que se dormisse não desejaria acordar nunca mais.
Não comeu um grão sequer, a refeição que foi posta diante dele foi retirada intacta. A médica insistia, dizendo que ele precisava comer.
Sasori não queria, não tinha motivos para tal.
Outrora se preocupava em se alimentar bem para que seu bebê crescesse forte e saudável. Agora que ele se foi não via motivos para continuar a fazê-lo.
Imaginava se conseguiria prosseguir. Havia prometido viver por Itachi, mas sequer sabia quando ele acordaria. Ou se realmente acordaria.
Fechou os olhos apenas por estarem pesados, um peso imenso arqueava seus ombros.
Talvez fosse muito mais fácil não tornar a se envolver. Quando se ama demais e isso lhe é tirado, a dor é tão grande que parece esmagadora. Estava acostumado a ficar sozinho até conhecê-lo. Uma vez que se percebe o quão bom é ter alguém com que se preocupar e dividir sua vida, é muito difícil se acostumar a viver sozinho novamente.
Ouviu o som da maçaneta de seu quarto sendo girada. Provavelmente mais médicos, mais perguntas, mais medicação... Estava tão farto.
Virou os olhos, sem mover a cabeça, apenas para saber quem era o dono daqueles passos tão leves.
Por um momento ficou surpreso.
Sasuke estava parado diante dele, meio sem jeito. O garoto tinha imensas olheiras debaixo dos olhos, muito vermelhos. Parecia ter chorado tanto tempo que seu rosto todo estava inchado e rubro. Ele vestia uma camiseta negra e os braços estavam eriçados de frio, os cabelos bagunçados, os lábios e o nariz ressecados.
Estava péssimo! Para um jovem sempre tão vaidoso havia chegado ao fim do poço. Suas íris estavam cinzentas, opacas e sem brilho. A vida parecia tê-lo abandonado, deixando apenas uma carcaça vazia.
Ele não disse nada, apenas caminhou em silêncio até o rapaz ruivo e sentou-se ao lado do leito, cabisbaixo.
Não nutria uma boa relação com Sasori, em partes por egoísmo. Achava que ele havia roubado Itachi de si, deixando-o sozinho para lutar contra todo o clã. Depois de Itachi abdicar sua posição como herdeiro do legado de família para se casar, a pressão sobre Sasuke tornou-se imensa. Exigiam muito dele, à exaustão!
Irritava-se com Sasori, achava que ele jamais encararia as dificuldades de se casar com um Uchiha, que quando fosse pressionando abandonaria seu irmão, fazendo-o sofrer. Itachi parecia gostar dele de verdade e não merecia isso.
No entanto, ao longo do tempo em que estiveram casados, nas visitas que lhes fizera, o modo como Itachi parecia sereno e feliz, a felicidade do casal diante da gravidez inesperada... Sasuke não conseguiu mais irritar-se com ele, pelo contrário. Era grato de verdade por Sasori ter entrado na vida do irmão, por amá-lo tanto e por suportar tanta coisa por ele.
Desejava algum dia ser amado em igual intensidade por alguém que não se importasse com a pressão do clã. Desejava ser livre para construir a própria felicidade.
Cobriu com a mão pequena a mão larga e gelada do cunhado. Fungava e soluçava, mas bravamente tentava engolir o choro. Seria falta de respeito para com Sasori visitá-lo apenas para chorar, ele certamente estava sentindo uma dor deveras maior. Tudo que poderia fazer era mostrar a ele que não estava sozinho.
A princípio, Sasori estava tão irritado, tão transtornado que somente queria ficar sozinho. Mas ter aquele pequeno Uchiha perto de si pareceu extremamente reconfortante. Imaginava o quão terrível seria para ele ter o amado irmão tirado de forma tão cruel. Sabia o quanto eram ligados, e era fácil perceber que Sasuke estava destruído, a mão pequena dele tremia muito enquanto apertava a sua, o corpo magro se controlava para não ceder às lágrimas e ele olhava tristemente para o abdômen liso e vazio do ruivo.
Sasori suspirou vagarosa e pesarosamente. Ergueu a mão, desvencilhando-se do toque e pousando-a nos cabelos escuros, afagando-os gentilmente. Percebeu a cabeça dele tremer quando tentou, sem sucesso, engolir o choro que escapava, escorrendo pela face.
Não pôde evitar que seus olhos embaçassem, e antes que tivesse se dado conta puxou o corpo magro do jovem para si, apertando-o contra o peito num abraço apertado, se permitindo chorar o quanto queria abraçado a ele. Sasuke afundou o rosto na curva de seu pescoço em um choro abandonado, abraçando-o de volta.
E enquanto consolavam-se da dor terrível que sentiam qualquer desavença que tiveram no passado, qualquer mágoa, ressentimento ou desentendimento se esvaiu por completo. ]
Eram apenas dois homens ligados pela intensa dor que sentiam.
—-
Naruto enxugava o rosto, chorando copiosamente. Sasori sorriu gentil e sentou-se ao seu lado, passando um lenço por seu rosto.
— Desculpe te fazer chorar, não era a minha intenção.
O rapaz loiro negou com a cabeça, fungando ruidosamente e esfregando o nariz na manga da blusa.
— Eu sinto... Tanto por tudo que você passou, Sasori.
— Obrigado – afagou os cabelos loiros, gentilmente – Somente uma pessoa muito sincera pode chorar pela dor de outra.
— Isso tudo é muito injusto! Eles estavam tentando matar você!
— Naquela época eu já sabia que um casamento havia sido arranjado para Itachi, por interesse financeiro. O único empecilho era a recusa dele, e o fato de haver se casado comigo. Pouco tempo depois descobriram minha gravidez e isso foi o bastante para a fúria do patriarca explodir. Quando ele me chamou para uma conversa eu achava que pediria para me afastar de Itachi, eu me sentia tão culpado por transformar sua vida num inferno que estava disposto a aceitar, para que ele tivesse um pouco de paz.
Naruto encarou-o firmemente, uma indignação sem tamanho crescendo dentro dele.
— Itachi estava feliz porque você estava com ele, e te ama de verdade! Duvido que aceitaria isso!
— Itachi foi pressionado todos os dias por seu pai, Fugaku. Incluso foi seu pai mesmo quem sugeriu o casamento forçado, quem lhe pediu diversas vezes para se separar de mim. Ele vive para obedecer Madara, não sabe dizer-lhe não, mesmo que isso signifique destruir a felicidade dos próprios filhos.
O sangue do Uzumaki fervia.
Sim, ele sabia disso, embora não pudesse compreender como um pai poderia fazer tanto mal ao próprio filho!
— Sasuke tem muito ressentimento dele, sequer gosta de falar no assunto.
— É porque Fugaku o conhece bem, sabe da ligação que Itachi e Sasuke têm desde crianças. Quando percebeu que Sasuke estava determinado a salvar Itachi ele mesmo sugeriu à Madara que o fizesse se casar com a garota ruiva, a tal Karin. Isso resolveria o problema gerado com o fracasso nos planos para Itachi.
Naruto engoliu forte.
Conhecia essa parte da história muito bem, sabia dos motivos que levaram Sasuke a se casar com Karin. Mas a descoberta recente de que Itachi se mantivera tanto tempo hospitalizado por culpa dela mudava muita coisa.
Em que momento exatamente descobriram que Itachi poderia despertar? Em que momento perceberam que, ou o mantinham sedado, ou ele poria seus planos a perder?
O que andava acontecendo por debaixo dos panos dentro do clã Uchiha?
Desviou o olhar, sem saber o que fazer.
Sasori não merecia todo o sofrimento que estava passando, por tanto tempo.
—... Sei que deve ter sido muito doloroso para você, Sasori. Eu realmente... Sinto tanto pelo que vem passando...
— O tempo é um aliado poderoso, Naruto. Quanto mais velho ficar mais perceberá como ele nos ensina muitas coisas. Ele é capaz de amenizar qualquer dor. Eu já posso falar sobre esse assunto sem que isso me martirize, consigo lidar com minhas próprias dores.
—... Eu finalmente entendi porque o Sasuke... Ele quer tanto uma menina, e sempre a chama de Aiko...
Sasori sorriu tristemente, pousando a mão sobre a barriga do rapaz loiro.
—... Quando voltei do hospital foi Sasuke quem desmontou o quarto de meu filho, ele levou todas as coisas embora. Creio que dentro dele surgiu um senso de dever, como se desejasse ser um bom pai um dia, para compensar a tragédia que assolou a vida de seu irmão. Talvez haja nessa criança que você espera uma parte da minha que está no céu.
Naruto cobriu a mão larga sobre sua barriga.
— Tenho certeza disso... O clã Uchiha, é tão abominável! Vocês dois só queriam ficar juntos! Madara faz as pessoas sofrerem por mero capricho!
O outro negou com a cabeça.
— Pessoas que ferem as outras já foram feridas antes, Naruto.
— Mas nada dá a ele o direito de destruir a vida de ninguém!
— Tem razão. As atitudes abomináveis do patriarca são um reflexo do que a vida lhe fez e ainda faz, ele é um homem extremamente infeliz, e tem pagado caro por todo o mal que já fez. A fonte desses males tem apenas um nome, o de um Uchiha que mudou a forma de Madara encarar o mundo e as pessoas que vivem nele: Izuna.
As sobrancelhas de Naruto se franziram, sem compreender. Não sabia muito sobre o clã Uchiha, nunca ouvira histórias acerca deles.
— Izuna? E quem é esse? Que ligação ele tem com Madara?
— Acho que já chega de histórias por hoje, não é? – sorriu ameno e preocupado com o bem estar dele – Você já teve emoções o bastante por um dia. Vou fazer mais chá e vamos conversar sobre coisas mais agradáveis. Quer ver as fotos antigas de Sasuke?
Naruto percebeu que não conseguiria mais arrancar nada dele, então somente assentiu. A presença do rapaz de cabelos ruivos lhe trazia muita paz. Perguntava-se de onde ele havia tirado tanta força para superar tudo.
Se o que ele disse sobre o tempo ensinarar e curar, então Naruto esperava adquirir um pouco de toda aquela calmaria algum dia. Não conseguia sequer cogitar a hipótese de algo assim acontecer com ele. Era doloroso demais.
Mordeu o lábio inferior, pensativo. Observava as costas magras do rapaz enquanto o seguia até a cozinha.
Sasori não sabia sobre o que o hospital estava fazendo com seu esposo. Sasuke o fizera jurar que não contaria nada até terem resolvido tudo.
Mas, depois de tudo que ouviu, depois de imaginar o que significava para Sasori ter a pessoa que ama desacordada por três anos, por culpa exclusiva do clã Uchiha, por capricho de Karin, depois de haver perdido o filho que carregava no ventre... Não conseguia se calar!
Antes que pudesse raciocinar sua mão se moveu sozinha e segurou a barra da blusa do ruivo, atraindo sua atenção.
— Sasori... Há algo muito importante que preciso lhe dizer sobre Itachi... Sobre seu atual estado... Acho que você merece saber o que realmente está acontecendo.
Continua.
Fale com o autor