Notas iniciais
Olá povo lindo que eu adoro, como estão? Querendo me matar por causa da demora? Na-na-ni-na-não! Olhem de novo pro tamanho do capítulo! É eu sei. Estava eu feliz da vida escrevendo esse capítulo e pensando “Dessa vez vou fazer um capítulo de tamanho normal, nada de exageros!” E vou eu escrevendo feliz da vida quando fui ver já tinha passado das cinco mil palavras padrão, mas tudo bem, eu terminaria logo. Só que tinha umas coisas importantíssimas que eu não poderia deixar de fora e continuei escrevendo e pensando “Porcaria, já passou de dez mil!!!” e tentando acabar logo mas o lemon só foi começar lá no final quando já passava das dezesseis mil palavras! Daí eu desisti rs Até partiria em dois, mas como eu já demorei muito nada mais justo do que entregar um capitulão, certo? Façam chazinho ou café, marquem a página em que pararam para continuar no dia seguinte ou quem curte capítulo gigante divirta-se! Essa história virou long fic! XD Recebi muuuuitos comentários sobre a cena do ultrassom e da briga pela escolha do nome do bebê! Obrigada, vocês são demais! Essas cenas são as que mais gosto de escrever, adoro romance bem fofinho, ainda mais do meu casal preferido. E quem ainda não me adicionou na lista faça isso, pois logo postarei uma fic além dessa e você ficará informado ;) Vamos ao capítulo gigante, beijos e boa leitura!

Seu coração batia muito depressa. Era difícil pensar no que fazer.

A primeira coisa que pensou foi em tirar o irmão daquele hospital, mesmo que para isso tivesse que carregá-lo! Mas não tinha conhecimento do real estado dele, então não poderia fazer algo tão impensado.

O que estavam fazendo com Itachi? Quem poderia brincar com ele daquela maneira, sem se importar com sua vida?

Ouviu barulhos no corredor e achou melhor ser rápido. Apanhou um copo de água limpa e lavou a boca do irmão como pôde, livrando-o do medicamento esbranquiçado até que nada restasse dele, mas sem esquecer-se de guardar algumas das toalhas de papel sujas e enfiá-las no bolso da calça.

Saiu apressado do quarto, querendo deixar o hospital o quanto antes. Percebeu que algumas enfermeiras olhavam para ele de relance.

“Alguma coisa está mesmo acontecendo. Esse maldito hospital irá me pagar por brincar com ele!” – pensava, tão nervoso que seu corpo inteiro tremia de fúria.

Assim que se viu do lado de fora dos portões do imenso hospital apanhou o celular. Suas mãos suavam e tremiam muito, estava muito alarmado com tudo que acabou de presenciar.

Alguém andava manipulando o hospital, disso ele não tinha dúvidas. A ligação foi atendida no terceiro toque, o que para ele parecia era uma eternidade.

— Pronto – a voz alta do advogado soou ao celular.

— Suigetsu! Preciso vê-lo agora mesmo, tenho um assunto urgente a tratar com você!

— Sasukito, sei que você me ama e que não pode viver sem mim, mas sou um homem muito ocupado – ironizou, concentrado enquanto lia um livro gigantesco que mais parecia um manuscrito.

— Isso é muito sério! Acabo de deixar o hospital. Havia remédio na boca de meu irmão! Eles estão drogando Itachi!

O rapaz de cabelo cinzento ficou mudo ao telefone. Deixou de lado o que estava fazendo e se ajeitou melhor na cadeira.

—... Eu já imaginava, e estou movendo uma investigação.

— Já imaginava...? Que maldição, Suigetsu!!! – explodiu de fúria ao telefone – Por que não me disse nada antes? Como pôde permitir que fizessem isso com...

— Se acalme. Eu já imaginava que se te contasse o que sei você perderia as estribeiras, você é um homem muito nervoso, sabia? – coçou atrás da cabeça, impaciente – Não significa que eu estivesse mentindo ou te escondendo nada, eu apenas queria ter certeza para não te alarmar.

Sasuke estava por demais confuso, a ponto da mente sempre tão racional ter dificuldade para processar tudo aquilo.

— Certeza de quê? Suigetsu o que diabos está acontecendo? Exijo que me explique agora mesmo!

— Venha ao meu escritório e conversaremos com calma, vou lhe contar tudo que quiser saber.

Sasuke assentiu e desligou a ligação, indo até seu carro e acelerando rumo ao escritório de Suigetsu.

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“Maldição, agora não!” – baixou-se de joelhos, sentindo uma dor horrenda no ventre.

Naruto estava sozinho na sala de arquivos, um lugar muito fechado e com cheiro forte de papel velho. Foi ordenado a pegar uma pasta arquivo antiga, mas ela era muito pesada e a força que fez para apará-la o fez sentir dores muito intensas.

Respirava depressa, mas aquela sala não tinha ar, era sufocante.

Pegou o celular tremendo muito e digitou uma mensagem em palavras erradas para Hinata, pedindo por ajuda. Fechou bem os olhos esperando a dor passar.

Sem sucesso. Segurou sua barriga, bem embaixo onde a dor era mais forte.

Virava a cabeça em várias direções, os olhos bem abertos, soltando longos suspiros.

Como era possível doer tanto?

Cerca de minutos depois ouviu passinhos vindos da porta de entrada e Hinata surgiu correndo, o crachá no pescoço balançando para os lados.

— Naruto! – agachou perto dele – O que você tem?

Ele não conseguia dizer direito, os dentes cerrados firmemente.

—... Não consigo levantar...

— Você precisa de um médico. Quer que eu ligue para o Sasuke?

— Não! – segurou em seu braço – Por favor, Hinata... Se ele souber não me deixará mais trabalhar e não quero isso – arqueou-se sentindo novas dores -... Só preciso me sentar...

Ela não concordava com isso, mas ajudou-o a se levantar e sentar em uma cadeira próxima. Abriu bem a janela, que permanecia sempre fechada, para entrar um pouco de ar.

— Não pode deixar as coisas assim. Você não está bem para trabalhar!

—... Quero minha independência. Não posso depender do Sasuke para tudo – sentia melhorar aos poucos, a dor diminuindo.

— Logo todos vão perceber, e o senhor Sabaaku também.

— Nem mencione isso! – rolou os olhos, imaginando a histeria do chefe – Acho que passou um pouco. Melhor descemos antes que alguém nos procure.

— Acha que já consegue andar? – ela perguntou preocupada, passando um dos braços dele por seu ombro.

Engraçado como, se fosse até pouco tempo atrás coraria apenas pela proximidade entre eles, mas vendo-o chamá-la em um momento de urgência a deixou muito feliz. Uma felicidade diferente do que imaginava. Talvez não gostasse dele do modo como imaginou. No fundo, estava satisfeita por poder ser um pilar de ajuda a quem já a ajudou tantas vezes antes.

Carregou-o com cuidado até o elevador. Ele gentilmente tirou o braço dos ombros finos.

— Já estou bem, é sério – sorriu amavelmente – Obrigado Hinata, você tem salvado minha pele.

Ela sorriu de volta. Pegaram o elevador até o andar de trabalho e Naruto achou melhor beber um pouco de água. O incômodo diminuiu bastante, mas ainda se sentia fraco e cansado. Estava conversando quando tornou a sentiu uma dor intensa e muito fina, bem no fundo do útero.

— Estou lhe dizendo, você precisa de ajuda! – ela o segurou como pôde antes dele tombar contra a parede. Arfava, uma das mãos sobre a barriga, os olhos duramente fechados.

Era como uma agulha fina cutucando seu ventre por dentro. Cairia ao chão, mas sentiu um braço forte o amparar de uma vez, antes que cedesse.

Ergueu o rosto fracamente, se segurando no dono daquele braço forte, pronto a agradecer.

Congelou, os olhos abertos de puro susto.

Gaara o fitava com o costumeiro semblante sério. Endireitou-o, sem deixar de segurá-lo. Desceu o olhar para a barriga que o rapaz segurava e a analisou bem por um momento.

— Consegue andar?

— Ah, eu... – estava tão nervoso que não conseguia dizer coisa alguma. Não pôde terminar a frase porque a dor envergou seu corpo para frente. Prendeu o ar, quase aos prantos

O rapaz ruivo o ajudou a sentar em uma cadeira próxima. Um funcionário distraído passava por ali e já ia se intrometer perguntando o que estava acontecendo, mas Gaara o presenteou com um de seus famosos olhares destruidores e o homem deu um solavanco de susto, apressando o passo em direção à saída.

Naruto sentia a dor cessar aos poucos, respirava depressa e secava o suor da testa. Um copo de água gelada foi posto diante dele.

—... Obrigado – ergueu a mão trêmula e bebeu toda a água, sentindo-se refeito.

A esta altura a pobre Hinata estava ainda mais branca que de costume, tamanho o susto. Por sorte estavam afastados dos demais funcionários ou teria sido uma grande comoção! Rapidamente ela disfarça, pegando o celular e digitando uma mensagem de alerta para Ino, contando tudo o que acontecia.

Gaara passou as mãos pelo rosto, procurando juntar toda a calma que possuía, o que não era muita.

—... Uzumaki, eu vou lhe perguntar isso apenas uma vez – postou os olhos verdes sobre os azuis, obrigando-o a dizer a verdade – Você por acaso está grávido?

Naruto engoliu seco.

—... Senhor, se me deixar explicar tudo, eu...

— Está ou não?

O queixo do rapaz loiro tremeu de leve. Sabia que era impossível negar ou esconder mais. Fez um movimento afirmativo com a cabeça.

—... Estou.

Gaara fechou os olhos e respirou bem fundo, soltando vagarosamente o ar pela boca.

— Quantos meses?

— Dois.

— Dois meses?! – a voz grave subiu ao menos três tons em segundos — Isso significa que sua licença paternidade já será lançada, Uzumaki!!! Sabe que gravidez de compatível é de risco! Temos uma campanha importante a terminar! Como eu posso ficar sem meu melhor publicitário logo agora? As empresas confiam em nós!

— Eu sei, eu não planejei minha gravidez, ela aconteceu! E não pretendo deixá-lo na mão até encontrar um substituto para cobrir esse período!

Gaara tentou se acalmar, mas não obtinha sucesso nisso.

“Foco! Os funcionários também têm vida... Seja compreensivo! Compreensivo!” — repetia mentalmente.

— Eu entendo, quer dizer... Não é que não esteja feliz por você. Deve ser uma emoção sem igual gerar um filho. Só que nosso contrato já está fechado! – passava as mãos nervosamente pelos cabelos cor de fogo, em seguida pelo rosto. Ah céus, precisava de um porre, e rápido! – Eu confio muito em seu trabalho, Uzumaki. Por isso mesmo preciso de um profissional que possa entregar-me um trabalho tão capacitado quanto o seu!

Intimamente, Naruto se sentiu feliz por ser reconhecido, afinal trabalhava muito, era esforçado e perfeccionista, além de muito criativo. Não possuía inimigos no trabalho, todos gostavam muito dele. Era algum tipo sobrenatural de carisma que atraía as pessoas.

—... Obrigado, senhor. Eu sei o quanto esse cliente é importante e não pretendo decepcioná-lo. Ainda posso trabalhar algum tempo para ajudar no que for preciso, antes de tirar minha licença.

— Porque não me contou da gravidez antes? Se tivesse me alertado eu jamais teria te mandado carregar peso!

— Desculpe, eu estava procurando a melhor hora para lhe contar...

— Não existe boa hora para comunicar que estou perdendo funcionários! Apenas venha até mim, me diga de uma vez e pronto! – a voz continuava a subir ameaçadoramente.

Enquanto conversavam, Hinata ao longe disfarçava e olhava o celular. Não demorou nada para Ino fingir ir tomar um café e chegar ao local. Logo percebeu de relance o rosto vermelho e furioso do chefe. Torceu os lábios.

“Danou-se!” – pensou, fingindo conversar algo com Hinata que segurava há tempos um copo de chá que estava até frio em sua mão, ambas com os ouvidos atentos prestando muita atenção na conversa dos dois.

— Quero um atestado médico me garantindo por quanto tempo você estará bem para trabalhar! Algumas coisas poderá fazer de home office, mas preciso de você aqui a maior parte do tempo!

— Entendi, senhor – assentiu, cansado de tantas exigências. Podia sentir a pressão do estresse do chefe.

Gaara franziu a testa, levando uma das mãos à têmpora que latejava. Virou o rosto para o lado e percebeu uma jovem loira disfarçando enquanto bebericava seu café.

— Ino!!!

— Senhor? – piscou algumas vezes tentando disfarçar o desconcerto.

— Mande um empregado novo para ser treinado a partir de amanhã! Não sabemos quanto tempo o Uzumaki aguentará trabalhar ainda.

— Eu já pedi às agências senhor, mas apenas nos mandaram candidatos sem a formação e qualificação necessária. Ainda não tenho alguém para ocupar esse cargo.

Era possível ver a veia pulsante que surgiu na têmpora do rapaz ruivo, abaixo da tatuagem com um kanji de “Ai”, amor em japonês, que não correspondia muito ao seu atual sentimento. Naruto e Hinata se encolheram, poderiam se abraçar e chorar pedindo perdão até por terem nascido!

O chefe parecia um vulcão prestes a entrar em erupção. Ino achou melhor acalmar a fera.

— Não se preocupe, senhor. Tenho certeza que o candidato ideal já está sendo avaliado! – ria falsamente, sabendo que o que dizia era uma baita mentira.

— Procure nos quatro cantos do mundo e me traga um jovem formado amanhã mesmo!!!! Amanhã, entendeu???

— Senhor...? – o ruivo se virou tão furioso que Naruto engoliu forte –... Meu primo acaba de chegar à cidade, e é recém formado em uma área correlata. É muito responsável e posso treiná-lo diretamente. Ele está desempregado então possui disponibilidade para início imediato.

— Traga-o amanhã e o apresente! Ele ficará aos seus cuidados! – apontou o dedo, dando uma ordem absoluta e deu a volta, a passadas duras de volta à sua sala. Precisava respirar e se controlar.

Assim que ele se afastou Ino riu baixinho.

— Eita, até que a reação foi melhor do que eu esperava.

— Diz isso porque não foi com você. Achei que ele fosse me matar! – Naruto pôs a mão sobre o coração e suspirou aliviado.

— E por que você passou mal, amor? Devia ter pedido para outra pessoa ir aos arquivos, você não pode fazer esforço.

— Não achei que as pastas fossem tão pesadas.

— Não faça isso de novo. Ah sim, e é melhor ir se preparando para contar ao pessoal. Se trará o seu primo amanhã então todos vão perguntar o por quê. Melhor ter a resposta na ponta da língua.

— Não seria melhor contar logo de uma vez? – Hinata indagava baixinho – Quer dizer, ninguém tem nada a ver com isso. Se você está grávido de uma pessoa de quem gosta de verdade a reação dos outros não importa.

Naruto riu pela repreensão vinda daquela pessoa minúscula.

—... Tem razão, Hinata. Eu não tenho motivo algum para me envergonhar ou me esconder. Mas não muda o fato de que quando todos souberem será um baita alarde!

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Observava fixamente as folhas secas caindo pelo ar, despencando das árvores de troncos largos e envelhecidos dispostas no imenso jardim secular, as estátuas de bronze com feições sérias e entristecidas. Seu pensamento se mantinha fixo e era possível perceber nitidamente uma expressão de puro desgosto em seu semblante. Nunca imaginou que depois de velho teria tanta dor de cabeça.

—... Se essa criança nascer terá direito como herdeira, e isso eu não posso permitir. Ainda mais se tratando de uma criança caucasiana! Um Uchiha loiro é algo imperdoável – Madara cruzou os braços, soltando o ar pesadamente pelas narinas.

Não importava o método utilizado, daria cabo àqueles dois que tentavam se intrometer em sua família, sem pedir permissão. O garoto loiro e o bebê que carregava no ventre tinham de sumir, para o bem de todos.

Madara volveu então o olhar para a mulher sentada diante dele.

— Você foi muito imprudente agindo por conta própria, Karin. Praticamente pediu para o Sasuke te vigiar daqui por diante.

— O que queria que eu fizesse? – chorava sem controle, aparando as lágrimas com um lenço de pano – Eu o estava perdendo! Aquele moleque fez a cabeça dele! Pode imaginar o medo que eu senti?

— Enquanto você mantiver Itachi à sua mercê poderá controlar Sasuke livremente – o velho Uchiha a olhava firmemente – Ele é muito vulnerável ao irmão.

— Já não tenho muita certeza disso. Sasuke saiu de casa, levou suas coisas, gritou comigo... – murmurava desolada como um cão repreendido – Nada o motivaria a voltar agora.

— Sasuke fará o que for preciso em nome de Itachi. Outras vezes ele já se cansou, mas sempre voltou a você, não é?

— Sim, mas... Dessa vez parece diferente. Sinto que o perdi de vez...

— Tenha paciência, Karin. Eu não permitiria que ele se afastasse de você. Sasuke não vai estragar tudo, não agora. Abrir mão do contrato implica em um prejuízo sem tamanho para nós, e não o permitiremos de nenhuma maneira! Ele pode estar à frente da hierarquia de sucessão do clã, mas não pode passar sobre mim. Esse jogo tem que acabar.

— Mas ele não me ouve mais... O que eu poderia fazer?

Um brilho cruel passou pelas íris negras de Madara. Era como ver a morte estampada em seu rosto bonito e conservado, algo que fez Karin estremecer.

Mesmo depois de tantos anos o sogro ainda a apavorava. Ouvira muitas histórias sobre ele, sobre tudo que já foi capaz de fazer em nome da paz reinar absoluta sobre o clã.

—... Você deve entrar em contato com sua família no hospital. Peça que aumentem a dosagem de medicação que está sendo injetada em Itachi, algo que seja forte o bastante para lhe causar um efeito colateral visível.

Karin assustou-se de imediato com a proposta, mas logo apoiou o queixo em uma das mãos, pensativa.

— Aumentar a dosagem? Isso não seria perigoso? Se Itachi morrer eu perderia meu trunfo contra Sasuke. Já não poderia manipulá-lo como quisesse.

— Tenho certeza de que poderão fazer o que estou lhe dizendo sem problemas, Karin.

— Mas a medicação já foi alterada recentemente, e ninguém ainda teve certeza se está fazendo o efeito esperado ou não. Parece que o corpo dele não reage mais tão bem aos sedativos, e eu não quero que Itachi estrague tudo acordando logo agora!

— Fique tranquila. Ao nosso pedido o próprio hospital entrará em contato com Sasuke, informando que seu irmão apresentou uma piora crítica. Como de costume Sasuke pedirá exames detalhados que comprovarão que os sentidos de Itachi estão mais lentos que o normal.

— Entendo... Ele pensará que o atual tratamento não é eficaz... Poderíamos sugerir algum outro, talvez um médico vindo de fora do país...

— Isso lhe dará esperanças e certamente o fará pagar a quantia que for solicitada, não importando qual seja. Vai se afundar ainda mais em dívidas com sua família, Karin. Nada no mundo vai impedi-lo de tentar salvar Itachi, ainda mais se dissermos que ele tem pouco tempo de vida se não se tratar – descruzou os braços, as mãos ásperas postas sobre o colo — Ele não terá como aceitar o divórcio, não agora, acreditando que conseguirá salvar o irmão. Diante disso não terá outra escolha a não ser manter o casamento pelo tempo estipulado. Oferecemos ainda uma quantia extra para ele gerar a criança, você terá outra chance de persuadi-lo a lhe dar um filho em troca do tratamento de Itachi.

Karin assentiu depressa, a esperança surgindo novamente em seu peito. Estava radiante, era um magnífico plano e não havia como dar errado. Há um bom tempo manipulava Sasuke desse modo, e sempre conseguiu o que queria.

Faltava pouco... Logo teria seu filho nos braços e quando Sasuke o visse... Seu lado paterno falaria mais alto e ficariam juntos para sempre. Estava certa disso.

Distante da conversa entre os dois, Fugaku estava sentado em uma poltrona próxima à imensa janela que dava vista para o jardim sombrio daquela mansão. Observou profundamente o pai em sua beleza intocada através do tempo.

Estava em débito eterno com ele por não ser rebaixado e retirado do clã depois do que seus filhos fizeram. Era uma dádiva ainda possuir os mesmos direitos, a mesma posição na família. Acabou perdendo o prestígio do clã, isso era verdade. Ter filhos declaradamente homossexuais, que se negavam a dar continuidade a linhagem do clã era uma afronta! Isso lhe custou seu lugar na linha de sucessão patriarcal, mas não seria problema. O clã ainda acreditava na conversão de Sasuke.

Se, para manter tal posição intacta tivesse de usar seus próprios filhos, então era um preço pequeno a se pagar.

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O som do apitar dos aparelhos ressoava pelo quarto semi escuro. Observava com atenção o rosto adormecido, imóvel, inerte.

Puxou os cabelos negros até erguer a cabeça do travesseiro. Alguns plugs se desconectaram da testa com o movimento bruto, o couro cabeludo obviamente esticado enquanto os fios negros e sedosos eram puxados com violência, mas a face serena do rapaz não mudou. Ele ainda dormia profundamente.

Para ter certeza virou-o para si e estapeou-lhe a face. A vermelhidão imediatamente tomou conta do rosto pálido, tingindo a bochecha com um tom vermelho intenso, mas sua expressão não mudou.

Com as pontas dos dedos abriu de leve uma das pálpebras percebendo o globo ocular imóvel, fosco, quase sem vida. Ele estava completamente dopado, de maneira que não sentia ou ouvia coisa alguma.

Satisfeita, Karin solta-lhe os cabelos e a cabeça dele pende de volta ao travesseiro. Ele não parecia sentir dor alguma, seus batimentos cardíacos não se alteravam, era como brincar com uma boneca de pano.

— Isso é fabuloso! – Karin parecia fascinada – Essa dosagem parece ainda mais forte que a anterior, normalmente eu o sentia reagir vez ou outra e isso me enojava. Mas agora ele está completamente inconsciente!

—... Conforme a senhora me pediu aumentei para uma posologia mais forte. Qualquer teste que fizerem nele dará o mesmo resultado – um médico de meia idade retirava as luvas de silicone das mãos — Os sentidos estão muito lentos, o cérebro está trabalhando vagarosamente. Ele apresenta agora todas as características de um paciente em coma profundo. Já pode ser caracterizado como estado vegetativo irreversível – o médico explicava, mas a ruiva não parecia dar muita atenção.

— É o bastante para acreditarem que ele piorou. Tão logo meu marido souber disso ficará transtornado, ainda mais estando com graves problemas financeiros. É uma questão de tempo até ele voltar para mim – um sorriso doce surgiu nos lábios enquanto olhava Itachi caído sobre o leito, os cabelos negros espalhados pela fronha, a cabeça pendendo para o lado, um dos braços caído para fora do colchão.

—... Conheço seus motivos, senhora. Mas essa nova fórmula é muito arriscada. Deveríamos fazer um teste seguro antes de aplicar no paciente. Podem ocorrer traumas no cérebro ou sequelas permanentes. Além disso, corremos o risco do próprio organismo rejeitar o medicamento e expeli-lo. Nesse caso o efeito seria completamente anulado.

— Não me importa o que acontece com Itachi, ele tentou a todo custo me separar do Sasuke. A culpa é dele por estar assim, é um castigo merecido. Se ele definhar até morrer será por tentar me separar do meu grande amor!

— Senhora, eu entendo sua dor e que esteja fazendo tudo isso pelo bem de seu marido, mas não acha que ele seria mais feliz se tivesse o irmão de volta? Uma vida é algo muito precioso, não deveria brincar assim com um ser humano. Pode acabar sendo punida por isso.

Karin virou-se calmamente ao médico.

— Se estiver cansado de prestar esse serviço à minha família pode pedir demissão, doutor. Ou talvez eu mesma possa te ajudar contando a algum jornal local tudo que sei. Imagine o que o conselho de ética na medicina diria se soubesse que o senhor anda administrando um medicamento nocivo, que manteve meu cunhado em coma induzido por três anos! Certamente o senhor perderia sua licença médica, e pior, acabaria na prisão. Seria terrível para sua mulher e seu pequeno filho, eles ficariam completamente desamparados.

O homem engoliu forte, era possível ver o pomo de adão subir e descer devagar.

—... Desculpe me intrometer no que não me diz respeito, senhora.

Ela sorriu, docemente.

— Estará seguro enquanto fizer apenas o seu trabalho doutor. Eu mesma o protegerei, pode ficar sossegado. É bom lembrar que se alguém mais souber o que estamos fazendo sua situação se tornará bastante complicada.

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Ergueu o plástico acima da cabeça, o líquido esbranquiçado escorria de um lado para outro com o movimento.

—... O laboratório vai analisar o que é essa substância, creio que em dois ou três dias tenham uma resposta concreta. Se isto estava na boca de Itachi então o DNA da saliva será absoluto, não haverá como negar – Suigetsu analisava o plástico contendo as toalhas de papel e sorriu para o outro, os dentes afiados parecendo presas – Bom trabalho, Sasukito! Essa é uma prova irrefutável!

Mas a cabeça de Sasuke estava longe dali, em outra dimensão. Estava muito preocupado e tenso.

E pensar que durante anos Itachi esteve sedado, mantido adormecido convenientemente. Quando pensava em todo o dinheiro gasto com médicos, tratamentos invasivos, remédios... Achava-se tolo por ter acreditado em tudo que lhe foi dito.

—... Como eu pude nunca perceber? Por que acreditei cegamente no que os médicos do hospital me diziam? Itachi esteve sofrendo por três anos!

Suigetsu ficou sério.

— O modo todo como agiram jamais levantaria nenhuma suspeita. A informação que consegui não foi fácil. A família de Karin tem poder sobre aquele hospital por ser de família. A menos que eu investigasse, ninguém jamais saberia de nada. E por sorte seu irmão parece ouvir você e lhe deu um sinal de que havia algo errado. Isso deve ser amor entre irmãos!

— Se eu puder suspender logo essa medicação, ele... Talvez Itachi possa enfim acordar!

O rapaz cruzou as mãos sobre a mesa, mirando o outro diretamente.

— Eu sei que ele significa muito para você, Sasuke, mas não vou mentir só para te iludir ou te fazer sentir melhor. Itachi entrou realmente em coma no dia em que sofreu aquele acidente. Mesmo que o estejam medicando é somente como medida de segurança para garantir que ele não acorde. Nada garante que ao suspender a medicação ele realmente desperte.

— Sei disso, mas seria sua primeira chance de verdade, coisa que até então ele nunca teve.

— Bem, isso é verdade.

— Quero saber quem ordenou aos médicos essa medida, se foi Karin, Madara ou meu pai.

Suigetsu achou por bem escolher as palavras para não incitar ódio ou fazê-lo declarar guerra contra todo o clã. Do modo como estava nervoso era capaz de virar um errante em busca de justiça com as próprias mãos.

Obviamente a culpa era deles, mas era melhor explicar com jeitinho.

— Sasuke, somos amigos há muitos anos e não vou mentir para você. Ao que tudo indica a ordem partiu mesmo de Karin – ele viu as íris negras faiscarem como brasa – Ela vem de uma família muito influente, muito rica e poderosa. Não seria difícil manipular o hospital para conseguir os resultados que ela quiser.

— Então o que Karin desejava era que eu gastasse minha fortuna de família tentando salvar Itachi?

— Com você falido e desesperado para salvar seu irmão te manter amarrado seria fácil.

— Espere — O Uchiha começava a ligar os fatos — Ela me fez crer que eu estava em débito com sua família, mas se são os causadores da doença de Itachi...

— Você não lhes deve um centavo, relaxe.

O ódio fervilhava dentro de Sasuke. Mordeu o lábio e este sangrou até um filete escorrer pelo canto da boca. Lambeu-o devagar.

Suigetsu continuou sua linha de raciocínio.

— Karin percebeu que era uma excelente oportunidade, ainda mais depois de te ver tão determinado a gastar tudo que tinha para salvar seu irmão. E como ela sabia que se Itachi despertasse poderia te perder para sempre, ordenou ao hospital que o mantivesse desacordado, como precaução. A lógica toda é inegável. Depois de tanto tempo sem apresentar melhora alguma no quadro vegetativo, o hospital pode solicitar à família que desligue os aparelhos e poupe sofrimento ao paciente. Ela sabia que isso destruiria você, e que gastaria o que fosse preciso para impedir. Ela sabia exatamente o que estava fazendo desde o princípio.

Sasuke mantinha os punhos fechados sobre o colo, tão forte que as unhas se cravaram nas palmas machucando a pele, um dos pés batendo sem parar.

Estava possesso! Sua vontade era de sair daquela sala e surrar seu pai e seu avô até descontar toda a frustração, tristeza e sofrimento que sentiu por tantos anos! Depois arrastar a “esposa” até um manicômio, assinando um termo que a mantivesse presa ali pelo resto da vida!

— Maldição! Essa gente toda... Esteve brincando com Itachi todo esse tempo e eu nem ao menos fazia ideia! Ninguém levou em consideração o sofrimento dele, o meu ou o de Sasori! Por um mero capricho aquela mulher desgraçada acabou com a vida de todos nós!

— Eu sei, imagino como se sente, mas precisa se acalmar e me escutar.

— Você não faz ideia de como me sinto, Suigetsu!

— Nós vamos salvar Itachi, eu prometo a você e sabe que nunca o deixei na mão antes. Se disser algo a ela ou à sua família irá alertá-los e os preparar para revidar. Não queremos nada disso. Além do mais a vida de Itachi é nossa prioridade agora. Se Karin controla os médicos não seria difícil para ela ordenar que o matem, unicamente para se vingar de você.

Sasuke assentiu, passando as mãos pelo rosto. Era nítido que tremia. Falar sobre o irmão o deixava em frangalhos.

— De todo modo vamos rever os trâmites legais do processo pelo ataque que ela fez ao seu namorado. Mas antes vou pedir um chazinho calmante bem forte e você vai tomar! Depois prosseguimos essa conversa.

— Vá se ferrar! Eu não quero nada disso!

— Que se dane o que você quer porque eu não te perguntei nada! Vai beber ou te enfio goela abaixo! Quer ter um ataque do coração aos vinte e quatro anos e antes de se tornar pai?

— Já lhe disse que estou calmo, droga!

— Oh, estou vendo, e isso me comove – disse com sarcasmo e telefonou para a recepcionista pedindo que lhe trouxesse um chá calmante – Antes de sair correndo atrás de vingança precisa conhecer muito bem seu inimigo, Sasukito.

— Então devo fingir que não sei de nada e continuar casado com uma mulher capaz de tamanha atrocidade?

— Eu não disse nada disso. Você vai morar no seu apartamento com o seu loirinho grávido. Deve avisar aos porteiros para impedirem qualquer pessoa de entrar sem se identificar antes, e barrar ao máximo as visitas. Continue a rotina de levar e buscá-lo, e peça a ele que seja cuidadoso quando estiver sozinho. Isso o manterá seguro e nos dará tempo para agir em favor de seu irmão e de seu divórcio.

O Uchiha assentiu, largando-se na cadeira, tentando se acalmar. A mocinha da recepção finalmente voltou, trazendo consigo uma xícara cheia de água quente, um sachê com o nome da erva de Melissa podia ser lido. Ela deixou sobre a mesa junto de uma embalagem de remédio. Suigetsu olhou alternadamente para o copo depois para Sasuke, dando a entender.

— Essa porcaria eu até bebo, mas me recuso a tomar Valeriana! – apontou o comprimido fitoterápico conhecido pelo alto poder calmante.

Suigetsu riu.

— Já é um progresso.

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Havia tempos que não se falavam, desde a época do colégio. Cresceram juntos, brincavam juntos, até mesmo trocaram seu primeiro beijo juntos, apenas por curiosidade. Quando ouviu de sua mãe que o primo havia voltado à casa da tia, depois de passar anos no exterior concluindo a faculdade, Naruto sentiu-se muito feliz. Queria muito reencontrá-lo.

O rapaz sorriu largamente ao ver o primo rechonchudo parado à soleira de sua porta.

— Ouvi tudo da minha mãe, Naru. Olhe só para você! – segurou a barriga levemente arredondada com as duas mãos – Quem diria que você será mamãe!

— Melhor fazer um exame preventivo, cara. Essa coisa é hereditária! Talvez seu pai seja compatível igual ao meu – riu.

Eram muito parecidos, pareciam mais irmãos gêmeos do que primos. Menma era dono de grandes olhos muito azuis como os de Naruto, mas seus cabelos eram negros. Herdou até mesmo as curiosas marquinhas nas bochechas que, segundo circulava na família, era um sinal de seu avô. Menma era forte, bonito e de personalidade muito intensa.

Ele fez sinal ao primo para entrar e se sentar. Naruto obedeceu prontamente, andava bem cansado e logo procurava um canto para se escorar.

— Dessa eu escapei – ele piscou, divertido – Tive que fazer exames completos para estudar fora do país e deram negativos. Eu não posso ser mamãe! – deu de ombros.

— É uma pena, não sabe o que está perdendo.

— Oh imagino. Ficar inchado, enjoado, com dor nas costas. É o sonho de todo rapaz!

— Cale a boca – riu e lhe deu um soco sem força nos ombros – Estou feliz em te ver, faz muito tempo que não volta à cidade. E arranjei um trampo para você.

— Sério isso? Onde?

— Precisam que alguém cubra minha licença paternidade. Meu chefe descobriu que estou grávido e quase pirou! Ele é obcecado pelo trabalho e não pode ficar com a equipe desfalcada logo agora que assinaram um contrato importante lá na empresa. Eu indiquei você.

— Isso é ótimo, cara! Valeu mesmo! Com isso consigo me virar, ao menos por uns meses.

— Mas já vou avisando que Gaara é uma pessoa muito séria, ele não gosta de brincadeiras nem de intimidade. Raramente conversa e está sempre muito tenso.

— Se ele vive tenso deve ser porque ele está com falta! E muita! – deu uma olhada maliciosa para o primo que correspondeu o olhar cúmplice.

— Olha, se esse é o problema então eu espero de verdade que ele arranje logo uma namorada para me deixar em paz!

— Tenho até pena. Ficar muito tempo sem fazer dá um mau humor dos diabos!

— Argh, não quero pensar nele e nesse tipo de coisa!!! – chacoalhou a cabeça, afastando o pensamento – De qualquer forma amanhã te levo ao trabalho, tente se comportar direito porque já ando encrencado o bastante.

— Por quê?

— Logo terei de dizer ao povo do meu setor que estou grávido – suspirou, descontente – Imagina a fofoca correndo solta pelo prédio! Ainda mais porque o vídeo do meu casamento ainda circula na internet. Em pouco tempo todo mundo vai se ligar que Sasuke é o pai.

— E? Quer dizer, ninguém tem nada a ver com sua vida. Devem estar é se mordendo de inveja porque você está com um cara rico e gostoso feito o Sasuke.

Naruto voltou um olhar de repreensão ao primo que logo tentou se explicar.

— Que foi? Tá cansado de saber que sou gay – deu de ombros – E não sou cego. Puta bom gosto o seu.

— Certo, sei que o Sasuke arrasa mesmo corações, não tem ideia de como dá trabalho andar com ele. É como desfilar ao lado de uma celebridade!

— Posso imaginar! – riu mostrando os dentes – Espero encontrar logo meu príncipe encantado também – suspirou – E não se preocupe, eu sei me comportar melhor do que ninguém!

— Assim espero...

—-

O dia havia sido longo e interminável. Não se recordava de haver passado um dia tão desagradável há muito tempo.

Abriu a porta do apartamento com um empurrão firme e esta bateu com estrondo contra a parede. Afrouxou a gravata e bufou de pura raiva, já sonhando com um banho quente para aliviar a tensão. Irritado, tateou a parede procurando o interruptor para dar fim àquela escuridão.

Assim que as luzes se acendem ele sente o coração pesar. Como havia se esquecido?

Naruto se remexeu no sofá, despertando, esfregando os olhos com as mãos. Ao que parece esteve assistindo algum programa de TV até tarde e adormeceu ali porque estava apenas com o short do pijama, coberto por uma manta macia e quentinha.

Assim que viu Sasuke parado ali abre um sorriso em meio a um grande bocejo.

— Você chegou tarde.

— Desculpe, eu esqueci que você estava em casa. Estou tão acostumado a chegar tarde fazendo barulho – foi até ele e ergueu seu rosto para lhe dar um selinho, afagando gentilmente seus cabelos – Eu realmente esqueci.

— Tudo bem, às vezes eu também esqueço que vim morar aqui – riu alto – Faz poucos dias ainda. De manhã confundi minha gaveta e acabei vestindo uma cueca sua! – gargalhou.

Sasuke se sentou no sofá trazendo o corpo pequeno para junto do seu. A pele do rapaz de cabelos loiros estava quente por estar debaixo das cobertas e o calor subiu ao corpo gelado e tenso do Uchiha que fechou os olhos, tentando relaxar. Em seu ataque de furor acabou esquecendo que Naruto estava em seu apartamento, que agora viviam juntos, e por mais que parecesse tolo e sem importância assim que postou os olhos sobre ele sua preocupação diminuiu, os temores desapareceram. Era como se as forças voltassem ao corpo. O fato de não estar sozinho para enfrentar seus problemas mudava tudo, e aquele pequeno loiro magrelo não fazia ideia de como um mero sorriso mudou toda a perspectiva sombria daquele dia.

Naruto sentou entre as pernas abertas do outro e se deixou ser abraçado. Era possível perceber pelo olhar distante que ele não estava nada bem. Achou melhor distraí-lo.

— Sabia que meu primo está na cidade? Ele voltou do exterior esses dias, é filho da tia que abrigou os meus pais na casa dela.

— É mesmo? – Sasuke virou o olhar para ele, prestando atenção e Naruto ficou feliz de conseguir tirá-lo um pouco daquela sombra pesada de tristeza, roubando-lhe a atenção.

— Menma e eu somos muito parecidos, muito mesmo! Há quem diga que parecemos gêmeos!

— Dois de você? É demais até para mim – riu malicioso e recebeu um tapa na cabeça.

— É sério, droga! Ele vai ficar no meu lugar quando minha licença sair, já falei com o RH e vou começar a treiná-lo amanhã.

Sasuke franziu a testa.

— Seu chefe histérico já sabe disso?

— Pior! Ele descobriu que estou grávido e quase enfartou! Ainda bem que pensei rápido e sugeri que meu primo me substituísse.

— Isso é bom, você tem que se cuidar agora, nada de ficar passando nervoso ou pode acabar fazendo mal à Aiko.

— Ao Daisuke! – franziu a testa – Já lhe disse para desistir dessa história de princesinha porque estou esperando um menino! Me-ni-no!

O outro soltou o riso pelo nariz.

— Já encomendei um enxoval, e cor de rosa. Melhor parar de ser teimoso.

— Como assim já encomendou? Eu sou o pai, tenho direito de ver essas coisas! – virou-se de frente, passando as pernas dos lados do corpo do moreno que sorria provocativo – E logo rosa? Pois não ligo do meu filho usar tudo quando eu esfregar o ultrassom na sua cara!

— Você é muito teimoso. Se estou dizendo que será menina é porque minha intuição nunca falha.

— E depois eu que sou teimoso! – girou os olhos – É dentro de mim que ele está crescendo e sou eu quem o sinto, por isso mesmo digo que é um menino!

— Ok, independente disso... – finalizou, apenas para fugir da discussão – Seus pais já arrumaram um lugar para ficar?

O sorriso do raposinho ficou imenso.

— Já sim! Parece que minha mãe convenceu meu pai a passar mais tempo por aqui, isso me deixa muito feliz! Eu realmente queria ficar perto deles agora que estou grávido. Eu não sei nada sobre crianças. E parece que não é muito longe daqui, claro que não ficarão em um apartamento como este, mas parece aconchegante.

— Fico feliz por você. É bom que seus pais estejam por perto, já que são importantes para você – novamente os olhos negros se tornaram opacos. Era inevitável não lembrar.

Naruto percebeu e segurou o rosto branco com ambas as mãos, olhando-o diretamente.

— Você não parece muito bem hoje. Aconteceu alguma coisa?

— Problemas na empresa e com minha família, como de costume.

Naruto enrugou a testa, quase juntando as sobrancelhas.

— Você sempre tem problemas, mas eles nunca te afetam desse jeito. É algo que não posso saber? Ou algo sobre a desmiolada da Karin?

Sasuke o encarou bem antes de suspirar longamente.

Não queria lhe causar nenhum tipo de preocupação, ainda mais no estado delicado em que ele se encontrava. Naruto andava se recuperando bem mesmo depois de todo o trauma causado por Karin, por quase perder o filho. Nada parecia abalar sua confiança ou marcá-lo. Sasuke invejava tamanha força que ele mesmo não possuía. Acontecimentos como esses deixavam marcas profundas nele, feridas abertas que não pareciam cicatrizar, e o único modo que conhecia para apaziguar a dor era a vingança.

Passou distraidamente a mão larga sobre a barriga redonda, percebendo-a maior de uns dias para cá.

—... Ao que parece minha família está fazendo mal ao meu irmão.

— Como assim? Ele não está desacordado?

— Está, mas acho que podem estar drogando Itachi para tornar seu estado de saúde mais crítico do que realmente é.

Os olhos azuis se arregalaram de susto, a curiosidade estampada no rosto, assim como a esperança.

— Eu sabia... O rosto dele me pareceu mais corado da última vez que o vi! Mas espera! Se estão drogando ele então significa que se interrompermos a medicação ele pode acordar!

— Não é tão simples e não crie tantas expectativas. Só o que quero é poupar seu sofrimento. Se isso o fizer viver melhor então basta para mim.

— Mas... Eu não acredito que o manteriam sedado se as chances dele acordar não fossem gigantescas!

Sasuke queria muito acreditar nisso também, mas já estava farto de criar expectativas.

— De todo modo, Suigetsu reuniu meus advogados e estão trabalhando nisso. Eles me dirão se algo acontecer – fez sinal para o outro dar espaço para ele se levantar – Já comeu? Quer pedir alguma coisa?

— Não, eu fiz comida, e deixei um prato para você.

— Já lhe disse que não precisa cozinhar.

— E eu já lhe disse para não me tratar como uma madame! – resmungou, já indo ao seu quarto, mas se virando no meio do caminho – Ah, e se importa se não fizermos amor hoje? Não me leve a mal, mas estou com repulsa de você – disse tão naturalmente quanto possível.

— Oh, muito obrigado – ironizou – É ótimo saber que seu parceiro tem asco de você.

— Não é minha culpa! Você é lindo, eu te amo e adoro quando estamos juntos, mas hoje até o seu cheiro me enoja! É alguma coisa com os hormônios, sei lá. Hoje eu só quero comer doces e ver coisas fofinhas – deu de ombros – Podemos só ir dormir?

Sasuke riu pelo nariz, bagunçando os cabelos loiros.

— Estou tão cansado que era capaz de dormir na metade e você ter de terminar tudo sozinho. Tudo bem por mim, eu preciso mesmo dormir. Tive um dia muito difícil.

Naruto riu em resposta.

— Contanto que continuasse duro eu terminava mesmo com você roncando, se estivesse com muita vontade. E ainda te fazia gozar! – gargalhou, mas levou um safanão.

— Bobo...

—-

Na manhã seguinte o setor inteiro estava alvoroçado, já sabendo da notícia da chegada de um novo funcionário, parente de Naruto. O loiro era tão bonito que atraía muitos olhares e todos estavam sempre curiosos acerca do que acontecia com sua vida.

Não havia uma única pessoa que não olhasse aqueles dois. Pareciam gêmeos idênticos em um comercial de tonificante capilar. Se tivessem o mesmo tom de cabelos seria impossível decifrar quem era quem.

Passando pelo setor de criação as pessoas estavam pasmas. Kiba engasgou com o café e Hinata deixou a pilha de cópias caírem ao chão. Naruto tentou ignorar e seguiu reto até a sala do RH. Lá entrando encontrou Ino diante de um computador.

— Bom dia! – ele a saudou e imediatamente ela desviou o olhar para eles. Parou, petrificada.

— Geeeente! – piscou algumas vezes, levantando-se e o olhando bem de perto – Naruto, tem certeza que ele não é seu irmão separado na maternidade?

— Oi para você também – Menma sorriu, nem ligando para o espanto dela.

— Oi gatinho, gosta de mulheres mais velhas?

— Desculpe, eu sou gay.

— Oh, paciência! Os melhores homens são sempre gays. Depois do Sasuke isso ficou mais do que óbvio!

— Não pode negar que ele continua sendo muito gostoso mesmo sendo gay – piscou e ela foi obrigada a concordar.

— Tem razão. Eu pagaria para ver ele se pegando com o Naruto – suspirou, ficando vermelha.

— Vocês dois querem parar de falar como se eu não estivesse aqui? – Naruto se enfezou e os dois riram, sinal óbvio que se tornariam amigos do peito.

— Ino, deixo ele aos seus cuidados até terminar as apresentações. Menma, venha para minha mesa quando acabar e começaremos o treinamento – tendo dito isso ele segue em seu caminho para a área de criação.

A jovem jogou os cabelos para trás, já se sentindo à vontade com aquele garoto.

— Tem alguém que você precisa conhecer desde já, mas te aviso que ele tem um gênio muito difícil!

— Gaara, não é? Ouvi muito sobre ele.

— Acredite: é ainda pior pessoalmente. Precisa pensar duas vezes em tudo que for dizer.

Menma engoliu em seco.

Pelo modo como falavam o tal Gaara devia ser um cara imenso, forte e assustador. Começava a ficar nervoso em conhecê-lo.

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Em um dos corredores principais Gaara bufava de impaciência e ansiedade.

A pilha de livros que carregava era mais pesada do que parecia. Maldição, nem percebeu isso quando saiu do escritório, tão nervoso estava. Ainda se preocupava com o tal funcionário novo, mudanças sempre representavam problemas e adaptação. Não dispunha de tempo ou dinheiro para isso.

Mas não apenas isso andava tirando sua paz.

Obviamente ninguém tinha culpa alguma pelo término do seu namoro de vários anos com Matsuri, aquela jovem sem juízo que o trocou por outra mulher. Outra mulher! Era uma luta muito injusta, afinal sendo homem ele jamais teria os atributos necessários para tentar reconquistar sua amada.

Mesmo que ninguém tivesse culpa disso, tinha consciência de estar dificultando a vida de todos nos últimos dias. Andava mais irritadiço que o normal e fatalmente descontava sua raiva em quem encontrasse pela frente.

Na realidade estava sofrendo muito, doía bastante, porque Gaara gostava dela de verdade. Nunca se apaixonou de verdade por ninguém, achava até mesmo que coisas tolas como o amor não foram feitas para ele. Um dos motivos que o levaram a tatuar o kanji de amor na própria testa.

Quando conheceu Matsuri essa ideia desapareceu de sua cabeça. Tinha planos com ela, imaginava uma vida ao seu lado. Terminar tudo tão de repente, ainda mais por motivos que obviamente ele não poderia competir ou lutar contra, doía bastante.

E isso apenas o fazia indagar por que uma pessoa teria preferência pelo mesmo sexo? Em toda sua vida ele jamais teve qualquer tipo de afeição por homens. Mas agora, vendo Naruto grávido e radiante, perguntava-se se por acaso sua felicidade não poderia estar escondida em tal tipo de relação.

Tão absorto estava não atentou ao caminho que trilhava, os livros também impediam sua visão. Tropeçou e só então percebeu estar à beira da escada. Desequilibrou-se e procurou algo para segurar, o frio na barriga indicando que logo cairia nas escadas. Cerrou os olhos, assustado.

Mas, antes que pudesse cair uma pessoa segurou sua cintura, puxando-o de volta para trás de uma vez. O movimento fez o bumbum do ruivo esbarrar na virilha de seu salvador. Os livros desceram as escadas ruidosamente, rolando até o andar inferior.

Gaara corou até ficar da cor de seus cabelos e virou o rosto, num misto de raiva e vergonha.

Perdeu a fala por um momento e não soube dizer por quê.

Um rapaz idêntico à Naruto estava parado detrás de si, segurando sua cintura enquanto o mantinha firme contra sua virilha. Olhava-o com preocupação.

— Cuidado aí por onde anda, você quase se suicida nessa escada – sorriu aliviado, mostrando os dentes muito brancos e apertando os olhos como uma raposa.

Gaara sentiu os batimentos cardíacos acelerarem mais do que poderia compreender. Era péssimo para essas coisas! Sentiu-se zonzo e confuso.

O tal rapaz podia até ser parecido com Naruto na aparência, mas o jeito era completamente diferente de seu empregado idiota. Aquele moreno era mais forte, mais viril, não havia nele a sombra de fragilidade que existia em Naruto. Ele parecia seguro de si, até mesmo um tanto convencido. Seus olhos azuis transbordavam malícia e mesmo vestindo camisa social, cujas mangas dobradas revelavam pouco de seus braços, era possível ver os músculos bem definidos. Antes que se desse conta o ruivo havia traçado um olhar seguido por todo o corpo forte mas sem exageros, admirando as formas exatas.

Passaram-se alguns segundos com ambos paralisados na mesma posição, apenas olhando um para o outro, rubros, admirados. De repente o ruivo percebeu o que estava fazendo e se assustou ao perceber que “algo” despontava na virilha do rapaz moreno, de encontro a seu traseiro. Afastou-se dele, muito envergonhado e correu para longe, sem olhar para trás, incrédulo que houvesse feito algo assim.

“Definitivamente este não sou eu!” – pensava à beira de uma crise dos nervos, os olhos marejados enquanto corria feito louco rumo à sua sala, chamando a atenção de todos pelo comportamento usual. Ele sempre foi tão quieto!

Parado no mesmo lugar Menma sorriu maliciosamente enquanto lambia os lábios devagar, como um caçador que aprecia a presa antes do bote.

Aquele emprego valeria à pena!

Foi tirado de seu devaneio pela voz de Naruto que o chamava copiosamente, a fim de apresentá-lo às pessoas de seu novo setor. Seguiram sem se deter até o fim do corredor, sendo observados por várias cabeças que se viravam incrédulas aos dois, achando no mínimo curiosa a semelhança irreal entre eles.

Algum tempo depois chegam diante da sala e Naruto bate algumas vezes. Percebeu-a entreaberta e empurrou de leve.

— Senhor Sabaaku, este é Menma Uzumaki, o primo de quem lhe falei – sorria ao entrar e indicar o primo. Em sua mesa, Gaara estava apoiado tentando recobrar a tranquilidade e assumir uma pose respeitável, mas tudo foi pros ares quando postou os olhos em quem entrava em sua sala.

Sentiu o sangue todo subir para seu rosto e corou furiosamente, sem saber o que dizer. O rapaz moreno por sua vez parecia tão surpreso quanto, não imaginava que ele fosse o tal Gaara, a pessoa assustadora e intimidadora de quem todos falavam tão mal. Ao seu parecer, enquanto estava em seus braços, o tal ruivo parecia completamente vulnerável, inexperiente em relacionamentos e obviamente virgem em se tratando de estar com outro cara! Sorriu amplamente, surpreso pela revelação.

—... Então finalmente eu o conheço, senhor Sabaaku – o sorriso apenas aumentando. Estendeu a mão no ar para um cumprimento. Gaara sentiu-se acuado, pressionado contra a parede, mas não poderia ser grosseiro, de maneira que apertou a mão brevemente entre a sua.

—... O... O prazer é todo meu, senhor Uzumaki...

— Espero que possamos nos dar muito bem – dizia simpático, mas Gaara podia perceber a sombra de malícia que passava por aqueles lindos olhos azuis, o sorriso quase despudorado estampado nos lábios carnudos e avermelhados... Sua respiração ficou pesada, mais do que poderia suportar.

—... E... Eu também. Com licença! – soltou-lhe rapidamente a mão e deu as costas, sem ouvir o que Naruto tinha dizer, seguindo reto em direção à saída.

— Ué, o que deu nele? – Naruto fez bico, sem entender nada.

— Deixe-o, Naru. Talvez ele só esteja tenso demais – riu, divertindo-se.

Conquistaria aquele ruivinho a qualquer custo. O faria se contorcer em seus braços e gemer até a exaustão!

—-

Voltavam para casa ao som irritante do trepidar do motor do carro de Menma, que não era lá muito novo, mas ao menos andava bem. Naruto decidiu voltar para casa com ele para dar alguma folga à Sasuke, podia perceber que era cansativo para ele levar e buscá-lo todos os dias além de sua jornada estressante de trabalho.

Claro que ao comparar o veículo silencioso de Sasuke com aquela batedeira ambulante era difícil, mas era melhor do que caminhar.

— Você até que pegou o jeito bem rápido, Menma. Fico mais tranquilo sabendo que estará ao lado do senhor Sabaaku enquanto eu não puder trabalhar.

Menma no entanto parecia aéreo, imerso nos próprios pensamentos enquanto dirigia.

— O que você tem? Está avoado desde hoje de manhã!

-... Acho que... Estou apaixonado! – suspirava, as faces ardendo de vermelhidão.

Naruto arqueou uma sobrancelha.

— Como é que é? Só está na cidade há dois dias, Menma!

— Isso não importa, não existe tempo certo para o amor! Você nunca se apaixonou à primeira vista?

— Bom... Acho que... Foi assim quando vi o Sasuke pela primeira vez. Sabia que algo me atraía para ele.

— Exatamente!!! Eu encontrei o homem mais lindo, mais delicado, gentil e fofo do universo inteiro!

— É mesmo? – riu, divertindo-se com a paixão súbita do primo – Eu gostaria de conhecê-lo então – retirou do bolso lateral da mochila uma garrafa plástica com água, bebendo calmamente.

— Ah, mas você já o conhece! É o ruivinho chefe do departamento, o tal de Gaara.

Naruto engasgou e cuspiu imediatamente, o outro batendo em suas costas.

— Tudo bem aí?

— É LÓGICO QUE NÃO ESTÁ NADA BEM, SEU IMBECIL! VOCÊ ESTÁ APAIXONADO PELO MEU CHEFE? SERÁ QUE PERDEU O JUÍZO, MENMA???

— Pare de ter um ataque e não se preocupe, cuidarei muito bem dele, posso até ajudá-lo a se livrar de tanto estresse. Ele está precisando ser tomado de jeito – sorriu, safado.

— Isso não pode estar acontecendo! Se você se declarar para ele estará na rua e eu serei despedido também!

— Relaxe priminho, nunca faria nada para te prejudicar.

Naruto praguejou internamente até chegar diante do condomínio e se despedir do primo, caminhando a passadas duras até a recepção, tão irritado que ignorou o jovem entregador que conversava com o síndico do prédio. O homem apontou para ele e imediatamente o entregador correu antes que entrasse no elevador. Segurou seu braço levemente, mas foi o bastante para assustar Naruto que se virou de uma vez.

Andava mais cuidadoso desde o ataque que sofreu. O homem desculpou-se imediatamente.

— Oh desculpe, você é o senhor Naruto Uzumaki?

— Sim, por quê?

— Entrega para você! – o rapaz estendeu uma caixa de papelão branca enorme. Ao ler o remetente reconheceu a caligrafia impecável de Sasuke, de maneira que assinou o recibo e subiu o elevador segurando desajeitado a caixa imensa. Era muito leve e não fazia barulho.

A curiosidade era tamanha que saltou do elevador ao chegar ao andar certo e apressou-se para dentro do apartamento, fechando a porta rapidamente e destruindo a embalagem com violência.

A princípio ficou surpreso, mas logo se pegou sorrindo tolamente, suspirando de felicidade.

Havia um imenso buquê de rosas muito vermelhas dentro da caixa, cuidadosamente acomodado entre sacos plásticos cheios de ar para que não amassasse. Retirou as rosas com cuidado para não destruí-las, algumas pétalas bailando pelo ar e espalhando-se pelo chão, o celofane repleto de coraçõezinhos e um imenso laço de fita vermelha prendia tudo.

Sentiu as faces quentes e riu de vergonha e prazer, levando o buquê ao rosto e aspirando profundamente o perfume delicado, as gotas de água molhando seu nariz. Encheu o peito com aquele maravilhoso perfume.

Era engraçado receber flores, sempre viu isso como algo exclusivamente feminino. Ele mesmo já havia presenteado várias garotas com diversos tipos de flores, mas nunca se imaginou recebendo-as. Era um presente singelo, mas muito bonito.

E recebê-las como prova de amor de alguém que significava tanto em sua vida era maravilhoso.

Havia um pequeno envelope vermelho em meios às pétalas aveludadas. Naruto abriu-o delicadamente e logo reconheceu a caligrafia do namorado.

“Há um terno novo sobre a cama. Tome um banho e o vista. Um táxi passará para te pegar em uma hora. Vamos sair para jantar”

Sorriu empolgado, correndo para o quarto e encontrando sobre a cama, ainda na embalagem da loja, um terno escuro novo e de tecido de excelente qualidade.

Tomou um belo banho e penteou os cabelos para trás. O terno era em formato slim, deixando-o mais acinturado e mais alto. Olhou-se no espelho e gostou do que viu, andava se achando mais bonito nos últimos dias. A camisa estava um pouco apertada na frente por causa de sua barriga que crescia a cada dia, mas ele sequer se importou, sem falar que a gravata azul marinho disfarçava.

Em exatamente uma hora o interfone soou e ele pressionou o botão, a imagem da recepção surgindo na tela do aparelho. O síndico do prédio lhe sorriu.

— Senhor, o chofer veio buscá-lo.

— Já vou descer – desligou a tela e saiu saltitando, enfiando a carteira e o celular no bolso e dando uma última cheirada nas flores que recebeu, o peito inflado de alegria. Desceu pelo elevador, o perfume suave chamando atenção de quem saía do prédio. Naruto não tinha plena consciência da própria beleza e do quanto era desejado por outras pessoas.

Chegando ao térreo o chofer o aguardava e educadamente fez sinal para que o seguisse e ele assim o fez. A porta foi aberta para que entrasse em um carro de alto padrão, cheirando a novo. Uma TV ligada exibia um show de sua banda favorita e havia um frigobar com latas de bebidas, todas sem álcool para lhe servir, além de alguns tira gostos.

“Ele vai me deixar mal acostumado” – pensou, se divertindo.

Cerca de meia hora depois o carro entrou no estacionamento de um restaurante belíssimo! O queixo do rapaz quase caiu ao chão.

A fachada era fabulosa! Um local elegante e de renome, paredes de vidro dando a nítida visão da recepção. A luz era baixa, em lustres reluzentes. Vasos de cerâmica importada e belas flores compunham o visual. O nome em tipografia clara e sem serifa estava estampado em bom tamanho. Era de tirar o fôlego.

A porta novamente lhe foi aberta pelo chofer. Naruto ajeitou a gravata e passou a mão pelos cabelos antes de sair. Começou a ficar nervoso, aquele lugar era finíssimo! Nunca em sua vida pisaria em um lugar como aquele!

Uma jovem trajando o uniforme da casa lhe sorriu.

— Seu acompanhante o espera na entrada principal, senhor Uzumaki.

Ele assentiu, nervoso demais para responder e seguiu seu caminho, caminhando devagar para não tropeçar. As pessoas que transitavam tinham ótima aparência e sentiu-se grato ao perceber os olhares de inveja dos homens acerca de seu traje. Sasuke lhe comprou um terno caríssimo! As mulheres trajavam vestidos elegantes e jóias cujo brilho jamais vira em qualquer bijuteria, seus rostos estavam repletos de maquiagem. Logo encontrou a entrada principal e não foi preciso procurar muito.

Sasuke estava sentado, olhando o celular, maravilhoso no terno escuro, os cabelos alinhados para trás. Ergueu o rosto e seus olhos se encontraram. Ele ficou sem fala um instante, vendo o outro se aproximar. Levantou-se e tomou-lhe a mão direita, beijando as costas dela.

—... Não faça isso em público! – sussurrou.

—... Você está lindo – dizia extasiado, percorrendo os olhos naquele loiro maravilhoso.

Naruto corou, não podendo evitar a felicidade estampada em seu rosto. Adorava saber que ele o achava bonito, amava ser alvo de seu olhar.

Um funcionário veio até eles.

— Boa noite senhores. Desejam descer ao bar primeiro?

— Tenho reservas – Sasuke disse polidamente e na mesma hora o homem entendeu.

— Me acompanhem, por favor.

Subiram as escadas. Naruto sentia-se zonzo e envergonhado. Parecia que tudo que fazia era monitorado. Podia ouvir ao longe o som de piano. Uma melodia suave e romântica. Nas várias mesas as pessoas permaneciam sentadas com posturas impecáveis, seus rostos mal se movendo, as boas maneiras perfeitas.

Seguiram para os fundos e Naruto fechou a boca para não exclamar.

Era uma sala reservada com apenas uma mesa, coberta por uma toalha de seda pura. Um castiçal acomodava algumas velas que contrastavam com a luz baixa trazida pelo grande lustre que despendia do teto. Pelo chão pétalas de inusitadas flores alaranjadas, a cor favorita de Naruto. As paredes eram claras e o teto ricamente decorado. Das janelas enormes de vidro era possível ver a cidade, as luzes noturnas ofuscantes. O som de música chegava até eles, calmo e reconfortante.

Naruto soltou o ar preso, sentindo-se mergulhar em um conto de fadas.

— Por favor, fiquem à vontade – o funcionário fez uma vênia e se retirou.

Sasuke tirou-lhe a cadeira e Naruto sorriu, tomando assento na cadeira larga e confortável. O Uchiha sentou-se diante dele, seus olhos postos um no outro, iluminados pela luz fraca das velas.

O coração de Naruto disparou. Esticou a mão sobre o tecido, entre os pratos, pedindo a mão do rapaz que atendeu imediatamente, entrelaçando-a na sua, enroscando os dedos.

Queria dizer algo, mas nem sabia o quê. Tudo era... Tão perfeito, tão mágico, tão especial. Sentiu-se a pessoa mais amada do universo inteiro!

O polegar do moreno girava vagarosamente em sua palma e ele lhe sorria de lado.

—... Sasuke, esse lugar é incrível...

— Achei que gostaria. Sei que não se sente bem em público, então pedi uma mesa reservada, apenas para nós dois.

— Obrigado, mas... Eu não sei como me comportar em um lugar desses!

— Relaxe, ninguém está te olhando. Pode agir como quiser.

O garçom veio até eles trazendo as entradas que consistiam em salada leve de tomates (claro!), com mussarela de búfala, manjericão, folhas de rúcula e especiarias.

O sabor era suave e refrescante, mesmo para alguém como Naruto, que relutava comer vegetais.

— Não pensei que diria isso, mas é bom – murmurou, uma das bochechas cheia.

— Pedi justamente por ser leve, para rapazes grávidos como você – piscou.

O outro sorriu, envergonhado, baixando o rosto corado.

— Obrigado... – comia quase sem se mover, apreciando aquele lugar e o homem lindo diante de si. Ainda perguntava-se como tivera tanta sorte.

Ao terminar, seu prato foi retirado e pouco tempo depois um cardápio foi posto diante dele, deixando-o nervoso. A maioria dos nomes estava escrito em línguas estrangeiras que não tinha certeza se saberia pronunciar.

E se sua tradução pobre o fizesse pedir algo como um crustáceo ainda vivo?

Ergueu os olhos temerosos, quase tendo um ataque para Sasuke que imediatamente fechou o cardápio e fez sinal ao garçom, fazendo os pedidos para ambos, educadamente. Em seguida os cardápios foram retirados e ambos foram deixados sozinhos.

Naruto piscou, aliviado.

— Desculpe, eu não sou bom nessas coisas.

Ouviu uma risada de leve.

— Não precisa ficar nervoso, você merece comer em um lugar de alta gastronomia. Poderia ter indicado para mim o que queria comer e eu pediria.

— Eu não quero que passe vergonha por minha causa.

Ouviu novamente a risada dele.

— Nunca me faria passar vergonha. Já olhou a si mesmo hoje? Está fabuloso, roubou os olhares e atenções de todos nesse lugar, até mesmo do chef que virou o rosto ao te ver subir as escadas – riu de triunfo enquanto sorvia um gole de água.

Isso fez o coração de Naruto acelerar ainda mais. Estava feliz de verdade, estar com Sasuke era a melhor coisa que já havia acontecido em sua vida.

Algum tempo depois um prato branco foi posto diante de si. Sobre ele havia um pedaço de carne de ave assada ao ponto, acompanhada de um creme claro e batatas assadas. O cheiro era sublime! As especiarias utilizadas trouxeram um aroma que nunca sentiu e mesmo que lhe aguçasse os sentidos não seria capaz de adivinhar o que seriam.

Olhou de relance o prato posto de Sasuke. Parecia salmão rodeado de legumes cozidos ao vapor e claro, tomates! Esperou o garçom se retirar e olhou atentamente qual dos talheres ele usaria para começar a comer, imitando-o.

— O que é isso no meu prato? – apontou a carne com a faca.

— Faisão. Vai gostar do sabor.

Ele assentiu, curioso, passando a comer. O sabor aguçou seu paladar, ela delicioso. Comia devagar, aproveitando tudo. Desfrutavam de uma conversa agradável e despreocupada, falando sobre coisas triviais.

— E como foi no trabalho, com seu primo-gêmeo? – debochou. Quando viu o tal Menma em uma fotografia ficou alguns segundos sem reação. Eles eram parecidíssimos! Mas o temperamento era obviamente inverso.

— Nem me fale dele!

— Já complicou tudo logo no primeiro dia?

— Nem faz ideia do que ele fez! Aquela besta cismou que se apaixonou à primeira vista pelo meu chefe!

— E?

— Dei ótimas referências sobre ele! Gaara é muito fechado, com certeza vai se irritar com isso! E eu, como ficarei por ter levado o Menma para lá?

— Você não tem responsabilidade pela vida pessoal de ninguém, Naruto. A menos que ele falte ao respeito com seu chefe ou seja relapso com o trabalho, duvido que o que seu primo fizer possa afetar você.

Encarou-o, um tanto surpreso. Sasuke era sempre muito calmo e prático. Parecia saber com exatidão o que dizer para tranquilizá-lo.

— Tem razão, obrigado. Ao menos ele é dedicado e confio muito nele. Ficarei despreocupado quando tirar licença. Quero me dedicar ao meu bebê – abraçou a própria barriga, sorrindo abertamente – Ele está crescendo rápido, minhas camisas estão ficando apertadas.

— Dizem que gravidez de menina é assim mesmo. A barriga cresce bastante – ergueu uma sobrancelha, provocativo.

Naruto fez bico.

— Pois saiba que barriga pontuda para frente é sinal de gravidez de menino!!!

— Mas sua barriga é redondinha, eu já reparei milhares de vezes – limpou a boca no guardanapo de pano, terminando sua refeição.

Naruto corou.

— Não é não! Ela é pontudinha olha, perto do umbigo! – apontou com o dedo – Eu estou esperando um menino! Sei que é um menino!

— Pense nas vantagens de ter uma menina. Ela se torna muito apegada. Você é um rapaz tão feminino, Naruto. Seria um excelente pai de menina.

— Pode até ser, mas pense nas vantagens de ter um garoto! Pode ensiná-lo a jogar, pescar, andar de bicicleta! Um menino me faria companhia!

— Uma menina também, e seria delicada e te faria entrar em todas aquelas lojas de pelúcias que você tanto gosta.

— Não e não! Menino e ponto! Já até pensei em como reformar aquele quarto vazio para o Daisuke.

— Aiko, você e eu sabemos que o seu pai está errado não é? – virou o rosto como se falasse com o ventre dele – Papai está ansioso para te ver!

— Pare de falar assim com ele! Você nem tem certeza de nada! — cruzou os braços e inflou as bochechas.

— Vamos, não fique nervoso por causa disso. Eu estou apenas te provocando.

— Não desculpo nada! Estou bravo de verdade!

— Nada do que eu fizer o fará mudar de ideia?

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— Definitivamente não!

— Nem mesmo isso? – enfiou a mão no bolso do paletó, retirando com cuidado uma caixinha vermelha. Naruto arregalou os olhos imediatamente.

—-... O que é isso?

— O que me pediu – riu malicioso.

Ficou sem ar e sem palavras diante da caixinha de joalheria, o coração batendo alarmado contra as costelas.

— Sasuke, isso...

— Nem venha me dizer que não quer – abriu a caixinha revelando duas alianças idênticas, prateadas. Na aliança de Naruto havia um pequeno diamante. Normalmente as alianças de homens não continham pedras, mas sabia que ele gostava daquelas coisas e não se importou.

Delicadamente retirou a aliança da caixinha e pediu a mão direita de Naruto entre a sua.

— É só por enquanto, até que decida trocar por algo mais formal – riu maroto, beijando-lhe a mão e colocando no dedo anelar a aliança prateada – Quando a trocar estarei te pedindo em casamento, mas vamos fazer as coisas com calma.

— Sasuke... – seus lábios tremiam de vontade imediata de chorar. Nunca imaginou que Sasuke pudesse ser tão atencioso, tão romântico, tão fofo...

O Uchiha estendeu a caixinha para ele. Naruto respirou bem fundo e tirou a outra aliança, tomando a mão larga e bonita dele, colocando delicadamente a aliança de compromisso em seu dedo anelar, beijando-a em seguida.

Um sentimento estranho tomou conta dele. Lembrou-se daquele mesmo ato, mas quando estava no altar da igreja, prestes a cometer o maior erro de sua vida se casando com Sakura.

A sensação agora era totalmente diferente. Aquele pequeno pedaço de prata significava mais do que poderia explicar. Era tão valioso, tão significativo que enchia seu peito de um sentimento quente e agradável. Demorou-se admirando o anel em seu dedo. O pequeno diamante reluzia e brilhava ao menor movimento, parecendo ser feito de milhares de pontinhos luminosos.

—... Eu... Nem sei o que dizer.

Sentiu sua gravata ser puxada enquanto Sasuke levantava de sua cadeira e apoiava-se na mesa, selando os lábios aos dele. Um beijo profundo e vagaroso. Naruto não lutou contra, ao contrário, se deixou saborear os lábios macios com gosto de vinho tinto, a língua aveludada. Amava o sabor de Sasuke, o modo como a respiração pesada dele batia em seu rosto quando o beijava, a maneira como sua língua se enroscava com perfeição à sua. Por mera curiosidade entreabriu um pouco os olhos, percebendo as pálpebras fechadas dele, os longos cílios sombreando a pele. A cada vez que o beijava mais seu coração enchia de convicção do quanto o amava.

Quando se soltaram encaram-se intensamente, o cheiro gostoso das rosas subindo pelo ar. Respiravam depressa, o fôlego roubado pelo beijo intenso.

Naruto sentiu-se embriagado, não por álcool, mas pelo olhar do outro que por sua vez não conseguia desviar, não quando ele o olhava com tanta carência, com tanta urgência.

— Eu te amo tanto, Sasuke...

— Não tanto quanto te amo, Naruto – beijou-o novamente, quase se esquecendo de que ainda estavam no restaurante, passando as mãos pelos cabelos dourados. Poderia varrer os pratos para longe e amá-lo ali mesmo, mas alguns passos denunciaram que a sobremesa pedida estava chegando. Rapidamente o solta e torna a se sentar, cruzando a perna para disfarçar a ereção em suas calças. Naruto respirava depressa, tentando se acalmar, as faces avermelhadas.

A vontade de provar o doce havia sumido e ambos lançaram um olhar cúmplice. Queriam um ao outro e queriam agora! Apressaram sua saída o quanto podiam.

—-

Sequer teve tempo de tirar os sapatos e foi empurrado para dentro do apartamento escuro, recebido por um beijo faminto e urgente. Teve seu corpo empurrado devagar pela sala. Tateou o ar à procura de algo para se apoiar, uma vez que Sasuke não o soltava, as mãos hábeis percorrendo seu corpo, causando-lhe arrepios imensos.

— Esper... – tentou impedi-lo por um instante, mas Sasuke não parecia disposto a parar, já lançando para longe o paletó, desatando o nó da gravata enquanto o beijava. Naruto não conseguiu protestar quando suas roupas começaram a ser arrancadas, em meio a um beijo que era interrompido vez ou outra para ajudar a retirar alguma peça extra. Sentiu seu corpo esbarrar em algo e percebeu ser o assento do sofá. Deu graças por isso e se apoiou, mas o movimento intenso o derrubou sobre o sofá. Caiu assustado em meio às almofadas macias que amorteceram sua queda. Seu cotovelo sem querer pressionou o controle da TV que ligou apenas na tela preta, o que ajudava a mostrar um pouco do interior da sala.

Entreolharam-se ofegantes, suados, despenteados. A camisa de Sasuke tinha os botões abertos e Naruto desceu os olhos com deleite para o abdômen liso e branco subindo e descendo depressa com a respiração. Alguns fios negros, outrora penteados para trás, desciam pela face dando-lhe um aspecto mais agressivo. Naruto por sua vez estava quase completamente nu, apenas de cueca azul marinho, as meias sociais negras erguidas nas pernas. Os cabelos estavam bagunçados, a face completamente vermelha, os lindos orbes azuis repletos de desejo... Era um convite silencioso, aquela fragilidade inocente, mas ao mesmo tempo provocante, os lábios rosados entreabertos por onde escapava uma respiração ruidosa... Sasuke não pôde evitar tomar-lhe os lábios novamente, deslizando a língua pela boca macia enquanto retirava habilmente o próprio cinto, lançando-o para longe e abrindo o zíper da calça, baixando-a devagar junto da roupa de baixo.

O farfalhar do tecido fez Naruto estremecer, ainda beijando-o. Suas mãos pequenas tateavam o peito largo, testando a maciez, descendo pelas ondulações do abdômen em direção ao baixo ventre, contornando a virilha lisa. Sasuke passou a respirar mais depressa conforme ele dedilhou um caminho entre o nervo da ereção, apertando-o, subindo pelos testículos, brincando com eles entre suas mãos. Subiu então a mão para encontrar o membro já ereto, apontando para o alto. Apertou-o, percebendo-o já molhado. Passou a deslizar os dedos devagar, empurrando a pele em torno da carne dura para cima, em seguida empurrando para baixo, em movimentos ritmados, sem pressa. Sasuke soltou seus lábios porque não conseguia mais respirar direito e deitou a testa em seus ombros, respirando forte, tomado pela sensação que aquele movimento provocava.

Naruto sentia a cabeça dele movendo-se sem controle em seu ombro, os cabelos lisos deslizando em seu pescoço. Estremeceu quando ele passou a beijar a curva entre seu ombro e pescoço, beijos molhados, chupando a pele. Arrepiou-se a ponto de estremecer novamente. Era uma mescla de prazer e agonia. A mão de Sasuke passou pelo seu ventre arredondado, carinhosamente, para descer até o membro duro, apontado para frente. Começou a dedilhar desde a base, girando-o, empurrando, para então deslizar os dedos fechados em torno dele para cima, chegando até a cabeça. A mão forte o masturbava habilmente, brincando com a curva entre a glande, apertando-a na ponta. Naruto se contorceu e deixou escapar um gemido fino, era muito sensível naquele ponto, mas não parou de manusear a ereção dele.

A outra mão do Uchiha deslizou entre as nádegas macias, a ponta dos dedos indo e vindo no meio delas, vez ou outra esbarrando na entradinha já molhada, girando ao redor, masturbando-o sem cessar. Naruto respirava depressa, quase sem forças. Quando sentiu novamente o dedo atrevido passar por sua entrada esta pulsa de excitação e ele tremeu, fitando seu amado com urgência, exigindo ser tomado imediatamente. Sasuke sentiu a excitação correr pelo corpo inteiro, e em resposta seu membro latejou, duro como pedra nas mãos do loiro. Masturbavam-se ao mesmo tempo, os olhos fixos um no outro, as expressões de prazer absoluto estampadas neles.

Abraçaram-se e suas ereções se juntaram, fazendo-os gemer juntos, esfregando-se de modo que elas esbarrassem uma contra a outra, como um duelo de espadas. Beijavam-se com fervor, passeando com as mãos por tantos lugares quanto possível. Naruto encheu as mãos quando apertou o traseiro dele com força, conseguindo de bom grado um gemido sôfrego entre o beijo. Sabia que ele gostava. Sasuke sorriu em meio ao beijo e alcançou as duas ereções segurando ambas com sua mão, masturbando-as juntas num ritmo intenso. Naruto se abandonou em gemidos.

— Esper...– não conseguia formular as frases direito, sua cabeça negando-se a funcionar diante do prazer arrebatador – Assim eu... Eu vou...

Sasuke não ligou, manuseando os dois com maior vigor, beijando seu pescoço, chupando o pomo de Adão que subia e descia, seguindo até a orelha, mordiscando-a. Naruto contraiu os músculos para em seguida relaxar por completo ao passo que gozava nas mãos dele com força, sujando sua virilha, a vista turva, os olhos cerrados, a boca aberta em um grito mudo. Tão logo a última gota saiu ele se segurou nos ombros fortes, tentando se recuperar, respirando muito depressa.

—... Eu disse... Para esperar... – dizia entrecortado.

Sasuke riu, repleto de malícia, lambendo os dedos devagar, provando o sabor do outro.

—... Não parece ser problema. Você ainda está bem duro – passou a mão suja de sêmen pela ereção ainda pulsante do outro. Ela não havia desaparecido, tampouco perdido o vigor.

Deitou-se no sofá e colocou um dos braços detrás da cabeça.

— Vira de costas para mim – quase ordenou, um sorriso safado no rosto.

— Como é? – ficou confuso, mas antes que tentasse compreender o outro forçou sua cintura e o virou, de modo que ficasse de quatro sobre seu corpo, mas com a cabeça apontada para seu membro.

Naruto corou de pura vergonha. Mesmo estando com ele há algum tempo ainda tinha coisas que eram muito vergonhosas de fazer! Apoiou as mãos nas coxas fortes, sem parar de fitar o membro ereto tão próximo de seu rosto. Entendeu imediatamente o que ele queria que fizesse e baixou a cabeça, deitando a testa no ventre dele, encarando-o de cabeça para baixo, meio temeroso.

Sasuke recebeu o olhar com um sorriso de lado, erguendo os olhos onde era possível ver todos os detalhes daquele corpo maravilhoso. Lambeu a extensão inteira do membro dele, vendo com prazer o buraquinho se contrair de antecipação. Segurou a base e trouxe um pouco para trás, erguendo a cabeça para alcançá-lo.

O corpo inteiro de Naruto arqueou quando se sentiu engolido pela boca quente, úmida e deliciosa, deslizando até o fundo da garganta do Uchiha. Até respirar era difícil tamanho o torpor que o atingiu. Era engolido por inteiro com vigor, os lábios apertados ao redor da carne, a língua deslizando por cada canto, fazendo-o rebolar sobre o rosto do outro, perdido em um prazer surreal, a excitação voltando com força enquanto era chupado. Se continuasse naquele ritmo era capaz de gozar de novo rapidamente!

Embora zonzo de tanto prazer apoiou-se bem, de maneira a continuar com o bumbum empinado para permitir que o Uchiha fizesse nele o que bem entendesse. Deitou o peito em seu corpo, o membro duro colado em seu rosto. Aspirou o cheiro forte e másculo e com uma das mãos inclinou-o para o lado, passando a língua em riste desde os testículos até a ponta, deixando-o bem molhado. Sasuke gemeu longamente, com a boca ocupada. Um espasmo de prazer arqueou seu corpo e Naruto riu de triunfo, afundando os lábios, roçando, chupando sua extensão, provocando-o, para só então abrir bem a boca e deslizar devagar aquela para o fundo de sua garganta. O volume incômodo o fez tossir quando começou a entrar mais fundo. Ele respirou profundamente e tentou relaxar, permitindo que o membro grande invadisse sua garganta cada vez mais fundo, chupando-o devagar, as gotículas já surgindo e molhando sua boca. Em pouco tempo conseguiu um ritmo intenso, provocando-o com um ruído molhado ao passo que o chupava sem parar, os dedos passeando pela virilha.

Passaram a lamber, provocar, chupar um ao outro praticamente no mesmo ritmo. Conforme sentiam que o outro reagia.

Era uma vantagem serem ambos homens, sabiam com perfeição e exatidão onde tocar, de que modo, com qual intensidade... Naruto arfava, sem parar de sugar, completamente excitado ao ser chupado também, inebriado com o cheiro forte que desprendia do corpo de Sasuke. Este por sua vez cerrou os olhos e afastou Naruto depressa de si.

Mais um segundo e não suportaria, precisava entrar nele, sentia tantas saudades.

Naruto entendeu de pronto, deitando-se de costas sobre uma almofada para ficar mais alto, abrindo as pernas, respirando depressa, vermelho, suado, lindo...

Sasuke posicionou-se entre suas pernas, segurando o próprio membro e colocou a cabeça de encontro à entradinha, só então subindo o olhar para o ventre arredondado.

Sentiu-se estranho, de certa forma culpado, afinal estava fazendo aquele tipo de coisa com ele estando grávido...

—... Depressa... – Naruto pedia já em seu limite, mordendo as costas das mãos, quase desesperado.

Sasuke tentou relaxar e esquecer isso, forçando a cabeça devagar. Iirrompia a resistência e se forçava para dentro, abrindo o buraquinho apertado, buscando espaço para e ereção larga se enfiar aos poucos. Naruto gemeu longamente de deleite até suas costas saírem do travesseiro. Adorava a sensação de ser invadido por ele. Pouco a pouco sentia os anéis relaxarem em torno da ereção pulsante, permitindo que mais e mais ele entrasse, provocando um arrepio longo de prazer.

Entrou por completo até bater sua virilha, respirando muito depressa pelo esforço que fazia ao se controlar. O suor pingava do queixo, a vista embaçada.

Devagar, não poderia sucumbir ao desejo e machucá-lo.

Começou então a penetrá-lo devagar, saindo um pouco e tornando a entrar sem força, deslizando com o máximo de cuidado para dentro do loiro. Iniciou um entra e sai compassado, se esforçando ao máximo para não aumentar o ritmo, mesmo quase cedendo ante ao desejo.

Naruto resmungou em protesto.

—... Mais rápido...

Sasuke apoiou os braços um de cada lado do loiro, tendo a certeza de não comprimir sua barriga com os movimentos, aumentando um pouco só o ritmo da penetração. Estava à beira de jogar sua sanidade fora, tão tomado estava de vontade de arremeter todo para dentro, estocá-lo intensamente até sentir a cabeça do pênis esbarrar nas paredes dele...

Mas se conteve, mordendo o lábio inferior, os olhos fechados e a testa franzida. Mal respirava tamanho era o esforço.

Naruto ficou possesso com isso. Empurrou-o sobre o sofá, ele caiu deitado sem entender coisa alguma.

Mas não pôde continuar quando Naruto subiu graciosamente em seu colo, procurando com a mão o membro que de tão ereto pulsava dolorosamente e levando-o de encontro a sua entradinha já preparada. Desceu os quadris em um movimento único, se permitindo ser penetrado até o fundo, abrindo os lábios enquanto soltava um longo gemido de prazer e alívio, rebolando sobre o colo do Uchiha para senti-lo por completo dentro dele. Apoiou as mãos no peito largo, exibindo uma expressão indecente, sorrindo e lambendo os lábios enquanto começava a cavalgar sobre seu colo, impondo o ritmo que tanto gostava. Forte, rápido, intenso, alucinado. Sasuke ainda tentou manter alguma sanidade, mas tudo foi para o espaço quando o outro apoiou em suas coxas, jogando o corpo para trás, a cintura fina rebolando graciosamente, a voz escapando com um gemido delicioso, a penetração mais profunda.

Só o que conseguiu foi segurar as coxas dele, movendo os quadris para ajudar com a penetração, atingindo um ponto tão profundo que ambos gritaram em uníssono!

Sasuke sentia-se completamente dominado, seus olhos giraram para trás e ele virava a cabeça para os dois lados, gemendo sem parar com a sensação intensa de ter seu membro completamente engolido pelo loiro, naquele ritmo frenético.

—... N...Naruto... Devagar... Ou eu vou...

—... Não me importa... Eu quero também! – tomou uma das mãos dele colocando-a sobre sua ereção, implorando com os olhos. Imediatamente Sasuke começa a bombeá-lo bem depressa, provocando um barulho molhado, apertando bem a mão em volta, puxando-o para cima e em direção aos testículos que batiam na barriga do moreno, deixando-o louco.

Sasuke percebeu que ele estava quase lá e segurou bem seus quadris, estapeando seu bumbum conforme o estocava bem forte, forçando tudo para dentro.

Naruto não suportou a explosão de prazer de ser empalado por inteiro por aquela tora quente deliciosa, ao mesmo tempo em que era manipulado. Tudo ficou turvo e seus olhos giraram. Apertou os dedos nas ancas de Sasuke, exibindo uma expressão sofrida, para então abrir a boca e soltar um grito longo de alívio, irrompendo de êxtase e expelindo com força vários e seguidos disparos de sêmen quente sobre o corpo do outro. Foi chacoalhado várias vezes pela sensação incrível. Sasuke apertou bem a cabecinha rosada para sair até a última gota restante, olhando com deleite seu próprio peito e parte do pescoço esporrados. Assistia tudo inebriado, era indescritível ver Naruto atingir o orgasmo. Ele conseguia se manter entre a sensualidade extrema sem deixar de ser gracioso. Era adorável! Não suportou mais, ergueu os quadris até tirá-los do sofá e gozou forte dentro dele, disparando imensos jatos que subiam pelo canal de Naruto. Este estremeceu de deleite ao sentir o líquido quente e espesso o invadindo. Sasuke gemeu várias vezes sem parar de penetrá-lo bem naquele ponto fundo, possuído de prazer, o calor da cavidade abraçando sua ereção que não parava de jorrar conforme seu corpo tremia de prazer e satisfação.

Desabou o corpo de volta no sofá, respirando depressa. Naruto caiu deitado sobre ele, a cabeça pendendo em seu ombro, ambos ainda ligados, respirando depressa.

Foram precisos longos minutos até que pudessem respirar mais devagar e se recuperar. Naruto sentia ele murchar dentro de si e ergueu um pouco os quadris para ajudar a deslizá-lo para fora, o movimento fazendo um pouco do sêmen quente sair de sua entrada e melar as coxas grossas dele.

Passou as mãos pelo rosto livrando-se do suor, os fios dourados grudavam na testa. Tentava tornar a respirar normalmente. Estava exausto, afinal era a segunda vez seguida!

Ergueu a cabeça e encontrou o rosto rubro do Uchiha, estava tão lindo. Este o puxou para um beijo sem pressa, exausto. Estalavam os lábios, amorosamente. Quando se afastaram não puderam evitar rir em cumplicidade.

—... Você anda mais pervertido que de costume – alinhava os fios dourados bagunçados e Naruto percebeu com prazer a aliança brilhar em seu dedo. Sentiu o coração quente por causa disso e sorriu, arreganhando os dentes como uma raposa.

— Culpa dos hormônios! – brincou – Na verdade culpa sua!

— Minha? E posso saber por quê? – abriu as pernas para deixá-lo deitar melhor sobre seu peito.

— É você quem me provoca! — escorregou o peito liso e a barriga arredondada pelo corpo do namorado até ficar diante dele, apoiando a cabeça nas mãos que descansavam sobre o peito largo, mirando-o carinhosamente.

Sasuke tentou afastá-lo.

— Não deite de bruços em mim, pode esmagar sua barriga!

— Isso outra vez? – fez bico, contrariado – Eu já lhe disse que não estou doente Sasuke, só estou grávido. E conheço meus limites!

— Sei disso, e me preocupo em não te fazer mal.

— Pois vai fazer muito mal se não transar comigo direito! – ralhou bravo e o moreno se calou, surpreso – Eu não sinto dor ou incômodo quando você me penetra! Pelo contrário, parece que quando a vontade vem eu não penso em outra coisa! Pare de me tratar como uma virgem inexperiente!

Ele começou a rir sem controle. Desde quando aquele moleque envergonhado falava tal tipo de coisa?

— Ok, me desculpe. Você anda cheio de dores, eu só não queria te machucar. Sabe o quanto foi difícil me controlar para não avançar nesse corpo lindo?

Sorriu, convencido.

— Então não se contenha. Sexo faz bem para mim e isso reflete no meu bebê, afinal como acha que o fizemos? – piscou, descansando o peso do corpo no dele – Não precisa se segurar e nem precisamos diminuir o ritmo, ao menos não por enquanto. Já falei com minha médica sobre isso e ela me liberou por completo nesses primeiros meses. Ela diz apenas para não tentarmos nada muito mirabolante.

— Mesmo? Isso me interessa bastante – apertou as nádegas fofinhas contra sua virilha, seus membros adormecidos se tocando – Nesse caso cuidarei muito bem de você.

— Por favor – riu longamente.

— Já que estamos falando sobre isso eu queria perguntar algo há algum tempo – apoiou a braço atrás da cabeça – Por onde o bebê vai nascer?

— Não pelo lugar que você está pensando, certamente! – Fez cara feia – Eu tenho um canal próprio para isso, que se abre somente na hora do parto. Todavia a médica me disse que a dor do parto normal é terrível e me recomendou fazer cesariana.

Sasuke dedilhava as marquinhas no rosto corado.

— Hm... Se isso poupará dor acho uma boa ideia. Estou fechando um plano médico melhor para você, e já pedi uma cotação das melhores maternidades na cidade. Quero que tudo esteja pronto para quando chegar a hora.

— Essa história toda do parto me deixa muito nervoso – beijou o pescoço alvo de leve – Tenho medo de acontecer alguma coisa.

— Não pense bobagens, por isso vamos arranjar o melhor médico possível para você.

— Obrigado – deu-lhe um selinho estalado – Com quem acha que ele vai parecer mais? Convenhamos que ele tem uns pais bem bonitos, né? – gargalhava, sua risada macia enchendo o apartamento frio. Sasuke sentiu-se grato pela oportunidade que a vida lhe dera. Perdeu as contas de quantas vezes achou-se sozinho naquele apartamento, imerso no silêncio e solidão.

— De fato, qualquer um de nós que puxar estará de bom tamanho. Mas eu gostaria que tivesse sua cor de cabelo, para irritar minha família! E também porque acho muito bonito.

— Pode ser que misture os dois e vire, sei lá, castanho!

— Seria bom também. Isso tudo... É tão fascinante... Quer dizer, é tudo tão natural. Você realmente nasceu capaz de gerar e dar à luz uma criança saudável. É quase inacreditável.

— Acho que tive muita sorte!

— Sem dúvidas. E eu mais ainda, por encontrar você – entrelaçou a mão à do loiro, o tilintar das alianças se batendo uma contra a outra.

— Somos oficialmente namorados agora, né? Então eu posso te dar um apelido?

— Sem essa!

— Mas é algo que namorados fazem! Seu advogado até te chama de Sasukito!

— Nem sonhe em me chamar desse jeito, Naruto! Suigetsu me chama assim unicamente para me provocar!

O loiro fez um bico enorme.

— Eu só quero te chamar de um jeito fofo e carinhoso, oras! Pode ser Sasu então?

— Não.

— Mas por quê?

— Porque soa estranho, e eu teria de chamá-lo de Naru. Gosto do seu nome.

— Então vou te chamar de meu amor!

Sasuke corou violentamente ao ouvir isso, até suas orelhas ficaram vermelhas. Virou o olhar para o lado, totalmente sem graça.

—... Você tem cada ideia! – retrucou, meio emburrado. Naruto achou-o lindo todo envergonhado e riu em resposta.

— Ótimo, vai ser meu amor então – beijou-o várias vezes, erguendo o corpo aos pulinhos, sem se importar de estar completamente nu e melado. Seguiu feliz da vida para o banheiro, acendendo as luzes do apartamento e admirando a aliança posta em seu dedo.

Assim que se viu sozinho, Sasuke riu de lado, olhando a aliança posta em seu dedo.

—... Meu amor, hum? Não soa tão ruim...

—-

Era manhã de sábado, mas o sol se escondia detrás das nuvens. O princípio de outono trazia um friozinho gostoso, aliviando o calor intenso do verão que começava a ir embora. Sasuke tinha pendências no trabalho e só voltaria para casa mais tarde. Naruto por sua vez não queria ficar preso em casa e decidiu andar um pouco, talvez visitar seus pais no novo apartamento. Até mesmo um motorista particular foi contratado para levá-lo onde quisesse, apenas para não correr riscos.

Tomou um bom banho, cantarolando feliz e destruindo a melodia da canção com sua voz desafinada. Vestiu um jeans escuro e percebeu desgostoso que suas roupas estavam ficando apertadas. Para aliviar um pouco deixou o cós da calça bem baixo e passou um cinto, vestindo uma camiseta laranja e preta por cima. O volume de sua barriga era inconfundível.

Não pode evitar se virar de perfil diante do espelho olhando a barriga que começava a despontar, passando a mão sobre ela.

Em poucos meses seria pai. Mal podia se aguentar de ansiedade de ver o rostinho de seu bebê. Logo poderia sair para comprar coisas como lençóis, travesseiros, bichinhos e claro roupinhas de bebê! O apartamento logo teria brinquedos espalhados, mamadeiras, cheiro de perfume de criança... Fechou os olhos apenas de imaginar. Adorava crianças, elas eram tão ativas e cheias de energia! Queria que os meses passassem logo para se tornar pai o quanto antes!

Apanhou a carteira e o celular sobre a mesa. Lembrou-se que Sasuke lhe deixou dinheiro em uma das gavetas do criado mudo e exigiu que ele usasse quando saísse. Para não contrariá-lo foi até o móvel, abrindo a gaveta e retirando o envelope.

— Caramba! – exclamou ao ver várias notas de valor alto dentro do envelope – É capaz de eu ser sequestrado se andar por aí com tanto dinheiro! – disse para si mesmo, tirando o que achava suficiente e colocando na carteira. Em seguida apanhou as chaves e deixou o apartamento.

Desceu pelo elevador em companhia de uma mulher vizinha. Ela lhe acenou em cumprimento e ele retribuiu com um sorriso. Pouco depois uma senhora também entrou no elevador e disfarçadamente postou os olhos na barriga dele, com desagrado. O rapaz fingiu não notar e desceu no térreo como se nada houvesse acontecido.

Foi até a recepção para solicitar seu motorista quando o síndico o chamou.

— Que bom que já está aqui, senhor. Há um rapaz te procurando.

O coração de Naruto acelerou na hora de susto.

Droga, por que não foi avisado antes? Ele nem teria descido até ter certeza de quem era!

— Q....Quem é? – perguntou estático, trêmulo. O síndico, que já sabia de seu estado, o acolheu prontamente.

— É uma das pessoas autorizadas pelo Senhor Uchiha. Ele disse que aguardaria até liberarem sua entrada.

O rapaz loiro respirou aliviado, pondo a mão no coração. Assentiu e seguiu pelo jardim em direção a entrada da recepção.

Conforme caminhava pôde perceber um rapaz recostado à parede, de costas para ele, dono de cabelos muito vermelhos. Ao perceber de quem se tratava, Naruto sente um nó na garganta e apertou o passo, cada vez mais rápido, logo desatando a correr até ele, os olhos úmidos de emoção.

O som dos passos chamou a atenção do rapaz que se virou, fitando-o com um sorriso nos lábios. Ao percebê-lo correr para si, abriu os braços para recebê-lo em um abraço apertado. Naruto se chocou contra ele, trespassando os braços pelo tronco, escondendo o rosto molhado no peito largo.

— Eu queria muito te ver! Muito mesmo! – murmurou, emocionado. Era tão baixinho que de pé ficava na altura do peito dele — Muito obrigado por tudo, Sasori. Você salvou minha vida e do meu bebê! Eu nunca vou esquecer!

Sasori sorriu afetuosamente, passando a mão pelos cabelos loiros num afago gentil.

— Nada mais justo do que cuidar de meu sobrinho – falou com aquela voz suave que faria qualquer um relaxar. Sua presença por si só emanava paz e tranquilidade. Afastou-o um pouco de si, enxugando as lágrimas com as pontas dos polegares – E você não precisa me agradecer.

Naruto soltou o abraço, esfregando os olhos para secá-los.

— Claro que preciso. Você estava certo sobre tudo, Sasori. Os Uchiha, Karin... Tudo que eles mais querem é me tirar do caminho de Sasuke, livrar-se de meu filho...

— Mas nada disso vai acontecer – tomou a mão dele entre a sua, mirando com curiosidade o diamante incrustado na aliança – As coisas parecem estar dando certo entre vocês.

— Ah sim – coçou atrás da cabeça, envergonhado – Estamos muito bem. Sasuke disse... Que quer levar as coisas com calma, mas que pretende se casar comigo – ficou vermelho, era óbvia a alegria em seu rosto.

— Fico muito feliz. Sasuke parece radiante, como nunca o vi – dessa vez baixou a mão até o ventre arredondado, passando-a de leve e sentindo a barriga alta – E como anda se sentindo?

— Ah, muito bem. Ainda tenho dores e enjôos, mas estou feliz que meu filho esteja bem – segurou em ambos os lados, fitando seu ventre.

— Já escolheu um nome?

— Por mim creio que será um menino, e o chamarei Daisuke. Mas Sasuke insiste que será uma menina e quer chamá-la de Aiko. Sempre discutimos por causa disso!

Sasori arregalou os olhos por um momento. O nome da criança pareceu abalá-lo muito e ele parecia surpreso, confuso e entristecido.

Naruto estranhou e tocou-lhe o braço.

— Está tudo bem?

— Oh, sim... Sim, me desculpe – passou a mão pelo rosto, tornando a sorrir – Foi Sasuke quem escolheu o nome da menina?

Ele fez que sim e Sasori compreendeu, tristemente.

—... Entendi – fechou os olhos e respirou profundamente. Quando os reabriu já parecia mais calmo – De fato, Sasuke é muito parecido com Itachi, até mesmo na reação efusiva. Ele também reagiu assim quando passamos por isso.

Naruto sabia estar invadindo o espaço do outro, sabia estar se metendo em algo que não era de sua conta, mas não poderia evitar.

— Sasori... Você também é compatível, não é?

— Sou, assim como você.

— E já esteve grávido antes?

— Sei que tem muitas perguntas. Vamos para minha casa, vou lhe servir um chá e conversaremos com calma. Agora que está ciente das reais intenções do clã será bom te contar toda a verdade.

O Uzumaki franziu a testa.

—... Toda a verdade?

— Sobre Itachi, sobre o suposto acidente. Depois do que fizeram à mãe dele todos esperamos sempre o pior vindo de Madara. O patriarca não tem a menor consideração por ninguém. Infelizmente Fugaku seguiu o mesmo caminho.

Naruto estava muito confuso, tentava assimilar, mas as informações geravam um bolo em sua cabeça.

— Espere... Como assim a verdade sobre o suposto acidente? Está me dizendo que... Planejaram que Itachi se machucasse?

Sasori ficou muito sério. Suas íris vermelhas não se moviam, nem havia hesitação em sua voz.

— O que aconteceu está longe de ser um acidente como todos dizem. O que meu amado está passando... É algo totalmente injusto – girava a aliança de casamento em seu dedo anelar esquerdo, distraidamente.

— Sasori... O que quer dizer com isso?

Ele suspirou longamente antes de dizer.

— O clã Uchiha... Esperava que eu estivesse dentro do carro naquela noite. Eles queriam me matar. Itachi está em coma por minha culpa.

Continua.



Notas finais
E o terceiro casal apareceu! Viva! o/ Adoro meus três casais, me sinto em Junjou Romantica kkkk Isso significa mais lemon!!! *¬* Não me matem, sei que tem um fã-clube batendo à minha porta gritando #ACORDAITACHI maaaaas, a história precisa se resolver. E como eu sei que vocês lindos me entendem (espero o__o’’’), vou explicar as coisas e o próximo capítulo é especial de flashback!!!! :D Sobre o Gaara e os cookies, há algum tempo encontrei várias fics afirmando que o ruivo é viciado neles. Como achei fofo eu mantive assim. Algumas pessoas me pedem casal hétero nessa fic. Não tenho problema algum com isso. Quem vocês querem ver por aqui? Neji x Hina, Sai x Ino...? Muito obrigada a todos que comentaram, aos que favoritaram e recomendaram, vocês me animam sempre! Sem vocês eu não teria disposição para continuar a escrever. Não se acanhem, me digam tudo que mais gostaram ou não gostaram. Esse capítulo é enorme então mandem comentários grandes também rsrs. É a forma mais sincera de agradecer ao escritor das fics que você mais gosta. Se essa é uma delas, comente, ficarei muito feliz em saber o que você pensa. Fantasminhas, não se acanhem! Entrem em sua conta e venham conversar comigo! Ou se não quiserem falar comigo venham conversar com o Naruto! — Hã? Por que comigo? — Para ver se o número de comentários aumenta. — Mas isso é chantagem! — Não é não! É Marketing! — Então está fazendo tudo errado! Se quer atrair as pessoas tem que usar o Sasuke de roupão de banho, ou o Itachi de cueca! — Oh verdade, que boa ideia! – anotando. — Esqueça o que eu disse, definitivamente! Vá escrever a continuação porque você demora demais! Está vendo esses pobres leitores que esperam semanas para ler seus capítulos??? Eles merecem atualização mais rápida! - faz bico. — Buááá, eu sei! Não precisa me dar sermão! E já que eu levo sermão até do Naruto melhor escrever o próximo rapidinho kkkkkk Bjs e comentem!