Ensine-me a te amar

4 4. Meu mundo vem abaixo


Notas iniciais
Oiii, gente! Voltei de novo. Ia postar mais cedo, mas acabei tendo problemas pra arrumar uma imagem que tivesse alguma coisa a ver com o capítulo, então acabou que só achei algo mais aceitável agora (a ainda assim creio que não ficou tããão bom assim). Mas enfim, devo dizer que fiquei surpresa e bem contente com o número de acompanhamentos, nunca esperei que fosse chegar a tantos em tão pouco tempo : 3, mas não quero ficar enrolando. Esse cap. é bem importante para a fic. e, apesar de não ter certeza se ficou muito bom, espero que gostem!

–E o que vocês estão fazendo aqui? -inquiriu a senhora, antes mesmo da porta estar completamente aberta.

–Hum, Poluchka-san? Viemos para pedir que você dê uma olhada na minha amiga. -disse Natsu, sorrindo amigavelmente para a de cabelos rosados.

–E se não são os pirralhos do Makarov. -constatou ela, observando-nos desconfiada- Não esperava visitas. Eu nunca espero visitas! Odeio humanos!

–Mas poderia apenas ver se ela está bem? -insistiu ele, me empurrando pelos ombros para a curandeira- É só pra ver.

Não posso dizer que o olhar dela sobre mim era muito confortável. Parecia alguém analisando um complicado experimento científico ao qual ansiasse por passar um bisturi. Dei um sorriso nervoso, que nem deve ter parecido muito com um sorriso, mas foi uma boa tentativa. Minha vontade mesmo era sair correndo, mas não achei muito maduro da minha parte.

Então ela me agarrou pelo braço e praticamente me chutou para dentro da casa na floresta, batendo a porta assim que Natsu e Happy entraram e fechando (aquilos eram cadeados?) na porta para evitar interrupções.

Logo fui jogada/empurrada à uma cama de exames, caindo sentada sobre o colchão. A velha senhora me encarava com um olhar crítico, como se ponderasse por onde começar. Já os dois se acomodaram em uma das poltronas na sala/quarto de exames, assistindo a tudo como se fosse a coisa mais interessante do mundo, o que me fez bufar.

–Fique parada! -ordenou ela, parecendo mais um sargento do que uma curandeira.

–Hai! -respondi automaticamente, sentindo todo meu corpo ficar tenso enquanto ela me analisava.

Pareceu desconfiada a princípio, mas não perguntou absolutamente nada, apenas... como eu posso dizer? Me examinou. Puxou minha cabeça pra trás, depois pra frente, olhou meus cabelos, meus olhos, e suspirou. Virando-se de repente para Natsu e Happy:

–Vocês dois! Fora!

–Hã? Por quê? -questionou o Dragon Slayer, confuso.

–Estão me atrapalhando! Fora! Fora! -ela pegou uma vassoura de palha, sacudindo-a em direção aos dois e puxando-os das poltronas- Vão esperar lá fora!

–Mas... por quê? Eu não fiz nada! -reclamou o rosado, sendo conduzido (gentilmente é claro) até a porta.

–Natsuuu, ela deve querer que a Lucy tire as roupas pro exame. -opinou o Exceed azul, também meio perdido.

–E o quê tem isso? -Natsu parecia realmente sem resposta para a pergunta- Ela vive perdendo as roupas.

–Não fale como se eu fosse o Gray! E eu não perco as roupas, é você que as queima! -protestei, alarmada e vermelha- De qualquer jeito, Natsu, obedeça a Poluchka-san!

Meio contrariado, o Dragon Slayer deixou-se ser arrastado até a saída pela senhora de cabelos rosáceos, que suspirou assim que os fechou para fora.

–Hum, Poluchka-san... vai mesmo me pedir pra tirar as roupas? -indaguei, um tanto desconfortável com a possibilidade de ficar nua em frente a uma estranha.

A expressão no rosto dela não me tranquilizou nem um pouquinho, e por um momento temi realmente que houvesse contraído alguma doença grave ou alguma coisa do gênero. Ela parecia estar prestes a anunciar um funeral, e espero que não seja o meu!

Poluchka-san se aproximou da cama de exames novamente, as sobrancelhas franzidas formando um vinco profundo em sua testa. Ela pegou algo em uma das gavetas ao meu lado, o que se revelou ser algodão, álcool e um esparadrapo retangular.

Sem dizer uma palavra a curandeira derramou o conteúdo líquido do álcool sobre um pequeno algodão, pressionando-o em seguida contra o corte em minha testa. Fiz uma careta no início, devido a sua mais que enorme 'sutileza'.

Não questionei-a, deixando que apenas limpasse o ferimento e colocasse a bandagem, esperando que falasse qualquer coisa. E, à medida que os minutos de silêncio se arrastavam, comecei a ficar realmente preocupada.

–Diga-me garota, você não é do tipo que desmaia muito, é? — Poluchka-san quebrou a tensão no ar com essa pergunta, a qual estranhei.

–Não. Por quê?

Ela foi até um outro cômodo, que julguei ser a cozinha, e voltou com um xícara fumegante nas mãos.

–Hã... o que é isso? Ervas medicinais? -indaguei, olhando para o conteúdo esverdeado que me era oferecido.

–Que ervas o quê? É chá com açúcar. -ela resmungou, impaciente- Tome.

–O-Obrigada. -agradeci-a, tomando o pires de suas mãos e soprando a borda da porcelana.

Chá de... camomila? Perguntei-me ao sentir o aroma que emanava em minhas narinas. Meu deus, o que ela vai dizer é tão ruim que até me trouxe chá de camomila? Eu vou morrer?

Minha mente maluca já estava desesperando-se internamente, porém, antes que eu realmente ficasse com medo, a mão dela ergueu-se e apontou para minha testa, uma luz verde emanando de sua palma, que, apesar de não me tocar, fazia minha pele formigar desconfortavelmente, como se aquele fosse mesmo o exame. Sua mão desceu o ângulo para meus ombros, peito, abdômen e depois voltou a subir.

Um suspiro escapou por entre seus lábios e ela voltou a pousar a mão sobre o colo, fazendo com que a luz desaparecesse. Seu olhar sobre mim era duro, quase... desaprovador, e não me deu um bom pressentimento.

–Tem sentido tontura? -questionou pela primeira vez, fazendo com que eu assentisse de volta, surpresa- Fraqueza? Febre talvez? Fome exagerada ou mesmo a falta dela?

Minha postura ficou tensa à medida que eu respondia afirmativamente todas as perguntas, como se estivesse confirmando as suspeitas dela em alguma coisa.

–Como eu pensei. Você não está doente.

Um suspiro enorme de alívio pareceu esvaziar meus pulmões, um peso de tensão enorme send tirado de meus ombros naquele momento. Abri um sorriso, ainda sentindo o nervosismo me abandonar aos poucos.

–Ah, isso é ótimo, Poluchka-san! Obrigada mesmo! Realmente pensei que poderia ter alguma coisa, mas...

–Eu não terminei. -cortou-me sua voz duramente, fazendo o sorriso desaparecer do mu rosto.

Calei-me e levei a xícara aos lábios, esperando pacientemente que ela concluísse.

Suspirando resignadamente mais uma vez, a senhora fixou os olhos bem nos meus antes de proferir a frase seguinte.

–Garota, você não está doente. -ela repetiu- Está grávida.

…

…

…

…

…

COMO É QUE É?

Cuspi todo o chá com açúcar que ainda deveria me acalmar, meus olhos arregalaram-se num choque mudo e minha cabeça pareceu latejar com o susto repentino.

–V-Você pode repetir, por favor? E-Eu... acho que ouvi errado. -gaguejei, tentando convencer a mim mesma de que não ouvira certo sua frase anterior.

A curandeira rolou os olhos com impaciência.

–Grávida menina! Eu disse que você vai ser mãe.

Levantei-me da cama ainda zonza, as mãos seguravam a cabeça que ameaçava explodir.

Isso é um erro. É um erro, só pode ser um erro. Não pode... não pode ser verdade! Não agora! Não depois de tudo. Eu...não posso estar... grávida.

Ou posso?

Meus olhos encheram-se de lágrimas rasas, olhei para baixo por um segundo, deslizando as mãos sobre o ventre e tentando acreditar na ideia tão irreal de que, agora, eu esperava um filho. Um filho dele.

Grávida aos dezoito anos. Como as coisas ficaram assim? Eu me pergunto. Fora um erro de um noite apenas. Estávamos bêbados e fomos longe demais. Cometemos um erro irreparável. E só agora as reais consequências da nossa imprudência começavam a surgir. Uma consequência, tinha de ser, nada mais do que uma consequência.

E eu não posso mais voltar atrás. Levei minhas mãos trêmulas à boca, sentindo um enjoo terrível percorrer meu corpo. Foi o bastante para que a fraqueza voltasse, trazendo-me a meus joelhos. Poluchka-san segurou meu braço e me sentou novamente na cama, em silêncio.

Minha cabeça latejava, meu peito parecia a ponto de explodir com todos os sentimentos que eclodiam ao mesmo tempo. E as lágrimas caíram. Uma por uma, deslizando por meu rosto acompanhando o misto de emoções que me abalava.

De algum modo, eu soube. Naquele momento, desde a primeira vez que o fato foi anunciado a mim, eu soube plenamente o que aconteceria em seguida.

Soube que as coisas não voltariam a ser as mesmas daqui pra frente. E que esse filho, de algum jeito, mudaria tudo.

Ah, mas minha ingenuidade nunca me permitiu ter a real dimensão do quanto meu mundo se transformaria depois daquele dia.

*****

Levaram muitos minutos de silêncio e algumas lágrimas de choque, porém, cerca de meia hora depois, consegui me acalmar, mesmo que um pouco.

Eu não tinha de me acostumar a essa ideia agora, não precisava pensar em todas as consequências nem me remoer por elas naquele momento. Não. Agora não. Porque se eu o fizesse, muito provavelmente não conseguiria me conter. Sentia que faria algo errado se não conseguisse calcular as coisas daqui pra frente.

Agora eu só preciso voltar para casa. Preciso dizer a Natsu que estou bem de saúde, e que não há nada de errado. É isso. Eu sorriria para ele e mentiria hoje, mesmo que signifique contar a verdade amanhã.

Limpei o rosto das lágrimas, tomando minha terceira xícara de chá de camomila (que não estava realmente ajudando em nada) e respirei fundo. Se continuasse chorando, meus olhos ficariam inchados, e eles perceberiam. É claro que sim.

Pedi à licença Poluchka-san para lavar o rosto e, sem esperar resposta, dirigi-me ao pequeno banheiro por ela indicado com um aceno.

A água fria banhou meu rosto, e a sensação era boa. Parecia diminuir sensação de queimação em meus olhos, que aparentavam ter parado de verter lágrimas completamente. Tomei uma toalha e enxuguei as gotas que delineavam minhas feições com cuidado. Meus olhos pregados no espelho que refletia minha própria imagem. A imagem de Lucy Heartphilia, a loira adolescente que era a maga celestial da Fairy Tail.

E essa sou eu.

Sou uma criança, e não uma mãe. E não consigo ver uma mãe em mim.

Talvez não fosse certo ter essa criança. Talvez não dar à luz a ela seja a melhor coisa a fazer, tanto por mim, quanto por ela mesma. Afinal, eu poso não ser capaz de pagar o preço pelo minha burrice e infantilidade. E que sofrerá não serei apenas eu, e sim esse filho indesejado. Quem sabe fosse melhor.

Porque ainda haviam tantas coisas... que eu queria fazer.

Tantos sonhos que queria realizar.

E talvez o tempo não fosse o suficiente pra dizer de quantas coisas eu abriria mão por causa daquela noite.

Imagino o que meus pais diriam se estivessem aqui agora. Papai surtaria, tenho certeza, colocaria a Fiore toda atrás de Natsu por se atrever a tocar em sua filha, que tão inocentemente se desviara do caminho correto por sua causa. Mamãe ia desmaiar, ficaria alarmada, preocupada, e também decepcionada, porém nunca diria nada disso. Eu o veria em seus olhos toda vez que sorrisse para me encorajar. Porque ela me daria tanta força quanto eu precisasse.

Esse pensamento fez outro nó surgir em minha garganta. Ah, mamãe, o que eu não daria para poder chorar como uma menininha em seu colo novamente agora. Você nunca me fez tanta falta, como meu consolo e lar, hoje só tenho a mim mesma a minhas memórias. Pois a Fairy Tail, que também é meu lar, parecia terrivelmente vazia para mim.

Talvez fosse porque também era o lar dele. No fim, se não fosse por ele, eu nunca estaria aqui. Nunca teria vivido aventuras tão incríveis, ou mesmo teria amigos tão bons. Se não o tivesse conhecido só Deus sabe como minha vida estaria. Naquele tempo eu ainda era a garota que fugiu de casa, sem direção alguma para seguir, sozinha por completo.

E ele me levou ao seu mundo, deixou que entrasse em seu lar e fizesse parte dele. Mostrou-me o quão extraordinário é uma mago da Fairy Tail, e o quanto nossas missões poderiam ser divertidas.

Companheiro de guilda a amigo nunca foram o suficiente para dizer o que Natsu representa na minha vida.

E agora muito mais do que isso.

Natsu não era mais um amigo especial, era o pai do filho que eu carregava.

*****

Ouvi um som estranho vindo da sala, e a voz de Poluchka-san falando com alguém. Saí imediatamente do banheiro, dando de cara com Natsu, Happy, e uma senhora bem irritada, que pareciam não terem me notado a princípio.

–Cadê a Luce? Ela está bem? -indagou ansiosamente o Dragon Slayer.

–Você arrombou minha porta! -indignou-se a curandeira, irada- É por isso que odeio humanos! E pior: adolescentes! Saem por aí destruindo as coisas, só podia ser influência do Makarov!

–Natsu! O que você... O que você FEZ? –indaguei assustada ao chegar à sala, vendo que o rosado idiota tinha tirado a porta do batente (pelo menos não a quebrara completamente), mas isso não pareceu fazer muita diferença a senhora reclusa, que parecia furiosa.

–Idiota. -resmunguei, indo me desculpar com Poluchka-san.

–Lucy(e)! -exclamaram os dois ao mesmo tempo, virando-se para mim.

–Natsu, o que eu disse sobre destruir as coisas na casa dos outros?

–Eu não destruí! Eu só arrombei. -replicou ele, acreditando piamente que uma coisa não tinha nada a ver com a outra.

–Sinto muito, Poluchka-san. Se quiser nós podemos dar um jeito de concertar e...

–Não! Nem pensar! Saiam vocês três! Nem sei porque ainda estão aqui! -ela nos escoltou novamente de seu modo 'gentil' até a porta da frente parcialmente destruída pelo Salamander.

Paramos no batente e ela me lançou um último olhar acusador.

–Vou informar Makarov sobre isso. -alertou ela, fazendo meu sangue gelar por um segundo.

Engoli em seco e assenti, sabendo que o mestre ficaria sabendo de um jeito ou de outro.

–Tudo bem. Obrigada, Poluchka-san, por tudo.

Ela apenas anuiu brevemente, lançando um último olhar repreensor a Natsu e fechando a porta (ou melhor, encostando-a, já que o rosado houvera quebrado a maçaneta e a madeira do batente).

Natsu me encarava com uma sobrancelha erguida, esperando um veredicto. Ignorando a pontada de medo que sentia por dentro, dei-lhe um sorriso animado fazendo um sinal positivo com a mão.

–Estou ótima. Pronta pra outra.

–Mas o que ela disse...

–Ela só vi dizer ao mestre que estou bem. Para qualquer caso. -inventei uma desculpa rapidamente, vendo um largo sorriso tocar os lábios do Dragon Slayer do fogo.

–Ainda bem! E agora... Vamos voltar pra guilda!

–Aye! -concordamos em uníssono, rindo e andando pelo caminho que nos levaria à Magnólia.

Eu poderia estar sorrindo, mas ainda assim, por dentro, senti-me novamente vazia, triste. Sentia como estivesse carregando em segredo um fardo pesado demais para mim, e que, quando novamente sozinha, desabaria ao chão.

Porque meu mundo foi abaixo naquele dia, e tudo ao meu redor parecia prestes a desabar junto comigo.

Notas finais
Errr, o que posso dizer? Admito que estou meio insegura sobre esse capítulo, então só posso esperar que tenham gostado. E por hoje é só, mas amanhã tentarei postar o próximo *-*.