Ensine-me a te amar

16 16. Entre amigos e confissões


Notas iniciais
Gentee, demorei pra caramba, eu sei T-T. Mas posso explicar o atraso dessa vez. Meu notebook pifou de vez, to rezando para não ter perdido meu HD porque todos os meus arquivos estão ali T.T e semana passada tive um monte de provas, ou seja, sem tempo nem pra respirar. Enfim, tive de reescrever o cap. todo e isso me levou um tempo. Bom, deixando a enrolação de lado, espero que gostem! P.S. Estarei respondendo seus comentários em seguida.

POV. Lucy

Quando saí da guilda, não saia exatamente para onde estava indo.

Só queria sair dali, qualquer lugar era o suficiente, desde que me livrasse daqueles olhares. Queria sair de baixo daquele holofote que tanto detestava. E, para piorar, estava chorando.

Eu já perdi a conta das noites que passei acordada chorando por ele. Não sei mais, os por quês me fogem a mente facilmente. Motivos desconexos, bobos. Hoje é mais um desses dias. Essas lágrimas não parecem ter fim, e como eu queria poder não derrama-las nunca. Em vão, sempre.

Ele tem esse jeitinho de me atingir onde sou mais fraca. Conseguiu tão facilmente meu amor com a mesma facilidade que me machuca. O meu amor me fere.

Minha corrida não durou muito. Em alguma parte do trajeto, tropecei nos ladrilhos da calçada, espatifando-me no chão poeirento. Minhas lágrimas caíram ainda mais insistentemente, lágrimas de frustração.

Faltavam dois quarteirões para chegar ao meu apartamento e ainda assim...

Meu corpo estava dolorido, sentia-me fraca e, logo, desmaiei. Lembro-me de ouvir vozes me chamando, porém pareciam tão distantes e distorcidas que as pude reconhecer. Estava em meio a um breu escuro demais.

(...)

Acordei milagrosamente na minha cama.

Abri os olhos devagar, atordoada pela luz forte, ainda um tanto grogue de sono. Foi quando reparei numa coisa.

Era madrugada. Ou melhor, ainda era madrugada.

O relógio de parede deixava visíveis seus ponteiros, marcando duas e meia da manhã em ponto.

Que... droga... Pensei, grunhindo baixo.

Wendy estava ao meu lado, a mão pequena sobre minha testa como se confirmando que não estava com febre.

–Lucy-san! -exclamou assustada ao ver meus olhos abertos- Que bom que acordou! Estávamos preocupadas!

Não pude sequer responder, pois, logo em seguida, fui acometida por uma náusea tão forte e repentina que tive de correr para o banheiro, botando pra fora toda a janta.

Sentia Levy segurando meus cabelos para não suja-los enquanto Wendy esfregava minhas costas de leve, como se dissesse que vai passar logo. Era horrível.

Minha garganta queimava e lágrimas voltaram a empoçar-se sob meus olhos. O gosto era o pior possível, ácido, ainda mais nauseante.

Quando parou eu já estava soluçando, o estômago vazio e o peito carregado. Apanhei uma toalha e limpei a boca, cambaleando para conseguir ficar em pé.

–Cuidado, Lu-chan, ainda está fraca.

–Uma ova. -devolvi, um tanto irritada- Não quero ficar aqui.

As duas ficaram em silêncio, acompanhando-me em minha trôpega caminhada até a cozinha, onde tomei alguns dos comprimidos da cartilha que Poluchka-san me dera com um bom copo d'água.

Sentei a mesa, respirando pesado.

–Me desculpem, estou dando trabalho. -murmurei, cansada.

–Imagine, Lu-chan. Só ficamos preocupadas com você. -afirmou Levy, fazendo uma pausa antes de proferir a frase seguinte- Mas então... O que você disse na guilda antes...

–É tudo verdade. -contei, assentindo de leve- Eu... estou mesmo grávida do Natsu.

Ela pareceram chocadas por um momento.

–Mas como?! -manifestou-se Levy- Digo, sabia que rolava alguma coisa entre vocês, mas achei que eram só amigos.

Trinquei os dentes, respirando fundo.

–Nós... não temos nada. O que aconteceu... foi um erro, só isso. No dia tinha uma competição de bebida e tomamos um porre. Ele me levou ora casa dele e... simplesmente aconteceu, lá mesmo. Acordei atordoada, estava com dor de cabeça e nua na cama dele. Céus, saí correndo de lá antes que acordasse, mas, apesar de lembrar-me do que aconteceu, Natsu se esquecera de tudo. -confessei, sendo alvo de olhares surpresos- Não queria abalar nossa amizade então preferi não dizer nada. Logo depois descobri a gravidez e tudo virou de ponta cabeça.

–Caramba, Lu-chan... Deve ter sido difícil. -compadeceu-se a azulada mais velha- Quem poderia imaginar que o Natsu realmente dormiu com alguém, ainda mais você. Por que não contou antes?

–Não sabia como. Achei que seria julgada por isso e também logo depois Natsu desapareceu e fiquei ainda mais confusa.

–Mas e agora? O que vai fazer, Lucy-san? -perguntou Wendy, apreensiva- Natsu-san já sabe que o filho é dele.

–Aquele lá deve estar soltando fumaça de tanto pensar a essa hora, isso se já não teve um ataque cardíaco. -comentou Levy, revirando os olhos- Quero só ver com que cara ele vai vir aqui amanhã.

Baixei o olhar para a mesa, nervosa.

A verdade é que tenho medo de encara-lo depois disso tudo. Acabei fazendo uma cena, que vergonha...! Agora a guilda toda sabe. Não era bem assim que eu imaginava contar, nem a ele, nem a nossos amigos. Acabou que, mais uma vez, as coisas não saíram como eu esperava.

–Eu... eu não sei. Vou ir levando até onde puder, depois... só ele poderá dizer. Obrigada pela ajuda, Levy-chan, Wendy-chan, mas... eu estou realmente muito cansada. Já passam da duas da manhã e...

–Pensamos que talvez quisesse companhia, se precisar, podemos dormir aqui hoje. -ofereceu-se Wendy.

Sorri fraco, negando com um aceno.

–Eu estou bem, mesmo. Só... preferia ficar um pouco sozinha.

As duas se levantaram com sorrisos compreensivos nos lábios.

–Nós entendemos. -assegurou-me Levy- Se precisar de alguma coisa sabe que é só pedir.

Assenti, agradecida.

Em seguida acompanhei-as a porta e nos despedimos com poucas palavras que se resumiam a uma promessa minha de contar o que aconteceria a elas mais tarde.

Creio que, se não estivesse tão mal, teria de responder a muito mais perguntas e suposições, entretanto não era um bom dia. Não era mesmo.

Minha mente trabalhava sem a minha permissão, possibilidades e mais possibilidades invadindo-me a mente. Todas elas em torno de Natsu.

Temia o que ele me diria quando a manhã chegasse. Dele eu podia esperar tudo e mais um pouco, afinal só Deus sabe como poderia reagir a uma coisa dessas passado o choque inicial.

Poderia querer distância de mim, ou talvez até desaparecesse de novo. Poderia querer que eu não tivesse esse filho e preferisse realmente um aborto. Mas também poderia aceitar tudo e prometer me ajudar daqui pra frente. Não sei. É muito difícil imaginar o que ele faria. Natsu é imprevisível demais.

Mas uma coisa é certa.

Uma hora ou outra, teríamos de conversar frente a frente e, apesar de temer esse momento, sabia que a ansiedade não me deixaria adormecer naquela noite.

(...)

POV. Natsu

A silhueta da ruiva caminhava a minha frente. Seus passos ecoavam secos no assoalho, a postura estava rígida, seus cabelos escarlates cobrindo a parcial visão que eu tinha de seu rosto.

É, Erza não estava no seu melhor humor.

Mas isso já não importa, afinal eu também não me encontrava muito animado naquele momento.

A cena de Lucy chorando repetia-se inúmeras vezes em minha mente. As palavras que dissera reverberando nos meus pensamentos, a ficha ainda se recusando a cair.

Eu vou ser pai do filho da Luce. Eu... já sou o pai dele.

Minhas mãos ainda não pararam de tremer, não sei se sentia raiva ou se estava apenas nervoso, aborrecido e irritado. Não faz nem três horas que voltei para a guilda e já estava assim. A ironia? Voltei procurando calma e estabilidade. Bom, nada mais justo depois do que passei nesses dois meses, mas aparentemente minha vida não quis me dar um arrego dessa vez. Eu esperava sim que poderia arrumar alguma confusão, todavia com certeza isso é demais até pra mim.

Voltei da terra dos meus pensamentos quando Erza deu um soco na porta de madeira do quarto em que estávamos (ainda bem que não usou força, caso contrário a coitada da porta estaria aos pedaços agora).

–Natsu, eu estou e controlando para não esganar você agora. –admitiu ela em voz baixa, os olhos queimando de raiva.

–Vai dizer que a culpa é minha agora? –devolvi, impaciente- Era só o que me faltava. Como vocês puderam esconder isso de mim?!

–Não é bem assim...

–O caramba! –interrompi-a, já estava gritando a essa altura- O que você acha que eu estou sentindo agora?! Lucy não tinha o direito de mentir pra mim sobre isso! E depois de tudo o que aconteceu...

–Ela estava assustada, Natsu, estava indecisa e com medo! O que esperava depois do que fizeram naquele dia?

–Que dia?! Eu não lembro de nada, Erza! Nem sei como foi acabar assim! Ela deveria ter me dito antes, dito antes que... –parei antes que falasse demais, controlando-me por um momento- De qualquer jeito, isso não é desculpa!

–Fácil pra você dizer. –retrucou a ruiva num tom ácido- Não tem ideia do que Lucy passou nesses três meses, depois que você ficou com Lissana e desapareceu do nada.

–Como é?! –exclamei, indignado- Que história é essa?!

–Não se faça de inocente! –gritou Erza, revoltada- Lucy viu tudo o que aconteceu na sua casa naquele dia na floresta. Ela ficou arrasada, Natsu! Se eu não houvesse chegado quem sabe o que teria feito consigo mesma ou com essa criança.

Abri a boca, mas não consegui falar nada.

Luce... viu aquilo?! Mas então como?!

Senti um gosto amargo na oca ao relembrar daquele dia. Ainda nem me desculpara com Lissana sobre o que aconteceu e sequer sabia que Luce houvera presenciado a cena.

Aparentemente não ficou para ver o fim. Pensei, trincando os dentes.

–Vai negar agora? –provocou a ruiva, cruzando os braços.

–O que aconteceu entre mim e Lissana... Não é o que Luce pensa. –murmurei, nervoso- Não estamos juntos, eu... disse que queria relacionamentos agora, mas ela insistiu e foi a minha casa.

–Então admite que realmente aconteceu algo. –afirmou Erza.

–Não! Não aconteceu absolutamente nada! –repliquei, voltando a aumentar o tom de voz- Foi um erro! Ela me beijou e eu não sabia direito como reagir, mas... a pedi para ir embora logo depois. –contei, omitindo o modo como reagi naquele momento- Preciso encontrar Luce, preciso dizer a verdade e me desculpar. –decidi, começando a caminhar para a porta.

Fui barrado quase que de imediato por Erza, que ainda mantinha uma carranca fechada no rosto.

–E o que pretende fazer? –inquiriu, séria- Lucy já se magoou muito por sua causa, mas ela passou a amar essa criança. Não quero que vá lá para falar besteiras e fazer mais mal a ela.

–O que você acha que eu vou dizer?! Que não quero que ela tenha esse filho?! Isso é ridículo! –bufei, contrariado- Sabe mais do que ninguém que eu não faria isso. Eu... eu quero que ela leve isso adiante. –confessei, surpreendendo até a mim mesmo com a afirmação- Quero fazer isso com ela, estar sempre ao lado de Luce daqui pra frente e cuidar dela.

E então, finalmente, um sorriso orgulhoso brotou nos lábios da Titania.

–Tenho certeza que Lucy vai ficar muito melhor com você ao lado dela. –manifestou-se, dando me as costas e abrindo a porta da sala- Ah, Natsu, só uma coisa.

–Hum?

–Você sabe que são mais de duas da manhã, não sabe? Por que não vai pra casa e deixa essa visita para de manhã? –sugeriu, mais em tom de ordem pra ser sincero- Ela também precisa de um pouco de sono às vezes.

Franzi o cenho e olhei para um relógio de parede na parede oposta, surpreso ao constatar que Erza tinha razão. Ainda era madrugada.

Com um suspiro, fiz menção de abrir a janela, saltando com facilidade para a escuridão noturna do lado de fora.

Logo estava fora da Fairy Tail, que por acaso já estava vazia a essa hora. Hesitei por um momento, pensando se deveria mesmo esperar até a próxima manhã. Sentia que não conseguiria nem dormir antes que tivesse essa conversa com ela.

A verdade é que queria muito vê-la de novo.

Mas acabei descartando a possibilidade. Estava tarde, Luce com certeza deveria estar dormindo, e a portas fechadas. Depois do que lhe disse aposto que faria o possível para que eu não invada dessa vez. Não a culparia se o fizesse.

O caminho para casa pareceu mais rápido, afinal, antes que notasse estava quase dando de cara na porta de tão distraído que estava.

As luzes estavam acesas e Happy pareceu ter adormecido no sofá mesmo, à minha espera.

Sorri fraco, ele ficara tão feliz que me viu de volta na nossa casa que tive de lhe prometer que lhe daria muitos peixes no dia seguinte, para compensar meu desaparecimento.

É claro que isso somente não seria o suficiente. Porém era um começo.

Peguei-o no colo e o deixei na rede, onde gostava mais de dormir. Eu não gostava muito por causa do enjoo de movimento, era só me mexer que começava a balançar aquela coisa. Era um saco, e esse foi um dos principais motivos pelos quais decidimos comprar uma cama.

Quando o coloquei deitado o neko azul abriu um pouco os olhos, ameaçando acordar, e balbuciou:

–Você já ficou bom, não ficou, Natsu...? –sua voz sonolenta deixava evidente um minúsculo tom de preocupação.

Sorri largamente, rindo um pouco.

–É claro! Até parece que não me conhece! –brinquei, fazendo-o esboçar um sorriso antes de cair no sono mais uma vez.

Suspirei mais uma vez, afastando-me da rede para apagar as luzes. Então tirei a camisa de mangas compridas para ficar mais confortável, deitei na cama, olhando para o teto.

O chalé estava envolto numa penumbra intensa e meus olhos demoraram-se a se ajustar a escuridão. Meu peito estava mais leve, não havia mais o temor ou a preocupação. Os pesadelos não viriam, não agora, e fui capaz de me acalmar sem esforços. Ainda tinha muito no que pensar. Forçava minha mente para tentar recuperar a memória que perdera daquela noite. Parecia inútil, meus pensamentos pareciam névoa, escapavam por entre meus dedos quando os tentava agarrar.

Cobri os olhos com uma das mãos, inspirando fundo e tentando sentir o cheiro de Luce nos lençóis. Mas não senti nada, obviamente. Mas por algum motivo isso me aborreceu mesmo. Grunhi baixinho, virando para o lado e fechando os olhos.

Mesmo agitado, não tardei a adormecer também e, assim que realmente caí no vazio da minha inconsciência, o sonho começou.

Notas finais
Bom, por hoje foi isso. Sem previsão de postagem para o próximo pois a parte dele que eu já tinha escrito estava no notebook e não sei se poderei recuperá-la. Ah, uma coisa importante: o próximo capítulo será um extra e decidi que vai ter hentai. Isso só pra já deixar avisado. Espero que tenham aproveitado a leitura e até a próxima :3.