Ensine-me a te amar

11 11. As primeiras reações


Notas iniciais
Gente, voltei! Sorry, achei que conseguiria postar mais cedo, mas fiquei sem ter acesso à internet no notebook por um bom tempo, e acabou que só consegui ver isso agora. Cara, acho que nunca tive tantos comentários num capítulo só! Confesso que não consegui responder tudo, mas eu li todos -e ri muito com a maioria deles- e foram um grande incentivo pra caprichar nesse cap. ~vocês são uns fofos :3~ Fiquei bem feliz mesmo, deu até vontade de soltar confetes *-*. Bom, sem mais delongas, espero que aproveitem o cap.!

POV. Lucy

É incrível como a imbecilidade dele me tirou a paciência. Acho que estava me ressentindo secretamente de Natsu por estar passando por tudo isso sozinha, creio também que uma parte minha ainda sentia raiva dele, e que me arrependia de tudo,

Acho que minha frustração me cegou naquele momento, acabei explodindo sem querer. Não reparei o quão mal estava me sentindo até aquele momento, e aquilo foi como a gota que fez o copo transbordar. Eu estava exausta mentalmente, me sentia exaurida de tanto remoer tudo aquilo e aquela pressão foi demais para mim aguentar.

Meu corpo queimava de raiva, minhas mãos estavam fechadas em punhos e pela primeira vez na vida realmente gritei com Natsu.

–Não é uma magia, idiota! –berrei, sentindo a raiva me dominar- Que inferno, Natsu! É um bebê! Eu... eu estou grávida, droga!

Arrependi-me assim que terminei a frase. Ao perceber o que dissera, quase que de imediato cobri a boca com as mãos, sentindo meu rosto empalidecer.

Os olhares sobre mim não estampavam nada menos do que eu podia esperar: choque, alarde, confusão. Não economizaria em palavras: meus amigos estavam escandalizados, desacreditados do que eu acabara de dizer. Aposto que se estivessem bebendo alguma coisa já teriam cuspido tudo no carpete da casa.

–Oe, Lucy... você... está falando sério? -pronunciou-se Gray, perplexo.

–Luxy safada. -silvou Happy com os olhos arregalados.

–Não era besteira do Natsu...? Você realmente está grávida?! -Erza parecia literalmente chocada, um segundo depois seu rosto coloriu-se inteiro de vermelho- Isso quer dizer que você fez... aquilo?

Não consegui responder (na verdade preferi ignorar o comentário de Erza), minhas pernas estavam bambas de nervoso, estava pálida e me sentia fraca. Meu coração ribombava no peito dolorosamente e cada fibra do meu corpo parecia vibrar. Sentia frio, meu estômago parecia dar voltas e voltas nauseantes.

O único que não havia se manisfestado era aquele de quem eu mais esperava uma reação. Mas a verdade era que Natsu ainda não parecia ter assimilado o que eu disse, seu rosto parecia parado numa expressão de incredulidade e seus olhos estavam pregados fundo em mim. Engoli em seco, sentindo o mesmo gosto ácido na boca.

Eu ainda... não preciso cair. Não posso cair. Pensei, trêmula, formando um sorriso no canto dos lábios É isso. Eu preciso aguentar agora. É só... fingir.

–Luce... Quem é o pai? -foi a única coisa que falou.

A voz dele reverberou em minha mente muitas vezes antes que eu pudesse absolvê-la. Foi como um soco na barriga, doloroso, eu sentia a amargura em sua voz, a mágoa. Os motivos eu só poderia imaginar, afinal, Natsu raramente se magoava com algo, por isso foi tão fácil identificar o sentimento em seu tom. E isso doía em mim.

Levantei os olhos vendo ele me encarar de cima, uma sombra caía sobre sua expressão, encobrindo as emoções em seu próprio olhar.

Eu poderia dizer a verdade. Poderia. Mas que sentido isso teria? Natsu nunca acreditaria. O tempo e a bebida levaram essas memórias para longe, e não seria uma frase que as traria de volta.

Eu sentia como se toda essa situação houvesse sido feita para me punir por tudo. Porque cometi um erro, e sofrer era minha penitência para pagar por ele. O erro de ceder a ele em meio ao breu, de confiar em algo tão cego, de deixar-me cair por algo tão vago. Arremessara minha consciência ao vazio. Eu teria de pagar pelo que fiz, de um jeito ou de outro. E ele não tinha de suportar tal fardo. Pois a culpa é minha. Sou eu quem deve viver com as consequências do que fizemos, a natureza é clara nesse ponto.

Você já fez tanto por mim... Então agora tenho de ser forte. Por você. Para que nossos erros sejam absolvidos por nós mesmos. Eu não quero que se martirize. Eu sofro muito mais quando você sofre. Portanto hoje sofrer sozinha é a melhor maneira para que eu não me machuque mais ainda. Para lhe manter ileso no meio desse bombardeio de dúvidas e arrependimento.

A pergunta dele ficou suspensa no ar por intermináveis segundos. Segurei as lágrimas que ameaçavam queimar em meus olhos e desfiz à força os nós em minha garganta. Um sorriso trêmulo brotou em meus lábios e fui capaz de levantar a cabeça. Minha decisão estava tomada por hoje. Pois mentir pelo bem dele nos pouparia do futuro sofrimento. Desfiz meu sorriso e olhei para ele de queixo erguido, prestes a contar a pior mentira da minha vida.

Eu não vou me arrepender. Pensei novamente Não vou.

–Eu não sei. -proferi, minha voz seguindo uma linha firme no ar- Não sei quem é o pai do filho que estou esperando.

(…)

–Como assim?! -clamou Erza, arregalando os olhos- Como você não sabe?!

–Tch, o que anda fazendo por aí, hein, Lucy? -disse Gray, cruzando os braços em meio a um suspiro.

–Calma gente! É que... é complicado. -falei, disparando qualquer resposta capaz de justificar o que disse.

–Não parece nada complicado pra mim. -comentou Natsu num tom grave.

–Eu... sei que deveria ter contado antes. Me desculpem. Tinha tanta coisa na cabeça que... queria esperar o momento certo. -confessei, apertando as mãos sobre as pernas e mordendo o lábio- Não tenho certeza do que vou fazer ainda e... Pra ser sincera acho que nem caiu a ficha por completo. -ri fracamente, sentindo minha cabeça começar a doer- Natsu, você é da minha equipe. Sinto muito por isso, mas por enquanto estou proibida pelo mestre de ir a qualquer missão classe S.

–O velhote sabia disso?! -exclamou o Salamander, indignado.

Assenti brevemente.

–Na última vez que viemos aqui foi quando eu descobri. -olhei para Poluchka-san, que assistia à cena com seriedade- Ela queria me dizer que as tonturas, os enjoos e todo o resto eram sintomas da gravidez. Juro que não tinha ideia do que estava acontecendo antes daquilo... mas...

–Por que não nos disse antes? -perguntou Erza, já mais calma e focada.

–Senti que não conseguiria. Estava tão nervosa. Sinto muito, pessoal. -pedi, sentindo o queixo tremer tamanha a vontade de chorar- Não sabia que como iam reagir e... tive medo que me julgassem por isso.

–Nunca faríamos isso. -manifestou-se ela, indo até mim e pousando a mão no meu ombro- Vamos te apoiar sempre que precisar, Lucy. Somos parceiros de guilda, nakama, não somos?

–Pode confiar em nós. -reforçou Gray, sorrindo de modo encorajador (o que era meio fora do comum, até pra ele).

–Luxy... estamos aqui por você também! -exclamou Happy, sorrindo para mim do chão.

Natsu foi o único que não proferiu uma palavra sequer. Não parecia compartilhar do mesmo humor que contagiava os outros, porém eu podia relevar isso. Afinal saber que eles estarão lá por mim é o suficiente para me encorajar

–Minna... obrigada. Mesmo. Isso... é muito importante pra mim agora. -passei as pontas dos dedos pelos olhos antes que as lágrimas realmente escorressem e sorri para eles, aquele fardo parecendo diminuir em meu peito, como se eu pudesse finalmente respirar depois de tudo o que aconteceu.

Talvez não durasse, talvez fosse algo passageiro, mas deixei-me ser envolvida pelo aconchegado daquelas palavras.

(…)

Ficamos na casa da curandeira até o momento em que a mesma finalizou os cuidados com Charlie e Juvia.

A maga da água tomou um bom tempo para ser curada, e ainda assim estava debilitada demais para sequer acordar por aquele dia, então ficaria na casa da senhora até que melhorasse um pouco mais.

Acho que nunca me fizeram tantas perguntas em um espaço tão curto de tempo enquanto esperávamos. Erza, principalmente, fez com que eu respondesse um interrogatório bem detalhado, deixando de fora, é claro, a parte sobre o suposto pai dessa criança. Céus, cada coisa que ela me perguntava... Fico vermelha só de lembrar. Gray estava adorando a situação, fazendo piadas a cada brecha que aparecia, creio que nunca vi ele rir tanto num dia só. Happy também era um gato beeeem curioso. E ele e Erza juntos formaram uma boa dupla de mentes poluídas, sinceramente.

O que deixou as coisas melhores foi o fato de Charlie acordar consideravelmente bem disposta. A Exceed também não soube responder à nossas perguntas, porém conseguiu atrair a atenção do neko azul, o que para mim era um alívio.

Ela, ao saber da notícia, não fez tanto alarde quanto os outros, apesar de parecer surpresa, desejou-me os parabéns (por algum motivo) e não comentou muito o assunto.

Quero só ver quando Cana ficar sabendo. Lamentei, pensando nas piores reações possíveis E Levy então! Elas vão fazer um escândalo pior que os do Natsu!

Para a minha sincera surpresa, o rosado não abriu a boca para me dirigir a palavra. Ficou escutando a tudo de braços cruzados e expressão nebulosa, parecendo estar extremamente insatisfeito. De vez em quando, dependendo de alguma resposta minha, ele me lançava algum olhar de canto, parecendo indecifrável sempre que o fazia. Mas fingi não notar. Não estava pronta para encará-lo, nem sei se algum dia estaria.

Porém afastei aqueles pensamentos. Queria tentar ser positiva, recuperar um pouco do vigor de sempre. Afinal não pude deixar de me sentir melhor com a recepção dos meus amigos. Nunca pensei que seria assim que a notícia viria à tona -por uma das besteiras de Natsu-, mas acho que aquele momento em que extravasei minha raiva me fez bem. Agora estava mais calma com tudo aquilo. Como se finalmente estivesse caindo a ficha de tudo o que andei passando.

–Yosh! Vamos voltar para a guilda e COMEMORAR! -exclamou Erza, dando um largo sorriso.

–Não precisa disso tudo... -falei, um tanto preocupada com a possibilidade.

–Lucy, parece que você esqueceu que ainda somos a Fairy Tail! Se não comemorássemos, que graça teria? -ela agarrou meu braço- Vamos rápido para a guilda!

Não pude contestar, Erza não parecia nem um pouco inclinada a mudar de ideia. Sorri finalmente. Não sei por que estava sentindo tanto medo. A Fairy Tail não mudaria nem se eu quisesse. Nem por minha causa.

Apesar de tudo, estava conformada com a realidade. Eu precisava estar. Ainda que não estivesse sendo julgada pelo que fiz nada muda o fato de que carrego esse fardo sozinha. E se não tomasse uma atitude madura logo, seria pior no futuro.

Antes que percebêssemos já havíamos chego à entrada da guilda. Erza fez questão de abrir as portas de supetão.

–Minna! Encham seus copos e se preparem, porque hoje temos muito o que comemorar!- anunciou a ruiva para toda a guilda, atraindo a atenção de todos.

–Eeeh, o que aconteceu afinal, Titania? -manifestou-se Macao, olhando-a com um sorriso de canto e a sobrancelha arqueada.

Erza sorriu orgulhosa.

–A família da Fairy Tail pode aumentar logo! -ela pôs as mãos em meus ombros e me empurrou para frente- Lucy está grávida!!!

Exclamações de surpresa e murmúrios animados se espalharam como fogo pela guilda, que pareceu ter a mesma reação que minha equipe a princípio, porém logo os risos e parabenizações surgiram, brindes e comentários de animação também.

Milhares de perguntas ainda pairavam no ar, mas o alarde se espalhou em júbilo. Admito que corei com o excesso de atenção que recebia, era desconfortável, mas ao mesmo tempo estava feliz pelo jeito que eles aceitaram tudo, com tanta levianidade e sem julgamentos. Afinal todos na guilda sabiam que eu era solteira, mas não pareciam se importar com o fato de estar esperando um filho.

E a alegria parecia se espalhar por todos os cantos.

É assim que uma criança devia ser recebida. Pensei, sorrindo com lágrimas nos olhos, melancólica.

Ah, se as coisas houvessem sido diferentes... eu poderia estar tão feliz agora. Pensei como poderia ser se eu mesma estivesse anunciando isso, com um sorriso no rosto e Natsu ao meu lado, feliz, eufórico. Pensei na felicidade de estar tendo um filho de alguém que me amava e lamentei a realidade. Se Natsu me amasse... Se estivéssemos juntos... O quão mais felizes poderíamos estar?

Mas eram pensamentos sem sentido. Ele não é o tipo de pessoa pela qual posso me apaixonar, foi algo imprudente em mim e só agora vejo isso. Pois Natsu é assim. É o jeito dele. E mesmo assim me vi apegando-me a ele, tão inconscientemente, em cada missão, em cada perigo. Em cada sorriso e cada briguinha. Fui me apaixonando por ele um pouquinho a cada dia. E agora sinto que não há como desfazer isso.

Engravidei da primeira pessoa que já amei na vida, e ela nem sequer sabe disso. Lamentei novamente.

Porém não era hora para que eu ficasse pensando assim. Seria ser alvo de muitas perguntas e comentários, era inevitável, e responderia a tudo com um sorriso. A guilda estava do meu lado agora, mesmo que Natsu em si não estivesse.

É irônico que ele sempre me salve de todos os perigos, mas não esteja comigo quando mais preciso dele.

Notas finais
As tretas vão rolar nos próximos caps. hehehe. Por hoje é só, espero que tenham gostado!