Ensina-me a Viver

22 Sombras e Luz


Notas iniciais
Oiii gente!! Ontem não consegui postar pois tive alguns problemas mas voltei hoje com um novo capítulo!!! Eu queria agradecer a todos que comentaram na fanfic até aqui, gente, muito obrigada :3 Bem, nesse capítulo recorri a uma das minhas músicas prediletas, espero que gostem dela e do capítulo em si! Beijinhos :3

'Cause all of the stars
Have faded away
Just try not to worry
You'll see them some day
Take what you need
And be on your way
And stop crying your heart out

Stop Crying Your Heart Out — Oasis

***

As palavras ainda ecoavam em sua mente, num sussurro frio. Eu amo você. Ele podia sentir o efeito das mesmas, podia perceber a adrenalina correndo por cada veia, cada parte de seu corpo.

Tommy sentia-se encurralado, preso em um jogo sem saída. A questão era: ele realmente queria sair? Ali, agora, sentia que ambos já haviam ido longe demais e agora não havia mais volta. Perceber que não há escapatória te liberta de seus erros. Aquela frase não lhe pertencia, entretanto, agora mais do que nunca, fazia muito sentido em sua mente.

Aquela frase, com apenas três palavras, agora fazia um sentido completamente diferente para ele. Quando perdera Laurel, não foi apenas isso o que a vida lhe arrancou, com sua morte, a esperança fora embora também, arrancada dele, sem haver nada que ele pudesse fazer para a trazer de volta. Seu caminho tornou-se obscuro, em ambos os sentidos da palavra, ele já não conseguia ver nada, a escuridão fazendo parte de quem ele era.

Agora, dois meses depois, ele percebia o quão irônica a vida podia ser. Naquela noite, ele perdera seu grande amor, sua parceira, uma mulher admirável, em todos os sentidos. Entretanto, a vida o dera algo em troca, Caitlin Snow era a definição perfeita de esperança, graça. Ela havia entrado em sua vida da forma mais não convencional possível, quebrando muros e barreiras, destruindo fortalezas que ele sequer percebia ter construído. Ela havia o mudado completamente, mais do que qualquer outra pessoa fizera.

Seria aquilo destino? Uma força implacável que atrelava as vidas daqueles destinados a se encontrarem, se amarem... Era estranho, pois ali, sentindo o olhar dela no seu, ele sabia, de alguma forma, que tudo que o acontecera o levara até ela e de repente, ele já não lamentava mais. Obviamente, todas as cicatrizes e medos ainda estavam lá, queimando sua alma, mas não tinham mais a mesma intensidade, não o abrasavam-lhe a carne como outrora; agora havia uma chama cálida e azul, numa combustão completa.

Antes ele tinha medo, de tudo. Tommy sempre foi uma pessoa repleta dos medos mais absurdos e irracionais, receios estes que o consumiam, que o paralisavam completamente, em uma agonia silenciosa. O tempo passou, ele aprendeu com seus erros e conheceu Laurel Lance. Ela era uma advogada excepcional, uma das melhores da cidade, era honesta, dedicada àqueles que não tinham dinheiro para pagar um advogado, era seu maior sonho. Não se apaixonar por alguém como ela era simplesmente impossível, além da beleza, ela tinha um caráter inquestionável. Perdê-la foi como adentrar na mais profunda e intensa escuridão.

Por dias, ele desejou poder mudar o que acontecera naquele carro, quis salvá-la a qualquer custo, mas aquele passado estava escrito a ferro, imaculado e jamais poderia ser alterado. Ele nunca conseguiu entender por quê ela fora levada, não fazia o menor sentido, agora; porém, ele entendia. De alguma maneira, tudo aquilo permitiu que Caitlin entrasse em sua vida. Ela era tão única, tão diferente. A jovem era uma mulher carinhosa, dedicada, cheia de tanta vida! Ele sentia uma grande admiração por ela, maior do que já sentiu por qualquer outra pessoa. A bióloga tinha algo de especial, alguma coisa que ele era incapaz de identificar, mas que estava lá, visível até mesmo para ele, que já não via mais.

A vida nunca nos faz passar por algo com que não possamos lidar. Sua mãe costumava o dizer isso antes de falecer e ele sabia o quão absurdamente correta ela estava. Ele pensou que seria incapaz de suportar, mas agora via em si mesmo uma força que jamais perecera antes, algo que ia além de qualquer outra coisa.

Seu mundo, outrora escuro, agora era repleto das mais belas estrelas, da mais brilhante e cálida Lua, num eterno reluzir. Ele sabia, as estrelas em si, haviam morrido a milhares de anos, mas o que mais o encantava era que ainda assim, suas luzes persistiam, brilhando por anos e anos. Era assim que ele se sentia ao vê-la, como se encarasse um Céu repleto das mais belas estrelas, as quais iluminavam seu caminho. Agora, ele já não queria mais mudar o que acontecera, pois sabia, de alguma maneira, que aquilo o levara até aquele momento, com ela.

Tommy sabia que a vida não deixava que todos tivessem tudo, que haveria perdas, riscos. A questão era: Ele se importava com isso, importava-se com aquelas perdas? Ele sentia-se completamente seguro, preso as fortalezas que criara ao seu redor, mas ainda assim, estava tão infeliz quanto antes. Aquela sensação começara a se tornar um hábito, algo comum, e aquilo o incomodava. Ele sabia que haveria riscos, escolhas que ele teria que fazer, mas queria tanto uma chance de recomeçar, de não cometer os mesmos riscos de seu melhor amigo.

Tommy tinha escolhas. Ele podia ver sua própria vida passar diante de seus olhos, ou tentar e ver o que aconteceria. Ele sabia, entretanto, que a felicidade exigia aquele tipo de sacrifício. As perdas e ganhos faziam parte de toda a história, mas ele precisava que cada perda valesse à pena. De alguma forma, ele sabia que ela podia fazê-lo feliz, como ele tanto queria, tanto precisava.

Ele segurou a mão dela entre suas e sorriu. Caitlin esperava, pacientemente que ele dissesse algo. Ela sabia que não poderia nem deveria esperar a mesma resposta da parte, ela sabia que sua admissão o deixaria confuso, e com razão. Nem ela mesma entendia como aquilo podia ter acontecido, mas o fato é que realmente ocorrera, e nada mudaria seu sentimento por ele.

A jovem estava disposta a tentar, se dar uma chance pois agora mais do que nunca percebia que aquele sentimento jamais cessaria, jamais morreria. Ela nunca pensou que amaria alguém da forma que o amava e agora percebia o quão enganado estava. Sentiu a mão dele em seu cabelo e respirou fundo, inalando o perfume natural que ele exalava. Tommy não conseguia encontrar a forma apropriada de a responder, sentia-se encurralado. Ele respirou fundo e murmurou:

— O que acha de jantarmos juntos quando eu sair dessa cama de hospital? Como num encontro — murmurou. Era o melhor que ele poderia fazer agora e sabia disso. Caitlin sentiu-se completamente aturdida, sem saber exatamente como reagir ao pedido. Ela não ouviu o que tanto queria, mas aquilo bastava, e como bastava!

— Eu adoraria — sussurrou, ajeitando os cabelos dele: — Agora descanse— pediu, ao perceber que ele parecia exausto. Ele a deu um beijo na bochecha e a jovem levantou-se; entretanto, ele a segurou delicadamente pela mão e pediu, a voz melodiosa e baixa:

— Fica.

Ela não respondeu, apenas deitou-se na cama com cuidado para não o machucar e fez um cafuné. Os olhos azuis encontraram os castanhos e ela desejou que ele pudesse vez todo o amor que ela tinha por ele. As íris castanhas brilhavam de uma forma que ela jamais vira antes, intensamente, como duas pedras de safira sob a luz pálida do luar, ela era apaixonada por aqueles olhos, por ele, no geral.

Não se tratava apenas do físico, da beleza. Havia muito mais em Tommy do que sua aparência, ele era um homem justo e incrivelmente bom, que apesar de tudo, não perdera seu caminho para casa. Ela tinha cheiro de jasmim e rosas, uma mistura que em sua pele era simplesmente maravilhosa.

Era engraçado, ela poderia ter literalmente escolhido qualquer pessoa, Caitlin era uma mulher linda, inteligente, tinha um futuro pela frente; contudo, por alguma razão, ela o quisera. Tommy sabia que podia a fazer feliz, de alguma forma, sabia pelo menos que tentaria o máximo possível para isso; contudo, tinha receio do quão digno dela ele de fato era. Ela era como uma série de fogos de artifício que lhe tirava o ar, o fôlego. Ele sorriu enquanto sentia o sono começar a dominá-lo, embalado pelo perfume dela, ele dormiu e pela primeira vez, não teve pesadelos.

...

Tommy passou a mão pelos cabelos, sentindo seu peito doer um pouco, não era nada que ele não pudesse tolerar:

— Ei — ouviu seu melhor amigo murmurar. Voltou-se para de onde o som vinha e sentou-se na cama: — Caitlin disse que você recebeu alta — Oliver disse caminhando em direção à cama do melhor amigo: — Você está se sentindo melhor?

— Ainda dói um pouco, mas estou novinho em folha — Tommy olhou para um ponto qualquer, incrivelmente próximo de onde Oliver estava.

Oliver respirou fundo. Ele precisava admitir, sentia-se culpado, muito. Devia ter ido com Tommy, daquela forma nada daquilo teria acontecido. Ele estava extremamente grato por seu amigo ter ficado bem, aquilo era o que mais importava, mas era impossível não sentir-se responsável pelo que acontecera com o outro.

— Tommy, eu sinto muito por ter te deixado ir sozinho — murmurou, sem olhar para o outro. O mais novo o encarou, a confusão clara em seu rosto, um vinco formando em sua testa conforme ele tentava entender o que ele estava querendo realmente dizer: — Eu jamais devia ter feito aquilo, você está aqui por minha causa.

O mais novo revirou os olhos, a frustração clara e visível em suas íris azuis. Meu Deus, como ele pode ser tão idiota? Perguntou a si mesmo, irritado.

— Oliver, deixe-me ser claro — falou, colocando as mãos sobre as coxas: — Isso é culpa de quem atirou em mim e a menos que você tenha contratado um assassino de aluguel, você não tem nada a ver com isso, fui claro?

O mais velho arregalou os olhos diante do comportamento dele e disse:

— Sim, mas...

— Sem mas! — Tommy bufou irritado e prosseguiu: — Para de se culpar por coisas assim, Ollie! Você não pode controlar tudo sempre, alguma coisa irá dar errado no meio do percurso — respirou fundo: — Preciso lhe contar algo.

— Conte — o loiro falou, ainda se recuperando de como Tommy agira.

— Bem, eu chamei Caitlin para sair! — Ele falou rápido, sem sequer respirar entre as palavras.

— Uau! — Oliver arregalou os olhos, processando o que seu amigo acabara de o dizer. Ele estava completamente feliz pelo mais novo, era ótimo saber que ele estava se reerguendo, que buscava a felicidade, como devia realmente fazer. — Isso é muito bom, Tommy! Fico muito feliz por você — completou, sorridente. — É bom ver que você está tentando se reerguer — deu um abraço rápido no amigo que sorriu. O mais novo apenas queria tentar, nem que fosse só mais uma vez, queria tentar ser feliz e agora percebia que ela poderia o fazer o homem mais feliz do mundo.

...

Felicity desceu as escadas ao ouvir o som das cordas de um violão. Podia ouvir a voz melodiosa ecoando por cada canto do loft. Oliver estava de costas para ela, seus dedos dedilhando as cordas lentamente, sua voz era incrivelmente suave, delicada.

Ela o observou em silêncio. Às vezes, ele parecia bom demais para ser real, principalmente para ser dela. Ele tinha seus defeitos, obviamente, mas a forma como ele a tratava era o que a mais encantava.

Felicity sempre teve muito mais fé no amor do que sua mãe, e sabia que Donna Smoak tinha seus motivos para questionar sobre a veracidade daquele sentimento. Mas ela simplesmente era incapaz de desacreditar daquele tipo de sentimento, ainda mais agora, quando encontrara aquele que ela sabia ser o amor de sua vida. A jovem sabia o quão difícil era ter uma relação assim com alguém, mas ele fazia tudo valer a pena, cada momento, até mesmo os ruins, valiam a luta, a tentativa, pois no final do dia ela se sentia a mulher mais amada do mundo.

Encarou aquela pintura, a que ele a dera na noite interior e um sorriso largo surgiu em seus lábios. Os traços eram incrivelmente próximos ao dela, a linha da coluna, a cor dos cabelos... Era de uma fidelidade quase surreal, que ela jamais havia visto antes. Ninguém nunca a fizera algo tão lindo quanto aquilo. A morena encarou o bracelete em seu pulso e aquela sensação cresceu, percorrendo seu corpo, explodindo num caleidoscópio de cores e emoções.

— Você gostou dele? — Sentiu o abraço dele atrás de si e abriu um sorriso amplo, encostando seu corpo no dele. Fechou os olhos sentindo o contato das peles e deliciou-se com a sensação de ambos os corações batendo tão sincronizados, quase como se fossem parte de um mesmo corpo, uma mesma alma.

— Foi a coisa mais linda que fizeram por mim — foi sincera. A jovem ainda não conseguia processar como ele podia ser tão perfeito, parecia bom demais para ser verdade, e ainda assim, era. — Acho que meio relógio não chega nem perto desse seu presente — ela lamentou.

Sentia-se verdadeiramente mal. Ele havia feito todas aquelas coisas por ela, as quais ninguém jamais fizera, e só no que ela conseguiu pensar foi em um relógio que ele parecia querer há algum tempo. Aquilo era injusto! Oliver não parecia nem se esforçar para ser daquele jeito, tão absurdamente fofo.

— Você já é meu presente, não precisa se preocupar com essas coisas — foi sincero. Era a mais pura verdade. Agora ele não tinha mais nenhuma dúvida, aquela mulher salvou sua vida, era uma dádiva que a vida o dera e ele não entendia a razão, mas ele sabia que havia uma.

— Isso não é justo! Você é tão fofo! Não que isso seja um problema, não é, pode ter certeza, na verdade é bem adorável e tudo mais! Porém, todavia, entretanto, eu não consigo ser fofa e adorável e não consigo nem te dar um presente fofo! — Reclamou, batendo o pé no chão.

— Você é fofa quando cora — ele fez um carinho na bochecha, descendo pela mandíbula. A beijou no canto do lábio, fazendo-a perder totalmente a noção de onde estava. Fechou os olhos, esquecendo por que sentia-se tão irritada. — Fica linda quando o Sol bate nos seus cabelos — sua voz no pé de seu ouvido a fez abraçar-se a ele, querendo aproximar-se mais daquele contato do qual ela tanto preciso: — Eu adoro quando aparece uma covinha na sua bochecha — a beijou ali: — Ou quando você perde o controle e começa a tagarelar, é simplesmente adorável — a beijou na testa, suas mãos na cintura dela.

Àquela altura, ela já havia esquecido completamente o mundo ao seu redor e ela sabia que era exatamente isso o que ele queria. Oliver a deu um beijo carinhoso e murmurou, brincando com uma mexa de cabelo dela:

— Amanhã iremos sair — entrelaçou sua mão na dela, em um gesto de puro carinho.

— Para onde? — Os olhos azuis cintilaram e ele sorriu ao perceber a clara alegria na voz da jovem:

— Segredo, meine liebe — passou a mão pela testa dela, alisando uma curva que formava-se ali. — Mas acho que você irá adorar — comentou, fazendo suspense.

— Ah isso não é justo, Queen! — Ela bateu o pé no chão. — Me conta, por favor — ela fez uma das expressões mais fofas que o rapaz já viu, mas ele não se deixou abater:

— Nope — estalou a língua: — Você precisa comer — ele murmurou, arrastando-a para cozinha. Ela fez uma careta, sentindo seu estômago reagir a palavra e falou:

— Não quero comer, estou meio enjoada — franziu o cenho.

— Você não pode ficar sem comer — a voz dele agora já não era suave. Ah, Oliver super protetor deu as caras! Ela pensou, o observando. Às vezes, ele passava por súbitas mudanças de humor, ela ainda estava aprendendo a lidar com o lado mais irritante dele, o protetor: — Amanhã terá que conhecer seu novo segurança particular.

— E o seu — ela disse, sentando-se para o observar. — Lembra do nosso combinado, certo?

— Lembro sim, Felicity — ele revirou os olhos: — Não sei para que você quer que eu tenha um segurança?

— Porque você é meu namorado, eu te amo e não vou te deixar sozinho sendo que há um maníaco à solta por ai — ele fechou os olhos, inspirando e respirando.

— Okay — bufou. Ele pegou algo de dentro da geladeira e colocou sobre a pia. Começou a preparar a janta enquanto a jovem o observava, sentindo seu estômago embrulhar ainda mais. Sua cabeça latejava e ela levantou correndo, indo em direção ao banheiro.

A jovem vomitou na pia e respirou fundo, sentindo-se um pouco melhor. Lavou a boca e encarou seu reflexo no espelho, a mão espalmada sobre sua barriga lisa. Seus lábios estavam secos, seus olhos brilhavam, ela sentia gotículas caindo por sua testa. Respirou fundo e ao virar-se, deparou-se com os olhos azuis a encarando como dois predadores no escuro:

— Você está bem?

— Estou melhor agora — o lançou um sorriso fraco e ele assentiu, mas não parecia muito convencido. Oliver virou-se, afastando-se da jovem cuja mão ainda apoiava-se sobre a barriga em um ato praticamente involuntário. Ela respirou fundo, tentando controlar-se, mas sua consciência implorava por respostas, e ela as teria.

...

Caitlin encarou seu reflexo no espelho, sentindo as borboletas em seu estômago ganharem voo. Estava extremamente nervosa, simplesmente não conseguia nem pensar direito àquela altura do campeonato. Ela respirou fundo, contando até dez mentalmente e avaliou-se novamente. A jovem usava um vestido azul escuro, duas alças grossas caíam sobre seus ombros e o decote em formato de coração realçava seus seios, o mesmo tinha um belo acabamento e ia até um pouco antes dos joelhos, em seus pés, um par de sandálias prateado. Ela ajeitou seus cabelos que estavam presos em uma trança lateral e respirou fundo, passando seu perfume predileto.

A jovem caminhou pelo corredor e quis muito saber se Tommy precisava de ajuda com algo; contudo, ultimamente ele havia se tornado ainda mais independente, o que era algo gratificante para ela. O rapaz saiu do próprio quarto mais bonito do que em qualquer outra vez que ela o vira. Ele usava uma blusa cinza e uma calça social preta, seus olhos azuis agora brilhavam intensamente. Ela o encarou, sentindo-se grata por ele não ver o quanto ela estava praticamente o comendo com os olhos.

— Oi — ela murmurou.

— Hey — ele sorriu, deu alguns passos incrivelmente elegantes em direção à ela e a beijou na bochecha: — Você deve estar linda — sentiu a textura do tecido e sorriu. — Qual é a cor do vestido? — Perguntou.

— Azul escuro — ela respondeu, sentindo-se hipnotizada por aquelas orbes azuis. Ele sorriu, parecendo feliz, e a ofereceu o braço, o qual ela pegou de bom grado, em sua outra mão uma bengala nova que ele comprara há pouco tempo. — Para onde vamos? — Ela perguntou, curiosa.

— Surpresa — ele a lançou um sorriso conspiratório que a fez sorrir e indicou: — Pegue a chave do Audi, por favor — pediu. Queria a garantir o máximo de segurança possível e sabia que aquele era o carro certo para tal tarefa:

— Okay — ela falou, pegando a chave do carro e o guiando para a garagem da mansão. Eles entraram no carro e ele murmurou:

— Pode ligar o rádio do carro — ele falou calmamente. Ela deu de ombros e ligou a chave do carro. — No GPS olhe no último caminho adicionado, não vale trapacear e ver o destino — ele pediu.

— Sim senhor — ela disse, fazendo-o sorrir. Ela colocou o GPS para funcionar e seguiu as instruções do mesmo.

No lado do passageiro, ele se familiarizava com aquela sensação. Não fazia aquilo desde que começou a namorar com Laurel, sair com outra mulher era definitivamente algo estranho, mas Caitlin simplesmente valia a pena. Ele tinha um lugar especial para o qual queria levá-la, ela ficaria linda sob a luz da Lua, ele sabia bem disso.

— Você tem irmãos? — Ele questionou, de repente.

— Não, sou só eu — ela deu de ombros, sorrindo: — Mas sempre quis ter irmãos — disse, virando a esquina e percebendo a cidade sumir do seu campo de visão.

— Qual sua cor predileta?

— Azul — ela respondeu, olhando-o nos olhos. — E a sua?

— Marrom — a resposta soou estranha, ela não entendeu muito bem o motivo mas preferiu não contestar.

— Er... Aquele cara no restaurante... Robbie? — Perguntou, e ela notou que seu corpo enrijeceu um pouco.

— Ronnie — corrigiu, despretensiosa. Ele assentiu e prosseguiu:

— Namorou com ele por quanto tempo?

— Por um ano — ela respondeu, olhando para a estrada. Ali, ela percebeu que mais cedo ou mais tarde ele teria que saber, só não sabia se queria que fosse agora, quando pareceu bem.

— E por que exatamente ele te deixou ir? — Perguntou, verdadeiramente confuso. Ela é boa demais para ele. Pensou, chegando a uma conclusão lógica a respeito do assunto.

— É uma longa história — ela pigarreou, claramente desconfortável e ele arrependeu-se de ter trazido o assunto à tona:

— Me perdoe, não quis invadir sua privacidade — pediu, desejando mais do que nunca ser capaz de a enxergar.

— Não se preocupe — ela respirou fundo, contando até dez e disse: — Nós chegamos — disse, confusa ao perceber que eles haviam parado em uma área que ela desconhecia. Ele tirou o cinto, saiu do carro e deu a volta, sem maiores dificuldades, abrindo a porta para a jovem.

— Uau! — Ela disse, maravilhada. Eles estavam no píer da região, o qual estava completamente vazio àquela hora da noite. A lua brilhava no céu, refletindo sobre as águas calmas do mar diante deles. À esquerda encontrava-se um belo bistrô. — É lindo — ela disse, seus olhos brilhando de encantamento. No céu, as estrelas faziam companhia à Lua.

Ele pôde a imaginar com uma perfeição assustadora, sorriu com o pensamento e aproximou-se, apoiando, delicadamente, a mão sobre a cintura do rapaz:

— Vamos entrar, está esfriando — percebeu a pele dela fria e estremeceu com o pensamento, a guiando para dentro do restaurante. Eles sentaram-se em uma mesa isolada e a jovem fez o pedido de ambos, olhando, com uma expressão nada amigável, a garçonete secando Tommy. Caitlin colocou sua mão sobre a dele e a lançou um sorriso venenoso, aquilo não era de seu feitio mas aquela mulher estava a tirando do sério.

— Como encontrou esse lugar? — Ela perguntou, após seus pratos serem entregues.

— Meus pais me traziam aqui quando eu era pequeno — ele sorriu com a lembrança e sentiu falta de quando saia com os dois. — Você é a primeira pessoa que trago aqui — completou. Ela bebericou o vinho e o encarou, processando as informações.

Okay, eu sou a primeira pessoa que ele leva até um lugar que é claramente especial para ele, e aparentemente também sou a única que ele deixa chegar perto do piano. Sua mente agora trabalhava em uma velocidade absurda e ela sabia que era por quê tudo aquilo era um claro indício de quanto o rapaz se importava com ela.

— Esse lugar é muito bonito, obrigada por me trazer — não sabia ao certo o que dizer, mas aquilo a pareceu apropriado. Ele abriu um sorriso lindo que fez o coração dela acelerar várias batidas. A morena respirou fundo e continuou a comer.

Agora, ali, estando diante dele, pensou. A jovem não queria esconder nada dele, principalmente aqueles acontecimentos que a definiram, que a mudaram. Agora, ela já não sentia mais medo, mas aquele evento a fizera tornar-se mais cautelosa; entretanto, ela confiaria sua vida à Tommy sem nem pensar duas vezes.

Eles jantaram em silêncio e por algum milagre, o rapaz aceitou que ela pagasse a conta daquela vez. Os dois voltaram para o píer e ela apoiou seu corpo na madeira, sentindo o vento úmido bater contra seu corpo.

Ela queria o contar. Na verdade, sabia que precisava fazê-lo. Tommy havia a confiado muitas coisas, ela estivera lá durante seus momentos mais sombrios, mais desesperançosos e ela não podia deixar de o contar algo como aquilo. Sabia das implicações, mas parte de tentar com ele também envolvia contá-lo seus segredos mais obscuros, e era isso o que ela faria.

— Quando eu tinha vinte anos — murmurou, encarando a água que movia-se lentamente: — Eu fui à uma festa da faculdade — agora as memórias voltavam com força total e ela não conseguia mais as controlar: — Na época eu namorava com Ronnie e era absurdamente apaixonada por ele — riu diante da própria estupidez: — Eu estava voltando da festa, era tarde, quando alguém me atacou — Tommy sentiu seu estômago revirar, suas mãos fechadas em punho, sua mandíbula travada: — Ele me levou para o meio do mato e tentou me estuprar — fechou os olhos, encolhendo-se com a memória praticamente insuportável: — Mas eu lutei e consegui fugir antes que ele fizesse algo — agora as lágrimas caíam quentes por seu rosto e ela mal conseguia formular sentenças em sua mente.

Ele notou o quão perturbada a jovem estava a abraçou. Sentir os braços dele em torno de si mesma fez com que ela sentisse as feridas fecharem, não doíam como antes, apenas ardiam como pequenos cortes. Ele sempre tivera aquele efeito, era como uma espécie de cura, de salvação.

— Eu juro que nunca vou deixar nada assim acontecer de novo, Caitlin — a beijou na testa: — Eu moverei céus e terra para te manter segura — ele nunca havia falado tão sério, ele estava disposto a qualquer coisa para a manter a salvo. — Não chore — implorou, odiava a ver triste, era uma das piores sensações do mundo.

— Foi horrível — ela enfiou a cabeça no peito dele, ouvindo o coração dele bater. — Depois disso, as coisas ficaram piores.

— Como assim? — Ele perguntou, mas suspeitava que tivesse alguma relação com o ex-namorado dele.

Caitlin sabia que ele iria descobrir mais cedo ou mais tarde; contudo, ter que realmente o dizer aquilo era algo incrivelmente vergonhoso, ela não sabia se estava pronta para aquilo:

— Ronnie não esteve ao meu lado quando eu mais precisei — disse, apenas. — Ele terminou pouco tempo depois — murmurou. Thomas franziu o cenho.

— Ele é muito babaca — falou, verdadeiramente irritado. Como alguém podia deixar uma mulher tão incrível quanto ela? — E não te merecia — completou, suas mãos brincando com os cabelos dela: — Você merece alguém que te ame — a beijou na ponta do nariz. Seu próprio coração agora o ensurdecia, batendo alto. — Que te faça feliz.

— Você me faz feliz — ela murmurou, sem pensar. Ele entrelaçou suas mãos às dela e uniu seus lábios nos dela, em um beijo calmo, que mostrava tudo aquilo que ele ainda era incapaz de dizer.

Notas finais
>LEIAM, POR FAVOR Hey galerinha, tudo bem? Bom, tenho alguns avisos para dar: 1º Eu só poderei atualizar a fanfic até quarta-feira, pois quinta já volto de vez para faculdade. Pois é, durante o período de aulas fica tudo bem bagunçado, então provavelmente só poderei postar em alguns sábados e domingos :/ 2º Apesar da faculdade já estar começando, queria anunciar também que a fanfic está chegando perto do final Ç_Ç. Não sei direito quantos capítulos terá, mas acho que chega até uns trinta e cinco. Então eu queria saber se vocês leriam uma continuação dessa fic ou qualquer outra fanfic minha (mas ai eu só vou postar quando estiver de férias). Se sim, respondam please! 3º Vocês acham que a Caitlin deve contar pro Tommy por que Ronnie terminou com ela? Se sim, quando e como ela contará e o que vocês acham que ele pode fazer, como ele pode reagir? Bem, é isso! Bessos :3