Ensina-me a Viver
6 Escuridão
Notas iniciais

Ah, will you come to bid good-bye,
When in the earth my form must lie?
I hope you too will there be found,
When men shall lay me in the ground
***
Oliver digitava algo em seu computador quando Laurel adentrou em sua sala.
— Boa tarde, Ollie — disse sorrindo. Parecia bem animada. Ele sorriu também e disse:
— Boa tarde Laurel, o que te traz aqui? — A conhecia muito bem, sabia que havia ido por algum motivo.
— Tommy me contou sobre a festa — disse, sentando-se em uma cadeira. Ele a encarou e arqueou uma sobrancelha. Quis brigar com Tommy mas o mesmo estava muito longe para aquilo. — Falou sobre sua dança com uma tal de Felicity Smoak — o sorriso dela era enorme e podia iluminar uma cidade inteira. — É alguém especial?
— Ela é, mas não da forma que você está pensando — respondeu, verdadeiramente. Sabia muito bem o que a noiva de seu melhor amigo estava insinuando. Sabia que ela acreditava que os dois pudessem estar tendo um relacionamento, mas aquela não era a verdade. — Nós somos apenas amigo — foi claro, porém, por alguma razão, as palavras não pareciam certas em sua mente.
— Só amigos? — Laurel questionou revirando os olhos. — Olha, Ollie... Já passaram dois anos — murmurou, os olhos tornando-se compassivos. — Está na hora de você seguir em frente — pediu, docemente. — Não jogue o resto da sua vida fora, okay? — Pediu e ele ficou em silêncio.
Subitamente, o celular da jovem tocou interrompendo a conversa. A morena atendeu e perguntou:
— Alô? Alô? — franziu o cenho ao não ouvir nada do outro lado da linha e desligou, dando de ombros.
— Não disseram nada? — O empresário perguntou a analisando.
— É, já é terceira vez que isso acontece — piscou e sorriu para ele. — Pense no que eu disse — pediu e levantou-se. — Tenho que ir agora, Tommy está me esperando para experimentarmos o bolo do casamento — sorriu e prosseguiu: — Tchau.
— Tchau, Laurel — ele murmurou observando-a ir embora.
...
Caitlin adentrou na Queen's Industries e arregalou os olhos ao ver as instalações do local. Uau, isso é tecnologia de ponta! Pensou, admirada. Seguiu em frente e gritou ao ver a porta do elevador fechando:
— Segura a porta, por favor! — Berrou e viu uma mão masculina colocar a mão na porta, impedindo que a mesma fechasse. A mesma voltou a abrir e ela adentrou no cubículo de metal, reconhecendo imediatamente Tommy Merlyn. Ele a encarou por alguns instantes, parecendo surpreso e disse:
— Você aqui?
— Ahm... Minha amiga trabalha aqui e irei almoçar com ela — explicou-se, sem o olhar nos olhos. Ele assentiu e coçou a cabeça, parecendo refletir sobre algo.
— Quem é sua amiga?
— Felicity Smoak — respondeu, apenas.
— Ah, eu a conheço! — Exclamou, surpreso. A porta abriu e Caitlin viu-se obrigada a sair. — Er, foi um prazer te ver de novo — disse a lançando um sorriso que a fez corar.
— O prazer foi meu — a porta fechou e a jovem respirou fundo algumas vezes antes de ir até o departamento de sua melhor amiga. — Oi, Lissy! — Disse, animada.
— Oi! Vamos almoçar? — Ela questionou e Caitlin apenas assentiu animada.
Ao chegarem ao Big Belly Burguer, as duas pediram seus lanches. A loira encarou suas unhas bem feitas e suspirou ao recordar da noite anterior. Ela ainda não havia encontrado Oliver e não sabia direito qual seria o destino de sua própria vida. Desde que dançara com ele, sua mente tornara-se um turbilhão louco de pensamentos os quais ela simplesmente não conseguia controlar. Era tudo tão confuso!
— Cai — murmurou. — Eu não sei o que está acontecendo comigo — foi sincera. — Ontem, enquanto eu dançava com Oliver, as coisas pareciam tão... Certas, estar nos braços dele parecia tão certo — sentiu sua pele arrepiar diante da lembrança e um suspiro involuntário escapou por entre seus lábios. — Mas é tudo tão complicado — lamentou: — Oliver é alguém que claramente ainda não superou a morte da esposa e eu não sei exatamente o que estou sentido, parece familiar e estranho ao mesmo tempo.
— Lissy, calma — a amiga pediu, interrompendo a melhor amiga. — Me diga o que você sentiu enquanto dançava com ele — completou.
— Era como se ele fosse meu... Lar — ponderou. — Parece absurdo já que não o conheço, mas era como se ele fosse meu porto seguro durante as tempestades — murmurou.
— Como se fosse certo estar ali, com ele — sua amiga completou, compreendo exatamente o que ela descrevia. — Olha, eu acho que você está se apaixonando por Oliver Queen — murmurou. As palavras fizeram-na arregalar os olhos. Ela engasgou com a própria saliva e tossiu, bebendo um pouco da água em seu copo. Ela continuava a tossir e seu rosto tornou-se roxo.
— Respira — Caitlin implorou batendo nas costas da amiga. Felicity respirou fundo e conseguiu respirar por entre a tosse, recompondo-se depois de um tempo. — Excelente, não era uma boa hora para você bater as botas — murmurou, fazendo a loira rir. Então, ela foi acometida por uma crise de risos que não passava, respirou fundo, secando as lágrimas que caíam de seus olhos enquanto gargalhava sob os olhares preocupados de Caitlin e de outros clientes. — Amiga, agora não é a hora de ter um ataque de riso.
— Não — riu. — Sei por que estou assim — foi sincera, ainda rindo. Simplesmente não conseguia parar. A morena esperou por alguns momentos até que ela finalmente conseguiu controlar-se.
— Isso chama-se frouxo de riso — explicou: — Acontece quando o cérebro fica super estressado e precisa encontrar uma maneira de extravasar.
— Entendi — murmurou, comendo uma batata. — Como isso é possível? — Perguntou, atordoada.
— Os níveis de ocitocina e serotonina aumentam quando você o vê, seu coração acelera e — a bióloga parou sob o olhar intenso de sua amiga e passou os dedos sobre a boca, como se dissesse que ficaria quieta.
— Não sei o que faço — encostou o corpo na cadeira, prostrada. Era muito para assimilar.
— Eu acho que você deveria apenas respirar fundo e pensar amiga, é a única coisa que você pode fazer por enquanto — foi sincera. Felicity assentiu. — Ah, eu vou precisar do seu carro emprestado — a morena disse com uma expressão culpada.
— Pra quê? — Perguntou, confusa.
— Vou até Starling City atrás de um produto novo para S.T.A.R Labs — deu de ombros. — Por favorzinho — pediu, fazendo uma expressão fofa. Felicity riu, revirou os olhos, pegou a chave do carro e a entregou:
— Cuide bem do meu bebê!
— Isso! Você é a melhor! — Levantou-se e deu um beijo estalado na bochecha da amiga, que gargalhou. Um arrepio percorreu sua espinha e estremeceu, mordendo o lábio inferior.
...
Oliver desejou ardentemente poder ir para casa. Estava exausto e sequer sabia por que. Um arrepio percorreu sua espinha e ele balançou a cabeça, seu coração acelerou um pouco e seus lábios secaram. Respirou fundo e pegou sua pasta, descendo até o estacionamento da empresa. Ao chegar lá, entrou em seu Audi e ligou a ignição, estranhando quando a mesma não funcionou. Franziu o cenho e grunhiu ao perceber que havia deixado a luz do compartimento acessa. A bateria arriou. Pensou, frustrado consigo mesmo. Pegou seu celular e ligou para Tommy.
— Tommy, eu preciso de uma carona — falou, saindo o carro e trancando a porta. Precisaria chamar o seguro, mas só faria isso na manhã seguinte, não estava com paciência para lidar com burocracia.
— Okay, estou com a Laurel aqui já estamos descendo — o moreno falou do outro lado da linha.
— Okay, obrigado — desligou o celular.
Enquanto esperava, lembrou da noite passada e um sorriso surgiu em seus lábios. Felicity realmente era especial, diferente de qualquer outra pessoa que ele conhecera. Ela era inteligente, bonita e espirituosa e ele sabia, também não estava interessada no dinheiro dele. E havia algo mais nela, alguma coisa que ele não conseguia identificar, que o fazia sentir... Esperança.
...
Felicity pegou o bilhete de ônibus que havia guardado para emergências e saiu de seu escritório. Não sabia se estava ou não arrependida de ter emprestado seu carro para Caitlin. Desceu até o térreo e sorriu ao ver Tommy na portaria, de mãos dadas com uma jovem absurdamente bonita.
— Oi, Tommy — disse, o encarando. Ele sorriu para ela e disse:
— Olá Felicity — pareceu fazer questão de pronunciar o nome dela inteiro. — Essa é minha noiva, Laurel — apontou para bela jovem que acenou para ela com um sorriso deslumbrante,
— Uau, você podia ser modelo... Quero dizer, você claramente é linda e tem o corpo certinho e eu vou ficar quieta — mordeu o lábio e corou de vergonha. Ela riu e disse:
— Gostei de você — comentou, suspirando. — E obrigada pelos elogios, você também é muito bonita — garantiu.
— Obrigada — agradeceu. — Tenho que ir agora senão irei perder meu ônibus — lamentou, suspirando.
— Você não quer uma carona? — Tommy e Laurel questionaram em uníssono.
— Mas eu moro na Abbey Street — conjecturou. Não era exatamente uma região rica.
— Não tem problema, venha — Laurel disse gentilmente. Felicity ponderou e deu de ombros, agradecendo:
— Muito obrigada, mesmo!
— Sem problemas!
Quando eles chegaram ao estacionamento, Felicity estranhou ver Oliver parado ali. Seu coração saltitou, parecendo feliz, e ela o lançou um sorriso caloroso. Ele respondeu com um sorriso que fez seu amigo saltitante bater ainda mais forte e ela mordeu o lábio inferior.
— Boa noite, Felicity — ele murmurou e ela respondeu:
— Boa noite, Oliver — ele a olhava de forma intensa, como se pudesse a ver por dentro e ela manteve o olhar por tanto tempo quanto pôde, até desviar corando.
— Vamos? — Tommy perguntou os olhando. Ele e Laurel sentaram na frente, ela e Oliver sentaram-se atrás. Ele a observou sob a luz cálida da Lua conforme Laurel dirigia pelas ruas da cidade.
— Você está bem? — Sua voz diminuiu um tom, parecendo uma carícia suave. Ela mordeu o lábio inferior e respondeu:
— Sim, e você?
— Estou — seu olhar estava fixo no dela, avaliando cada reação, cada nuance de seu rosto pálido. Seus olhos azuis brilhavam como duas safiras, seus cabelos loiros estavam soltos e os óculos que ela usava refletia o olhar dele. Era uma atmosfera diferente, quase como se ambos estivessem em um mundo paralelo, onde não havia mais ninguém.
Felicity sentiu uma vontade absurda de o tocar, mas se conteve, frustrada consigo mesma. Ele ficava lindo sob a luz da lua. Certamente, ele ficava lindo sob qualquer luz, mas aquela em especial ressaltava o que havia de melhor em Oliver Queen. Eles mudaram para uma estrada e Felicity desejou ardentemente poder aproximar-se dele e não o fez. Droga, queria ser mais corajosa! Lamentou, frustrada consigo mesma.
Naquele momento, percebeu que sua amiga estava certa, ela com certeza sentia algo por Oliver Queen. Suspirou, tentando entender as implicações daquilo, tentando desvendar o que significaria ter sentimentos por um dos homens mais cobiçados do país, por alguém quebrado com um passado que ainda o assombrava.
Felicity sentiu um solavanco e estranhou. O carro está rápido demais. Pensou, arregalando os olhos. Ao olhar para Oliver, percebeu que ele havia percebido a mesma coisa.
— O freio não está funcionando — Laurel murmurou, apertando no pedal desesperadamente.
— Como assim? — Tommy, Oliver e Felicity questionaram em uníssono. Suas vozes altas, denotando um desespero latente.
— Ele não está funcionando! — Ela falou mais alto. Laurel puxou o freio de mão em uma tentativa de parar o carro e então eles sentiram o carro travar. De repente, tudo parou e de repente, eles sentiram o carro ser jogado para a direita. O carro capotou e Oliver bateu a cabeça contra a janela de vidro, sentiu o sangue escorrer pelo ferimento e arfou de dor. Ouviu os gritos de Laurel e Felicity e arfou conforme o carro tombava novamente, podia ouvir o som do metal contra o pavimento da rua e sentiu um novo impacto contra sua cabeça.
Uma escuridão doce e suave começou a espreitar, podia ouvir o som disforme de respirações entrecortadas, sua visão era turva, sua cabeça doía intensamente, causando-o náuseas. O carro finalmente parou de capotar, ficando de lado na pista lateral, e ele respirou fundo e olhou para o vidro quebrado, sentindo aquela negritude tomar sua consciência lentamente. Piscou, tentando lutar contra a mesma, viu seu próprio sangue escorrendo pelo trinco na janela e pingando, e então, foi guiado pela escuridão...
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