Enquanto Você Dormia
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Enjoy
Não entendia ao certo como ainda podia dormir alguma coisa depois de ter estado em coma, nem sei por quanto tempo. No dia anterior adormeci com o tal Bill segurando com força em minha mão, os dedos finos entrelaçados os meus. Gostaria de tê-lo interrogado, queria saber dele por que estava li me dizendo tantas coisas que pareciam sem nexo, mas a sensação de cansaço foi mais forte e adormeci ao som de sua voz.
Hoje não, estava mais alerta e se ele voltasse a aparecer teria explicações a me dar, afinal ele não passava de um estranho, pelo menos para mim.
Minha irmã entrou no quarto trazendo mais flores.
-De quem são?...-Quis saber dela que prontamente depositava o buque em um vaso.
-são de seu chefe... Lindas não?...-Era melhor ela consumir com o buque, poderia estar envenenado de alguma forma. Mesmo assim assenti com a cabeça. Eu tinha tantas duvidas, tanto a perguntar. Pelo que eu entendi era um milagre que estivesse viva. não sei porque mas não conseguia sentir raiva do motorista do taxi, ao invés disso me preocupava não saber mais sobre ele.
-Natasha... -Comecei pausadamente... -O que aconteceu com o motorista do taxi?...-Minha irmã deixou os ombros caírem e voltou o olhar para mim.
-Nunca acharam o corpo dele... -As palavras causaram-me arrepio, e pensar que eu poderia estar morta também... -Procuraram por toda a extensão do rio, mas nada. Para falar a verdade sequer sabem explicar quem era não havia nem um registro do taxi.
Coitado, pensei comigo mesma, lembrando do sorriso perfeito que tinha apesar das atitudes que tomou comigo.
-Bom, é melhor não tentar explicar o inexplicável...-Era estranho como parecia já ter ouvido isso antes...-A quanto tempo estou aqui exatamente?
-Há quase um mês...
-Um mês?!...-Eu não conseguia acreditar... -E como foi no meu trabalho?
Minha irmã revirou os olhos diante da pergunta... -Eles sobreviveram sem você...-Disse ela.
Um mês era tempo o suficiente para o seboso do Justin me substituir, teria uma longa batalha quando voltasse a ativa, eu espero que seja breve.
-Quando vou poder sair do hospital?...-o tempo para mim agora era precioso não poderia ficar mais nem um minuto naquela cama que não fosse necessário.
-Os médicos querem observa-la por mais três dias... -Minha irmã não tinha noção do que mais três dias significavam para minha carreira.
-Que droga !Preciso trabalhar em menos de três dias... -Joguei os braços ao falar irritada demais para aceitar aquilo. Natasha andou até mim parecendo aborrecida também.
-Por que não pergunta por nossos pais ,eles quase morreram ao vê-la nesta cama. Você esteve em coma e vai sair dele com apenas alguns hematomas e uma cicatriz minúscula na testa, três dias parecem uma coisa razoável perto disso.
Senti-me um verme vendo-a falar daquela maneira, nem ao menos havia notado que não havia perguntado por nossos pais.
-Onde eles estão?...-abaixei os olhos sentindo vergonha por minha falta.
-Vão estar aqui assim que conseguirem um vôo de Washington para cá... -Minha irmã tinha a notável capacidade de perdoar facilmente ,tratou logo de mudar de assunto vendo minha expressão magoada...-Porque não nos contou que tinha um namorado? Ainda mais bonito e famoso?...-Perguntou ela sorrindo em tom de confidência, como era quando éramos adolescentes e conversávamos sobre algum garoto. Mas eu não tinha a mínima ideia do que ela estava falando.
-O que?...-Perguntei em uma careta... -Tá falando de quem?
-Ora do Bill... -falou ela como se fosse obvio... -Ele canta muito bem mesmo... -Bill. Cantor. Meu namorado. Ela não estava falando coisa com coisa. Até eu sair do coma nunca o tinha visto antes. Alguma coisa na cara que eu fiz deve ter dado alguma dica a ela de que eu estava perdida naquela conversa... -Olha ele me contou que foi viajar brigado com você, mas está obvio que ele te ama, seja lá o que for que tenha acontecido, perdoa ele. Já conheceu a Alemanha com ele?
Agora aquilo estava saindo controle e minha irmã precisava saber disso. Assim que abri a boca para dizer que não fazia ideia do que ela estava falando, como se tivesse sido invocado Bill apareceu na porta. Ele com certeza poderia me dar algumas explicações. Natasha sorriu para ele intimamente e saiu afirmando que precisávamos ficar a sós.
Ele movimentava-se com cautela pelo quarto me olhando de forma observadora até demais e aquilo estava me enlouquecendo, no mal sentido.
-Quer dizer que somos namorados, você é cantor e por algum motivo eu deveria planejar uma viagem à Alemanha? Quer me dizer alguma coisa?...-Vi o sorriso, lindo por sinal, se abrindo parecendo divertir-se com minhas palavras.
-Eu sou alemão... -Que voz linda... Ficou fácil acreditar na parte de ele ser cantor, mas ainda tinha todo o resto. Fiz um gesto com as mãos o impulsionando a falar... -Sofri um pouco por perceber que não se lembra de mim, mas depois de tudo o que passamos juntos, não duvido que ainda possa.
Quando alguém dentro daquele quarto ia começar a dizer coisa com coisa?
-Deve estar havendo algum engano aqui... -Pude ver o olhar dele ficando triste, não tinha intenção de magoa-lo, bem ou mal ele estava ali desde o momento que acordei, mas eu não era quem ele pensava.
Ele aproximou-se de mim como se reunisse coragem dentro dele para começar a falar.
-Liebe... -A palavra era bonita embora eu não entendesse o significado... -Eu sei que a história que eu vou te contar vai parecer loucura... -Com urgência ele tomou uma de minha mão nas suas fazendo com que ela desaparecesse dentro da concha... -Mas faça um esforço para acreditar em mim, eu te imploro por nós dois.
Se havia alguma chance da tal história esclarecer a presença dele ali eu gostaria de ouvi-la, sendo maluca ou não.
-Saia já daqui seu doido! Enfermeira... -Ele só podia ter escapado da ala psiquiátrica do hospital. Como podia, em sã consciência, alguém sugerir uma convivência pós-morte? Ele ainda tentava fazer com que eu acreditasse em suas asneiras.
-Como eu saberia que sua mãe deixou uma mensagem na secretaria eletrônica um dia antes do acidente? Você sentia remorso por não vê-la com frequência... Que você odeia quando alguém procura por respostas em um copo de bebida? Como eu saberia a descrição física do motorista do taxi? O nome dele é Daniel Alex... Procure se lembrar...
Bill gesticulava e andava nervoso pelo quarto. Quando mordeu o lábio inferior me pareceu extremamente familiar e aquilo estava me assustando.
-Enfermeira!...-Bradei mais uma vez e logo em seguida ela disparou pelo quarto... -Tira esse homem daqui... -Falei entredentes enquanto ele massageava a própria nuca.
A enfermeira pequenina nada poderia fazer diante daquele homem tão alto. Olhou para mim e depois para ele, que ergueu a mão apontando que não seria necessário que a mulher minúscula tentasse alguma coisa. Ele dirigiu-se para a porta, os olhos pareciam ganhar um tom avermelhado.
-Apenas se esforce e lembre que eu amo você Alex, e apesar de você não lembrar você também me ama e muito.
O vi saindo pela porta deixando que ela batesse com certa força. As palavras, toda a historia doida, dançavam na minha cabeça me provocando náuseas. Certas coisas ele poderia saber em qualquer lugar, mas outras... Eu não sentia remorso por não ver meus pais ,eles sabiam que eram importantes para mim não sabiam?
De tudo, o que mais me perturbou, é que ele descreveu o motorista do taxi, tal qual ele era e isso ninguém mais poderia saber.
Mexi em meus cabelos pela nuca sentindo uma leve dor de cabeça. Apertei os olhos com força e quando os abri vi Natasha entrando animada com um café na mão.
-Papai e mamãe chegam no fim da tarde...-Disse ela ainda ser perceber que algo não estava bem. Olhou para os lados certamente procurando pó Bill...-Seu namorado já foi?
-Ele não é meu namorado! Como pode acreditar que era e deixar um lunático se aproximar de mim?...-Gritei a plenos pulmões vendo o rosto de Natasha se tornar tão branco quanto cera. Senti-me uma bruxa por aquilo. Pelo que eu entendi ela havia largado a vida em Washington no ultimo mês, por mim. Seria eternamente grata e ela não tinha culpa se Bill não regulava bem. Estava profundamente envergonhada, vinte e quatro hora acordada e já estava tendo crises de mau gênio... -Só me abraça... -Meu pedido foi quase uma suplica... -Eu estou com medo Natasha... -Tentei em vão conter as lágrimas que corriam estar em coma com certeza havia me amolecido, tanto que estava com medo de acreditar nas palavras de Bill.
Tentei pensar em Bill Kaulitz,se é que era este o seu nome mesmo, o menos possível. Meus pais chegariam em poucos minutos e já era o suficiente ter a filha quase morta, não precisavam se preocupar mais comigo tendo explosões de fúria.
Minha mãe e meu pai cruzaram a porta já com lágrimas nos olhos.
-Filha...-Fazia tanto tempo que não sentia o abraço de minha mãe que por pouco não choro também...Não entendia por que estava tão emotiva, havia sobrevivido era mais do que motivo para estar rindo a toa...-Queria poder estar aqui quando você acordou meu amor.
-Está tudo bem mãe... Está aqui agora e isso é o que importa... -Retribui o abraço com mais força.
Não me lembrava da ultima vez que havíamos ficado nós quatro juntos, apenas em família, rindo de coisas sem sentido. Minha mãe estava sentada o tempo inteiro junto a mim. Praticamente senti necessidade de perguntar-lhes.
-Mãe... -Comecei de vagar nem acreditando que perguntaria aquilo... -Você acha que sou uma filha ausente?
Ela olhou para meu pai parecendo precisar de ajuda pela resposta. Já estava pronta para ouvir que não quando ela me surpreendeu.
-Bom, a verdade é que não temos passado muito tempo juntos. Eu sei que seu trabalho é importante, mas sua família também é filha.
Aí... Agora sim eu sentia o remorso que Bill havia mencionado. Sorri sem graça para meus pais pensando no que mais ele havia falado.
Queria lembrar dos olhos castanhos o menos possível, não ter reparado o quanto sua boca era linda e nem que ele havia dito que me amava...Se a intenção de Bill Kaulitz era torturar minha cabeça ,ele havia conseguido.
Meus pais haviam saído para comer alguma coisa, amanha finalmente eu sairia daquele hospital, tão furada como uma peneira tamanha quantidade de sangue tirado para testes e mais testes que sempre indicavam que minha saúde era perfeita. Comecei a questionar se não havia saído do acidente com nenhuma sequela, como disseram os médicos. Eu não podia estar no meu juízo perfeito pensando tanto em Bill como eu estava. Chaqualhei a cabeça afastando o rosto do pensamento, voltando a atenção para a revista que eu tinha nas mãos e tentando jogar conversa fora com minha irmã lendo logo ao meu lado.
-Então, já conheceu alguém que eu possa chamar de cunhado? -Folhei uma página da revista ao perguntar.
-Conheci alguns caras em festas, mas nada sério... -Disse ela sem tirar a atenção do livro em suas mãos.
Revirei os olhos pensando no método da minha irmã em conhecer alguém. Tem tanta agitação e promiscuidade nestas festas que me admira que alguns casais saiam dela sabendo o nome um do outro.
-Festas não são um bom lugar para conhecer alguém. Você tem que olhar nos olhos da pessoa para saber se é especial, e duvido que isto seja possível nestas festas... -Folhei mais uma pagina da revista dando por conta das palavras que havia dito.
“Alguém me disse que tenho que olhar nos olhos para reconhecer alguém especial...”
Eram exatamente as palavras de Bill... Santo Deus ele havia conseguido me perturbar com suas asneiras. Mais uma vez afastei a memória dele para o lugar mais fundo dentro de mim já estava pensando nele muito mais do que deveria.
Finalmente chegou o momento de voltar para minha casa, Bill não voltou a me procurar sequer uma vez, depois que eu o expulsei do hospital. Meus pais voltaram para Washington assim que eu prometi que nos veríamos em breve. Pedi a Natasha que ficasse mais alguns dias comigo, sabia que ela já tinha feito demais por mim, mas a ideia de ficar sozinha em meu apartamento me assustava de uma forma que nunca havia acontecido antes. Havia chegado a hora de retomar a minha vida.
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