Enquanto Ela Silenciava

21 Capítulo 19 - O Lugar das Palavras Inacabadas



O despertar foi lento, como se o corpo hesitasse em enfrentar o dia que prometia ser longo. Diego levantou-se devagar, cumprindo o ritual costumeiro: café da manhã modesto, banho rápido, e a escolha cuidadosa da roupa que usaria para encarar o trabalho — e, mais tarde, o encontro que lhe enchia o peito de esperança.

Na mochila, a camisa que havia separado com carinho para Gabriela. Um símbolo silencioso da expectativa que o acompanhava desde o momento em que acordara.

Chegando à empresa, um suspiro de alívio: a máquina funcionava sem falhas, o supervisor não interferia, e o dia parecia conspirar a seu favor. Ainda assim, o relógio era um inimigo invisível, impondo o ritmo da rotina e ameaçando o momento que Diego tanto aguardava.

As três pausas do dia, destinadas ao descanso e à refeição, foram transformadas em breves fugas para conversar com Gabriela. Cada mensagem trocada alimentava e torturava sua ansiedade em igual medida — seria aquele o dia em que finalmente se encontrariam?

Pouco antes de encerrar o expediente, o telefone vibrou. Era Gabriela. “Cheguei no shopping com a minha irmã e prima. Vem me encontrar.”

O coração de Diego acelerou, as mãos ficaram úmidas, e o rosto denunciava uma mistura inquieta de ansiedade e esperança. Quando perguntado sobre o que o afligia, ele desviava o olhar, sussurrando que era nada — como se o silêncio pudesse preservar aquele encontro tão esperado.

Finalmente, a liberação. Diego agarrou a mochila, caminhou até o banheiro, vestiu a camisa escolhida, borrifou perfume com moderação — para deixar uma marca, mas sem exageros — e ajeitou os cachos rebeldes, do jeito que gostava.

Naquele instante, a insegurança tentava dominá-lo, mas sabia que o momento de fugir havia passado. Respirou fundo, saiu do banheiro, e seguiu rumo à saída da empresa.

O ônibus demorou a chegar, e a cada veículo que passava, a ansiedade aumentava. Quando finalmente subiu no transporte, a esperança parecia pesar no peito e voar junto com o movimento da cidade.

Ao chegar no shopping, o primeiro gesto foi conectar o celular à rede Wi-Fi, buscando notícias de Gabriela. Nada. Um suspiro e ele mesmo enviou a mensagem: “Você ainda está aí ou já foi embora?”

O silêncio na resposta só ampliou a inquietação. Até que, finalmente: “Estou comendo com minha família na praça de alimentação. Me encontra aqui.”

O celular guardado, o coração pulsando forte, Diego adentrou a praça. Os olhos vasculhavam cada rosto, cada mesa, tentando encontrar aquele que fazia seu mundo girar.

E quando pensou que o vazio o venceria, sentiu a vibração do celular no bolso. Ao desbloquear, uma mensagem simples e direta brilhou na tela:

“Estou vendo você…”