Notas iniciais
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Quando foi a última vez que conversamos? Você se lembra?

Não digo a última vez que puxei uma conversa com você e que foi evasiva. Digo aquela última. Sabe, aquela a qual você só faltou me chamou de infantil, onde disse que eu pensava que você fosse uma criança que não sabia o que estava fazendo e que precisasse de proteção?

Lembrou?

Lembra o que a motivou?

Eu sei que recorda, pois durante todo esse tempo eu não consegui esquecer em nenhum momento. Mas às vezes acho que você pensa que esqueci, que segui com a vida como se não houvesse amanhã... que pena pensar isso de mim...

Naquela época dissemos coisas ruins para ambos, dolorosas e tudo por que? Por verdades que foram contadas a nós. Verdades as quais nunca saberei se foram reais ou não.

Sabe, eu creio que fui um fantoche nas mãos de certas pessoas. É isso mesmo... um bonequinho feito para enganar e ser enganada. Aquilo machucou você, mas também me feriu profundamente, principalmente por que ao longo desse tempo ter tentado algumas vezes iniciar uma conversa contigo e sempre receber respostas curtas, evasivas, sem emoção, sem carinho, sem risadas como era antes de tudo ter acontecido.

Nós conversávamos diariamente, riamos, chorávamos, comentávamos sobre os filmes que víamos, os livros que liamos, tínhamos planos de nós casar e tudo. Porém, a vida nós deu uma bela rasteira e o que criamos ao longo do tempo se deteriorou de uma forma que nunca pensei que ocorreria.

Eu sei que acha que te esqueci. Que estou vivendo a vida completamente, com novos amores, novas amizades e novos sonhos, mas como isso é leviano!

Sempre fomos palhaços e, por isso, você deveria saber que palhaços quando saem do picadeiro, e retiram as toneladas de maquiagens que trazem alegrias para o público, choram copiosamente.

Durante esse tempo percebi o quanto você mudou, mesmo distante, mesmo não aceitando mais a minha presença em tua vida. Eu sei!

Hoje também sei que errei naquela época, mas não pelas coisas que disse e sim pelo que não disse. Eu esperei, esperei e esperei religiosamente que me contasse o que haviam me contado e não falei nada sobre.

Você nunca disse nada do que me contaram e hoje percebo que tudo foi um plano. Um verdadeiro engodo sobre tudo e sobre nós.

Aquilo me desestabilizou e separou todos os que estavam ao nosso redor.

Eu percebi que sofreu, que não estava bem, mas você nunca tentou compreender o porquê de minhas palavras ou de minhas atitudes, você nunca viu o meu lado da história ou o lado da história que me contaram sobre o que ocorreu.

Eu não sei se o que me contaram ou o que você pregava na época era verdade. Hoje eu não me importo.

Não busco mais por uma verdade.

A única certeza que tenho é que te perdi. É a de que nunca mais te terei do meu lado novamente e isso me deteriora por dentro de uma forma que você não sabe.

Eu vejo que está melhorando.

Você voltou a sorrir como antes, mas eu... eu vou continuar chorando com a dor da sua falta e me culpando por ter acreditado em toda aquela peça a qual fui uma marionete na mão de terceiros.

Hoje você volta a sorrir e eu agradeço muito por isso, pois sei que ficará bem, mas a fantoche aqui continuará tendo que limpar as lágrimas que não param de cair nem mesmo enquanto escrevo está carta que sei que nunca lerá...

Notas finais
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!