Lindsay desceu do carro e andou até a porta da antiga casa. pensou ainda se deveria ou não bater na porta, afinal ainda era cedo. quando finalmente foi tocar a campainha, a porta se abriu a sua frente.

- Bom dia, senhora! - disse uma senhora de meia idade — O senhor Vinícius avisou que a senhora viria, entre por favor. — ela deu passagem para a jovem entrar. — Seu irmão já acordou e está tomando café em seus aposentos, vou acompanhar a senhora. — a garota não falou nada, apenas acenou com a cabeça e segui a senhora pelos corredores da mansão.

Ambas pararam frente a uma das portas do largo corredor de portas que passaram e a senhora bateu duas vezes na porta, até que ouviram um abafado “entre” vindo da parte de dentro do comodo. Ao abrir a porta Lindsay pode avistar logo seu irmão sentado na cama com uma bandeja cheia de coisas a sua frente.

- Ora, ora! olha só quem os bons ventos me trazem de volta!? — ele disse quando olhou para a porta e viu o olhar apreensivo de Lindsay. - Entra logo, irmanzinha! - ele disse logo abrindo aquele sorriso encantador. Lindsay entrou correndo e deu um logo abraço nele e depois um soco em seu ombro. - Hey! isso dói! - a senhora permaneceu na porta observando - Pode ir Marta, muito obrigado por tudo! - Ela assentiu e saiu.

- É pra doer mesmo, garças a você eu só conheci gente louca nessa cidade e pior, eu tive que voltar para essa cidade. — Liam a encarou rindo. - Não, ria! Só tem pessoas loucas nessa cidade! como consegue morar aqui ainda? E quem é aquela tal de Audrey? Ela é louca sabia? Ela me seguiu até em casa, falou que era sua namorada e que era uma bruxa. Fora...

- Ela é minha namorada. - Liam a interrompeu disse simplesmente. A garota o encarou por alguns instantes confusa. — É, eu ia te contar, mas é que foi tudo tão rápido...

- Primeiro me conta o que houve com você. Como veio parar aqui? Alias, por que novamente esse senhor te salvou?

Liam respirou fundo.

- Pegue aquela cadeira ali e traga mais para perto da cama. - Lindsay fez o que seu irmão mandou, pegou a cadeira, a trouxe para mais perto da cama e o observou atentamente. - Eu estava te escrevendo outra carta, porém, eu ouvi um barulho no sentido da floresta, então eu fui ver o que estava acontecendo e quando eu percebi um lobo gigante me atacou, eu sangrei muito e perdi a consciência, quando dei por mim eu estava aqui. O senhor Vinícius disse que em seu passeio matinal, ele me encontrou e me trouxe pra cá para casa dele e para não preocupar a Audrey com meu estado, pedi par que ele não dissesse nada para ninguém. — Lindsay fez menção a falar, mas Liam levantou a mão pedindo para ela parar. - Eu sei o quanto você, ela e Matt devem estar bravos comigo, sei que o papai deve estar preocupado também, mas entenda, como explicar que um lobo gigante me atacou por carta?

- Como você conheceu esse tal de Vinícius no final das contas?

- Ele se mudou pra cá a uns meses atrás e levou seu carro para concertar na oficina, já te falei isso uma vez por carta.

- Sim, eu me lembro, mas não sabia que vocês eram tão amigos assim.

- Não eramos, mas ele as vezes ia na oficina quando eu estava fechando e nos ficávamos conversando. Ele me contou que veio para cá para tentar esquecer a morte da sua filha.

- Ele tinha uma filha? Ele não é meio novo pra isso?

- De olho no Vinícius, irmanzinha? - Liam segurou um pequeno sorriso.

- Ele é novo para ter uma filha, não quer dizer que ele seja novo pra eu namorar ele. — Lindsay disse brava pela insinuação do irmão, o que fez Liam não segurar mais o sorriso e rir da irmã. - Ele me lembra alguém, só não sei quem. Enfim, o Matt veio comigo ontem aqui, mas como você estava apagado, nós não entramos para te ver.

- Voltando para a sua namorada maluca, ela mandou eu te entregar um negocio. - Lindsay começou a procurar em sua bolsa até pegar o frasco com o liquido azul - Ela mandou você tomar isso, que iria melhorar e falar que te ama. — Liam pegou o frasco e sorriu - Matt, veio comigo ontem aqui te ver, mas você já estava dormindo, então não nos deixaram entrar.

- Como Audrey e Matt estão?

- Bem, bem...

Liam e Lindsay ficaram horas conversando, quando finalmente se deram conta da hora, Marta já estava entrando com o almoço de Liam. A governanta perguntou se a garota almoçaria ali também, mas ela não aceitou, continuou a conversar com o irmão até ele terminar o almoço e capotar de sono. Então ela achou melhor o deixar descansar, deu um beijo em sua testa e saiu, afinal, não dá para colocar 10 anos longe em apenas uma tarde.

Ao sair Lindsay estava tão distraída, que nem reparava por onde andava, quando percebeu havia entrado em outro quarto. O quarto que ela havia entrado era um pouco maior do que onde seu irmão estava, no centro havia uma cama de casal no estilo medieval com uma cortina de seda em volta da cama e em frente à cama uma poltrona com uma boneca de porcelana. Lindsay não resistiu e entrou no quarto para ver a boneca mais de perto.

A pegou nos braços e sentou na poltrona brincando com ela, passou ali alguns minutos admirando a boneca, quando finalmente ia deixar o comodo reparou no quatro que ficava frente a cama. se aproximou para olhar mais atentamente, ainda segurando a boneca em seus braços. Era o retrato de um casal, o homem mais velho estava serio, em pé e com a mão apoiada no ombro da garota que devia ter a idade de Lindsay, a garota estava segurando uma boneca idêntica a que Lindsay segurava agora. A garota tinha uma expressão feliz, uma mão segurava a mão no seu ombro e a outra a boneca, mas ela estava sorrindo, estava feliz. Lindsay voltou seu olhar para o homem no quatro e então percebeu, era Vinícius, então aquela só poderia ser a filha que Liam havia falado.

Lindsay ficou tão absorvida pelo quadro, que até esqueceu onde estava, ficou observando a alegria da garota, aqueles olhos verdes vivos e um sorriso tão cheio de ternura. O olhar severo de Vinícius, mas a mão dele sobre o ombro dela estava suave, mas por proteção.

- Não deveria estar aqui, sabia? - alguém perguntou atrás de Lind a fazendo pular de susto e quase derrubar a boneca.

- Desculpe-me senhor, eu... é... me perdi. entrei por acaso aqui e vi a boneca e o quadro... desculpe. — Lindsay apressou se em colocar a boneca novamente sobre a poltrona como havia encontrado e pegar sua bolsa sem olhar para Vinícius que a encarava sem expressão alguma.

- Ela tinha um sorriso encantador, não acha? - Lindsay virou para olhar do que ele falava e percebeu que ele estava com as mãos para trás olhando a garota do quatro e não mais ela. - Era igual da mãe dela, sincero e sem culpa de ser feliz.

- A mãe dela devia ser muito bonita, ela não parece nada com você. — Vinícius olhou para a garota intrigado — Desculpa! Eu não sei segurar minha língua, falo sem pensar. Ela era sua filha, obvio que parecia com você. — o rapaz riu — Tá, mas ser palhaça também não é minha função. Do que você está rindo?

- Vocês duas tem a mesmo habito de falar e depois pensar, apenas achei engraçado, me perdoe por rir. Ela não era minha filha, mas eu a amava como se fosse.

- Ah! — Lindsay deixou escapar logo pensando em mil coisas. — Entendi.

- Não, menina! A mãe dela era uma bailarina e a única mulher a quem eu realmente amei. Ela foi iludida por um rapaz que a deixou grávida dela e sumiu na vida. Quando descobriu que estava gravida ela veio até mim, assustada. Dei a ela meu nome, foram os meses mais felizes de minha vida, até que na noite em que ela nasceu, minha amada se foi. Deixando-me apenas a criatura que eu mais amei e quis proteger do mundo.

- Mas você não pode proteger alguém do mundo. - Lind deixou escapar e Vinícius a encarou com a sobrancelha arqueada — Desculpe, minha língua é grande, eu sei.

- Não, ela falava isso pra mim. “Você não pode me proteger do mundo todo” — ele voltou seu olhar novamente para o quadro — Mas como falar para um pai que não poderá proteger sua cria das maldades do mundo e das pessoas?

- Qual era o nome dela? — Lindsay perguntou distraída, Vinícius olhou atentamente para Lindsay, enquanto ela observava o quadro.

- O nome dela era Engel. — Lindsay olhou assustada para Vinícius, que apenas se pós a sorrir. — Está tudo bem, menina Lindsay? Você está pálida! — Lindsay se apoiou na coluna da cama e acenou com a cabeça. — Quer que eu lhe traga algo, menina? — Vinícius se aproximou com medo de que Lindsay caísse.

- Não, eu estou bem. Eu... preciso ir embora daqui. — sem esperar nada, Lindsay pegou sua bolsa e saiu correndo de lá, achando facilmente a saída da casa, ao entrar em seu carro ainda sentia falta de ar e em sua mente veio novamente o sonho. Lembrava da garota, da faca suja de sangue, dos olhos transformando em vermelhos, do sentimento de angustia que ela sentia, mas por que? O que ela, Lindsay tinha com tudo isso? A garota ligou o carro novamente e partiu. Não tinha ideia para onde ir, mas tinha certeza de que tinha é que sair dali.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.