Juscelino desceu as escadas feito um raio.

Enquanto o mundo se movimentava á sua frente, ele via tudo apenas como um passageiro de ônibus, sem dar importância para a paisagem e dando lugar á pensamentos muito mais importantes em sua cabeça. As imagens de sua mulher e filha passavam em rápidos flashes na sua frente á cada vez que piscava o olho, da mesma maneira que um ponto de luz branca permanece á nossa frente após olhar por um longo tempo diretamente para o sol.

Ele tropeçou no ultimo degrau e caiu por cima de alguém que passava.

– Vamos Juscelino, não cai não. – Jorge disse segurando-o pelos braços impedindo que Juscelino quebrasse o nariz contra o chão. Só agora Juscelino percebia o quão em pânico estava. Só agora percebia sua mão tremer e o suor descer em seu rosto.

– Valeu Jorgão, mas eu preciso ir. – Juscelino disse, sem nem ao menos agradecer por Jorge tê-lo salvo de quebrar o nariz.

Ele precisava se apressar, a vida de sua família dependia daquilo. Não havia tempo para parar e pensar. Nem tempo para agradecer. Na realidade não havia tempo para nada, pois em questão de segundos aqueles soldados desceram das naves gigantes e começaram a aniquilar toda a humanidade. Era só uma questão de tempo para que eles chegassem ali e, em seguida, á sua casa.

– Peraí Juscelino! – Jorge o chamou, mas ele não deu ouvidos. Passava pelo corredor ás pressas, quando um tremor o fez parar. Não pode ser um terremoto, pensou. Mais um tremor ocorreu, porém mais leve e um fino feixe de poeira caiu do teto. Ao olhar para o lado viu a prateleira de molhos de tomate se aproximar. Ela se inclinava caindo na sua direção. Ele tentou correr, mas já era muito tarde para ter uma reação. Vários recipientes de vidro com seus variados molhos na cor vermelha se espatifaram no chão, espalhando cacos e molho para todos os lados. Ele estava com as costas para o chão, usando-o como apoio para segurar a prateleira que insistia em esmaga-lo. Estava pesado demais e apesar de todo o esforço ele não conseguiu levanta-la. Ele viu a lâmpada no teto se apagar após um repentino clarão. Sua cabeça estava latejando e era bem provável que ele tinha batido a cabeça em algum lugar, um líquido quente escorria pelo lado do seu rosto e algo dizia a ele que não era molho de tomate.

Com a respiração ofegante ele tentou mais uma vez concentrar todas as suas forças para levantar, mas em vão. Até que Jorge apareceu repentinamente como um anjo e o ajudou com a pesada estrutura de ferro. Quando o açougueiro conseguiu livrar a parte inferior de Juscelino com apenas um braço, ele sentiu uma fisgada forte na perna. Quando olhou para a perna direita, uma mancha vermelha preenchia grande parte da calça e nela mostrava a parte onde um pedaço de vidro estava fincado na carne.

– Caramba Juscelino! – Jorge disse com sua voz grave.

– Não não, eu tô bem. – Juscelino segurou o vidro com a mão e com um esforço e uma dor indecifráveis retirou-o da carne. Mais sangue saiu, mas felizmente o corte não foi profundo. — Eu só preciso...

A tontura o atingiu com um golpe. Ele se apoiou no ombro de Jorge e fechou os olhos com força emitindo um grunhido de dor.

– Calma cara! Relaxa. A gente precisa pensar antes de fazer alguma coisa. – O semblante de Jorge era sério. Seu cavanhaque transmitia uma aura medieval como um forte guerreiro pronto para lutar em uma batalha até a morte. Motivado pela imagem criada em sua mente, ele se reergueu com uma onda de força que surgiu dentro de si. A tontura havia passado.

Uma figura baixa com roupas brancas e ar preocupado apareceu pelo lado do corredor onde eles estavam. Por um momento ela fitou a prateleira cheia de produtos caída, depois voltou o olhar para os vidros e coisas quebradas no chão e por fim depositou o olhar em Jorge que oferecia apoio para Juscelino que já não precisava de ajuda.

– Jorge eu estava procurando você! – Rita falou assustada. – Onde tu tava?

Apesar do tamanho, ela segurava uma enorme faca usada para cortar carnes no setor de açougue. Ela mostrava-se corajosa, ou pelo menos tentava aparentar. Ela trabalhava junto de Jorge e Gabriel e por vezes precisava da ajuda de seus superiores para efetuar algumas tarefas. O açougue era motivo de zoações constantes por conta de deslizes causados por Jorge com relação á gramática e ortografia, mas isso não o impedia de ser um ótimo profissional na empresa que trabalhara por muitos anos. Ele era forte, alto e suas vestes eram sempre impecáveis de tão limpas. Mesmo entrando nas ondas de zoações de Adeildo, ele sabia diferenciar as horas de brincadeiras das horas que exigiam mais profissionalismo. E quando as horas mais sérias chegavam ele fechava a expressão causando medo á todos que se colocavam na sua frente.

– O que você tá fazendo com isso na mão? – Jorge perguntou autoritário. Juscelino olhou para a longa lâmina nas mãos de Rita e por um momento ouviu um som de explosão bem distante. Mas não tão distante.

– Oxê, que é isso? – ele perguntou passando os olhos de Rita para o facão.

– É para me defender! – Rita disse como se tivesse sido ofendida.

– Passa isso pra cá. – Jorge disse. De forma bruta ele arrancou o facão das mãos pequenas de Rita sem que ela sequer questionasse sua autoridade. – Vamos pro meu carro. – ele disse para os dois. — Eu te deixo na sua casa Juscelino, de lá você se vira. Eu tenho que ir pra minha atrás da minha mulher e minha filha, te deixo na sua casa no caminho Rita.

– Tá bom, mas vamos logo né Jorge. – Rita começou a se irritar. – Essas coisas já estão aqui perto.

Juscelino tomou a liderança e saiu pra fora do mercado. O caos reinava em todos os lugares, inclusive nos céus. Um enorme avião do exército se chocou com umas das naves gigantes no momento em que Juscelino colocou os pés na calçada. A explosão monumental chamou a atenção de todos que corriam pela rua assustados. No céu a coluna de fumaça que começava a sair do acidente aumentava á cada segundo. Na rua, as pessoas corriam desesperadas e ele viu varias senhoras sendo jogadas para os lados de maneira selvagem e cruel. Ele também não se importou, afinal, os mais fortes sobrevivem e era isso que ele devia fazer. Sobreviver.

Sua cabeça girava e ele se sentia agitado, como em um dos games de ação que costumava jogar.

– Meu Deus Jussa! Olha praquilo! – Rita puxou Juscelino pela manga da camisa. Ele se virou na direção que Rita apontava e precisou se dirigir para o meio da rua para que a visão do que acontecia ficasse melhor.

No lugar onde antes era a praça do metrô Tiradentes agora se via uma coluna com brilho azul claro que ligava o solo com uma das enormes naves que pairavam no céu. Vários pontos pretos desciam pela coluna, vindos do centro de uma das naves espaciais. Os pontos paravam na altura do solo e logo saiam do centro da luz como homens de armaduras negras e capacetes que saiam marchando e formavam uma enorme fila, com armas enormes em seus braços em prontidão.

Um calafrio percorreu a espinha de Juscelino e ele se viu dando um passo para trás. Começava a ventar forte e sua camisa tremulava quando o vento a lambia com velocidade levando poeira para o rosto dele e de todos que estavam do lado de fora de seus locais.

– Mas que porra é essa! – Jorge falou impressionado.

– Não véi, num é possível! – Juscelino disse. Ele passou a mão pelo rosto tentando acreditar. Ele costumava fazer isso quando não tinha mais paciência, ou então quando se sentia pressionado. Mas aquele não era nenhum dos casos. Ele fez aquilo expressando incredulidade.

– Tamo fudido! – Juscelino ouviu Gabriel falar em algum lugar ali perto.

Pelo canto do olho ele viu Erik com uma expressão indecifrável. Ele poderia jurar que Erik já não existia, pois o garoto parecia hipnotizado. Ele olhou para frente e um dos homens, aparentemente com o dobro do tamanho, se colocou na frente da fileira de soldados armados. Este segurava um enorme machado e quando o levantou emitindo um grito animalesco, os soldados se puseram á marchar. Quando eles deram os primeiros passos ele conseguiu sentir o solo tremer levemente.

Então, começaram a disparar. Os tiros explodiam tudo e Juscelino conseguiu sentir o cheiro de enchofre no ar, misturado com entulho, poeira e sangue.

As pessoas corriam, mas não valia de nada. A morte era algo inevitável durante um bom tempo á partir daquele dia e as baixas seriam tantas que a população mundial se veria obrigada a se refugiar. Mas o problema era o local. Onde poderiam se esconder de um ataque vindo dos céus? Qual seria o local ideal para fugir de seres estranhos e tão vem armado quanto eles?

Juscelino teria de pensar em alguma alternativa mais tarde, porque o momento era de urgência.

– Vamos embora daqui. – Jorge falou com o tom de voz seco. – Anda!

Juscelino viu Gabriel segurar um Erik petrificado pelo braço e ir na direção de um carro ali perto, onde César, Telma e Lilith já tentavam entrar assustados.

Quando ele se virou para seguir Jorge, a nave que momentos antes fora atingida por um avião estava caindo na escola particular que ficava do outro lado da rua. Ele não quis ver o que aconteceria a seguir. Seria uma cena aterrorizante ver as crianças morrendo esmagadas por milhares de quilos de ferro e aço.

Ele então seguiu Jorge quando viu que os soldados já estavam bem próximos. Tudo acontecia em uma velocidade impressionante. Ele viu um projétil vindo em sua direção, e ele se abaixou fazendo o alvo ser um carro no outro lado da rua. A explosão causou uma onda de calor que jogou ele na parede da lateral do mercado. Mais poeira subiu no ar e ele tossiu quando engoliu uma quantidade excessiva de ar poeirento.

Jorge abriu a porta do carro e sentou no banco do motorista. Quando apalpou os bolsos em busca das chaves, elas não estavam lá.

– Porra, minhas coisas ficaram no armário. – praguejou ele.

– Não acredito Jorge, como você é burro! – Rita disse estressada, passando a mão no cabelo que ela havia feito progressiva no dia anterior. Era possível notar pela raiz que não tinha funcionado muito bem.

– Perai! – Juscelino falou. Ele se inclinou para frente no banco do motorista.

– Não Juscelino, isso não é hora pra safadeza não.

– Cala a boca sua anta, eu quero reconectar os fios para ligar o carro. – Juscelino retrucou. Não tinha paciência para aquele tipo de brincadeira e o sangue ferveu enquanto tentava reconectar os cabos.

– Ah tah! – Jorge tentou se espremer para o lado a fim de oferecer mais espaço para que Juscelino fizesse o que deveria ser feito. Após longos segundos agonizantes onde Juscelino arrancava os fios á dentadas, o carro fez um ronco sonoro e estremeceu.

Quando os soldados já começavam a aparecer resolutos pelo espelho retrovisor, Jorge acelerou o carro. Por pouco quase acertou uma mulher de vinte e poucos anos que corria na direção para onde iam. Ele virou para a esquerda e seguiu pela rua.

Houve uma explosão no lugar onde o carro passou. Mas por sorte já estavam á muitos metros á frente.

– Onde que é mesmo Juscelino? – pela expressão de Jorge ele acabara de descobrir que nunca visitara a casa de Juscelino antes.

Juscelino olhou pela rua á sua frente. Por detrás dos vidros da janela do carro ele conseguiu ouvir barulho de explosões e gritos agonizantes. As ruas repletas de carros batidos e em combustão. Era uma verdadeira cena de filme de ação, ou melhor, de terror. Como um apocalipse zumbi, só que com mais inteligência por parte dos atacantes. As pessoas tentavam encontrar refugio nos prédios que iam se esvaziando aos poucos, mas mal sabiam elas que ali não era um local livre de qualquer dano. Pelo contrário, seria nos prédios que os Aliens iriam atacar primeiramente, fazendo com que a população se assustasse e tentasse fugir para que, enfim, pudessem dizimá-los.

Era isso que eles eram, pensou Juscelino. Aliens. Vieram de outro planeta, de outra galáxia para que pudessem se aproveitar de alguma raça inferior. Mas, qual era afinal o objetivo deles? Nos aniquilar? Nos escravizar? O que eles queriam?

– Pode virar nessa terceira rua. – ele disse por fim, tentando voltar sua mente para a missão principal que era resgatar mulher e filha.

Havia um banco Itaú na rua que soava alarmes e pelo retrovisor Juscelino conseguiu discernir um vidro estilhaçado e várias notas de diferentes valores espalhados pelo chão. Era bem provável que ladrões tenham aproveitado da situação para roubar dinheiro em um banco onde não tinha mais nenhuma alma viva.

Jorge parou em frente á um carro com metade do poste de luz caído em cima, amassando a lataria. Um corpo jazia no banco do motorista, mas pela sombra que o teto amassado do carro fazia não dava para saber se a pessoa ainda estava viva.

– Anda logo Juscelino, nada de pegar frescura de coisa nenhuma. É sua mulher e sua filha e só. – Jorge ordenou.

– Tá certo, eu já volto.

Juscelino se desembestou pra fora do carro e entrou por um pequeno portal entre duas lojas com suas placas de ferro fechadas.

– Jorge, não vai caber todo mundo nesse carro. E eu não vou sem minhas filhas. – Rita disse sendo bem clara e objetiva com Jorge. Era perceptível na voz dela que nada a impediria de sair na missão em busca das filhas. Nem que fosse necessário matar seus próprios colegas de trabalho.

– Cala a boca Rita, eu penso em alguma coisa depois. Você acha que eu não estou preocupado com a minha família também?

– Não, mas...

– Então pronto caralho. Cala a boca que eu sei o que eu estou fazendo.

Rita respirou profundamente enquanto Jorge olhava fixamente á sua frente de forma impaciente. A face de Rita corava de ódio, mas não podia falar nada. Jorge estava ajudando-a e, é como dizia o ditado, não devemos morder as mãos de quem nos dá comida. Ela debatia isso consigo mesma na mente.

De súbito, uma explosão ocorreu no começo da rua, bem na frente deles. Jorge segurou a respiração pensando, caralho Juscelino, vem logo porra. Mas não havia nenhum sinal de Juscelino no pequeno portão por onde ele entrara. O ar foi preenchido por uma espessa fumaça branca que o vento varreu na direção de onde eles estavam. E no meio daquela cortina ele viu uma silhueta.

– Ritinha, o que é aquilo. – Jorge queria que aquilo fosse um sonho. Queria que, aquilo que estivesse vendo não passasse de uma mera miragem. Mas não era.

Rita se apoiou no banco do carona á fim de enxergar melhor á sua frente. Ela semicerrou os olhos e ao lado da primeira silhueta mais duas apareceram, e essas deram lugar á mais quatro. Logo, a fileira imbatível de soldados malignos estava marchando pela rua. Jorge conseguiu ver um deles erguendo a arma que produziu um pequeno feixe de luz azulada. O brilho na arma foi se intensificando, formando um pequena esfera de energia e Jorge sentiu o coração palpitando mais rápido á cada milésimo de segundo.

– Jorge, vamos sair daqui. – A voz de Rita transmitia pavor.

Foi preciso o alerta de Rita soar em seu ouvido para que seu corpo correspondesse. Jorge nunca pensou que teria tanto medo assim na vida. Uma gota de suor desceu pela lateral de seu rosto e ele girou a chave do carro, fazendo-o urrar vivamente. Quando ele tentou pisar no acelerador, algo o impediu de pisar. Ele olhou para baixo e viu uma pequena boneca de plástico bem abaixo do acelerador. Ele a retirou de trás com um toque do pé, mas no instante que levantou a cabeça um jato de luz azul estilhaçou o vidro, arranhando seu rosto e atingindo Rita atrás dele.

Além dos cacos de vidro uma quantidade anormal de líquido vermelho foi jorrado em seu rosto. Jorge sempre manteve suas roupas impecáveis de tão limpas. Trabalhar no açougue onde carne e sangue eram itens constantes se tornava uma tarefa difícil. Mas agora sua roupa, antes branca, estava inteiramente tingida de vermelho com o sangue de Rita. Ele não se atreveu a sequer olhar para trás e ver como a companheira de trabalho estava. Suas mãos tremiam e seu cérebro transmitia um sinal de “Corra!” que ele não ousou desobedecer. Pisou fundo no acelerador e virou o volante para a esquerda. Não iria sair de frente com eles. Não tinha tamanha coragem para isso, no instante em que o carro fez meia curva Juscelino se precipitou com Patrícia e Yasmin que vinham de mãos dadas.

Ao ver o carro fazer a curva Juscelino, em um ato de desespero pulou na frente do carro fazendo com que a visão de Jorge ficasse obstruída.

– Desgraçado, espera! – Juscelino urrou.

Jorge se viu obrigado a parar antes que o amigo se machucasse, e na hora em que freiou bruscamente Juscelino foi lançado á dois metros para frente. Em seu encalço mais um jato de luz zuniu perto de seus ouvidos atingindo o asfalto próximo dele. Pedra e terra foram jogadas para o alto, deixando uma pequena cratera na rua. Enquanto Juscelino tentava se levantar ele colocava a mão no ombro direito que torcera com a queda. Patrícia gritou horrorizada enquanto Yasmin corria para ele com lágrimas nos olhos assustada.

Dentro do carro Jorge olhou para a cena á sua frente. Juscelino ferido enquanto esposa e filha o acudia. Seus pensamentos o transportaram para o conforto do seu lar, mas logo uma explosão abalou a estrutura do carro. Ele se virou para trás, ignorante á massa disforme que um dia se chamara Rita e os encarou. Sem pensar duas vezes ele mudou a marcha e deu a ré. O carro saiu disparado na direção dos soldados que ficaram sem entender a situação por alguns segundos. Segundos estes que foram vitais para a sobrevivência daqueles humanos, pois o carro atingiu, em cheio, metade da fileira enquanto tantos outros caiam em um bizarro efeito dominó.

– Juscelino! Aproveita caralho e vem logo! – Jorge gritou pela janela.

Patricia ajudou Juscelino a se levantar e os dois, junto de Yasmin, se apressaram para o carro com a traseira amassada. Quando Patrícia abriu a porta do passageiro deu um grito de desespero ao ver tanto sangue e um cadáver caído. Ela, com muito esforço e o estômago embrulhando, puxou com todas as forças o corpo e o deixou cair no meio da rua. Ela sinalizou para Yasmin que tentava inutilmente abrir a porta do outro lado que estava trancada e a garota veio correndo na direção da mãe. Em nenhum momento Patrícia deixou que Yasmin percebesse o que estava estatelado no chão, preocupada com a reação da filha.

– Vem logo Juscelino! – Patrícia o chamou. – O que você vai fazer?

– Espera aí, já to indo. – ele respondeu, mancando na direção dos soldados caídos.

– Mas que porra que você está fazendo Juscelino??!! – Jorge falou. Patrícia lançou um olhar mortal o reprimindo pelo palavrão na frente da filha.

– Desculpa. – ele disse. Ele tropeçou e quase caiu no chão em cima de um dos corpos dos soldados malignos. Porém, ele agarrou uma das armas e pôs-se a correr. Aparentemente a arma era feita de um material muito diferente, originário de outro mundo, porque apesar do tamanho o objeto não pesava mais do que um aparelho telefônico.

Juscelino não sabia o que faria com aquilo. Nem sabia como funcionava, na realidade. Mas o que importava era que, tendo a arma do inimigo em mãos, eles seriam capazes de se defender a altura. A parte de saber manejar a arma poderia vir depois.

Juscelino se jogou de corpo inteiro pela porta traseira do carro que estava aberta e no mesmo momento Jorge afundou seu sapato com bico de aço no acelerador. Uma enorme cortina de fumaça tapou a visão dos soldados que, em instantes, haviam se recuperado e agora avançavam com toda a força e fúria possíveis.

Juscelino abraçou forte Patrícia e Yasmin. Nem sequer percebera que Rita não estava mais com eles. No momento nada mais importava á não ser sua família, exceto tentar achar um local seguro para se esconder e esperar por ajuda.

E do banco traseiro, ele olhou para trás. O que viu faria com que sua mente atingisse o ápice da loucura.