Encontros, desencontros e novos encontros
49 Capítulo 49:
Notas iniciais
– Vai deixa, e depois não vai ser nenhum incomodo também. – Ben insistiu com ela.
– Será, o troco de que você vai me ajudar. – Anita afirmou com certa desconfiança, e pensativa.
– Porque eu quero, e não custa, eu não to fazendo nada, e porque eu gosto d mexer com esse tipo de coisa. – Justificou Ben, a olhando sério, como forma de convencê-la.
– Você fazendo planta de arquitetura. – Anita não levou fé. – Não, isso não vai dar certo. – Disse ela, com um sorriso meio debochado nos lábios.
– Ué, eu faço engenharia, esqueceu. – Afirmou Ben, sorrindo para ela. — E arquitetura e engenharia, não são coisas tão diferentes assim, tudo com planta, detalhes. – Alegou ele.
– Não Ben. – Recusou Anita, não se convencendo. Afastando os papéis para o centro da mesa e levantando. – Nós vamos acabar brigando, e eu já estou ficando cansada das nossas discussões, melhor evitar. – Anita falou, realmente não querendo mais prolongar a relação conturbada que ela tinha com ele.
–Opa! – Disse Ben empurrando a cadeira e levantando sorridente. – Então quer dizer que evoluímos. – Ele caminhou até ela.
– Ridículo, eu não sou uma pessoa que gosta de viver em constante guerra, apesar do meu jeito agitado às vezes. – Falou ela, se defendendo.
– Já eu sou uma pessoa, que adora uma guerra, principalmente quando eu acho que pode valer a pena, por uma boa causa. – Ben falou, tocando o braço dela, e encarando com um olhar abusado.
– Já te falaram como é irritante, esse teu jeito abusado e insistente. – Anita disse, soltando o braço dela, e dando uns passes para trás, como forma de se afastar um pouco.
– Tudo isso é você que acha, sabe por quê. – Disparou Ben não tirando seu olhar dela.
– Aham por que. – Perguntou ela, cruzando os braços, vendo que viria mais uma resposta com audácia.
– Porque a gente se atrai, até em um olho no olho, por um segundo que seja. – Falou ele, fitando Anita com curiosidade.
– Ai pronto, começou a pieguice. – Revirou os olhos ela. – Deus. – Proferiu Anita, balançando a cabeça negativamente.
– Tá eu não vou insistir mais, mais te ajudar não custa. – Ben recuou. – Se você quiser, eu posso chamar o Marcelo pra te ajudar então, ele manda bem, eu imagino que se você não entregar esse projeto, você vai ter que pagar uma multa como você disse, e se complicar, ou pior perder o emprego. – Ben ainda quis ajuda-la.
– O Marcelo saiu com a Meg, e olha pela carinha dos dois, quando eles saíram daqui, eles não voltam tão cedo. – Anita previu.
– Marcelo e Meg, é isso mesmo. – Ben quis entender.
– Não sei, pergunta pros dois. – Anita disse, incomodada ao achar que Ben podia estar sentindo ciúmes de Meg.
– Oi, é isso mesmo. – Disse ele.
– Isso o que, pirou. – Anita soltou uma risada.
– Quando você faz essa cara, significa só uma coisa. – Afirmou ele sorrindo, mal sabia ele porque, mas pensar que a garota estava com ciúmes dele, lhe deu alguma esperança em ter Anita de volta, ele não sabia se queria isso realmente, mas estar perto dela lhe trazia uma sensação única.
– E o que seria. – Anita falou, chegando mais perto dele.
– Deixa pra lá. – Ben preferiu guardar para si seus pensamentos.
– Ok, mais chega né, você tá é me atrapalhando com essa falação toda. – Afirmou Anita, se afastando.
– Se eu te ajudar você acaba mais rápido. – Falou Ben novamente. – Vai bancar a orgulhosa. – Alegou ele, querendo dobrá-la. – Vai deixar eu te ajudar, eu juro que, eu não vou falar coisas desconexas como você mesma diz. – Prometeu o garoto, olhando para ela.
– Não sei, mas, eu acho que, eu vou ter trabalho para fazer isso sozinha, com a mão assim. – Anita se convenceu.
– Isso é um sim. – Perguntou Ben, em certo estado de felicidade.
– Uma tentativa, mais facilita você né. – Disse ela aceitando que Ben lhe ajudasse.
– Ok, então você faz o que você conseguir, e eu só te ajudo com os detalhes. – Afirmou Ben, lançando um sorriso para ela.
– Tá mais vamos, logo né, vamos logo porque melhor. – Disse Anita, sentando com uma sensação um pouco desconfortável.
– Vamos. – Concordou ele, caminhando até ela, e sentando ao lado dela.
– Então, assim. – Sorriu Anita se esquivando um pouco da proximidade com ele. – Eu vou começar por aqui, eu acho. – Justificou ela, apontando para o papel, Ben apenas a encarou com atenção.
Enquanto isso Meg e Marcelo caminhavam pela praça.
– Sabe. – Disse ele encarando o céu. – Não tem céu mais lindo do que o do Brasil, numa noite assim, outono mais com esse ar de verão fora de época. – Marcelo falou admirado.
– Ah claro, falo o senhor viajado. – Meg acabou implicando com ele.
– Ah esqueci que você é gringa, não é. – Marcelo brincou sorrindo. – Aliás, até eu acho que já esqueci. – Afirmou ele a encarando, Meg apenas encarou a rua pouco movimentada. – E mais ou menos, eu já dei uma viajada, minha mãe sempre me levava pros lugares com ela, desde moleque, sempre mais a trabalho, ela viajava muito, e eu ainda tenho essa mesma opinião. – Esclareceu ele.
– Eu tenho que admitir que, o Brasil é um lugar lindo. – Meg também concordou, encarando o céu estrelado por um momento, e em seguida olhando para Marcelo que olhava para a loira, admirado.
– Bom mais, é melhor a gente se apressar, ou vai ficar difícil de pegar a sessão no cinema. – Meg argumentou sorrindo.
– Claro, você tem razão. – E os dois continuaram andando. – Até porque a outra nós já perdemos. – Riu ele.
– Ai nossa, to cansada. – Anita confessava a Ben, se espreguiçando para ver se despertava. – Ben é deixa pra amanha, eu termino esse resto, é rápido, eu tenho que estar as dez da manhã lá no Leblon, na loja, mais da tempo. – Afirmou ela. – Se tá com maior cara de sono também vai. – Percebeu ela.
– Ah quanto ah isso você fique sossegada, a culpa não é tua. – Disse ele tirando os olhos do papel e voltando-se para ela. – É do Marcelo, aquela criatura me faz perder o sono toda noite. – Falou Ben rindo.
– Hahaha como assim, é ele fala demais fato. – Anita acabou rindo. – Não vai me dizer também que ele ronca. — Perguntou ela achando graça.
– Fala, e muito, antes de dormir, e dorme, e de vez em quando continua falando dormindo, é impressionante. – Ben explicou, se vendo as risadas também.
– Ai não. – Proferiu ela.
– Anita, eu sei que não é hora pra isso mais, você não achou meu pai estranho hoje, mais cedo, quando ele falou da Vera, eu tive a sensação que ele estava escondendo alguma coisa. – Ben comentou intrigado.
– É, ele tava meio arredio mesmo, mais não deve ser nada, amanhã eu vou ver a mamãe no hospital de novo e vejo se tem alguma coisa. – Anita teve que concordar. — Acho que ela vai ter alta depois de amanhã. — Contou ela.
– Eu acho, eu não sei, se eu to de viagem, mais pra mim, essa coisa da Vera tem alguma coisa a ver com a gente, por isso que meu pai tá ficando assim. – Ben desabafou.
– Por quê? — Ela se preocupou. – Você, você não falou nada pra eles, que a gente, que a gente, enfim. – Anita ficou sem saber como se expressar.
– Que a gente se beijou? – Completou ele sério.
– Isso. – Anita confirmou tensa.
– Não, claro que não. – Ele afirmou a fitando com curiosidade, ao esperar a reação dela. — E o que teria de mais se eu tivesse dito. – Questionou o garoto.
– Sei lá, Ben não é só porque, o tempo passou que a gente vai ser hipócritas, eles nunca gostaram de nós dois juntos, você sabe disso. — Anita justificou. E depois fala o que, a gente não tem nada, não é. – Anita respondeu.
– Ah entendi. – Murmurou Ben, um tanto decepcionado. – A gente não tem porque, a gente não quer, ou porque você não quer, e não quer não sei porque. – Ben disparou.
– Anita sorriu desconcertada. – Ben você fala, como se, sei lá, nós dois tivéssemos tido uma briga boba, saindo pra andar, e agora a gente voltou pra casa porque a noite caiu. – Anita falou irônica. – Acorda, o tempo passou, eu juro que eu não entendo essa tua passividade. – Anita disse impaciente. – Eu nunca pensei que isso fosse me irritar tanto sabia. – Afirmou ela, com os olhos fixos nele.
– Ah e você é o que, a racional. – Ben devolveu não se abalando.
– Talvez, não nego, eu vejo as coisas como elas são. – Admitiu Anita.
– Não Anita, não, você vê como você prefere. – Ben rebateu.
– Não, eu vejo como é Ben, você nem imagina. – Anita negou sincera. – Ih, a mamãe tá triste sim, porque ela sabe que a festa, vai durar até o dia, que a gente vai resolver voltar pras nossas vidas. – Falou Anita, lembrando-se do que ouviu sem querer de Vera no hospital. – E não se faz de, sensato, porque você também não queria vir pra cá, que eu sei. – Anita acrescentou contra ele.
– Ok, não nego, eu não queria, porque eu tinha medo, não sei de medo é a palavra certa, mais eu não queria te encarar no olho de novo, eu acho que você é o espelho do que deu errado, Anita. – Declarou ele, para a surpresa da garota.
– Nossa. – Ela sorriu surpresa. – Pois é, eu sinto te decepcionar mais eu também não queria olhar na tua cara, aliás se dependesse de mim eu não olhava nunca mais. – Anita retrucou não se intimidando.
– Nunca mais, nunca, é muito tempo, às vezes eu acho que nos achamos velhos demais pra idade que temos. – Ben sorriu sem graça.
– Lá vem você, acreditando que, tudo depende somente de nós. – Debochou ela levando a mão ao rosto.
– Você esta falando isso, porque prefere assim. – Disse ele descrente.
– Eu vou pensar o que. – Riu Anita. – Ah já sei, que estamos todos em um filme americano. – Ela se viu aos prantos rindo.
– Com nome de, “A estranha Saga do Príncipe Sapo e da Princesa Plebeia.”. – Soltou ele, vendo as feições de Anita ficarem sérias. – Você lembrou. – Afirmou ele.
– Lembrei, e lembrei também que eu tenho que dormir. – Comunicou ela, perturbada, em gesto de levantar.
– Não Anita. – Afirmou Ben a empurrando na cadeira novamente.
– Não Ben. – Anita proferiu afastando a mão dele e levantando. – Você não tem o direito de bagunçar a minha vida, você tá me entendendo. – Anita afirmou nervosa, ao garoto que ficou com cabeça baixa encarando o chão.
– Ok. – Entendeu ele levantando e indo até ela. – Mais você não tem direito de me impedir de tentar. – Alegou Ben levando sua mão até o rosto dela.
– Só que isso eu também decido, não é. – Anita cruzou os braços o ignorando.
– Então para de lutar contra. – Pediu Ben, encostando seu rosto ao dela.
– Para, para isso. – Ela sussurrou relutando.
– Eu não posso. – Afirmou ele beijando o rosto dela.
– E eu não posso fazer isso, eu não to brincando, eu vou me perder, e dessa vez pra sempre. – Alegou Anita, pensando em afasta-lo. – É sério. – Garantiu ela confusa, olhando ele nos olhos.
– Eu já to perdido Anita. – Respondeu Ben entrelaçando a outra mão nos cabelos dela, ambos de aproximaram mais ainda, e os dois não resistiram em se unir em um beijo apaixonado.
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