Encontros, desencontros e novos encontros
36 Capítulo 36:
Notas iniciais
– Pelo visto vai ser outro dia, daqueles. – Anita afirmava, a Meg no quarto, enquanto terminava de se arrumar.
– Anita, olha pra cá. – Pediu Meg preocupada, com a tensão que rondava a amiga.
– Oi, que foi. – Anita questionou, querendo transmitir que estava tudo bem.
– Eu vi o que aconteceu ontem, ontem te deixei quieta, acho que você tava precisando, mais quer falar agora. – A loira falou a encarando.
– Você ouviu, tudo, então você sabe que eu to péssima, to me sentindo como se as minhas forças tivessem sido arrancadas de mim naquela conversa, se é que pode chamar aquilo de conversa. – Anita confessou com a voz rouca, devido ao nó de angustia que se formava em sua garganta.
– Eu imagino, se pode contar comigo. – Meg disse, tentando apoiá-la.
– Obrigado, já é muito bom poder contar com você, e dizer o que eu to sentindo de verdade, é ruim ter que fingir que tá tudo bem, porque não tá, tá acontecendo o que eu previa meu passado tá sufocando meu presente, tá vindo como um furacão e tirando tudo do lugar, e só esta restando um deserto vazio, eu to me sentindo como se eu estivesse flutuando, desde ontem, mais a sensação não é boa, é assustadora. – Desabafou Anita, chateada até consigo mesma.
– Vai ficar tudo bem, não sofre por antecipação. – Meg aconselhou, sentida pelo estado da garota.
– Eu to tentando, eu vou concentrar na minha mãe, minha família, tentar não pensar tanto nisso em mim, enfim. – Disse ela, ajeitando-se para descer.
– Faz isso, eu já to indo lá, vou só terminar de secar o cabelo. – Afirmou Meg.
– Tá bom, eu vou indo nessa. – Anita respondeu esboçando um sorriso, saindo e fechando a porta.
– Bom dia, bom dia gente . – Anita proferiu chegando até todos reunidos.
– Oi Anita, ó eu e o Abelardo já viemos para ajudar, no que for preciso. – Bernadete falou indo abraça-la.
– É Anita. – Falou também Abelardo.
– Valeu gente, então vocês ficam responsáveis pela empresa, assim que der eu vou lá dar uma força, eu vou pegar as contas que o Ronaldo pediu pra pagar também. – Anita exclamou.
– É Anita, deixa que eu pago, eu vou ao banco resolver um problemas com minha conta, e já aproveito e pago. – Falou Ben tenso, com o clima que se sustentava entre ele e Anita.
– Tá certo então, tão em cima da geladeira. – Concordou Anita, evitando levar seus olhos de encontro aos dele.
– Certo. – Ben respondeu aflito.
– Então eu vou na reunião da escola do Pedro, e depois vou pro hospital, pro Ronaldo poder trabalhar. – Ela explicou. — E Sofia e Gio, vocês vão fazer as compras. – Anita indagou.
– Vamos sim Anita, tá tudo certo. – Disse Sofia enquanto tomava café.
– Ok, eu vou indo então, tchau gente. – Anita falou, pegando a bolsa, de cima do sofá.
Ben correu na cozinha pegou as contas e se dirigiu a porta apressado. — E então to indo também, tchau pra todo mundo. – Ben afirmou, querendo encontrar uma brecha para conversar com Anita.
– Anita, Anita espera, espera aí. – Ben andava atrás dela pela rua, querendo alcança-la. – Hey, hey, hey, espera, custa parar um minuto pra falar comigo. – Ben suplicou ofegante.
– Ai Ben o que você quer hein, olha só na boa, me deixa. – Anita falou sem se importar, continuando a andar calmamente. – Eu vou chegar atrasada, tem horário na reunião. – Disse ela, virando-se para ele caminhando atrás dela.
– Eu preciso falar com você, a gente precisa falar. – Afirmou ele, levando sua mão ao braço dela, e a segurando, impedindo que ela continuasse andando.
– A gente não tem nada pra falar. – Anita virou-se, e o encarou, incomodada com o toque da mão dele no braço dela.
– Por favor, me escuta, depois eu te deixo em paz, eu juro. – Ele insistiu em suplica já.
– Se é sobre a gente, sobre o que a gente falou ontem, eu acho melhor não, melhor evitar, vai ser melhor pra todo mundo. – Ela relutou, perturbada, tirando os óculos escuros e os segurando na mão.
– Não, eu não quero falar sobre o que a gente falou, você se excedeu, eu me excedi, mais eu quero falar sobre o que a gente fez ontem. – Ben disse se referindo ao beijo.
– Olha. – Ela fez uma pausa, parecendo querer encontrar as palavras que fossem certas. – Se é sobre o tapa, foi mal, eu não sei o que me deu, mais na boa, você mereceu, e pra ser franca você merecia outro, depois da grosseria que você me aprontou depois. – Anita afirmou, tentando desviar o real motivo que ele estava falando.
– Não, eu quero falar do beijo, não é possível, que você não sentiu nada, que não significou nada pra você. – Ben perguntou, querendo decifra-la.
– Senti. – Anita respondeu confusa. – Desespero, vontade de gritar de raiva. – Esbravejou ela desviando o olhar. – E, aliás, eu só não fiz isso, porque eu sabia que tinha mais gente em casa, e os nossos irmãos, o Pedro pelo menos estava, francamente hein, respeito mandou lembranças pra você. – Anita reclamou revoltada, encarando o chão a sua frente.
– Você podia até não esperar que eu fizesse aquilo, mais você se entregou também, não põe a culpa só em mim, não é possível, que foi só eu que senti alguma coisa, aqui dentro de mim vir a tona, como se a gente tivesse voltado no tempo. – Ben se declarou.
– Você tá misturando as coisas. – Negou ela, incomodada com as palavras dele. — Nós dois vamos o que, nos comportar como dois adolescentes de novo. – Anita retrucou.
– Pelo menos a gente fazia o que queria, não tinha medo de nada. – Falou ele, evitando que ela não o encarasse nos olhos.
– Ah Ben, me poupe, dessa tua filosofia do passado. – Anita ironizou sem paciência.
– Ah é, você vai fugir. — Disse ele, incrédulo. – Então você se prepara Anita, porque você sabe que quando eu quero uma coisa, eu vou até o fim, e não desisto jamais, e eu não vou permitir que você fuja, você pode se enfiar onde você quiser, pra não precisar me encarar, mais eu vou atrás, você pode até voltar como você disse ontem, que eu sou capaz de comprar uma passagem e ir atrás de você, eu não vou deixar, nisso eu não mudei quando eu quero uma coisa, eu vou até o fim. – Ele respondeu taxativo, se negando a desistir, de fazer ela confessar a verdade, por mais que ele não soubesse qual era realmente essa verdade.
– Como é que é, seu idiota, seu príncipe de araque, imitação barata, você me beija a força, e vem com esse papinho idiota, ah vai te cata. – A garota perdeu a paciência de vez e começou a falar mal, ali no meio da rua mesmo, não gostando nem um pouco da audácia dele.
– Beijar a força. – Quase riu ele. – Olha antes você não reclamava. – Respondeu ele sorrindo debochado. — E engraçado, bem que depois você se entregou, Anita não vem com esse discurso não, a gente se conhece bem até de mais, pra agora fingir que um beijo, entre a gente é um crime, por favor, não apela, a gente tem um passado Anita e um passado muito intimo por sinal, muito mais intimo do que um simples beijo. – Ben retrucou taxativo, tentando se controlar para não explodir com os devaneios da garota.
– Você é um, um, ser. – Viu-se ela abalada. — Um ser desprezível Benjamim, não se leva ninguém pra cama e joga na cara depois. – Afirmou irritada. – Ainda mais sei lá, quantos anos depois. – Anita revirou os olhos, tensa.
– Ah é, então não finge, que não me beijou. – Respondeu ele.
– Ai meu deus, cala a boca e me esquece, e não chega mais perto de mim, ou dá próxima vez, você não vai mais sair na rua no outro dia, porque eu juro que eu te dou um tapa muito pior que aquele, que você não vai nem poder sair na rua, com a cara marcada. – Anita ameaçou, se debatendo para ele solta-la, ajeitando a echarpe e o cabelo desgrenhado devido ao vento.
– Tá bom, ficamos assim, o tapa pelo beijo, eu não tenho medo de você Anita. – Ele riu sarcástico sem se importar, querendo provoca-la ainda mais.
– Ah é, mais devia ter. – Afirmou ela, furiosa. – E a mamãe e o Ronaldo, eles não iam gostar nada disso. – Disse ela meio preocupada.
– To nem aí, eu amo eles, considero a Vera como uma mãe, assim como você vê meu pai, como teu pai, mais eu sou criado, vacinado, adulto, dono da minha vida, maior, pago as minhas contas, e não moro mais com eles, e poxa vida nem você. – Afirmou ele tranquilo.
– Até parece, pra eles os filhos não crescem, se já devia da saber disso. – Anita fez bico. – E depois chega, né, como você mesmo disse, um beijo a mais, a menos, no nosso vasto currículo, que a gente nem sabe a quantas andam, perdemos a conta, não vai fazer a menor diferença. – Anita largou de mão, tentando realmente não se importar com aquilo, mais ela viu que estava meio difícil de não pensar, e passou a sentir mais raiva ainda de Ben pela situação.
– Acho melhor você colocar mais alguns de brinde. – Provocou ele.
– Hahaha, ah mais você não vai me beijar de novo, mesmo, sonha, sonha, pensa muito no passado, quem sabe assim você se realiza, em sonho. – Anita murmurou, as gargalhadas o encarando.
– É, se tá querendo pagar pra ver. – Ele riu se aproximando.
– Eu não, deus me livre, me torturar desse jeito, e cai fora. – Falou ela se sentindo estranha com a aproximação dele, o empurrando.
– Tá bom, não temos mais nada pra falar então, não é. – Ben recuou, fingindo não se importar.
– Não, eu não vou te desejar um ótimo dia, você não tá merecendo. – Disse Anita, ajeitando os cabelos, e colocando os óculos e continuando a andar pela rua.
– Nem você. – Gritou o garoto ainda com um sorriso malicioso, a vendo se afastar.
Fale com o autor