Encontros, desencontros e novos encontros
3 Capítulo 3:
Notas iniciais
Nova York: (Estados Unidos).
Por Ben.
Cheguei em casa fui até o quarto terminei de colocar algumas roupas na mala, arrumei minhas coisas, conferi o horário certo do voo, e de repente comecei a me perguntar o que eu estava fazendo voltando para casa, talvez, uma parte de mim não queria acordar nenhuma lembrança que eu deixei para trás.
Eu não queria acordar meus fantasmas, me sentia idiota pela confusão que eu estava fazendo, por favor, era somente uma reunião de família, daquelas que eu em outros tempos, ficaria enormemente lisonjeado de ser convidado, mas parece que isso não estava acontecendo agora.
Eu não conseguia parar de me perguntar o que eu faria se ela aparecesse, sim ela Anita, por mais improvável que isso fosse, Anita não queria me ver e eu tinha certeza disso, talvez ela não fosse justamente por isso, mas minha cabeça parecia não se importar, haviam coisas piores do que a ausência dela em minha vida, talvez o fato deu ter descoberto de que nada que ela me fez no passado, quando estava magoada comigo e completamente descompensada por tudo que ela passou, seria maior do que os meus erros, o maior deles com certeza foi o meu envolvimento com a Sofia, eu só era um adolescente inconsequente, talvez, e eu havia descoberto que Anita me fazia eu me sentir assim de novo, aquele cara sonhador que achava que um amor moveria tudo, em prol dele.
Minha cabeça estava rodando em círculos com essa situação, imaginava se eu a visse de novo o que eu faria, pensar nisso fazia um bolo se formar em meu estômago, não tinha a mínima ideia do que esses dias me reservariam, e muito menos como eu me portaria diante disso tudo.
Encarei meu celular sobre a mesa de cabeceira, e pensei seriamente em desmarcar a minha passagem e não ir a lugar nenhum, inventar qualquer desculpa e fugir daquela situação toda, por mais que meu pai ficasse decepcionado, definitivamente eu estava acovardado como nunca estive antes. Eu ouvi a campainha tocar do quarto, soltei o telefone e fui atender a porta.
– Ah oi, entra. – Ele respondeu vendo um amigo, parado quando abriu a porta.
– Passei lá no teu trabalho, disseram que você ia viajar. – Marcelo o tal amigo de Ben falou entrando.
– É vou visitar meu pai, e minha família que mora no Brasil, mas são só uns dias. – Eu expliquei a ele.
– Nossa, confesso que devo uma visita a minha mãe também. – Ele disse.
– Vem comigo então. – Ben sugeriu ao amigo e colega de faculdade.
– Eu, não, você não falou que é uma reunião de família, não quero me meter. – Marcelo respondeu se negando a aceitar o convite.
– Se você conhecesse minha família, vai entender que por lá sempre cabe mais um, acredite. – Ben afirmou lembrando-se da família barulhenta que ele deixou para trás.
– Será Ben, não tem problema não. – O garoto indagou.
– Nenhum de verdade. – Ben respondeu.
– Então eu vou, visito minha mãe, a aproveito uns dias na minha terra. – Marcelo afirmou de acordo.
– Brasil ai vamos nós então, acho que eu vou curtir que você vá comigo, essa viagem vai acordar alguns fantasmas do meu passado. – Ben confidenciou com um suspiro.
– Eu hein, você fala deu jeito as vezes, o que tanto você deixou para trás. – Marcelo o indagou
– Talvez nada, o que eu deixei, não esta mais lá. – Ben respondeu enigmático enchendo um copo d’água e fechando a geladeira.
– Nada, tipo o que. – O garoto indagou pegando o copo que Ben o alcançava.
– Tá bom, acho que depois de anos eu preciso compartilhar isso com alguém. – Ben falou puxando uma cadeira e se sentando.
– Fala, que agora eu fiquei curioso. – Marcelo lhe afirmou, se sentando para ouvi-lo.
– Eu morava em Miami, desde criança e eu nunca mais voltei ao Brasil, quando eu terminei o ensino médio resolvi voltar pra fazer faculdade na minha terra. – Ben começou a contar.
– Essa parte você já me falou. – O garoto disse.
– Certo eu voltei pra morar com meu pai, ele se casou de novo, e ele e a Vera a mulher dele, juntaram as famílias e todos os filhos. – Ben explicou.
– Hãn, e o que houve depois. – Marcelo perguntou atento a história de Ben.
– Antes de voltar, eu conheci a Anita, filha da Vera em Miami sem saber de nada. – Ben afirmou.
– Mentira. – Ele respondeu pasmo.
– A coincidência que mudou toda minha vida, mais é verdade, e nesse meio tempo eu também cruzei com a outra filha dela a Sofia, quando eu fui buscar a Anita no hotel onde elas estavam, mas ai a gente se desencontrou e eu não a vi, quando eu cheguei no Brasil as duas estavam lá na mesma casa que eu, fazendo parte da minha família, eu achei que eu gostava da Sofia só que isso não passou de uma bobagem, depois eu me apaixonei loucamente pela Anita, os nossos pais não aceitavam, porque alegavam que nós éramos irmãos, nós fugimos um final de semana depois das férias, o Antônio meu meio- irmão seguiu a gente e jogou um vídeo de nós dois juntos na internet, a Anita surtou, ele fez ela pensar que fui eu e nós brigamos e acabamos tudo, depois disso eu me envolvi com a Sofia de maneira impensada, aconteceu umas coisas e a gente nunca mais ficou juntos, eu nunca mais a vi, eu resolvi voltar pros Estados Unidos com a minha mãe, e eu soube pelos meus irmãos que ela mora em Londres hoje. – Ben contou a história de sua vida.
– Nossa eu estou pasmo, eu achava que tinha alguma coisa, mas isso, caraca Ben. – Ele afirmou perplexo.
– Essa a verdadeira história da minha vida, eu perdi a Anita, voltei a morar em um lugar que eu não queria, e eu não vou te mentir eu me sinto frustrado por isso. – Ben desabafou.
– Mas você, sente alguma coisa por ela, quem sabe essa volta não muda as coisas. – Marcelo lhe sugeriu.
– Impossível, a Anita era, e com certeza ainda é, uma garota incrível, deve estar com alguém, eu não sei se eu sinto algo por ela, mais eu nunca amei ninguém como ela, nunca mais senti a mesma coisa por ninguém, meu pai sempre nos dizia que o que a gente tinha era uma paixão de dois adolescentes, mais não, eu amava a Anita de um jeito que eu era capaz de fazer qualquer coisa por ela, dar a minha vida se fosse preciso, o que eu sentia por ela era capaz de durar uma vida toda, era forte de mais. – Ben afirmou com emoção.
– Pelo visto ainda é, não é, cara, você tem que ver como teu olho brilha quando você fala dessa menina. – Marcelo respondeu.
– Olha só, isso fica aqui, certo, não quero que jamais alguém saiba disso. – Ele respondeu com uma cara seria para o amigo.
– Tá certo, mais eu confesso que eu fiquei curioso para conhecer, essa Anita, ela deve ser mega incrível mesmo. – Marcelo prometeu, com uma certa curiosidade lhe atormentando.
– Pode esquecer, eu creio que ela não vá aparecer nessa reunião. – Ben falou.
– Tudo bem, bom eu vou para casa resolver as coisas da viagem. – O garoto concordou se levantando.
– Vai lá, eu acabei pegando um voo com conexão em São Paulo ainda, fazer o que, era o único disponível. – Ben afirmou.
– Eu vou comprar minha passagem, o primeiro de tudo, tchau Ben, e olha pensa numa coisa, a vida da muitas voltas, quem sabe você ainda, não encontra o caminho dessa garota. – Marcelo aconselhou.
– Filosofia barata, não né. – Ben riu.
–Já entendi, não se mete nisso seu chato, tchau. – Ele falou indo até a porta.
– Tchau. – Ben cumprimentou, abrindo a porta para o amigo.
– Até mais. – Ele disse indo embora, rindo.
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