Notas iniciais
Anita bancando a detetive...

– Ai o dia tá lindo. – Anita falou a Meg sentando-se na areia.

– Tá mesmo, demais. – Afirmou Meg sorridente.

– Ai esse lugar, tem suas alegrias não dá pra negar. – Disse Anita contente.

– Muitas. – Concordou ela. – Ah não Anita, a gente tá na praia, desliga esse telefone. – Meg reclamou com ela, quando o celular chamou, e Anita foi conferir quem era.

– Eu já era pra ter desligado, o Gustavo, me ligo cinco vezes só no caminho pra cá. – Anita esclareceu. – Não gosto de ninguém pegando no meu pé. – Anita resmungou desligando o celular e jogando dentro da bolsa.

– Atende logo então. – Meg sugeriu.

– Pra que, eu falo que a gente tá aqui, e ele me revira de tanta pergunta. – Anita falou não gostando da situação.

– Você tá sabendo que esse teu rolo com o Gustavo, tá ficando com prazo de validade. – Afirmou a loira.

– Eu gosto dele, mais sei lá, às vezes ele fica em cima de mais, não gosto Meg de alguém me controlando, toda hora querendo justificar minhas atitudes, ai não sei. – Anita desabafou.

– Despois que rolou, aquela perseguição do Antônio com você, você acabou ficando meio escaldada. – Meg tentou desvenda-la.

– Pode ser, mais eu nunca fui, de ficar muito em cima de todo mundo sabe, as pessoas as vezes tem uma mania de torcer as coisas, querer que elas sejam de um jeito, e pra mim ou é ou não é, eu não fico botando coisa onde não tem. – Anita afirmou.

– É, e isso acontece com mais frequência ainda, quando duas pessoas não estão com o mesmo entusiasmo, com a mesma dependência um no outro. – Meg explicou.

– Tá você pode até ter razão, mais vamos deixar isso pra lá. – Anita falou.

– Ótimo. – Meg respondeu animada.

– Ah dia perfeito, praia incrível, existe coisa melhor Ben. – Marcelo disse quando os dois caminhavam pela praia.

– É tá um máximo o dia mesmo. – Ben concordou dando risada.

– Eita, olha quem tá ali. – Marcelo falou, quando viu Meg e Anita, sentadas a areia da praia conversando com animação.

– A Meg e a Anita, o que elas estão fazendo aqui. – Ben indagou, desconfiando do amigo.

– Ué não sei, vieram na praia também de certo, que nem a gente não é. – Respondeu ele descarado.

– Marcelo, Marcelo, olha aqui, eu te dou um murro na tua cara, se eu descobrir que isso aqui foi armação tua, porque eu tenho quase certeza que foi, você descobriu que as meninas iam na praia, armou esse circo aqui, e ainda me arrastou junto. – Ben esbravejou.

–Eu, que ofensa. – Ele se fez de ofendido de maneira descarada. – Você acha mesmo que eu seria capaz. – Marcelo questionou, enquanto escondia o riso.

– Acho, pra pegar a Meg, você seria. – Disse Ben.

– Irmãozinho, fica calminho né, vamos curtir a praia. – Sugeriu ele, sorridente.

– É, eu não vou deixar você encher a minha cabeça, você não tem jeito. – Ben reclamou impaciente.

– Tudo bem, mais eu vou lá dar, um oi, pra elas. – Marcelo respondeu rindo com intenções.

– Vai pode ir, eu não vou te falar mais nada, eu vou ver se eu arrumou uma prancha pra pegar umas ondas, porque você conseguiu me tirar do sério. – Ben afirmou o encarando.

– Vai lá, depois eu te acompanho nas ondas, mas agora eu vou lá. – Falou Marcelo contente.

– Boa sorte, você vai se precisar. – Ben disse irônico.

– Eu tenho, meu amigo. – E o garoto dirigiu-se até onde estavam as meninas.

– Ai to ficando mal acostumada sabia, muito mordomia. – Meg ria e falava a Anita.

– Com certeza. – Anita gargalhou. – Ih, Meg, não olha agora mais tá vindo alguém pra cá. – Anita afirmou, quando viu o garoto aproximando-se.

– Ham, quem. – Meg falou sem entender.

– Oi meninas, tudo bem. – Marcelo disse, chegando animado, e sentando-se ao lado de Meg.

– Sabia que meu dia, tava muito bom, não é. – Meg rebateu, sarcástica o encarando.

– Eita gente, calma, eu só vim dar um oi pra vocês. – Disse Marcelo.

– Relaxa, é que a Meg, é muito digamos, pessimista. – Brincou Anita, achando graça dos olhares dele para ela.

– Anita, fica quieta. – A loira resmungou.

– Essa praia aqui é linda, não é, a melhor de todas. – Marcelo tentou puxar assunto.

– Também acho. – Respondeu Meg com a cara fechada. – Vocês me dão licença mais, vou dar um mergulho. – Meg afirmou e saiu.

– Primeiro toco do dia. – Anita debochou.

– Primeiro, do dia, mesmo não é, porque até o dia acabar ela me dá uns duzentos. – Marcelo falou, em meio ao desanimo.

– A Meg é uma garota bacana, você que usa as táticas erradas, talvez. – Disse Anita rindo.

– E quais são as certas, to aceitando ajuda. – Afirmou ele sorrindo.

– Ai depende, o que você quer com ela. – Anita indagou o encarando.

– Conhecer, conversar. – Respondeu ele, não sabendo muito bem a resposta.

– E outras coisas a mais, não é. – Anita retrucou.

– Sim, pode até ser, mais ela foge, briga, ela tem namorado é isso. – Perguntou ele.

– Não, mais não diz pra ela que eu te falei, eu só espero que você não queira brincar com ela, porque ai você vai ter dois problemas, encarar ela, e me encarar, o que pode ser bem pior. – Anita falou.

– É, já que você não brinca também. – Marcelo disse achando graça.

– Digamos, que pode depender da situação, mas acho que você, tá certo. – Anita confessou pausadamente, encarando o mar revolto. – Você sabe que ela já foi namorada do Ben. – Anita questionou.

– Sei, e eu não furo olho de ninguém não tá, eu sei que o Ben, não quer mais nada com ela. – Confirmou ele.

– Certo, você e o Ben são muito amigos, se conhecem há muito tempo. – Anita não resistiu em indagar.

– Somos, me deparei na faculdade, numa turma sem conhecer ninguém, sem nenhum brasileiro, ai depois de duas aulas, o Ben apareceu, e como a gente era as únicas pessoas dali que se entendiam, sem precisar puxar do inglês, a gente acabou conversando, ficamos fazendo os trabalhos juntos, e fomos ficando amigos. — Marcelo justificou. — E hoje ele é um grande amigo, eu não posso negar isso, e um cara que eu admiro também, um cara incrível, acho que você sabe disso. – Completou ele.

– O que, que você sabe sobre mim de verdade, o que o Ben te contou. – Anita acabou perguntando.

– Você é direta hein. – Falou com um sorriso constrangido. – Ele me disse, que vocês foram namorados, que a família era contra, enfim, nada de mais. – Respondeu Marcelo.

– E ele te falou do resto. – Anita indagou debochada.

– Ai meu deus, o Ben me mata, eu to aqui entregando ele pra você. – Marcelo se envergonhou.

– Claro que não, eu só te perguntei uma coisa óbvia, como vocês são tão amigos. – Afirmou Anita, achando graça dele.

– Tá certo, e você quer saber o que mais, se ele pensa em você, se ele fala em você, como ele fala. – Implicou ele rindo.

– Não, eu só curiosa admito, eu sempre fui detalhista em tudo, observadora, acho que é por isso que eu curso arquitetura. – Anita explicou. – Mais o Ben também não é isso tudo não, e eu sei bem do que eu to falando, com certeza. – Anita afirmou.

– Ok, entendido, não vou mais te pressionar, aliás, vocês dois não gostam disso, já entendi. – Marcelo disse.

– Mais me fala de você então, não acho legal eu ficar te questionando sobre o Ben. – Anita falou alegre.

– Eu, bom, estudo engenheira, fui pra Nova York pra morar com meu pai, meus pais não são separados mais o trabalho afastou eles, eu acho que eles, sei lá, vivem uma relação meio moderna, um aqui e o outro lá. – Ele riu. – Faço faculdade de engenharia com o Ben, como você deve ter deduzido, não sou rico, sou bolsista, quase enlouqueci pra conseguir a bolsa, e o resto eu acho que você pode perceber. – Brincou Marcelo.

– Namorando. – Perguntou ela descarada.

– Não, eu quase fui noivo, já acabou há uns meses, ela acho, que se estressou com a responsabilidade da relação e pulou fora, no início eu fiquei chateado, mais eu não podia morrer por conta disso, tá eu to meio encalhado também, não sei se isso é bem a palavra, e você tem razão eu me encantei pela Meg, mais ela não tem me dado nenhuma condição. – Admitiu ele.

– Tá ai, pratico você, eu acho que você é uma pessoa legal, e a Meg, bom, você irrita ela, vai pelo caminho errado. – Disse Anita.

– Eu vou ter algumas tentativas ainda, eu não quero brincar com ela, você pode dizer isso pra ela, por favor. – Falou ele.

– Ah tá bom, posso pensar no teu caso. – Anita riu e os dois continuaram a conversa empolgados.