Notas iniciais
Capitulo novo. A tão esperada chegada. Espero que gostem!!!

Por Anita.

O táxi parou em frente ao portão do casarão, Meg e eu descemos, e eu não pude evitar que uma sensação totalmente adversa tomasse conta de mim, era a mesma rua, o mesmo bairro, com algumas mudanças é claro, novos prédios, novas cores, mais foi ali que vivi sensações indescritíveis, momentos de toda felicidade, e as coisas mais tristes que eu vive até hoje, a confusão tomou conta de mim, meu coração se apertou e eu senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto por trás dos óculos, sem mesmo eu querer, todas as vezes que eu vim até ali, era como se eu retornasse ao lugar de uma grande tragédia, eu me sentia como aquelas pessoas que um dia passaram por uma, apesar de que com toda certeza eu nem cheguei nem perto, a única pessoa que com certeza lembra de tudo isso, sou eu, fui eu que jamais botei uma pedra definitiva em meu passado, e que talvez nunca me conformei de que “O amor, puro e forte.”, nem sempre vence, ou pelos menos o meu com o Ben, não venceu, a única coisa que nos sobrou foram as marcas, e todas as feridas que se quer ao menos fecharam totalmente, eu me perguntei por um momento como que eu me perdi tanto daquilo que eu sonhava e acreditava, meu presente não chegou nem perto do que eu planejei lá atrás, uma simples coisa provocada pelo Antônio, ou por o destino que simplesmente quis assim, fizeram com que eu tracei um caminho muito diferente daquilo tudo que eu sonhei um dia. Observar a rua, as pessoas, a praça lotada de crianças, tinha mais movimento, mais carros passando, pessoas que eu não conhecia, eu podia me ver há anos atrás vindo caminhando por aquelas mesmas ruas, sozinha, com meus irmãos, com minha mãe, com meus amigos que hoje eu raramente falava, ou pelo menos não era com a mesma empolgação diária, os assuntos eram poucos, ou pior ainda me imaginar andando de mãos dadas com o Ben, cada canto daquele lugar tinha uma lembrança de nós dois, desde as mais felizes, até aquelas que doíam só de lembrar.

Angustia se instalou em mim, e eu supliquei encarecidamente que o tempo parasse, que eu voltasse de onde eu vim, ou que simplesmente eu ainda estivesse em meu quarto, amargando a história do vídeo, que eu pudesse de alguma forma evitar aquilo tudo, e ter a minha vida de volta, a minha essência de volta, ou jamais aconteceria, o meu caminho era outro, minha vida era outra, e talvez o tempo para mim esquecer por definitivo isso tudo, estava chegando ao fim, ou caso contrário eu passaria minha vida toda, com o vazio que me acompanhava, os fantasmas que ressurgiam em meio as lembranças banias, e toda angustia e amargura que me perseguia nos diais mais difíceis.

– Anita. – Meg me chamou, fazendo meus pensamentos se desfazerem por um segundo.

– Oi. – Disfarcei, secando as lágrimas, e limpando a maquiagem borrada.

– Tudo bem, eu já peguei as malas. – Ela me perguntou, e eu percebi o táxi ir embora.

– Sim, acho que a gente devia de ter avisado que chegaria. – Falei quando percebi a casa silenciosa, tentando afastar meus devaneios.

– É, então vamos bater e entrar. – Meg afirmou-me, com um sorriso tranquilizador.

– Certo. – Respondi. — Fulano, você ainda vive por aqui, garotão. – Vi o cachorro do Pedrinho correr para nós.

– E ai garoto, parece que pra você o tempo não passou, nem um pouco. – Afirmei a ele, me agachando para acaricia-lo.

– É tá vendo, ele se lembrou da gente, ai Anita. – Meg falou melancólica.

– Anita, Anita. – Pedro correu da porta em minha direção, com sorriso enorme.

– Caramba, você dobrou de tamanho foi. – Eu disse com um abraço apertado nele.

– Eu não, você é que cresceu. – Ele me respondeu sorrindo, o que me confortou por um momento.

– Que saudade de você, meu caçulinha. – Eu falei voltando a abraça-lo.

– Eu também. – Disse ele de volta.

– E eu não ganho um abraço não pequeno. – Meg perguntou a ele.

– Claro que ganha, bom te ver. – Pedro correu para ela.

– E o pessoal, Pedrinho cadê. – Eu perguntei me levantando, tentando conter a emoção.

– Tão lá dentro, acho que ninguém ouviu o barulho. – Justificou ele, sorridente.

– Bom, então vamos entrar. – Afirmei pegando as malas.

– Deixa ai, depois a gente busca. – Ele disse para mim e Meg, me puxando pela mão.

– Tá vou deixar então, ai espero que a minha mala não suma, deus. – Meg afirmou com cara de preocupação.

– Por que. – Pedro perguntava a ela, curioso.

– Esquece, é que ela teve uns problemas com a bagagem. – Eu acabei respondendo, não pude deixar de rir do jeito da Meg.

– É foi isso. – Ela concordou. – Mais agora vamos. – Meg disse a nós com animação.

– Olha quem eu achei lá fora gente. – Pedro disse fazendo mistério.

– O que foi Pedro. – Minha mãe gritou da cozinha, virada pro fogão.

– Mãe. – Eu respondi.

– Filha, eu não acredito. – Ela me falou com um brilho no olho, como se não estivesse acreditando.

– Anita, meu deus, você veio. – Me disse ela com um abraço sufocante.

– Eu disse que eu vinha então, claro que eu vinha. – Respondi com alegria apesar de tudo.

– E ó, trouxe, uma amiga nada conhecida. – Eu disse apontando para Meg.

– Oi Vera, tudo bem. – A Meg falou sorridente.

– Meg, mais como você tá linda. – Vera veio lhe abraçar.

– Imagina você é que tá, o tempo não passou por aqui. – Escutei a Meg responder com simpatia.

– Anita, Meg, não creio. – Giovana correu, descendo as escadas quando nos viu.

– Ai gente é serio isso. – Ela disse incrédula, e me deu um abraço apertado.

– E que foi a dúvida Giovana. – Meg disse vindo até nós, se juntando ao abraço.

– Ai que bom que vocês estão aqui, não, gente tenho tanta coisa pra contar. – Giovana já foi falando animada.

– Eu imagino, nos vendo todos dos dias você sempre tem, imagina despois de meses. – Respondi a ela querendo conter minha emoção.

– Ai eu não vou mentir, tenho tipo sei lá um milhão de coisas pra falar. – Giovana me afirmou com um sorriso alegre.

– Mais primeiro, vamos deixar elas descansar da vigem, vamos ter muito tempo pra colocar os assuntos em dia. – Vera argumentou com ela.

– Ai certo, eu me acuso, estou podre, esse voo, foi quase uma missão impossível pra gente chegar vocês não tem noção. – Meg afirmou, me olhando, preferi pensar que o Ben não tinha nada a ver com aquela falácia dela, aliás, nesse momento não pude pensar no Ben e no amigo, que deveriam ainda estar atrás de um taxi, para virem, nem mesmo sei por que, porque senti uma satisfação em imaginar tal cena.

– Gio sobe com elas, tomem um banho vocês duas. – Minha mãe me sugeriu..

– Pra já, vocês estão em casa não é gente, então pulamos a cerimonia. – Giovana afirmou contente, para nós.

– Anita, Meg. – Ouvi a voz da Sofia, nos chamar.

– Ah oi, tudo bem Sofia. – Meg respondeu de maneira simpática.

– Oi Meg, tudo certo, e com você. – Sofia proferiu para ela.

– Tudo ok. – A Meg respondeu de volta, enquanto eu e Sofia encontrávamos as palavras para aquele encontro.

– Tudo bem com você. – Perguntei eu discretamente.

– Tudo, e você, pelo visto tá ótima não é, tá linda, bom você sempre foi. – Sofia me falou com sorriso de leve.

– É você também, eu to bem. – Respondi, achando um milagre a Sofia me elogiando, nas poucas vezes que nós encontramos, tudo ocorreu de maneira cordial, mas nós não poderíamos negar que havia sempre um fio solto no ar.

– Eu cheguei anteontem, foi uma confusão também. – Sofia tentou quebrar a tensão que nos unia.

– É, eu digo o mesmo. – Falei com um abraço nela, éramos irmãs, e apesar de tudo, eu jamais me esqueci disso, e me lamentei muito por nossa relação partida, que quase não existia mais.

– Eu fiquei feliz, por você ter vindo. – Ela me afirmou, com uma certa emoção.

– É, eu também, foi bom eu ter vindo. – Proferi a fitando, com os olhos meio marejados.

– Gente, vamos subir, conversamos lá em cima então. – Giovana me sugeriu.

– Sim, vamos, eu preciso de uma banho. – Respondi, concordando com ela.

– É minhas malas e as da Anita, tão lá fora. – Meg afirmou. – Eu vou buscar antes. – Meg comunicou a mim.

– Não deixa lá, assim que o Ronaldo chegar eu peço pra ele trazer pra cá, vocês não deixaram dentro do pátio, não tem perigo. – Vera disse a nós duas.

– Sim. — Respondeu.

– Então assim que ele chegar, eu peço. – Ela me disse.

– Certo e o Vitor. – Indaguei querendo vê-lo.

– Acho que foi na praia com a Clara. – Giovana explicou.

– Ah bom. – Falei.

– Vão descansar, tem um tempo pra almoço ainda. –Ela afirmou novamente, com uma felicidade para mim.

– Nós vamos. – Afirmei, enquanto via ela estender uma linda toalha pela mesa.

Notas finais
Obrigado aos comentários, a quem favoritou, acompanhou, ou simplesmente está lendo... Até o próximo capitulo, ainda não sei quando vou continuar, mas prometo ser em breve!!!!