Encontros
11 Décimo Primeiro Encontro - Encurralada
Notas iniciais
07 de Dezembro 2014
–- Tenten, pare de pular, por favor! – Pedi parando de assinar os termos de cima da mesa, todas as minhas amigas encontravam-se sorridentes espalhadas pelo meu consultório.
–- Como sabia Sakura? – Sentou-se em minha mesa radiante – Como sabia que eu estava grávida?
–- Sabe Tenten, por mais que não pareça, sou médica, sabia? – Sorri deixando a caneta de lado. – Como Neji recebeu a noticia?
–- Tão radiante quanto ela – Hinata respondeu – Nos ligou quase 1h da manhã para gritar no ouvido do meu pai a novidade – Riu junto com as demais.
–- Espero que vocês parem de brigar por motivos bobos agora! – Ressaltei me recostando na cadeira.
–- Não vamos! – Respondeu firme – Agora passamos mais tempo olhando coisas de bebê do que discutindo
–- E o casamento, quando sai? – Ino perguntou
–- Mês que vem, estou com nove semanas ainda, decidimos que será uma cerimônia simples, mas que eu possa me vestir de noiva sem a barriga aparecer – Sorriu
–- Vai se vestir de branco? – Gargalhei – Que blasfêmia!
–- Vá para o inferno Sakura – Tenten riu junto – Não estrague meu momento.
–- Não estragarei, mas não esqueça de fazer todos os exames de rotina – Suspirei – Passe com a Asuka, ela é uma médica extraordinária!
–- Pensei que poderia fazer meu acompanhamento e parto com você. – Olhou-me profundamente
–- Tenten, minha cota de partos dessa vida – Sorri – Acabou. Agora sumam da minha sala, tenho serviço a fazer.
***
08 de Dezembro 2014
–- Como esta o Jiraya? -- Perguntei assim que vi Tsunade cruzar as portas do meu consultório e escorar-se nela.
–- Preciso arranjar uma viagem para ele, antes que eu enlouqueça -- Sentou na poltrona em minha frente -- Você acha o Brasil longe suficiente?
–- Vai enfia-lo em um avião para lá? -- Deixei de assinar alguns prontuários para encara-la -- Vocês são casados há 20 anos e não passam um mês completo juntos à no mínimo 10, você deveria estar satisfeita com a aposentadoria dele.
–- Leve-o para casa, veja como é bom ser casada! -- Resmungou -- Creio que nasci para ser solteira, tomar saque sozinha é muito melhor que acompanhada -- Me recostei na cadeira.
–- Veja pelo lado bom shishou, quando você toma saque acompanhada, sempre acaba na cama com uma transa fantástica -- Me espreguicei vendo-a concordar -- Viu, tudo tem seu lado bom -- Levantei
–- Onde vai? -- Olhou o relógio que marcava 1h20 da manha
–- Para casa, tomar saque e terminar a noite do lado de um cachorrinho fofo e rechonchudo -- Sorri tirando o jaleco e colocando o sobretudo, Tsunade levantou em seguida -- Teve notícias de Shizune?
–- Ela ligou ontem, marcou consulta com a pediatra -- Sorriu levemente -- Aya virá semana que vem, deve estar aqui para conhecê-la.
–- Já a conheço -- Sorri amplamente da porta -- Eu a coloquei no mundo, devo lembra-la?
–- Esqueço o quão heroína minha pupila mostrou-se -- Tsunade aproximou-se e depositou a mão sobre minha cabeça, sorri com seu gesto de carinho tão raro -- Você fez bem Sakura, estou orgulhosa!
–- Tudo que sou e o que sei, devo a você shishou -- Sorri tendo meu cabelo afagado.
–- Vá para casa com cuidado e descanse! -- Passou a meu lado na porta -- Essa semana será cheia de grandes cirurgias!
–- E quando não é?
–- Suma daqui! -- E com isso, desapareceu dentro da sua sala, que ficava porta a porta com a minha.
***
–- Já te falei Itachi, foi isso que aconteceu! – Bufei nervoso
–- Então você realmente pediu desculpas por agarra-la – Segurou o riso
–- Qual é a graça nisso?
–- Nisso nada, a graça esta no problema imenso que você se meteu – Esparramou-se mais pelo sofá – Não fique com essa cara de idiota, vou explicar – Limpou a garganta – Você pedir desculpas significa que a sua impulsividade não era só de agarra-la, tinha algo bem maior por trás disso, entende? – Me encarou – Você não teria se arrependido por isso, se fosse só isso que você queria.
–- Segundo a sua teoria mirabolante, eu queria mais o que?
–- Você que tem que descobrir, porque eu já sei – Sorriu levantando-se – Quando nessa vida já se arrependeu de ter uma noite com alguém?
–- Nunca – Respondi
–- Quantas vezes a noite com a mesma pessoa se repetiu?
–- No máximo duas... mas o que é isso agora?
–- Calado – Silenciou – Quantas vezes você sentiu falta de alguma delas e principalmente, quantas vezes você se importou com alguma delas?
–- Nunca – Respondi depois de um longo silêncio
–- Ai esta a sua resposta Sasuke – Sorriu – Devo dizer que Sakura esta para você, como Akane, minha adorada esposa esta para mim.
–- Então você acha que eu...
–- Não acho, tenho certeza absoluta! – Riu – E se eu fosse você, agilizaria, pois Sakura é muito bonita e não demorará muito para arrumar um pretendente.
–- E que pretendente de bosta eu sou Itachi? – Me joguei no sofá – Passo dias fora, quase morro duas ou três vezes na semana... Você acha que é de um homem assim que ela precisa?
–- Você acha que ela é muito diferente de você Sasuke? – Sentou na mesa de centro em minha frente – Sakura não anda com uma arma na cintura, mas arrisca tanto a vida como você... Por acaso sabe quantos médicos morrem por dia graças a doenças que eles pegam de seus pacientes? Não, não sabe! – Negativou com a cabeça – Não é porque vocês estão em profissões de risco, ou porque passam pouco tempo em casa que não tem direito de amar e ser amados irmãozinho!
–- Acha que ela gosta de mim?
–- Ela já não disse que sim? – Sorriu levantando-se – Pare de caçar empecilhos Sasuke, vá se declarar logo para essa mulher antes que ela fuja do seu alcance, e você fique apenas com breves memórias. – Caminhou até a porta
–- Arigatou Itachi – Levantei e sorri agradecido
–- Não me agradeça agora e sim, no momento que você levar Sakura para um almoço familiar – Sumiu pelo elevador.
***
Quando estacionei o carro na garagem do prédio senti minha barriga ajoelhar-se a meus pés e implorar por comida, eu até poderia ignora-lá, se não tivesse lembrado, assim, por acaso, que minha ultima e única refeição do dia havia sido há umas 23h ou 24h atrás.
Fui até o elevador e subi até o lobby, eu não tiraria o carro da garagem quando havia acabado de estaciona-lo apenas para ir ao mercadinho próximo. No fim, eu tinha pernas para que?
Poderia muito bem ir andando, afinal eu morava em um bairro nobre, onde nunca se tinha noticia de assaltos nem nada do tipo, era sossegado até demais e com esse pensamento positivos eu segui rapidamente, como sempre vestida de branco, com meu típico salto 15 e um frio desgraçado.
–- Devia ter ouvido Tsunade e colocado a meia calça -- Resmunguei enquanto apertava mais o sobretudo ao redor da cintura e acelerava o passo. Não havia previsão de neve, mas ultimamente a previsão andava mais caótica do que meu armário de sapatos, por isso, logo comecei a sentir os primeiros flocos brancos depositarem-se e desafazerem-se em minha roupa.
Passei pelo prédio de Sasuke e não pude evitar um sorriso bobo quando vi a luz ligada do seu apartamento, então ele estava em casa? Se eu fosse um pouco mais sem vergonha subia lá e tentava matar minha fome de outro modo, mas como eu não era, continuei seguindo até o mercadinho.
Tudo estava indo bem, até aquela sensação começar
Sabe aquela sensação incomoda de estar sendo observada ou seguida? Eu comecei a senti-la.
Primeiro muito fraco, e conforme eu caminhava ela aumentava gradativamente, até o momento que ouvi um passo batendo contra o piso de concreto atrás de mim e tive certeza que não passava de uma sensação. Nessa altura eu já sentia meu pescoço gelado pelo nervoso, não era possível.
Analisando friamente minha situação enquanto eu quase corria até a luz do mercadinho, percebi que eu só teria duas saídas, ou corria ou morria, mas eu não tive tempo hábil de decidir, já que no momento seguinte senti uma mão pesada em minha cintura e outra pousando sobre minha boca.
Mas eu era Haruno Sakura, não seria tão fácil me segurar, não mesmo! O salto 15 tinha suas vantagens, e uma delas, que eu descobri nesse momento, foi poder pisar com força sobre o pé do meu futuro malfeitor, depois mordi sua mão como acontecia nos filmes de terror e ouvi algo como "Vadia" sendo gritado.
Minha liberdade durou pouquíssimo, porque outro rapaz já vinha em minha direção com um pano, provavelmente úmido.
Corri para o meio da rua escorregando graças a neve que acumulava-se rapidamente e a única coisa que tive tempo de fazer antes de ter meus pulsos agarrados foi gritar, depois disso senti minhas costas batendo contra um corpo firme, um pano sendo colocado sobre minha boca e nariz e por fim, o cheiro forte tomando conta de mim e me deixando zonza, até o momento que eu apagasse.
Eu sabia o que estava acontecendo, eu sabia o que tinha naquele pano e principalmente, sabia que estava bem ferrada à partir desse momento.
***
Tinha conseguido finalmente chegar cedo da delegacia, e de modo aliviado deixar para trás as tantas piadas que andava ouvindo sobre meu "relacionamento". Tinha também, recebido a visita de meu ilustre irmão, que passava pelas redondezas, segundo ele, sem qualquer intenção de me visitar.
Tomei banho e vesti a calça de moletom que usava como pijama quando dormia em casa. Continuei secando os cabelos enquanto comia umas bolachas de chocolate, única coisa não vencida do meu armário.
Deitei no sofá mexendo no celular, encarei as mensagens trocadas com Sakura e sorri involuntariamente, ela era de longe a mulher mais interessante que eu havia conhecido e claro, a mais gostosa também. Não que isso fosse de extrema relevância, mas gostava de lembrar como a pele dela era quente a meu toque, e como seus lábios era convidativos.
Continuaria imerso nesses pensamentos se não tivesse ouvido barulhos de salto batendo contra a rua e algo caindo em seguida. No silencio da madrugada eu ficava com a audição mais aguçada do que comumente seria. Levantei de um salto e corri até a janela para encarar a rua deserta e iluminada pelos espaçados postes de luz.
Não esperava dar de cara com dois homens mal encarados e uma mulher esguia caída no chão e corajosa por enfrenta-los, já que tentava levantar e correr, e esperava muito menos dar de cara com uma cabeleira bonita e esvoaçante rosada.
–- Sakura? – Murmurei e no minuto seguinte seu grito inundou a rua e logo seu corpo foi agarrado, corri até a porta colocando apenas um casaco por cima do torso nu e os sapatos com os quais cheguei. Eu estava meio zonzo, talvez por vê-la caída, provavelmente machucada e principalmente, agarrada por elementos desconhecidos.
Sai no corredor apertando rapidamente o botão do elevador enquanto arrumava a arma da cintura, ele estava parado no térreo e demoraria para chegar até meu andar.
–- Inferno -- Bati a mão contra a parede e corri até as escadas, eu desceria mais rápido do que subiria o elevador até mim.
–- Sasuke-sama -- O porteiro tentou falar comigo, provavelmente perguntar se eu tinha ouvido algum barulho, mas apenas atravessei correndo e saindo pelo portão do prédio, seja lá o que estivesse acontecendo, eu precisava encontrar a Sakura primeiro.
***
Senti meu estômago dar um duplo carpado de costas e finalizar caindo sobre o colchonete da pior forma possível.
Sabe, não estava nos meus planos quando eu acordei há dois dias atrás "tomar café, ir para o serviço, fazer algumas cirurgias, ir para o mercadinho e ser sequestrada no trajeto", realmente não era a rota da semana.
Não sei se eu estava desesperada, mas se não estava fiquei quando ouvi um dos mal encarados falar dentro do carro que eu era uma Haruno.
Esse meu maldito cabelo cor de rosa!
–- Esse sequestro relâmpago vai se transformar na nossa maior jogada -- Murmurou o que primeiro me agarrou -- Vamos ficar ricos com essa puta!
Puta não meu amigo, puta não!
Já não bastava ser sequestrada, agarrada, marcada e dopada, ainda estava sendo insultada?
A me poupe!
–- Puta é tua mãe seu bosta! -- Resmunguei com a voz mais firme possível, mas eu sabia que parecia que eu tinha bebido o estoque de saquê inteiro de Tsunade.
–- Acordou princesa? -- Ah que nojo!
–- Vá para o inferno! – Continue assim Sakura, porque os armados aqui são eles.
–- A gatinha rosna! -- Sorriu -- Sabe que você é gostosa demais para te deixarmos apenas presa -- Levantou-se e pulou para o banco de trás -- Podemos nos divertir um pouco
–- Acho bom você ficar bem longe -- Me afastei no banco e o vi retirando um canivete do casaco, as coisas só pioravam! Minha visão estava turva e minha voz mole, isso não ajudava em nada para que eu pudesse tomar qualquer atitude.
–- E eu acho bom você ficar quietinha -- Abriu o canivete na faca e direcionou a meu pescoço, onde rasgou meu vestido até deixar um decote generoso, será que é nessa hora que eu finjo um desmaio?
–- Me solta seu imbecil! -- Definitivamente eu não devia ter aberto minha boca, muito menos lhe dado um tapa, porque a vingança dele foi bem pior.
Senti sua mão passando na lateral do meu rosto e por fim, senti o corte que a faca causou em minha bochecha, eu poderia cuidar daqueles pontos, mas para isso eu precisava sair de dentro desse carro o mais rápido possível, saltar com ele em movimento era muito imprudente?
–- Vamos ver o que mais esse vestido esconde, porque até agora eu gostei bastante! -- Sussurrou aproximando-se e naquele momento a realidade me atingiu como uma pedra na cara, eu estava fodida.
***
–- Não percam o carro de vista! -- Falei no telefone com o carro que me seguia, eu tinha anotado a placa e ligado para Juugo e Suigetsu, que agora me acompanhavam de perto
–- Estamos atrás de você -- Juugo falou e aceleramos, minutos depois vimos o carro em alta velocidade -- Sasuke, diminua pois ele ainda não nos viu.
–- Tem uma barreira a frente graças a uma construção, eles vão ter que parar -- Ouvi Suigetsu e diminui -- Temos que tomar cuidado para que não ocorra nenhum acidente. -- Finalizou e eu concordei
Sei que faria isso por qualquer mulher sequestrada, mas o desespero que me batia ao pensar em algo acontecendo com Sakura era inédito, seu sorriso inundava meus pensamentos, seu perfume inebriava meus sentidos e pouco a pouco eu sentia o medo da perda, o medo da falta dela.
O que aconteceu depois foi rápido demais, a porta de trás se abriu e o carro começou a ziguezaguear entre uma faixa e outra, Sakura estava sentada na beirada do banco e debatia-se bruscamente para que a soltassem.
Vi seu olhos verdes mirando o asfalto e meu coração perdeu uma batida.
–- MERDA! -- Gritei freando bruscamente. Sakura se jogaria, eu sabia disso, porque ela não tinha uma porra de um resquício de medo, ela era corajosa demais.
***
Não sei em que momento a porta se abriu, mas foi no momento certo que eu ponderava entre saltar pela janela ou ser estuprada da pior maneira possível. Na verdade, essa porta abrindo, para mim, foi obra divina e não havia outra explicação.
O asfalto passava muito rápido por meus olhos, mas contando que eu já tinha cortes pelo corpo todo, um ralado a mais, um ralado a menos, não faria diferença, não agora. Já enxergava melhor, mas meus sentidos e movimentos ainda eram lentos, eu teria apenas uma chance para fugir dessa, se fosse frustrada, era um vez Haruno Sakura.
Era um problema consanguíneo essa falta de medo, ou de sensatez... Chamem como quiser, mas na atual conjuntura pular seria a melhor solução.
Quando senti minhas coxas serem apertadas e forçadas a se afastarem, mordi os lábios, levantei os punhos que estavam amarrados por um lenço imundo e lhe desferi um soco no olho direito, o motorista virou o carro bruscamente e eu simplesmente me soltei e saltei, senti minhas mãos bateram no concreto e meus braços suportarem meu peso, os joelhos pousaram em seguida e eu dei algumas roladas no chão, o sobretudo protegeria os cotovelos, mas não podia falar dos outros membros.
O carro parou e eu levantei com muita dificuldade dificuldade, afinal, quanto tempo eu não tomava um tombo tão brusco, minhas pernas fraquejaram pela dose forte do medicamento para me dopar e cambaleei, no momento seguinte, quando consegui me manter em pé, senti uma dor forte na costela e no pulso, respirei fundo para conseguir me equilibrar no sapato, que por sorte tinha uma tira na calcanhar que o prendia como uma coleira.
Eu preferia correr calçada do que descalça.
Me observei por breves instantes, meu vestido era uma catástrofe, estava rasgado e ensangüentado, eu estava toda machucada, mas viva e era isso que importava, bom, pelo menos viva por enquanto.
–- VOCÊ NÃO VAI FUGIR! -- Gritou o maior que dirigia o carro -- VAMOS PEDIR UM RESGATE, DEPOIS AFOGA-LA EM UM CÓRREGO QUALQUER!
–- Vá para o inferno! -- Sussurrei dando alguns passos para trás e sentindo minha costela direita doer mais, forcei o pano para soltar-se de meus braços e quando consegui afrouxar o nó apoiei a mão na costela apenas para sentir a umidade do sangue quente.
Antes de conseguir pular do carro eu havia sentido algo gelado atravessar minha pele, mas não imaginava a gravidade da situação. Era um corte aparentemente imenso, e se não era imenso, estava com algum quadro hemorrágico que apenas um hospital estancaria.
–- Desgraçado! -- Murmurei e vi o que eu tinha atingido com um soco tirando a arma da cintura. Senti lagrimas inundarem minhas vistas pela primeira vez desde que tudo isso havia começado. Estava assustada, muito ferida e agora, provavelmente morta.
–- Foda-se a grana! -- Gritou
Fechei os olhos quando escutei o gatilho sendo solto, agradeci meus pais mentalmente pelos anos juntos, baixei a cabeça e estava pronta para sentir o projétil, mas ele não veio.
Ouvi os tiros, mas não senti o impacto. Abri os olhos vendo os dois na minha frente caídos de joelhos e cuspindo sangue, não sei se foi o pós susto ou a emoção de não estar morta, mas senti minhas pernas moles e me deixei cair.
Fui segurada por braços fortes que eu reconheceria apenas pelo cuidado que me pegavam, encarei os olhos escuros de Sasuke e sorri debilmente, antes de apagar lembro vagamente de te-lo agradecido e senti-lo me pegar no colo.
No fim, eu não vi a pistola que matou meus sequestradores, mas eu sabia que havia sido Sasuke meu anjo, e com certeza, seria grata pelo resto da minha vida.
***
11 de Dezembro 2014
Stress pós traumático era uma coisa comum, mas o fato de ter dormido por dois dias era algo relacionado ao cansaço também.
Acordei com Tsunade em cima de mim, trocando os curativos da minha costela e sorrindo como poucas vezes fazia.
–- Finalmente acordou mocinha! -- Disse afagando meus cabelos enquanto me ajudava a sentar
–- Só assim para vocês me deixarem dormir! -- Sorri -- Obrigada por cuidar de mim!
–- Você deu um susto e tanto em todos -- Suspirou e sentou-se a meu lado na cama -- Sua mãe desmaiou quando ficou sabendo, na verdade eu quase desmaiei quando Sasuke entrou correndo com você pingando sangue nos braços. Graças a Deus Sasuke estava lá! -- Murmurou encostando minha cabeça em seu ombro.
–- Pois é! -- Suspirei apreciando o carinho -- Foram sérios?
–- Os ferimentos? Não! -- Sorriu – Quer dizer, a maioria foi superficial, cortes e ralados, o pior mesmo esta na costela... Foi um corte e tanto, tivemos que fazer procedimentos de contenção hemorrágico -- Respirou profundamente -- Sakura, não fizemos o exame... Mas ele não te tocou não é? -- A preocupação era palpável
–- Você acha que eu pularia de um carro em movimento porque? -- Sorri levemente -- Sobre isso pode ficar tranquila.
–- Que bom! -- Respirou aliviada -- Sasuke esteve aqui os dois dias, e passou as madrugadas a seu lado -- Sorriu -- Os dois foram mortos e no fim, descobriu-se que eram sequestradores procurados. Escolhiam suas vitimas pelo acaso.
–- Fico aliviada! -- A encarei -- E quando eu poderei sair daqui? -- Perguntei -- Como se não me bastasse trabalhar aqui – Rimos
–- Talvez amanha -- Murmurou -- Seus pais já estão fazendo planos para os 20 dias que você ficara em casa.
–- 20 dias? Por causa de alguns cortes superficiais? -- Perguntei curiosa
–- Digamos que você esta estressada -- Sorriu levantando-se -- E digamos que eu tenha dado um jeito de te dar ferias. Merecidas férias!
–- Digamos que eu esteja agradecida! -- Acenei para ela da porta -- Obrigada... Por tudo shishou!
–- Não mereço todos os louros! -- Piscou e atravessou a porta. Eu apenas voltaria a descansar, porque depois de tudo eu merecia.
***
12 de Dezembro 2014
–- TESTA DE MARQUISES! -- Ino entrou seguida por todas as meninas, do modo que estava, continuei apenas arrumando minha bolsa.
–- Não grite porca, você esta em um hospital -- Resmunguei para depois sorrir e encara-la
–- Que susto você nos deu! -- Tenten jogou-se em mim -- Nunca mais faça isso!
–- Bom, não posso prometer, afinal eu não tinha planejado aquele roteiro -- Sorri abraçando Temari e Hinata em seguida
–- Se não fosse o Sasuke você estaria em maus lençóis -- Ino murmurou -- Ele anda nos salvando, não é Tenten!
–- Eu já agradeci, não me olhe assim! -- Murmurou resignada
–- Eu agradecerei quando vê-lo -- Coloquei a bolsa no ombro
–- Você ainda não o viu? -- Hinata perguntou -- Ele esteve aqui todas as noites
–- Dormi três noites dopada, ele pode ter vindo aqui nessa madrugada e dançado a conga que eu não acordaria -- Suspirei porque no fim eu não via a hora de vê-lo
–- Imagina o reencontro lindo de vocês -- Todas juntaram-se com olhos arregalados e semblante vidrado, cheias de suspiros
–- Tenho medo de vocês -- Sai pelo corredor sendo acompanhada.
–- O que você fará nesses 20 dias? -- Temari perguntou
–- Daqui cinco dias vou para Paris com meus pais, segundo eles preciso espairecer na cidade luz -- Acenei para algumas enfermeiras
–- Que beleza! -- Ino pulou a meu lado, eu preciso realmente de alguns perfumes.
–- Eba! Lista de compras -- Tenten pulou ao lado de Ino
–- Vai começar! -- Respirei profundamente, eu sabia onde isso daria.
***
–- Qualquer coisa nos ligue Sakura – Meu pai sorriu preocupado – Não nos assuste assim novamente.
–- Prometo que qualquer coisa telefonarei, obrigada por hoje! – Agradeci descendo do carro.
–- Até amanha hana – Minha mãe beijo meus cabelos antes de entrar no carro e me ver entrando no prédio.
Depois que sai do hospital de manha, passei o dia inteiro na companhia de meus genitores, que planejavam a viagem e me mimavam, como se não fossem me ver nunca mais nessa vida.
Entrei dando de cara com Yoshi que sorriu carinhoso e expressava o quão preocupado ele havia ficado, e eu realmente não gostava de deixar ninguém preocupado.
Entrei no elevador olhando no espelho enquanto ele subia até meu andar, realmente, já tive dias melhores. O corte na minha bochecha já estava fechado e logo não teria qualquer cicatriz, o arranhado no meu pescoço também sumiria gradativamente, as mãos estava machucadas pela queda no alfato e meus joelhos e coxa também, assim como os cotovelos onde o sobretudo havia rasgado.
Mas o que ainda doía era a costela e saber a cicatriz que ali ficaria, todavia, eu daria um jeito naquilo quando estivesse tudo cicatrizado.
Sai do elevador e quase cai para trás quando vi Sasuke sentado no meu tapete da porta de entrada, quando me aproximei percebi que ele cochilava e mesmo morrendo de dó de acorda-lo, o chutei delicadamente.
–- Ai – Resmungou e sorriu quando seus olhos deslizaram para os meus.
–- Desculpe, mas não posso me abaixar – Sorri vendo-o levantar rapidamente, abaixou para pegar a seu lado um buque de rosas brancas e azuis.
–- Não encontrei rosas cor de rosa dessa vez – Sorriu mexendo no cabelo
–- São lindas Sasuke – Agradeci – Obrigada! – Passei o cartão abrindo a porta e o vi estancar na porta. – Entre – Depositei o buque na mesa junto com minha bolsa
–- Não sei se devo... – Sasuke encarou o chão
–- Por favor – Segurei em seu braço – Entre!
Quando o vi cruzando a porta e fechando atrás de si, sorri timidamente, e ele fez o mesmo, na verdade, eu não tinha palavras para agradecer Sasuke por tudo que tinha feito por mim, por isso para quebrar o silêncio, antes que ele decidisse ir embora, simplesmente o abracei ficando na ponta dos pés para que meus braços pudessem rodear seu pescoço.
Ele se surpreendeu, porém logo em seguida retribuiu o abraço.
–- Arigato Sasuke! – Murmurei em seu pescoço – Muito obrigada por tudo.
–- Não me agradeça – Me distanciou de seu corpo me encarando – Mas também, nunca mais me assuste desse modo.
–- Farei o possível – Vi seu sorriso tão sincero – Sasuke...
–- Hm? – Os olhos tão negros me fitaram preocupados.
–- Você... – Encarei o chão – Você pode ficar aqui hoje? – O encarei e ele parecia confuso – Quer dizer... Ficar para dormir... Só dormir! – Completei – Confesso que estou um pouco incomodada de pensar em ficar sozinha. -- Mesmo que Goku saltasse a nossos pés, ele não era o que eu pensava como Cão de Guarda.
–- Hm – Vi um sorriso de canto e logo minha mão foi tomada – Venha, vamos pedir alguma coisa para comer então – Enquanto eu era arrastada para a sala perguntei
–- Vai ficar aqui? – Sentei no sofá com ele ajoelhado em minha frente – Mesmo?
–- Não vou a lugar algum Sakura – Uma mecha de cabelo foi colocada atrás da minha orelha e ele deslizou levemente o dedo pelo pequeno curativo em minha bochecha – Se quiser, nunca mais.-- Sua mão em minha nuca me puxou para mais perto e eu não hesitei quando seus lábios gelados tocaram os meus. Foi leve e carinhoso, doce e extremamente gentil, pois eu sabia que ele estava com medo de me machucar. Quando nos separamos sua mão segurou firmemente a minha.
–- Sasuke... – Quando vi os ônix me fitando, fiquei realmente tentada em dizer que o amava, pois eu sabia disso muito bem, por mais que escondesse de mim e dos demais. – Obrigada! -- Simplesmente agradeci
Agora eu estava a um passo de ser rendida por esse amor tão arrebatador, o problema era: Como dizer isso à Sasuke sem assusta-lo? Ou será que a assustada era eu?
Ah Sakura, isso era mais um problemão!
"Um homem tem sempre medo de uma mulher que o ame muito"
Bertolt Brecht
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