Notas iniciais
olá! resolvi colocar o segundo capítulo, porque eu gostei muito dele e por conta de ser o ponto de vista do Ron. ficou um pouco maior que o anterior, eu me empolguei kkk mas espero que gostem! boa leitura ♥

Ron

Tempestades sempre me lembravam Hermione Granger. O que fazia sentido, porque tempestades me irritavam bastante.

Você passa o ano inteiro esperando pelo verão – eu pelo menos passo – e sempre chove. Tudo bem, no mundo bruxo a gente pode simplesmente agitar a varinha e a chuva não cai no nosso quintal.

Ainda assim, prefiro os dias ensolarados.

Meu sexto ano havia começado, e eu estava numa excitação gigante. Harry fora nomeado capitão da equipe de quadribol, o que me deu esperanças de que pudesse entrar no time. Afinal Harry sabia que eu era um excelente goleiro.

Quando jogávamos sem a pressão de ser assistidos por mais de duzentas pessoas.

Mas de qualquer maneira, eu estava confiante de que aquele ano seria diferente. Sexto ano, tempos vagos entre aulas, monitoria... seria a trégua de todos aqueles estudos dos NOM’s e eu poderia finalmente – finalmente!— ter um pouco de sol e água fresca.

Como eu estava errado.

A primeira semana de aulas foi pesada. McGonagall insistiu que poderíamos preencher um tempo vago com Poções, matéria que eu detestava por conta do professor Snape. Mesmo sabendo que meu resultado dependia da boa vontade dele, me surpreendi ao receber meus NOM’s e ver um E ao lado de Poções. E mais surpreso ainda porque Harry também tinha conseguido a nota. Jurava que o Snape lhe daria um T.

Nos dirigimos às masmorras, e fiquei reclamando com Harry sobre querer treinar para os testes do time ao invés de assistir a aula. Quando chegamos na sala, um cheiro familiar me invadiu. Não prestei muita atenção, mas aquele perfume me causou uma leve fisgada no ventre.

Estranho.

Depois de pedir licença, eu e Harry tivemos uma pequena luta corporal para ver quem pegaria o livro mais bem cuidado. Acabou que o Harry pegou aquele livro milagroso, e eu um que aparentava ser novo, mas tinha manchas suspeitas de vômito na página 52.

Aquela aula foi cômica e interessante, apesar de ter ficado um pouco chateado por não ter conseguido nem chegar na metade da poção, que era muito complexa. Olhei para dois caldeirões de distância e tive que conter uma gargalhada. Harry mexia a poção alegremente, arriscando e dando certo naquele preparo, enquanto Hermione parecia querer explodir o caldeirão de nosso amigo com o olhar.

E não sei vocês, mas eu quase senti a aura de Hermione pegando meu rosto de dando três bofetadas, de tão furiosa que ela estava. Quando se trata de boas notas, ela sempre quer ser a primeira.

Sempre.

Achei que ela merecia essa lição, de que não se pode ser melhor em tudo. Ela geralmente era.

Mais tarde naquele dia, ela mal se sentou conosco, porque além de ter mais matérias que nós, ainda estava irritada com o sucesso de Harry na aula de Poções. Seus olhos eram uma tempestade castanha.

***

O dia do teste chegou, e eu mal consegui falar.

Ou comer.

Eu amava comer, sou simplesmente a favor de passar todo o tempo livre comendo.

Mas naquele dia, não.

Hermione me observava discretamente, e vez ou outra murmurava palavras de incentivo. Eu só não conseguia achar minha capacidade de fala para lhe agradecer. E preferi ficar de boca fechada, antes que eu enjoasse.

Meia hora depois, o caos reinava no campo de quadribol. Tinham grupos de garotas bobinhas que foram só atrapalhar o teste, primeiranistas, pessoas de outras casas..., mas no final deu tudo certo.

Harry tinha me dito antes de irmos que deixaria os testes de goleiro por último, porque o campo estaria mais vazio. A intenção foi boa, mas quanto mais as horas avançavam, mais alunos apareciam depois do café da manhã, e o campo ficou relativamente cheio.

Eu me senti meio verde.

Subi na minha vassoura e fui para um extremo. O outro goleiro, McLaggen, para o lado oposto. Ele me deu um sorriso de pura confiança. Só que nele mesmo, enquanto eu retribuí com uma careta que parecia ser um sorriso.

Falando em McLaggen, nem cheguei a comentar que o cara é um idiota e que meu mal estar se devia a ele também. Ele é alto, assim como eu, mas é forte. O tipo de pessoa que você não se meteria em uma briga. Tem um cabelo cacheado, de um louro escuro e a pele é levemente bronzeada. E bonito. Sim, ele é bonito e eu preciso admitir. Os dentes brancos, alinhados, formavam um sorriso arrogante que fazia com que as meninas suspirassem por ele.

E ele ainda tinha me pedido para apresentá-lo a Hermione antes do teste!

Era ou não um bom motivo para sair correndo?

Constatei, para minha infelicidade, que ele era um bom jogador, além de ser super seguro em suas defesas. Todas as vezes que defendia um ataque de Ginny, que era a melhor artilheira da equipe, ele voltava um sorrisinho para Hermione, que se sentava solitária em uma das arquibancadas. Lavander Brown parecia nervosa todas as vezes que era minha vez de defender. Gostei do incentivo.

No final, Córmaco defendeu quatro de cinco gols, o que foi meio esquisito, pois ele parecia um pouco confuso ao tentar defender o último ataque. Mas não pensei nisso por muito tempo. Defendi cinco de cinco, eu estava dentro!

***

— Pensei que não fosse pegar aquela última... – cantarolei extasiado pela enésima vez aquela noite. Estávamos na sala comunal e Hermione estava sentada junto com Harry no chão lendo um jornal. Ela apenas suspirou e virou uma página, sem nem parecer impressionada.

— Espero que Córmaco não me leve a mal... – continuei meu monólogo – Aliás, ele está a fim de você, Hermione, o Córmaco...

Ela ergueu os olhos para mim rapidamente antes de responder.

— Ele é horrível... – Hermione voltou ao jornal e olhei para o lado. Lavander me deu um “olá” discreto e senti um certo orgulho crescer no meu peito.

***

— Sete e meia? Você está brincando, certo? Hoje é domingo, Harry! – choraminguei enquanto meu querido amigo gentilmente levita meu cobertor, me fazendo congelar.

— Sim e você vai levantar essa bunda da cama porque combinamos de treinar. Quem sabe até lá você já não deu um jeito nesses seus nervos e joga direito... – ele respondeu, zombeteiro.

— Ora seu... – um estampido e eu estava de ponta cabeça, acordando todo o dormitório. Neville, Simas e o idiota do Dean – sim, ele é um idiota enquanto namora minha irmã – caíram na risada.

— Agora que se levantou, vamos logo! – Harry riu antes de me colocar no chão.

— Eu realmente não acredito que o Harry teve coragem de usar um feitiço daquele livro idiota contra você! – o tom da voz de Hermione, juntamente com o olhar severo fez com que Harry murchasse no banco, quando descemos para o café da manhã.

— Ah, foi engraçado, Hermione! E eu estou bem!

— É, Ronald, mas poderia não estar! – ela rebateu, e eu senti que mais uma tempestade ia começar.

Veja bem, de uns anos para cá, acho que desde o terceiro ano, Hermione e eu não podemos ficar perto um do outro sem que haja uma discussão, mesmo leve. E desde que isso começou, comecei a brincar que cada estágio das discussões são estágios da chuva. Discussões leves, pareciam chuviscos. As mais pesadas, tempestades de verão.

E o mais engraçado nisso tudo é que eu vejo a tempestade se formar nos olhos dela, como se cada palavra dita ou não dita pudesse me esmagar. Hermione não era um basilisco, mas os olhos dela me paralisavam quando isso acontecia.

Bizarro é que depois de um certo tempo, comecei a sentir falta de ver a tempestade nos olhos dela, e comecei a provocá-la mais. Por isso, brindei aquele momento com o que eu mais sei fazer:

— Você só está assim porque o Harry é melhor que você em Poções, Mione. Já falamos sobre isso e...

Parei de falar por conta do olhar fulminante que ela me deu.

Mas era fascinante.

— Ok, Ronald, então se acontecer alguma coisa com você, problema é seu! – e saiu pisando duro.

***

Mais uma noite sozinho.

Pois é, eu não me destacava muito em praticamente nada. Não tinha as melhores notas da turma, e meu desempenho no quadribol era péssimo quando tinha muita pressão. Me lembro uma vez que Fred e George disseram que teriam de pedir para todos virarem de costas quando a goles estivesse vindo na minha direção.

É, eu sei, patético.

E por não ser um destaque estou aqui na sala comunal assistindo Neville Longbottom cuidar de sua suculenta nova e cheia de pequenos furúnculos. Harry, Hermione e Ginny foram chamados para jantar com o professor Slughorn. Hermione me contou que ele havia se impressionado com o talento de minha irmã quando a viu lançar uma azaração contra bichos papões.

Confesso que fiquei desapontado por não ter sido convidado, mas tentei parecer pelo menos indiferente para que não pensassem que sou infantil demais. Hermione disse que poderia perguntar ao professor se poderia levar um amigo na próxima vez, antes de se despedir. Ela estava muito bonita com um suéter branco e jeans escuros, parecia casual, mas refinada. Os cabelos, que geralmente andavam soltos e volumosos estavam presos em uma longa trança.

Eu gostava do cabelo dela, mas quando ela o prendia, seus olhos castanhos pareciam dobrar de tamanho. Brilhantes e reconfortantes.

Intensos como uma tempestade de verão.

— Neville, vou dar uma volta... – comentei já passando pelo buraco do retrato, nem escutei a resposta dele.

Fui andando pelo castelo, na esperança de arrumar alguma coisa mais produtiva para fazer. Ou pelo menos ocupar a cabeça dessa frustração momentânea. Pensei em voltar até o dormitório e pegar minha vassoura, para dar uma volta, mas desisti por conta da noite fria lá fora. Fiquei apenas perambulando pelos corredores, e quando dei por mim, estava na cozinha, que fica perto das masmorras.

Me perguntei o que teria me levado até ali: fome ou por que era perto da sala do professor de Poções? Não sei bem ao certo, mas resolvi arriscar na opção mais palpável, entrar na cozinha.

Como sempre, fui recebido por uma profusão de elfos domésticos eufóricos por servir. Eles me disseram que Dobby estava de folga quando perguntei pelo elfo livre. Hermione provavelmente me repreenderia por eu ter vindo pegar comida feita por “mãos escravas” e toda aquela militância dela pelo F.A.L.E. Mas ei! Ela está se acabando de comer na sala do Slughorn, provavelmente comida boa. Eu também podia me dar esse luxo!

Pedi de tudo um pouco. Como pretendia levar a comida de volta para a sala comunal para finalmente sossegar, os elfos me deram uma cesta de vime coberta com um guardanapo de linho. Eles me deram um bocado de rosquinhas com geleia, fatias de torta de caramelo e chocolate, uma garrafa de suco de abobora gelado, vários pãezinhos amanteigados... eu ia fazer a festa!

Agradeci, pois não sou tão grosseiro assim, e assim que saí da cozinha, escutei alguém chamar meu nome.

Lavander Brown vinha correndo ao meu encontro, como se tivesse ganhado na loteria bruxa, tamanho seu sorriso. Ela era bem bonita, acho que competia com a Hermione. Mas Lavander era mais... feminina, acredito. Pois ela usava um monte de acessórios coloridos e divertidos, e suas roupas eram sempre alegres e bem compostas. Os cabelos sempre traziam um penteado novo, e ela sempre colocava bandanas ou tiaras. Era bem legal.

Eu não prestava muita atenção em Lavander, ela andava com Parvati e outras meninas do nosso ano, de outras casas. Mas me lembro de uma vez que ela ficou um pouco assustada quando nossa antiga professora de adivinhação pediu para que ela tomasse cuidado com um homem ruivo.

No caso, o único homem ruivo na sala era eu.

E agora, ela não parecia nem um pouco assustada.

— Ron! É o destino! – ela falou com uma voz meio dramática e eu sufoquei um riso.

— Pois não?

— Bem, é que... – Lavander se perdeu no meio do que ia dizer, pois a porta das masmorras abriu com um estrondo e alguns alunos começaram a sair da sala. Vi que entre eles, Harry e Hermione se apressaram, seguidos de perto por uma Ginny meio chorosa. Harry parecia tenso, mas Hermione parecia achar alguma coisa muito engraçada. Ela sempre fazia essa cara quando estava planejando alguma coisa.

Sempre admirei esse sorriso, mas também sempre o temi. Era como se ela sempre tivesse um passo adiante, vendo coisas que ninguém mais via.

— Ei, Ron! – Harry me trouxe de volta a realidade e percebi que estava encarando o sorriso da Hermione, enquanto Lavander já se afastava parecendo furiosa.

— O que você e a Lavander estavam fazendo aqui? – minha irmã me perguntou maldosamente. Já disse que odeio quando a Ginny repara em mim?

— Nada, eu vim até a cozinha e...

— De novo, Ronald? – os olhos de Hermione pararam em cheio na minha cesta tão carinhosamente preparada – O jantar não foi o suficiente? Credo, você nunca para de comer!

— Dá um tempo, Hermione! – retruquei, pronto para mais um round de discussão, mais uma tempestade.

No fundo, estava secretamente feliz por não estar sozinho de novo. Nossas discussões eram tempestuosas, mas me aqueciam o coração de alguma forma. Fomos discutindo não tão amigavelmente assim até a torre da Grifinória, mas naquela noite, quando me deitei, fiquei escutando o barulho da chuva lá fora e pensando que no quanto eu passei a admirar as tempestades.

Notas finais
espero que tenham gostado. vou escrevendo o desenrolar e postando aqui! até o próximo, e me digam o que acharam ♥