Notas iniciais
Galera, dividi a fic em pontos de vista do Ron e da Hermione. Sei que já existem milhões de histórias sobre eles por aí, mas queria desenferrujar da escrita e aproveitar e fazer essa homenagem pra esse casal incrível. Espero que gostem e boa leitura ♥

Hermione

Foi inusitado, mas sempre gostei dele. Na verdade, faz pouco tempo que deduzi isso. Que eu sempre gostei. Acho que isso começou lá pelo quarto ano, quando passei a me preocupar um pouco mais com minha aparência. Eu era dentuça, e meus cabelos precisavam ser mais bem cuidados. Não era por desleixo, mas eu simplesmente não me importava em ser vista dessa forma.

E as coisas mudaram a partir do momento em que aquele ruivo idiota parecia não me enxergar como uma garota.

Me pergunto como ele me enxergava, e sinto que a resposta vai me enfurecer ou me magoar. Ou os dois.

De qualquer forma, fiquei bastante ferida quando ele cogitou me levar para o Baile de Inverno como sua última opção. Agiu como se eu tivesse desesperada por um par, ou pior, como se eu fosse esperar até ele ter a brilhante ideia de me convidar. E depois foi logo dando uma de imbecil e fazendo aquele estardalhaço para convidar a Delacour (que para a infelicidade dele, está prestes a se tornar sua cunhada).

Devo dizer que senti um prazer sádico quando ele voltou todo pálido para a sala comunal, praticamente carregado pela Ginny. Não costumo ser cruel, mas também não sou de ferro.

Naquele ano, apesar de tudo, alguém tinha me notado, o que também contribuiu muito para que eu passasse a prestar mais atenção em mim. Vítor Krum, o famoso jogador de quadribol, havia me convidado. E apesar de esnobá-lo no começo, ele se mostrou gentil e sempre me respeitou. Me tratava bem, nos encontramos em Hogsmeade algumas vezes e sempre foi divertido. Além de ele ser bonito depois que a gente se acostuma com a aparência dele.

Ele foi meu primeiro beijo e meu correspondente durante todo o quinto ano, demos uns amassos durante o Tribruxo mas eu sabia que meus sentimentos românticos não tinham sido despertados por ele, e sim por um certo carinha ruivo que sempre fora meu amigo, mas que de todas as formas possíveis, me irritava.

E me encantava.

Não sei por que eu gostava de Ronald Weasley. A gente não conseguia conviver sem brigar. Ele me irritava profundamente e era um grosseirão quase sempre. Claro, ele era um valioso amigo, passamos por tanto..., mas nunca fomos muito convencionais. Ele é aquele cara típico da Grifinória: atlético, apesar de ser magro e desajeitado, corajoso e infelizmente, ele não tinha lá o QI mais alto do mundo.

Já eu sou mais serena, racional e procuro resposta para todas as minhas perguntas.

Bem, quase.

Eu não sabia por que gostava de Ronald Weasley.

Talvez eu só tenha teorias, essas coisas não se aprendem em livros. Ou se aprendem? Quem me dera!

Depois do quarto ano, as coisas ficaram mais sérias. Voldemort retornou, e eu temia sempre o pior. Lembro que foi uma época tensa. Afinal, junte o retorno do bruxo das trevas mais poderoso, Umbridge em Hogwarts e NOM’s! Tudo ao mesmo tempo!

Ron sempre estava por perto, uma vez que o temperamento de Harry estava delicadíssimo naquela época. Ele ficava irritado por pouco, estava engolindo as torturas que sofrera com aquela sapa velha, as mentiras sobre ele se espalhando como visgo do diabo pela escola...

É, devo admitir que Ron foi uma peça fundamental para que Harry não explodisse. Ele o defendia, checava para ver se nosso amigo estava bem, se tinha pesadelos. Ou apenas o distraía com uma conversa sobre quadribol, quando estava mais calmo. Demos até uma trégua! Sim! E por mais que tenha sido mais pelo Harry do que por nós, foi o momento em que eu comecei a reparar que todas as vezes que ele ria, as sardas perto dos olhos quase sumiam.

O estrago sendo feito...

É verdade que eu sempre prestei atenção. No nosso quinto ano foi dessa forma. Detalhes que eu nunca tinha percebido nasceram naquele ano, como o fato do lábio superior dele ser um pouco maior que o inferior, ou a forma que ele prendia o riso e seu semblante era todo iluminado pela perspectiva de um sorriso.

Mas o que me derreteu foi quando percebi que todas as vezes que ele se sentia confuso, ou não sabia como resolver algum problema, ele vinha com o cenho franzido e um biquinho, como se eu pudesse sempre resolver tudo. Sempre tive um fraquinho por isso.

Não, ele não é incapaz de nada. Mas mostra o quanto ele confia em mim para resolver a mais simples questão.

Além do mais, ele foi corajoso, leal e muito forte quando estivemos no Ministério. Mesmo que quase tenhamos morrido.

E chegou o momento, o momento que eu percebi o que era. Com todo esse drama, você deve estar pensando que foi algo mágico, ou que eu me emocionei, ou que eu dei pulinhos..., mas não. Como sempre, estava esperando o professor iniciar a aula. Éramos poucos, já que o curso de NIEM’s em Poções era apenas para alunos acima de Excede Expectativas. Como Harry e Ron não tiraram uma nota acima dessa, eu estava sem eles na masmorra quente.

Havia alguns caldeirões soltando fumaça na mesa do professor, outros estavam tampados, mas podíamos escutar a poção cozinhar vagarosamente lá dentro. O cheiro de um dos caldeirões me alcançou, e o cheiro era tão bom!

Pergaminho novo, grama fresca e... algo que parecia hortelã. Era muito sutil, pois eu estava longe da mesa.

Finalmente o professor iniciou a aula, e começamos falando sobre as poções. Levantei minha mão bem treinada e comecei a identificar cada poção nos caldeirões. Veritaserum, Polissuco (eu conhecia bem essa) e...

— Com licença, senhor!

Olhei na direção da voz, um pouco irritada com a interrupção. Harry estava parado, juntamente com Ron, que não parecia muito feliz de estar em sala de aula.

“Tempos vagos!”, debochei internamente quando me lembrei que Ron estava em êxtase por ter menos matérias. Escutei uma risadinha feminina atrás de mim e me deparei com o sorriso bobo que Lavander Brown trazia no rosto, juntamente com Parvati Patil, que parecia igualmente boboca. Revirei os olhos.

— É que eu e o Ron não temos livros, não sabíamos que poderíamos cursar a matéria...

— Claro, claro! O professor Snape não aceitava um E, mas eu sim! Podem pegar tudo o que precisam no armário até que consigam o próprio material...

E assim a aula pôde voltar.

— Senhorita Granger, pode nos dizer então, por gentileza...

— É a Amortentia, senhor! – respondi antes que pudesse me conter – É a poção de amor mais poderosa do mundo! Ela tem um cheiro característico para cada pessoa, de acordo com o que a atrai – cheguei mais perto, e os aromas se intensificaram – A minha tem cheiro de pergaminho, grama recém cortada e... e... pasta... pasta de dente.

***

Depois daquela aula, não sei muito bem o que aconteceu. Decidi voltar um pouco para o dormitório, já que as meninas seguiram para as outras aulas. Eu sabia que era imprudente faltar a primeira aula de Runas Antigas, mas eu precisava respirar. Não podia falar com Harry, já que ele e o Ron viviam grudados, então apelei para a pessoa mais próxima naquele momento.

— Ginny, você precisa me ajudar! – disparei puxando-a pela mão. Ela estava conversando com o namorado, e como ele pareceu um pouco irritado, acrescentei suplicando com os olhos: – Perdão, Dean!

— Tudo bem... – Ginny começou dez minutos depois, quando nos abrigamos no banheiro da Murta que Geme. Ela colocou os longos cabelos para trás, mas não parecia irritada – Você não é desses rompantes de agitação, então a coisa deve ser séria... certo?

— Não é sério, mas inusitado... – passei a andar de um lado para o outro, a cabeça um turbilhão.

Ginny ficou calada por um tempo, acho que ela estava esperando uma explicação.

— Bem, eu... – limpei a garganta e tomei coragem – Eu acho que gosto do seu irmão, Ginny!

Foi assim, de uma vez só.

E para a minha indignação, Ginny deu uma risadinha e me disse que já sabia disso fazia séculos, mas que não queria comentar nada para não ser invasiva. Contei para ela sobre a poção do amor e dos cheiros... do cheiro que o quarto do Ron tinha, grama fresca e pergaminho velho. Um cheiro limpo e gostoso, que eu sinto quando ele está perto. Um cheiro que aquece e domina meu coração.

A pasta de dente? É, ela foi de um dia em que o idiota do Ronald limpou um pouquinho que tinha no canto da minha boca e isso fez com que várias borboletinhas alçassem voo dentro de mim.

Já disse que eu amo esse cara?

Notas finais
pessoal! espero que gostem da fic e que deixem um comentário, quero saber do que precisa ser melhorado! até o próximo capítulo, conto com vocês ♥