Enchanted
3 2. All I can say is it was enchanting to meet you
As horas tornaram-se em dias e os dias tornaram-se em meses e o tempo pareceu desvanecer-se por entre os suspiros e as trocas de olhares. Ao fim do primeiro mês, a aversão tornou-se em curiosidade e no fim do terceiro mês, a curiosidade tornou-se em bochechas coradas. Não sei como ou porque, mas cada vez que sentia os olhos de Edward em mim, sentia-me ofegante e essa sensação, ao fim do quinto mês era sufocante. Mantive-me quieta e normalmente entrava calada nas aulas e calada saía, porém agora, o meu interesse estava todo nos olhos cor safira que eram doces e muito ternos. Não sei o que me fez prestar atenção em Edward, se foi a forma tão carinhosa e bondosa como ele tratava todo o mundo, se foram os olhos que tinham, atrevo a dizer, a cor mais bonita que eu alguma vez tinha visto. Ou talvez tenha sido tudo isto. O que é certo é que algo nele me atraia de uma forma que eu não conseguia explicar.
Eu nem me atrevia a sonhar com ele, porque ele estava demasiado distante de mim. Não, a nossa história não era como as dos contos de fadas, em que ele se tinha apaixonado por mim assim que me viu e iríamos ficar juntos para sempre. Isto era a vida real, e na vida real, eu era uma adolescente de 18 anos deslumbrada pelo meu professor de inglês. Mas isso claro, era o que a parte racional do meu cérebro pensava... No entanto, a parte não racional teimava a suspirar cada vez que Edward passava os longos dedos pelo cabelo castanho e tremia por dentro quando o sorriso cheio de dentes perfeitamente alinhados aparecia na sua face. Ninguém sabia das minhas guerras interiores para esconder o quão interessada eu estava no professor, e calei todas as minhas vontades loucas de começar a ser mais comunicativa nas aulas só para poder ter a atenção dele mais vezes focada em mim.
Cada vez conhecia melhor a turma, que apesar da sua mudança constante, algumas presenças fossem habituais, no entanto, ainda me sentia bastante á parte de tudo e todos. Até ao dia em que Rosalie se inscreveu no colégio.
Conhecia Rose desde sempre, havíamos sido amigas desde que com 3 anos nos encontramos no parquinho e brincamos de pega pega juntas. 15 anos depois, ainda éramos melhores amigas.
Quando Rose começou a frequentar o colégio, tudo se tornou mais fácil e algures a meio do caminho me tornei mais social e mais aberta ao que o colégio tinha para oferecer. Já falava mais com as pessoas que nos rodeavam e me sentia mais segura ao responder ás perguntas que Edward fazia á turma. Rosalie sempre me incentivara a ser mais extrovertida e falante e a sua entrada na escola, foi sem dúvida, o mais ponto de viragem para mim. Ter o apoio dela me fazia sentir segura, sentia como se fizesse parte.
—x-
Suspirei e passei o gloss pelos lábios mais uma vez. Ultimamente tinha dado por mim a passar mais tempo em frente ao espelho e a retocar cada vez mais a maquilhagem antes das aulas de inglês. Ajeitei a camisa pela milésima vez e rodei o anel com a pequena e delicada pedra azul em meu dedo, enquanto decidia se a roupa que estava vestindo era a mais acertada. Os jeans pareciam folgados na cintura e a camisa, a cada olhada que eu dava no espelho, parecia que me fazia mais gorda. Mordi o lábio com o nervosismo e vi que, como habitual, já estava atrasada.
Não havia tempo para mudar de roupa, então peguei no casaco, na mala e sai de casa. Os dias estavam a tornar-se cada vez mais longos e apesar do relógio marcar 5:45 pm. , os raios de sol ainda abraçavam as ruas. O frio estava a dar lugar ao calor, de forma muito vagarosa, e as flores começavam a encher todos os pequenos jardins espalhados pela cidade. Sorri ao passar por Emily, a garota que ia ao mesmo ginásio que eu, e agarrei o pequeno caderno preto com mais força, de forma a tentar acalmar o nervosismo. A cada passada que dava em direcção ao colégio, sentia meu estômago a enrolar-se. Hoje, teria uma aula particular com Edward, e tudo porque apenas 6 meses após ter começado as aulas tinha tido coragem de lhe revelar as minhas dúvidas nalgumas partes fundamentais da língua. Ele apressara-se logo a disponibilizar-se para me dar uma aula extra de forma a esclarecer-me toda e qualquer duvidas que eu pudesse ter, e então, no horário estabelecido por ambos, vi-me a passar pelas portas grandes da CES.
Ao entrar, cumprimentei Jéssica como sempre havia feito e notei pela primeira vez, que a sua voz não estava mais tão doce e que o seu olhar era claramente julgador : ela não me queria ali. O “ Olá Isabella” veio carregado de uma certa emoção que eu reconheci como ironia e senti-me encolher por dentro. Jéssica sempre tinha sido a pessoa mais atenciosa até àquele momento, o que me confundiu bastante. Perguntei-lhe por Edward e vi os seus olhos a revirarem enquanto me dava indicações de que Edward estava “ extremamente ocupado” no seu gabinete. Expliquei-lhe que ele me tinha prometido uma sessão de esclarecimento de dúvidas e que me tinha dito para estar no colégio naquele horário.
— Aguarde um pouco, por favor. – Disse, enquanto se levantava da secretária que ocupava diariamente e indo em direção ao gabinete de Edward, onde entrou imediatamente. Sentei-me desconfortável nas cadeiras transparentes que se encontravam na recepção do colégio e peguei no telemóvel, pronta para mandar uma mensagem a Emmett.
As coisas com Emmett estavam meio tremidas, eu gostava muito dele – demasiado talvez – mas a sua infantilidade e a sua forma demasiado despreocupada de ver a vida estava a incomodar-me cada vez mais. Aquilo que um dia fora o que mais me atraia nele, era o que agora nos estava a afastar.
Perdida em pensamentos não me apercebi de quando Edward apareceu na pequena sala de espera e fui surpreendida pelo seu suave tom de voz chamando o meu nome.
Estava prestes a ter uma aula completamente sozinha com Edward Cullen.
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