Enchanted.

1 Capítulo 1


Uma noite chata, numa semana monótona. Meio a mais um baile organizado pela minha família, onde as pessoas sempre vêem interesse antes da amizade. Lá estava eu novamente, forçando o riso, fingindo sorrisos.

Meu pai sempre disse que é importante agradar as pessoas, ser simpático, ser querido. Acho que sou apenas uma boa atriz. Usava um vestido novo, longo e escuro, básico. De chamativo, já basta o cabelo rosa.

Minhas bochechas começavam a doer, mas continuava sorrindo, sendo simpática. Olhava para as pessoas, podia notar nitidamente olhares perdidos e vazio. Toda aquela atmosfera me cansava, mesmo velho lugar e, mesmo lotado, me sentia solitária, cansada daquilo tudo. Devagar, fui me afastando, até que pude ir para a varanda. Fiquei observando as estrelas na sacada, por alguns minutos. Criei o meu mundo solitário, suspirando de vez em quando e só esperando o tempo passar.Apesar de baixo, escutava claramente a música clássica que tocara naquele salão. Fora isso, não era possível ouvir qualquer barulho.

Até que meu clima agradável e calmo, foi quebrado.

– Boa noite. – Ouvi a voz masculina e, mesmo estando de costas, notei que falava comigo, já que era a única ali. Respirei fundo e contei até 5 mentalmente, me acalmando. Abri um sorriso falso e virei devagar, querendo saber quem era o velho que veio falar o quanto eu cresci, desde a ultima reunião dos “amigos” do meu pai.

Para minha surpresa, deparei-me com orbes azulados.... Profundamente azulados.

– B-Boa noite... – minha voz falhou, e cheguei a ficar sem o sorriso no rosto por alguns segundos. Pude sentir meu rosto corar ao nota-lo sorrindo. Fiquei sem graça, sem reação.

– Porque uma moça tão bela quanto a senhorita está aqui, escondendo sua beleza? – Não o respondi imediatamente, fiquei atordoada. Meu corpo não reagia a minhas ordens, me sentia idiota. Antes que eu pudesse falar algo, senti um leve toque da mão dele no canto do meu rosto, tirando o cabelo da frente. – É a senhorita Megurine, certo?

Pronto, ele me conhecia. Era mais um que provavelmente vinha atrás de algo relacionado ao meu pai. Fechei a cara, mas não esbocei mais reação alguma. Afirmei com a cabeça.

– E voc... – Apesar de tudo, queria saber quem ele era. Mas, fui cortada por uma nova música, a orquestra aumentou um pouco o ritmo. Ele segurou em minha mão devagar, olhando-me diretamente nos olhos. Acho que nem notou que eu comecei uma frase.

– Me permite esta dança? – Foi dando pequenos passos para trás, levando-me junto.Não chegamos a entrar no salão, mas ele parou quando estava bem próximo da porta.

Não o conhecia, ele sabia quem eu era. Provavelmente, era outro interesseiro. Mas ele me passava tamanha... Confiança. Seu sorriso me encantava, sentia como se o conhecesse a muitos anos. Sorri e deixei escapar um pequeno “sim” enquanto afirmei novamente com a cabeça.

Lentamente, ele colocou a mão sobre minha cintura, segurando a outra mão melhor. Enquanto isso, continuei sorrindo, colocando a mão sobre o ombro dele. E assim, começou a conduzir-me. Não sei disser por quanto tempo dançamos, ou por quantas musicas dançamos.

Sei que não queria que acabasse, nunca.

Enquanto dançávamos, conversávamos baixinho. Ele falava coisas lindas, era engraçado, me cativava, muito. A hora passava, e eu não notava, não queria notar. Meio a risos baixos, mas verdadeiros, recebia elogios, comentava histórias antigas, comentava sobre as pessoas da sala. Ele realmente transmitia uma imagem maravilhosa, como se seus olhos sussurrassem "Já nos conhecemos?"

– Por que desvia o olhar? – Ele perguntou depois de um tempo. Não conseguia mais olha-lo nos olhos, sentia-me envergonhada, sem graça.

– Porque sou tímida. – Respondi, diretamente, abrindo mais um sorriso. Era mentira. Toda vez que olhava diretamente a aqueles olhos azuis, podia ver um abismo, cuja qual morro de medo de cair. Por medo de altura, por medo de cair, desvio o olhar, e me fixo em qualquer coisa que meus olhos possam ficar amarrados e não cheguem a despencar.

Nossa conversa durou um longo tempo. Sei que só paramos, quando a musica foi encerrada, e meu pai começou o discurso.

Eu e ele paramos e entramos no salão. No meio das pessoas, observamos todo o discurso do meu pai. Demorei a notar que estávamos de mãos dadas, sendo que só notei quando senti que ele acariciava minha mão devagar.

O discurso acabou, e já estava tarde, muitos já haviam deixado o local, e era a vez do rapaz.

– Obrigada pela noite. – Disse timidamente, quando ele disse que deveria ir.

– Eu que agradeço, senhorita. – Ele respondeu e aproximou o rosto do meu. – Achei que nunca fosse conhecê-la, estou honrado. – Ele respondeu em um sussurro, voltando a tomar minha mão. Porem, desta vez, deixou um pequeno beijo nesta e logo a soltou.

Depois disso, disse adeus e se foi.


Fiquei em choque com as palavras dele. Perplexa, com o rosto corado e ainda observando a porta, sem falar nada.

Depois de muito tempo, fui notar. Meu Deus, não perguntei seu nome, não sei quem ele é. Não pude dizer que foi encantador conhecê-lo.

E... Agora?


A festa havia acabado, apenas subi para o meu quarto. O resto da noite foi como uma tortura para mim. Após o banho, fiquei sentada próximo a janela, observando as estrelas novamente. Lá fiquei, rezando para que essa seja a primeira página, não onde a história termina. Acho que deixei algumas lágrimas caírem. Vou lembrar dessa noite para sempre, onde seu rosto vai ficar fixado em minha mente... É assim que a pessoa se sente, quando está apaixonada?

Então realmente estou apaixonada. Muito.

Estava encantada em conhecê-lo.

Acho que o perdi. Acho que não conseguirei encontra-lo novamente.

Mas... Eu... Realmente estava encantada em conhecê-lo...


Se puder me ouvir, onde quer que esteja, peço que não tenha ninguém esperando por você. Por favor, não se apaixone por outra pessoa.

Sei que irei encontrá-lo, algum dia, mesmo que demore. Posso espera-lo para sempre.

Vou passar a eternidade me perguntando se você sabia... Que eu estava encantada em conhecê-lo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!