Notas iniciais
– Não acredito! – Grover caiu na gargalhada quando Percy finalmente terminara de contar o que acontecera na casa de Thalia. – Lia deve ter zombado muito a cara de vocês dois!
– Deixe de ser besta seu chifrudo! – respondeu o moreno irritado com o amigo que era na verdade irmão de Rachel, e desligando o celular na sua cara.
Depois de ter saído da casa de Thalia altamente corado dos pés a cabeça, Peercy seguiu para o rio East e o encarou por algum tempo, sentiu o tempo passar e quando olhou para o relógio, tinha que pegar a Calipso no posto de gasolina Diplococo a alguns quilômetros dali, pelo menos conseguira o caderno de músicas no final de tudo.
Dirigiu rapidamente pelas ruas vazias demais para um sábado e chegou no posto bem rápido, Calipso estava sentada em um banco na esquina mexendo no celular, percebeu quando Lexus parou ao seu lado e se levantou, estava deslumbrante. Seus cabelos caramelados estavam presos apenas por uma flor vermelha na lateral de sua cabeça, seus brincos eram apenas pequeninas pérolas e vestia um vestido curto vermelho e com um salto da mesma cor, seu batom era vermelho berrante, Percy não poderia negar que ela estava linda e perfeita vestida daquele jeito, mas ele odiava a cor vermelha.
– Oi lindo, eu já estava me preocupando. – ela sorriu e beijou o namorado, e por sorte, o batom não ficara em sua boca. Ela continuou a encarar a tela do celular e digitou alguma coisa com um sorrisinho, depois de guardá-lo na sua bolsinha que coincidentemente era da mesma cor irritantemente vermelha.
– Acho que sua cor favorita é vermelha... – ela disse e ela sorriu.
– Como você descobriu? Meu namorado é um adivinho? – ela deu uma risadinha irritante e Percy estava prestes a responder que o nome certo era vidente mas seu celular começou a tocar, ele atendeu ainda no volante, não ligando para os olhares de censura que Calipso lhe enviava.
– Alô?
– Percy? Meus deuses, ainda bem que você atendeu. – era a voz de Grover.
– O que aconteceu cara? – ele exclamou recebendo um olhar preocupado da namorada, estava começando a se arrepender.
– Júniper viu uma garota me beijando e acha que eu estava traindo ela! – ele exclamou em meio a soluços, com certeza estivera chorando.
– Cara que mancada, mas não posso fazer nada agora, estou ocupado Grover. – Percy o censurou e desligou o telefone, estacionou no Starbucks e teve que aguentar Calipso falando sem parar sobre roupas.
– Mas aí ela disse: Não ficou legal, azul não combina com você. Aí eu respondi: Mas eu tenho que me sentir bem! E eu estava certo não acha?
– Com licença, já se decidiram em o que vão pedir? – uma garçonete loira se aproximou sem nem elevar o olhar.
– Hum, eu vou querer um capuccino com chantilly duplo e para ela um café expreso com leite condensado e para nós dois um sanduíche de mortadela. – Percy disse também sem elevar o olhar, quando Calipso o corta.
– Nada disso, para mim eu quero um capuccino light e um mini sanduíche de queijo com pão light e diet. E por favor, coloque tudo na conta dele. – ela acrescentou sorrindo para a garçonete que corou ao olhar para Percy o reconhecendo na hora.
– E-então no total é um capuccino com chantilly duplo e um sanduíche de mortadela para o senhor e para a senhora, um capuccino light e um mini sanduíche de queijo pão light e diet? – ela pergunta para os dois que assentem, Percy e Annabeth altamente corados, e os dois agradeceram aos deuses por Calipso não ter percebido já que estava digitando em seu celular.
Percy estava suando, e fingindo escutar a namorada fofocar sobre várias coisas que ele nem sabia ao certo o que significavam. Annabeth já havia trazido a comida e a conta, logo os dois estavam novamente no carro e Calipso não parava de falar.
– Olha Calipso, tenho que ir para um lugar, sua casa está nesta rua mesmo, então pode sair aqui? – ele tentou ser gentil, mas estava tão impaciente que sua voz pareceu rude. Ela o olhou indignada e bateu a porta na cara dele. – Espera Calipso, espera!
Mas ela já havia ido, Percy suspirou e voltou a dirigir, mas dessa vez indo para a casa de Grover, quando se perdeu em pensamentos. Ele estava odiando o namoro com Calipso, mesmo ainda não completando nem um dia estava pensando seriamente em terminar, depois voltou a pensar em Annabeth e em como ele ficava perto dela, depois de o fiasco com o carro parece que ela gamou nele, e ele não conseguia mais parar de pensar em um segundo na linda garota com lindos e ondulados cabelos de ouro, com seus atraentes olhos cinza-tempestuosos, seu lindo corpo e sua linda voz. Percy balançou a cabeça tentando levar aqueles pensamentos para longe, afinal, estava namorando, mas ele sentia algo com Annabeth que lhe parecia muito familiar.
Ele só percebeu quando já havia acontecido, ele sentiu uma dor rasgá-lo ao meio e sangue explodir para todos os lados, ele gritava e se encontrava no meio de muitos destroços de metal, sua cabeça latejava e sangue escorria por seu rosto, pedaços de vidro estavam espalhados por sua camisa. Então sentiu tudo escurecer, então mãos o apalpando, o entulho em cima dele se afrouxando, mas estava muito fraco para abrir os olhos.
Então dormiu, descansou como nunca havia feito antes, seu peito se encheu de ar e ele abriu lentamente seus olhos que pareciam puro ácido, só conseguia ver vislumbres das coisas, e ainda haviam partes de seu corpo doendo.
– Tem certeza que ele está bem? – perguntou uma voz de mulher adulta, preocupada, para o médico que tratava seu paciente em estado grave.
– Quando encontramos o corpo senhora, ele estava apagado, muito sangue havia sido perdido, e só o reconhecemos pelo sobrenome que estava na carteira queimada de motorista.
– Ou seja... – ela parecia ansiosa.
– Ele está instável, mas acordará em breve. – o médico responde, a acalmando.
– Obrigada.
– Não se preocupe, Sra. Jackson.
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