Notas iniciais
Vamos lá! Espero que gostem e entrem na história da Talita junto comigo :D

Vivemos em um mundo onde correria é sinônimo de vida agitada. Principalmente nas cidades grandes, é gente correndo pra tudo que é lado. E grande parte das pessoas gosta de ter isso nas suas vidas, mas elas confundem esses dois termos.

Correria é o aspecto negativo da vida agitada. Sejamos sinceros, ninguém gosta de nada monótono, até porque estamos no século XXI. Porém, quando você está na fase da correria, tem algo errado. É necessário um descanso. A vida agitada é exatamente isso. Você tem várias coisas pra fazer, várias pessoas pra falar, mas o seu momento de descanso está ali reservado, que é essencial.

E é por isso que eu gosto de sair do Rio de Janeiro de vez em quando. Não que seja uma coisa absurda de cheia, claro que não. Mas é uma metrópole praticamente de nível global, é claro que tem sua loucura. Meu refúgio é Minas. Mais precisamente Belo Horizonte. Ok, também é uma cidade grande, mas qual é, são praticamente 5 milhões de pessoas a menos, coisa a beça.

Sempre fico na casa da minha avó Júlia, mãe do meu pai. Ela é maravilhosa e sempre me recepciona com os deliciosos pães de mel dela — dá água na boca só de pensar. Nós vamos no cinema, visitamos meus primos, fazemos compras e ela me ensina a cozinhar apesar de eu ser um desastre na cozinha. Pelo menos ela tenta, né?

Mas o que ela mais gosta mesmo de fazer, é contar as histórias dela. Cada vez que nos vemos é uma nova. Ela sempre conta da época que meu pai era criança. Conta de como era difícil uma mãe que, basicamente, era solteira, já que se divorciara do marido e esse não dava muita atenção ao filho e muito menos a ex-mulher. Ele era aquele tipo de pai que dava um dinheiro de vez em quando só pra lembrar que existe. Já a vovó Júlia, tinha um trabalho aqui e outro ali, uma vez que não conseguiu entrar pra faculdade por conta do nascimento do filho. Outras histórias ela deixava mais reservadas, dizendo que um dia, quem sabe, eu entenderia. Ela adora um mistério.

Porém, em meio a tudo isso, de vez em quando com umas ajudinhas aqui e outras ali, os dois venceram as dificuldades e agora meu pai tem um cargo importante em uma empresa aérea. Onde conheceu minha mãe. A história dos dois é bem simples: trabalhavam no mesmo prédio de negócios, mas não tinham o mesmo chefe e nem ficavam no mesmo andar. Se conheceram no elevador. Meu pai adora dizer que foi amor à primeira vista. Minha mãe só consegue responder: "Para, Roberto! Eu sei que não foi, sempre te paquerei muito antes de você me paquerar!". Acho que nenhum dos dois nunca vai dar o braço a torcer.

— TALITA! — grita minha mãe interrompendo meus pensamentos e minha música no volume máximo — Se eu chegar nesse quarto aí e ainda estiver tudo bagunçado pode acreditar que você nem pisa naquele ônibus pra BH! — pois é, meus pais trabalham em uma empresa aérea, viajam todo o tempo e eu odeio aviões. Só vou pra Minas de ônibus.

— Ok, Val! — ela odeia que eu a chame assim. Sempre retruca que se não for pra chamar de mãe que chame por Valéria.

Dei uma ajeitada no quarto, mas confesso que a maior parte das coisas entulhei dentro do armário. A mala já estava pronta pra ir e eu estava mais animada que nunca por motivo de: primeiro dia de férias. Dois meses e meio sem fazer nada, do jeito que eu gosto.

Começo a me aprontar, ponho um macaquinho e deixo uma jaqueta jeans amarrada na cintura. Alpargata nos pés. Já no cabelo prendo com um coque despojado bem no alto da cabeça deixando minha marca em forma de losango no pescoço aparecer. A mesma marquinha que meu pai tem, mas no tornozelo. Acho isso muito engraçado.

Logo depois meu pai bate na porta:

— Filhota, seu namorado chegou. — terminei de aprontar as últimas coisas e me dirigi pra sala, onde estava meu pai e o Guilherme conversando sobre futebol.

— Não foi nada roubado, vocês que não sabem dizer outra coisa! Isso aí é inveja! — dizia meu pai em meio a risos.

— Vocês só sabem ganhar assim, Roberto! Não tem outro jeito, por isso que estão em 2° na tabela. — reclamava meu namorado.

Cheguei perto dos dois pra ver se assim percebiam minha presença. Missão falha. Os dois continuavam a debater.

— Vai, filhota, diz pra esse seu namorado quem é que manda!

Meu pai como flamenguista doente falava que o único defeito do Gui era ele ser tricolor. Eles se dão incrivelmente bem meu pai trata o Guilherme como se fosse um filho. E isso faz um bem enorme para os dois, já que meu pai sempre quis um menino e o Gui não tem um pai. O dele fugiu quando a mãe estava grávida e nunca mais se teve notícia.

— Eu sou os dois, gente, sou FlaFlu – toda vez que eu dizia isso os dois praguejavam falando que não era possível ter dois times, acima de tudo, dois rivais.

Logo depois, meu pai sai da sala e eu converso um pouco com o Gui. Ele é a pessoa mais doce que eu conheço e que me faz me sentir de uma forma que eu nunca sentira antes. Sempre penso que tirei uma sorte grande.

Meu pai volta pra sala e avisa que já estava na hora de partir. Fui ao encontro da minha mãe que estava no escritório, pra variar. Eles nunca me deixam entrar lá, sempre falam que é lugar de trabalho e tal. A única coisa que eu sei é que tem duas escrivaninhas, computadores e várias caixas que provavelmente contém papelada. É bem bagunçado também.

— Beto, deixa ela na porta da rodoviária! Nada de deixar ela longe só pra pegar menos trânsito! — Ela é muito preocupada com essas coisas.

Me despedi da minha mãe e desci o elevador juntamente com o meu pai e o Gui. Dei um beijo carinhoso no meu namorado antes de entrar no carro e parti com meu velho dirigindo. O carro estava ao som de MPB, que meu pai ama. Eu herdei um pouco desse gosto, pra ser bem sincera.

Enquanto ele cantava as mesmas músicas de sempre, eu mexia no celular e conversava com uns amigos. Nossa, a Mari não para de falar um minuto, ela brigou com a irmã de novo. É sempre a mesma coisa. Uma hora não se olham na cara e depois de 5 minutos já estão vendo série juntas.

Às vezes eu queria ter uma irmã pra compartilhar essas coisas. Na verdade, eu quase tive. Meus pais chegaram a ter outra filha, Taís. Ela tinha 3 anos e faleceu de alguma doença que eu não sei. Nenhum dos dois gosta de falar sobre isso. Tudo que minha mãe fala é que ela era encantadora e quando estava grávida de mim que ela se foi. Eles passaram por um momento muito ruim juntos, e por isso hoje em dia são mais unidos do que nunca.

Assim que cheguei no local, já estava meio em cima da hora. Meu pai me deu os alertas de sempre, como ficar a todo momento prestando atenção a quem está perto e ter cuidado com o celular. Ele olhou pra minha mancha no pescoço, passou o dedo e disse com um olhar sério, o que não era da natureza dele:

— Sua avó pode querer conversar com você durante sua estadia lá.

— Que? Como assim? Conversar o quê? — perguntei curiosa.

— Você vai saber, filhota. Você completou 16 anos agora, na nossa família uma boa conversa é muito necessária quando chegamos nessa idade. — falou finalmente parando de acariciar meu sinal.

Saí do carro com isso na cabeça. Eu não tinha completado 16 anos em tão pouco tempo. A última vez que vi a vovó Júlia eu já tinha feito aniversário. Aquilo não fazia sentido.

Notas finais
O que será que a vó Júlia pode querer conversar com a Talita? Descubra dia 7 de novembro às 20h no horário de Brasília :S
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.