Notas iniciais
Boa leitura!

A casa era muito simples, era branca e térrea, a porta de entrada e as janelas eram de vidro e deixavam ver parte da casa por dentro. Assim que chegaram Nicolas abriu a porta e deixou Safira entrar primeiro. Safira ficou observando o interior da casa. Como parecia por fora, a casa por dentro também era simples. A sala e a cozinha eram juntas. Havia um corredor com quatro portas onde deviam ficar o banheiro e os quartos. Por dentro as paredes eram brancas também e o chão era de ladrilho bege.

Na sala tinha um sofá de três lugares azul escuro e uma mesinha de centro de madeira clara. Na cozinha tinha uma mesa de madeira clara também com quatro cadeiras, uma geladeira, um fogão e bancadas todos na cor branca.

Safira ficou imaginando como eram as casas de Marie, Nicky e Melody.

– A casa é simples – Falou Nicolas entrando e fechando a porta.

– É bonita – Disse Safira olhando para ele e sorrindo – E você mora sozinho aqui? – Perguntou Safira se lembrando que ele nunca falou de sua família.

– Não, eu – Antes de terminar de falar uma das portas do corredor se abriu e um homem de cabelo castanho e olhos pretos saiu. Ele se parecia muito com Nicolas, porém mais velho, devia ter uns 46 anos. Usava uma camisa, uma calça social preta e chinelos. Assim que o homem os viu, sorriu e falou:

– Oi, Nicolas. Achei mesmo que tinha ouvido um barulho. E quem é a sua amiga?

– Oi, tio. Essa é a Safira Palmer, nós estudamos na mesma escola. E Safira, esse é meu tio, James Austin Greenwood.

– Olá – Disse Safira Tímida.

– Olá, Safira – Falou sorrindo.

James ficou observando Safira por um longo tempo e então o sorriso desapareceu de seu rosto e ele saiu da casa sem falar nada. Safira estranhou e olhou para Nicolas, como se procurasse uma explicação para o comportamento do tio, mas nem Nicolas sabia o que tinha acontecido. Então ambos decidiram ignorar. Depois que passou um tempo eles já haviam esquecido, mas o tio ainda não tinha voltado, então Safira perguntou curiosa:

– Por que você mora com seu tio?

– Meu pai matou minha mãe, quando eu ainda era bebê. Ele não tomou cuidado e se transformou. Ele não aguentou e se matou. Então meu tio cuidou de mim – Falou Nicolas triste – Quando nos transformamos perdemos o controle sobre o corpo e então machucamos quem está por perto.

– Sinto muito, não queria deixa-lo triste – Disse Safira arrependida.

– Tudo bem. Não é como se eu me lembrasse dela – Respondeu Nicolas sorrindo – Mas eu odeio a família que fez isso comigo – Agora Nicolas não estava mais sorrindo, e sim com muita raiva.

Safira sabia de quem ele falava. Era sua família que tinha feito isso com ele e ela sabia que se contasse à ele a verdade ele nunca mais iria falar com ela.

– James, não liga de ficar perto das pessoas. Ele trabalha e vive saindo, ele até tem algumas namoradas as vezes, mas elas sempre o deixam quando descobrem quem ele é. Mas eu não gosto de ficar perto de outras pessoas – Disse Nicolas tirando Safira de seus pensamentos – A única pessoa que me deixa à vontade além do meu tio, é você – Disse olhando-a nos olhos.

Safira também ficou olhando Nicolas nos olhos, ela queria que ele a beijasse, mas sabia que não podiam.

– Você sabe que não posso toca-la, não é? – Perguntou Nicolas adivinhando o que Safira estava pensando.

– Sei – Respondeu Safira olhando para o outro lado.

– E você sabe o porquê também – Afirmou Nicolas.

Safira apenas assentiu e voltou a olha-lo nos olhos.

– Não sei o porquê de você querer estar ao meu lado – Disse Nicolas olhando à nos olhos também – Mas não quero que vá embora.

– Como você nasceu se seu pai não podia tocar sua mãe? – Perguntou Safira querendo mudar para um assunto menos triste.

– No último dia de cada ano a maldição não acontece – Respondeu Nicolas sorrindo.

– Então, talvez pudéssemos ter um encontro nesse dia? – Perguntou Safira com esperança.

– Sim, vamos marcar – Respondeu Nicolas feliz.

Safira ficou na casa de Nicolas até que começou a entardecer e decidiu ir para casa. Quando estava dizendo tchau a Nicolas, ela sabia que estava se apaixonando e ele também.

Ela já estava quase perto do portão do castelo, quando James apareceu na sua frente e disse:

– Sabia que era da família real.

Safira ficou em choque e assustada perguntou:

– Como soube?

– Você me lembra a Lucy – Respondeu James com um leve sorriso nos lábios.

– Conhece a Lucy? – Perguntou Safira agora surpresa.

– Nos conhecemos a muito tempo atrás – Disse se recordando de algo.

– Você vai dizer ao Nicolas? – Perguntou Safira preocupada.

– Não vou. Você deve dizer. Eu sei que ele vai ficar muito bravo com você, então não precisa correr para conta-lo – Falou James acalmando Safira.

– Tá – Respondeu Safira e quando James estava indo embora Safira perguntou – Por que saiu correndo quando descobriu quem eu era?

– Porque você me relembrou de lembranças ruins – Respondeu indo embora.

Safira, então, continuou seu caminho. Quando estava na sala dos tronos encontrou Lucy olhando o horizonte.

– Oi, Lucy – Cumprimentou Safira.

– Olá, Safira – Disse Lucy olhando Safira – Nem escutei você chegando – E percebendo que Safira parecia um pouco triste perguntou – Por que está com essa cara Safira? Geralmente está sempre feliz quando volta da escola.

Safira estava deprimida porque teria que contar a Nicolas quem era e porque sabia que se fizesse isso ele se afastaria dela. Ela estava se apaixonando por ele e não queria que ele parasse de falar com ela. Então Safira decidiu contar apenas uma parte do problema a Lucy.

– Acho que estou me apaixonando por alguém que não devia – Disse Safira deprimida.

– Normal, é um carma das Encantadas. Nós sempre nos apaixonamos por quem não podemos — Falou Lucy rindo.

– É por causa dos poderes? – Perguntou Safira assustada.

– Não, claro que não. Nossos poderes não dizem por quem devemos nos apaixonar. Nossos poderes não nos dão regras para seguir – Falou Lucy um pouco zangada.

Safira sabia o porquê, Lucy estava dizendo que os guardiões que nos controlavam, mas se ela não gostava deles por que fazia parte. Safira decidiu não falar sobre isso no momento e então perguntou curiosa:

– Você também já se apaixonou por alguém que não podia?

– Sim. Antes de virar rainha. Acho que ele era a última pessoa no universo por quem eu devia me apaixonar – Respondeu com um sorriso triste.

– O que aconteceu com vocês? – Perguntou triste.

– Eu não lutei o suficiente, então o perdi – Disse Lucy quase chorando.

Safira não quis continuar falando sobre isso e então tentou animar Lucy. Logo Lucy teve que voltar para onde quer que os guardiões ficassem e Safira ficou pensando sobre o que ela havia lhe dito. Será que ela teria força para lutar contra os guardiões ou perderia Nicolas, como Lucy perdeu seu amor?