Era uma pacífica manhã de 10 de Janeiro e a neve caía suavemente do lado de fora da janela. John, imediatamente ao acordar, lembrou da importância daquele dia e vestiu-se rapidamente, pois ainda havia muito a ser feito.

Primeiro, comprou-lhe balões de hélio. Emily sempre amou balões. Ele lembrou do dia que a pequena os viu pela primeira vez, aos 2 anos, e correu rindo pelo gramado do quintal segurando um, fascinada pelo jeito que ele flutuava. No entanto, chorou desconsolada quando este escapou de suas mãozinhas e voou pelo céu. Uma das cenas mais tristes que seu pai presenciara até então.

John então foi à uma loja de brinquedos, onde encontrou sua amiga Sarah. Esta disse estar comprando o presente de natal atrasado de seu filho, Connor, pois os preços baixavam agora. O garoto tinha 7 anos agora, a mesma idade que Emily completava, sendo este um dos melhores amigos da menina. Os dois costumavam subir na casa da árvore que John havia construído há uns 3 anos no carvalho de sua casa e ficar lá por horas. Certa vez acharam um filhote de esquilo ferido, que a garotinha chamou de Jack, e o mantiveram como seu “mascote”. Porém, considerando que eles deixaram o animal liberto, e ele aparecia apenas periodicamente, nem mesmo pode-se ter certeza de que era o mesmo esquilo. Claro que o pai da menina não dizia isso à ela. Faria tudo apenas para ver seu sorriso cheio de janelinhas.

Ele decidiu comprar um urso de pelúcia para Emy. Ela pedia o tal há muito tempo agora, e não era algo de preço exorbitante. Era perfeito. Tudo tinha de ser perfeito para sua princesa. Sendo assim, pagou e saiu. Estava na hora de vê-la na moradia sua mãe.

Antes, porém, passou em frente à uma floricultura. Lá, se surpreendeu ao ver que havia um buquê de margaridas, as flores preferidas de sua filha desde que a levou para andar de cavalo numa campina não tão longe dali. Estava muito mais rápida do que ele, os cabelos louros voando enquanto seu potro corria e ela intercalava entre rir gritar pelo pai, clamando para que este a acompanhasse. Quando ela finalmente parou, estava no meio de um campo de margaridas, as mais belas que John vira até hoje. A garotinha virou para o pai segurando uma de cor branca e sorriu, os olhos azuis brilhando de excitação. “Não é linda, pai?”, ela disse. Os olhos do homem brilharam ao contemplar tal cena e ele riu de volta. “Maravilhosa”, respondeu, colocando a flor na orelha de sua filha.

John não pôde deixar de sorrir ao se lembrar desse doce episódio, e resolveu comprá-lo para Emy. Ele sabia que a faria feliz. E tudo para vê-la feliz.

Passou pelas grades do grande portão de aço e se encaminhou à seu destino. O lugar estava todo coberto em neve, e ele não sabia dizer se esta tornava a aparência do local melhor ou pior. Já decorara o caminho agora, pois o fazia há meses, praticamente toda semana.

Desde aquele dia.

Desde o acidente.

O outro ursinho estava lá, tampando a inscrição dos nomes na pedra, todo molhado e sujo, consequência do tempo que passara desde o natal. Não havia sinal das flores no entanto, provavelmente decompostas na terra coberta pelos cristais de gelo. Ele colocou o novo bicho de pelúcia ao lado do antigo, e amarrou os balões no buquê, para que estes não voassem para longe. Para que não se fossem assim como elas.

E chorou. Chorou porque ele queria abraçá-las. Porque ele queria ela assoprando as velas de um bolo de arco íris, e que ganhasse um presente de Connor. Porque queria que depois todos sentassem na sala e tomassem chocolate quente, assando marshmallows perto da lareira. Porque queria desejar feliz aniversário à filha. Porque queria lhe dar balões. Ele queria dar aqueles balões à Emily.

E tudo que ele podia fazer era deixar os malditos balões atados às flores na neve, e ir embora, deixando pegadas no solo do cemitério.

Porque Emily jamais receberia os balões.

Emily jamais cavalgaria nas campinas de novo. Ou brincaria na casa da árvore. Ou se formaria no colégio.

Emily se fora.

E John...

John continuava aqui.

Notas finais
Desculpa se eu te deprimi.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!