Emilia & Bernardo.. Nova história
92 Capítulo 92
Bernardo
Já faz uma semana que ele saiu de casa, durante esses dias ele se hospedou em um hotel para poder ir para a empresa e ficar próximo as crianças, não viu e nem falou com Emília, mantinha contato com Beth, ele iria pegar as crianças pra passar o fim de semana com ele na fazenda, sabendo por Beth que Emília não estava ele resolve subir ao apartamento, precisava pegar algumas coisas, ao entrar ele sente a familiaridade, o cheiro, as coisas estão no mesmo lugar, há um desenho não terminado de Lívia na mesinha de centro, um calçado de Miguel perto da porta e sorri ao lembrar da pequena bronca que ele vai levar quando Emília ver, tudo aparentemente normal, vai na cozinha beber algo, há um bilhete de Emília para Beth não esquecer de levar o remédio de Miguel, aquela letra tão conhecida, a preocupação e o carinho descritos naquele pequeno bilhete para com o seu filho dá um soco no seu ego e orgulho, por um breve momento ele lembra da vez em que ela chamou Miguel de filho e como daquela vez seu coração acelera,mas é interrompido pela entrada das crianças.
– Papai, papai- Lívia corre para seus braços.
– Oi minha pequena- com ela em um de seus braços, com o outro ele puxa Miguel para se juntar a eles em um abraço coletivo — Oi meu filho.
– Oi pai.
– Já estão prontos? — eles dizem que sim- Vou subir e pegar uma coisas já volto.
Ele sobe as escadas e vai ao quarto do casal, ao abrir a porta é recepcionado pelo perfume de Emília, fica parado observando lembrando deles ali, parece ter sido a tanto tempo, mas logo pega uma pequena bolsa de viagem e coloca alguns pertences, vai ao banheiro deixando a bolsa em cima da cama, quando volta ela esta sentada olhando as coisas dele.
Emília
Tinha sido uma semana difícil, Bernardo não ligou ou mandou mensagem, e ela sentia a falta dele, Beth tinha lhe dito que ele ligava todo o dia no fim da noite pra falar com as crianças, e ligou na quinta a noite pedindo através de Beth se na sexta a tarde ele poderia pegar os filhos pra levá-los para a fazenda, ela consentiu, jamais negaria isso a ele.
Explicar para Lívia e Miguel o porquê de Bernardo ter saído de casa foi complicado, apenas disse que tinham discutido, mas que logo tudo ficaria bem, Lívia ficou sem entender mas como a mãe disse que logo ficaria tudo resolvido, acabou se distraindo fazendo desenhos, Miguel compreendendo melhor a situação, discretamente após a irmã sair pergunta:
– Emília você vai ir embora de novo?
–Não- ela olha para ele que esta quase chorando, ela o abraça- Nunca mais vou embora, prometo a você.
Ficaram um bom tempo abraçados, naquela semana pra evitar de pensar na situação deles, ela relê os diários de Lia, em algumas páginas se sentia enojada, em outras com raiva, em algumas ela chorava, relendo as coisas absurdas que Lia fez, demonstrava que ela seria capaz de qualquer coisa para ter Bernardo, ou que ninguém o tivesse.
Mas já estava no terceiro diário e nenhuma pista sobre ela, um lugar ou um cúmplice, estava começando a desanimar, mas Beth lhe disse para reler os diários depois dela, quem sabe ela deixou passar algo e Beth poderia encontrar. Ela resolve sair de casa antes de Bernardo passar para pegar as crianças, achando ter sido o tempo suficiente para ele ter ido ao apartamento e já estar a caminho da fazenda resolve voltar, como estava tudo em silêncio ele sobe direto para o quarto, precisava de um banho, ao entrar se depara com a bolsa de viagem de Bernardo em cima da cama, achando que ele esqueceu pega a pequena bolsa e coloca sobre o colo, abre e não resiste em sentir o perfume dele impregnado na camisa, sente suas lágrimas molhar o tecido, mas não se importa, nem se dá por conta que é observada, levando um tremendo susto quando ouve uma voz, que seu coração reconhece antes do seus ouvidos:
– Eu iria usar essa camisa, mas você molhou toda ela- ele lhe diz e mesmo sem olhá-lo, sabe que há um pequeno sorriso se formando em seus lábios, Emília ergue lentamente a cabeça para olhar na direção dele, que vem e de leve senta ao seu lado na cama, por um leve momento ela pensa em levantar, mas ele a conhece e mesmo pousando de leve a mão sobre a perna dela, sente como se fosse de ferro, a pressionar ela no mesmo local, talvez fosse a saudade do toque dele, mas ela não se moveu, até parou de respirar.- Precisamos conversar Emília.
– Bernardo. ..Bernardo. .eu- ela nem sabia o que dizer ou tinha muito a dizer, mas ele olhando bem dentro de seus olhos, a perna onde ele tocava estava latejando, não sabia se ele fez de propósito em lhe dar um leve apertão quando ela disse seu nome, tinha esquecido como so um toque dele a deixa em alerta, por fim ela diz- Volta pra casa...por favor- e chorando vai de encontro ao peito dele, que a recebe delicadamente em seus braços, depois de um segundos de choro, a boca dela começa a procurar a dele, em um beijo de saudade, desejo e posse, como sentia falta dos beijos dele, em um instante ela esta sentada no colo dele, quase entregue um ao outro, quando do nada ele para de beijar-lhe.
– O que foi? — ela lhe diz
– Ah não vai ser tão fácil assim.- ele a tira de seu colo.
– Bernardo- ela quase grita — mas …
– Emília- ele sorri- Nós brigamos, dizemos coisas ruins um para o outro, e só um beijo, bom por sinal, — ele ri de novo ela não pode deixar de fazer o mesmo- Não apagar o que fizemos.
– Não entendo o que quer dizer — ela se aproxima dele- Quer que eu peça desculpas ? Eu peço.
– Não é isso, quero saber como vai ser daqui pra frente, — ele finge uma tosse- Sua obsessão por Lia.
Ela se afasta um pouco dele, sabe que deve ocultar os diários.
–Não estou mais obcecada por ela, acho que era medo de que ela voltasse. — ela observa a cara de espanto que ele faz.
– Verdade? — ela faz que sim- Então prove Emília.
– Como assim?
–Despense os seguranças. — ele pede e ela levanta da cama.
–Mas todos os seguranças não- ela sabe também que tem que ceder em algum ponto.- Podemos fazer assim um segurança só.- ele abaixa a cabeça como quem pensa, ela se ajoelha na frente dele, e repete- Só um, e você não me esconderá mais nada sobre Malu. — ele olha para ela e sorri, que retribui e sabe que esta tudo resolvido, ele a puxa para mais junto dele a beija, mas alguns segundos depois Lívia entra.
– Papai vamos- a criança nem se da por conta do momento que quebrou, ele ajuda Emília a se levantar e pega a filha no colo.
–Vamos sim pequena, so vou pegar outra camisa.
– Mamãe você não vai?- os dois olham para ela com expectativa, ela enfim diz:
– Vou sim só vou arrumar uma bolsa.
Ele desce com a filha enquanto ela arruma as coisas.
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