Emília
Ela para de tocar e fica olhando para ele, esperando sua reação.

—Eu não lhe dei permissão para tocar.
-E quem disse que preciso de sua permissão. — que raiva ela estava.
-Emília- ele tenta falar com calma e baixa o tom de voz- Esse piano ninguém o toca a anos, era da minha falecida esposa e se você puder não tocá-lo eu agradeceria.
-E eu gostaria de saber o porquê de ter casado comigo. — quer saber qual a realidade da situação.
-Eu precisava de uma esposa, para cuidar da casa, como ja disse eu tenho um filho ele esta voltando de um colégio interno.- ele jamais iria dizer que é porque ele tinha se apaixonado por ela a primeira vista, que desde o momento em que a viu não pensou em outra coisa se não em ter ela, mesmo que sem amor.
-Então o senhor precisava de mais uma empregada para cuidar casa e de uma babá para seu filho, não de uma esposa.- ela levanta e sai para o quarto.
Como ele era insuportável, exigindo dela como se fosse uma empregada, ela não queria cuidar da casa ou do filho, ela não foi criada para isso, ela queria terminar a faculdade trabalhar na sua área, não ficar presa em casa, feito uma senhora dos século passado, resolveu ficar no quarto arrumando as suas coisas.
Horas depois alguém bate a sua porta.
-Entra.
-Ola senhora sou Beth, arrumadeira, dona Lia pediu para avisar do almoço.
-Obrigada Beth, já vou.
-A Senhora que ajuda para arrumar suas coisas?
-Não obrigada — gostou da menina.
Ela vai ate a mesa almoçar e Bernardo já esta sentado esperando por ela, que para no instante que o vê pensa em voltar ao quarto.
-Por favor sente-se.
-Eu não. ..
-Emília em alguma hora teremos que dividir a mesa.
Ela senta eles comem em silêncio, ele fala:
-Gostaria de dar uma volta?
-Não, estou arrumando as minhas coisas.- ela sai, e passa o resto do dia no quarto só saindo a noite para jantar e volta para dormir.
No outro dia ela resolve caminhar pela casa,como viu no dia anterior era uma casa bonita,mas se sentia uma intrusa, estranhou por não ver foto da primeira esposa, a única foto era de Bernardo com um menino de uns dois anos em cima de um cavalo, ela esta com o retrato na mão quando Lia entra dando um susto nela, que derruba o retrato no chão que quebra em vários pedaços.
-O que você fez menina- grita Lia.
-Desculpas você me assustou.
-Ah agora a culpa é minha- Lia se abaixa e começa a juntar os cacos.
-Deixa que eu limpo.
-Não precisa, já ajudou muito.
-Quem você pensa que é para falar assim comigo, foi um acidente.
-Contarei ao senhor Bernardo.
-Faça como quiser, pensa que tenho medo dele por acaso.
-Você é uma menina mimada isso.
-E por mais que não goste dona dessa casa e sua patroa.
-Não lhe devo obediência.
-Como não. ..
-Fui contrata pelo senhor Bernardo- e sai da sala.
Emília estava com uma raiva, que ódio dessa mulher, dessa casa, de homem, dessa imposição toda, não demora muito Bernardo entra na sala.
-O que fez agora Emília?
-Foi um acidente, caiu sem querer o porta retrato.
-Poderia por favor não tirar as coisas do lugar
-Como é..sou sua esposa e dona desta casa só quando lhe convém, eu não queria tirar nada do lugar só peguei a foto para ver melhor e caiu, droga quantas vezes tenho que falar isso,não e melhor fazer uma lista do que posso ou não tocar, não sou uma boneca.
-Esta foto foi a última que minha esposa tirou.
-Ela não é mais sua esposa, ela esta morta- ele se aproxima e a pega pelos braços- o que vai fazer Bernardo. — ela o encara nos olhos.
Ele a solta e ela sai para pátio e caminha sem rumo, se ele amava tanto àquela mulher a ponto de enlouquecer quando tocam nas coisas dela, porque casar de novo.

Bernardo
Porque ela tinha que ser assim fazendo qualquer coisa para irritá-lo, as coisas de Marina ainda mexia com ele, era apego que ele não sabia explicar, se sentia culpado pela morte dela, talvez fosse isso.
Emília cada vez o irritava mais, ele pensa que talvez seria melhor tentar conquistá-la, mas ela é uma mulher difícil, em uma situação mais difícil se ele tivesse feito de outra forma quem sabe seria tudo diferente, ele não estava mais acostumado a correr atrás das mulheres, mas Emília era diferente.
Passa algumas horas já esta quase na hora do jantar e ela ainda não voltou, estava começando a se preocupar.
-Lia. . Lia — ele chama a empregada.
-Sim .
-Você viu Emília?
-Não a vi — ela faz um de desprezo.
-Ela saiu faz horas já esta anoitecendo, e acho que vai chover.
-Senhor ela saiu para caminhar.
-Vou atrás dela.
-Mas senhor para onde?
-Por ai...
Ele sai pega o cavalo, da uma volta pela propriedade e não a acha, começa a chover ele volta para a casa .
-Lia ela voltou?
-Não.
-Droga rena alguns dos empregados para me ajudar.
-Mas senhor esta de noite e chovendo.
-Por isso devo procurá-la, ela não conhece este lugar, vá Lia.
A empregada sai com raiva, não gostava de Emília, parecia uma menina mimada.