Emilia & Bernardo.. Nova história
57 Capítulo 57
*Bernardo*
Esta esperando o filho sair da escola, esta um homenzinho treze anos já, mas ainda via ele como seu pequeno menino, como para não pagar “mico”, como o filho diz, ele espera um pouco afastado da escola, hoje eles iriam para a fazenda para passar o fim de semana, ele fez a reforma como tinha decido, mas assim como no apartamento ele não mexeu nos quartos de Emília, apesar de sempre serem limpos, não trocou nada de lugar, nos armários ainda tinha as roupas dela e se ele respirasse profundamente podia sentir o perfume dela, e não pode deixar de admitir que não foi poucas as vezes em que entrou em um desses aposentos para matar a saudade que sentia.
—Oi pai- Miguel o tira de seus pensamentos, ao entrar no carro.
—Oi meu filho, como foi a escola?
—Foi tudo bem, Beth não vai com nós?
—Não ela vai ficar, ela ia visitar seu Alberto já que eu não fui.
—Pai porque não posso ir ver o vovô- carinhosamente ele tinha adotado o pai de Emília como avô, já que tanto os pais de Marina quanto os dele já tinham falecido, quando a doença não tinha atingindo tanto Alberto, ele e Miguel se davam muito bem, Bernardo lembra o quanto Alberto ficou emocionada ao ser chamado de avô a primeira vez. — Pai esta me ouvindo ?
—Sim meu filho estou.
—Então podemos ir segunda?
—Mas e a aula?
—Vou sair cedo lembra, será reforço e eu não preciso.
—Está bem segunda nos vamos então.
*Emília*
Esta sentada na mesa ainda com Beth.
—Eles foram pra fazenda?
—Sim, eles gostam de lá, e depois da reforma o lugar ficou ainda mais lindo, se é possível.
—Queria um dia poder voltar, na fazenda.— Emília lamenta.
—E porque você não volta, não acha que já esta na hora. — a muito que elas não eram mais empregada e patroa, eram amigas confidentes, tanto que Beth era madrinha de sua filha, a única em que Emília confiava para ficar com a menina, pois sempre que podia carregava a pequena Lívia para a livraria com ela, para qualquer lugar, até tinha uma moça que quando necessário ficava com ela o que pouco acontecia e nunca por mais de duas horas, pois a maior parte do tempo a filha ficava com ela -Você não acha que deve isso a eles.—continua Beth direta como os últimos anos ensinou.
—Quando você ficou tão dura com as palavras.
—Tive uma boa professora- ela pisca para Emília, que entende o recado.
—Você sabe que quando falo eles não é só a Bernardo e Miguel que me refiro, você deve isto a Lívia também.
—Ah Beth, mas tenho medo.
—Quando passou a ser tão medrosa?
—Depois de perder um filho, quase perder a vida para uma louca psicopata, e ter uma vida além da minha para preservar fiquei sim mais medrosa.
—Mas ela nunca mais apareceu.
—E quem me garante se eu voltar ela não volte também, eu tenho muito a perder.- Emília se esquiva levanta e começa a recolher a louça.—Não vou voltar, ainda não.
—Não acha que está sendo egoísta.- Emília ia responder, mas é interrompida por uma voz vinda do topo da escada.
—Mamãe. — é Lívia
—Oi bonequinha, vem com a mamãe, olha quem esta aqui.- enquanto a pequena desce com cuidado as escadas Beth diz baixo mas Emília ouve.
—Salva pelo gongo, mas outra hora te pego de jeito Emília. — que finge não ouvir.
—Olha quem está aqui, e a madrinha. — ela pega a filha no colo e a leva até a amiga, sabendo que assim adia mais uma vez um sermão.
*Bernardo*
De volta a cidade como prometido no final da tarde ele vai como filho visitar Alberto, caminhado pelo corredor ele vai novamente explicando ao filho.
—Miguel ele pode não te reconhecer, mas não fique triste esta bem?
—Sim pai, sei que é da doença.
—Converse com ele normalmente.
—Esta bem pai, vamos.
A porta do quarto esta aberta, e Alberto sentado olhando para a janela. Miguel se aproxima.
—Oi vovô- ele abraça o avô, que espontaneamente corresponde ao abraço, deixando Bernardo emocionado.
Alberto tem uns momentos de lucidez, a tarde foi agradável, quando vão embora Miguel pede para ir ao banheiro, ao se despedir de Alberto, Bernardo ve uma foto no chão ao recolhê-lo, percebe ser de uma menininha, quando pega na foto para olhar melhor Alberto tenta puxar de sua mão.
—Me dá. .. Me dá- diz ele
—Quem é essa menina seu Alberto? .
—É Lívia, minha pequena.
—Mas quem é Lívia?
—Minha neta, filha de Emília.
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