Naide

Antes mesmo de Jéssica lhe falar do possível relacionamento de Marcos com Malu, ela sabia que havia algo entre eles, pois pela rápida busca pela casa após prenderem Marcos, por ele ter atirado na polícia, ela viu uma foto de Malu na mesinha perto da cama dele, era uma foto que tinha vários respingos de água, como se tivessem chorado por cima da foto, mesmo algemado e com os policiais segurando ele, quando Naide tocou na foto ele ficou completamente fora de si. Começou a falar coisas sem sentido, tiveram que sair dali com ele.

Já mais calmo na sala onde daria o seu depoimento ele pouco falou.

Agora nada poderia fazer já que ele queria a presença de um advogado.

Ao saber por Jéssica que Malu estava grávida quando foi morta, ela se surpreendeu, ligou ao laboratório que lhe informou que passou a notícia informação e estava no almoço, Naide suspira, esperando o advogado de Marcos.

Lia

Ela está fugindo novamente, ainda sem entender como conseguiram o endereço de Marcos, foi muita sorte ela ter saído um pouco antes de a polícia chegar, ela lembra que saiu para comprar um medicamento para acalmar seu amigo, que desde a noite da festa em que ela matou Malu, ele estava completamente louco. Lia lembra de como foi tudo:

*** Lembrança on***

Marcos está indo no carro à frente com Emília já desacordada, não foi difícil tirar ela da festa com o rosto coberto, quem ali iria se preocupar com mais uma pessoa bêbada, Lia entrou na festa disfarçada de faxineira, afinal ninguém quase nunca repara nessa pessoa até que precise dela, ela conseguiu de longe ver passo a passo de seu plano se desenrolar, claro que Malu e Marcos não sabiam de tudo ela planejava, Malu com o rabo preso a ela fazia as coisas sem questionar, e Marcos pensa que era só para dar um susto em Bernardo, mal sabia ele de seus planos, que era se livrar das duas de uma vez e ficar com Bernardo, ela olha para o banco do carona e vê a arma brilhando, piscando para ela, ela sorri.

Quando Marcos chegou até o local combinado ele desce e coloca Emília deitada sobre o chão frio, o remédio que ela deu para Malu usar era bem eficaz, deixava a pessoa um pouco fora de si no começo e depois completamente dopada, e o melhor algo difícil de ser encontrado caso a pessoa fizesse um exame toxicológico.

Marcos sai deixando as duas ali, ele deve voltar para a festa para não suspeitarem, mas antes Lia pede a ele que passe na casa e traga mais um pouco da dose do remédio para dar para Emília, ele sem entender vai.

Lia aproveita e liga para Malu e pede para ela ir até o lugar combinado, antes de ligar a adverte:

—Venha de táxi, para não chamar a atenção do seu motorista, depois eu deixo você ai perto.

—Está bem. – Malu responde.

Não demora muito Malu chega, Lia fica um pouco sobre as sombras, ela deixa o táxi se afastar, para poder se fazer presente.

—Malu– ela dá um berro, a outra grita ainda mais, tamanho o susto.

—Ai Lia que susto, cadê ela?– perguntou, Lia sabe que ela fala de Emília, e leva até aonde a outra se encontra, que está na mesma posição que Marcos a deixou. –Nossa esta dopadinha né, não exageramos na dose não?

—Não está perfeito– Lia responde sorrindo, Malu por estar de costa não percebeu o sorriso maníaco que Lia trazia nos lábios ao pôr as luvas e pegar a arma que ela enrolou em um pano e deixou ali perto. – Você fez muito bem a sua parte.

—Porque me chamou aqui Lia. – Malu ainda olha para Emília desacordada no chão, nem repara que Lia já está de frente para ela.

— Para isso. –rápido ela tira a arma de suas costas e dispara contra Malu, pega totalmente de surpresa nem tem tempo de correr ou fugir do disparo que lhe acerta no peito do lado direito, ela olha para arma, coloca as mãos onde a bala perfurou, e cai de joelhos, olha para o sangue em suas mãos, e cai de novo agora de lado, crava os olhos em Lia e percebe a satisfação no seu olhar, Malu com o pouco de forças que lhe resta vira de bruços e começa a se arrastar para a saída, mas ela está perdendo muito sangue, mas vai tentando, pouco a pouco ela consegue ir uns poucos metros adiante, mas nada muito próximo a saída, tenta gritar e não consegue, já lhe falta o ar, Lia vem calmamente atrás dela passo a passo, como uma mãe que acompanha uma criança caminhando pela primeira vez, quando suas forças se esgotam e ela para de se arrastar, Lia se abaixa até ele e sorri.

—Pensa que vai onde desse jeito?– ela ri ainda mais quando percebe que Malu tenta falar algo, mas não consegue. – O quê não estou te ouvindo, mais alto.

—P.. por..por que – ela consegue dizer.

—Ai Malu querida, sua ingenuidade me surpreende sabia, vou ser simples quero Bernardo só pra mim, só isso.

Malu tenta falar mais alguma coisa, mas só sai sangue e em pouco seu olhar perde o brilho, sua respiração para, só sai sangue de sua boca, Lia sai dali, vai até Emília coloca a arma na mão dela, liga para Marcos dizendo não precisar mais do remédio, que ele podia voltar para a festa, que ela já iria para a casa, um pouco depois ele liga pergunta de Malu, que ela não estava mais no salão, Lia diz nada saber que o melhor era ele ir para a casa e desliga o telefone, Lia fica um bom tempo olhando as pessoas que ela mais odiava na vida, faltava só Marina para fechar o quadro, mas dessa ela já tinha se livrado, ela as odiava por uma única razão, por alguns momentos ela tiveram Bernardo, coisa que ela ainda não teve, mas que agora iria chegar a sua vez.

Ela esperou até ficar um pouco mais ali, parecia agora ter todo o tempo do mundo, então acha já está na hora de colocar a segunda parte do plano em andamento, fez o carro que tinha ali começar a tocar o alarme, sai dali, tira as luvas que tinha colocado, entra no seu carro e dirige se afastando um pouco, não muito, pois ela quer ter o prazer de ver tudo de perto, era um lugar um pouco deserto, tinha escolhido bem, já está ficando mais claro, a noite dando espaço a mais um dia e que dia seria esse pensou Lia, ela sabia que aquele barulho do carro logo chamaria a atenção, e se não chamasse ele mesmo faria uma denúncia anônima relatando ter ouvido tiros, e de fato foi o que ela teve que fazer, mas foi só a polícia chegar que os curiosos chegaram também, e ela não iria perder a oportunidade de ver Emília ser presa pelo assassinato da sócia de seu marido.

Sorri satisfeita ao ver que deu tudo certo, ainda mais quando teve certeza que Emília a viu, achou que ela iria fazer um escândalo, mas deveria ainda estar sobre os efeitos do remédio, pois nada falou.

Mas Lia jamais imaginou a forma como Marcos faria quando soubesse da morte de Malu, ele ficou completamente transtornado.

—Mas como Lia, como?– ele a questionava.

— Foi preciso. –ela lhe disse, mas não foi o suficiente, foi pior, ele veio para cima dela com tudo, a segura pelos ombros, ela nunca o viu tão furioso, a sacudia violentamente.

— Foi você? Foi me diga. –Lia precisou usar toda a força que tinha para poder se desvencilhar dele.

—Me solta, está ficando louco– ela sai de perto dele– Malu veio para cima de mim, não era para atirar nela, mas a arma disparou.

Ele cai ao chão, chorando, tinha perguntas a fazer, mas estava desolado demais, Lia continua:

—Mas não entendo porque está assim?

—Porque eu a amava.

—Vocês estavam tendo um caso?– ela pergunta perplexa com a revelação.

—Nós estávamos apaixonados.

—Mas como eu não reparei nisso, como foi acontecer, você nunca foi de se envolver com ninguém, ainda mais por alguém como Malu.

—Talvez se você reparasse em algo a mais além desse seu plano ridículo. – Marcos diz e levanta do chão indo para o quarto.

*** Lembrança Off***

Lia lembra que ele parecia uma sombra do homem que foi, abatido, mal se alimentava, vivia com uma foto de Malu na mão, chorava, chorava. Ela nada podia fazer por ele, Malu já estava morta, talvez se eles tivessem contado a ela essa parte ela teria poupado Malu, mas agora já era tarde, precisava seguir adiante.

Ela esperava Emília ser julgada e condenada para poder reaparece na vida de Bernardo, ela tinha toda a certeza de mundo que Bernardo a perdoaria, e viveriam felizes.

Mas não poucos dias depois Emília saiu da delegacia, em uma liberdade provisória, Lia lembra com amargura, que chegou a ficar de prontidão em frente ao prédio deles, que os viu, tanto Bernardo, quando Emília, chegou a fazer uma foto dos dois juntos, nem parecia que ela tinha ficado na delegacia, sentiu muito ódio de ver Emília e Bernardo juntos, parecia que nada do que ela planejava dava certo, de vez os separar os deixava mais unidos. Os dias que ficou observando eles, ela não viu nenhuma movimentação das crianças ou da tonta da Beth, e Lia sabia exatamente onde elas estavam e o que ela poderia fazer, e era para lá que ela estava indo, pra dar um fim definitivo em tudo isso, em sua cabeça doentia ela pensava se ela não poderia ser feliz ao lado de Bernardo, Emília também não seria feliz ao lado dele.