Emília

Já fazia duas semanas desde que ela e Bernardo tinha se reconciliado, podia dizer que esses dias separados tinha sido bom para a relação deles, ela aparentemente não tocava mais no assunto Lia, não na presença dele, o segurança que ficou era mais para ela e as crianças, Bernardo não quis nenhum, não tocar no assunto, não quer dizer que tinha esquecido, ela e Beth continuavam a analisar os diários, mais Beth que ela, pois não queria que ele soubesse que ainda estava preocupada com Lia, para Bernardo aquilo era um assunto encerrado, e assim evitava brigas desnecessárias, ela fazia um enorme esforço para não deixar transparecer seu medo, seu receio, algumas noites ela ainda ficava acordada no quarto com o marido, que dormia mais agarrado a ela, parecia ter medo de que ela escapar.

Aparentemente tudo estava normal, mas só ela sabia o esforço que fazia para sair de casa com Lívia e ir a praça brincar, ou buscar Miguel, tentava manter a calma e o controle.

–Mamãe, mãe- era Lívia a lhe chamar a tirando de seus pensamentos.

–Oi minha bonequinha — ela pega a filha e a senta em seu colo.

– Olha quem vem lá -a menina aponta para um homem que destoa da paisagem da praça, de terno e gravata, em um dia quente, ela não precisa de muito para saber quem é, e sorri.

– Posso ir mamãe?

– Sim pode- Mal diz e a menina sai correndo gritando

– Papai ... papai.

Cenas deles dois juntos sempre a encantava, eles chegam onde ela esta, ele põe a menina no chão que novamente sai correndo para brincar.

–oi — ele diz sentando ao lado dela e passando os braços em volta dos seus ombros.

– faltando ao serviço senhor Boldrin- passa a mão no rosto do seu amado.

– Vim ver minhas meninas,eu não ganho um beijo.- ele fica mais próximo dela.

– Não, esta todo suado- ela finge se afastar, mas ele a mantêm firme em seus braços e a beija.

Bernardo

Parecia que eles tinham voltado a rotina familiar de antes, tudo tranquilo, assim ele julgava. Sabia que Emília ainda tinha certo receio, e percebia o esforço dela em não transparecer, e por isso ele a enchia de carinho, mimos e fazia essas pequenas surpresas.

– Vamos para casa. — ele pergunta após beijá-la

–Vamos vou chamar Lívia- eles levantam, Emília vai até onde a menina deveria estar, mas não a vê, começa a chamá-la, mas nada dela aparecer.

–O que houve Emília?- Bernardo pergunta ao ouvi-la chamar pela filha.

– Lívia ...não estou achando ela.

– Calma ela tem que estar aqui, calma. -ele começa a ficar preocupado também.

– Não me peça calma, LÍVIA...LÍVIA- sai de perto dele e recomeça a gritar.

Bernardo também começa a perguntar e a chamar pela filha, leva alguns minutos quando ele por fim se dá por conta que a menina de fato desapareceu, quando ele esta indo em direção a sua mulher para falar que providências tem que ser tomada, ele ouve um choro, muito baixo, mas um choro, apura os ouvidos para saber de onde vem, olhando para alto em uma árvore ele vê a filha, muito assustada.

–Oi minha pequena- ele fala aparentando tranquilidade — Como você foi parar ai, vou chamar sua mãe — esboça um sorriso para demonstrar para ela que esta tudo bem – Emília ...Emília...

– O quê Bernardo?- ela grita para ele.

–Vem cá... vem, achei ela- quando ele diz isso ela vem correndo.

– Onde ela esta?- pergunta aflita se agarrando ao braço dele, que aponta para o alto, Emília da um grito quando vê a filha no alto- LÍVIA...LÍVIA...

– Emília ela esta assustada, tente se acalmar, fique com ela vou buscar ajuda.

Emília

A custo conseguiram tirar a filha do alto, teve que segurar o choro para a menina ficar tranquila, mas agora ali no carro com ela em seus braços deixou as lágrimas correrem livremente.

– Meu amor já esta tudo bem- dizia Bernardo ao seu ouvido.

Em casa ela foi cuidar da filha, no banho fez a pergunta que queria fazer a tempos.

– Porque Lívia subiu naquela árvore? Não sabia que podia se machucar?

–Mamãe eu…- ela tira a filha de baixo do chuveiro- eu só estava brincando.

– Sim minha filha, mas é muito perigoso subir em árvores, ainda mais sem um adulto por perto- Emília começa a vestir a filha.

–Mas a moça disse que me cuidava.

Emília que estava ajoelhada diante da filha sente as pernas bambearem e caí pra trás.

– O quê disse Lívia? — ela respira com dificuldade — Que moça?- ela se ajeita de novo e pega a filha pelos ombros

– A moça no parque sentada perto da árvore, ela disse pra subir que cuidava de mim.

– Quantas vezes disse pra não falar com pessoas estranhas, quantas- ela da uma sacudida na filha que se assusta e chora.

– Emília o que esta fazendo- Bernardo entra no quarto e tira a filha das suas mãos- Lívia esta tudo bem, tudo bem- ele embala ela em seu colo, quando vê que ela parou de chorar ele diz- Desce e pede a madrinha para escovar seus cabelos, ta bom — ele a põe no chão quando ela vai passar por Emília a filha lhe olha e fala.

– Achei que podia falar com ela, porque já vi ela com papai. — e sai do quarto Emília levanta e tenta ir atrás dela mas Bernardo a toma em seus braços.

– O quê deu em você para segurar ela daquela maneira.

–Você ouviu o que ela disse? quem estava no parque, que a incentivou a subir na árvore.

– Do que esta falando Emília?

– Que Lívia só subiu, por causa de uma moça que disse cuidar dela, mas sempre disse pra ela não falar com estranhos.

– Sim e o que mais..

–Ela disse que a moça já esteve com você,a única que ela viu foi Malu.

–Malu? Esta dizendo que Malu, quem eu vi no escritório quando saí, foi ao parque sem vermos e fez que com Lívia subisse na árvore? Isso mesmo que me diz Emília?

– Sim, porque mais ela iria subir?

– Porque ela uma criança, crianças fazem travessuras, se machucam, aprontam.

– Não Lívia, ela sabe que era perigoso.

– Ela é uma menina de cinco anos Emília, não pode saber tudo, cinco anos e esta mais assustada com a sua atitude do que com o susto.

Ela sabe que não adianta insistir, e para de falar, e sabe que ele tem razão em ter assustado a filha, nunca ela agiu daquela forma, desce as escada e Beth esta arrumando os cabelos dela, que esta de costa e não vê a mãe, Emília pede lugar a Beth e termina de pentear os cabelos da filha, sem dizer nada, mas com lágrimas a lhe encher os olhos. Quando a menina percebe que o penteado esta pronto ela se vira falando alegre:

– Obrigada madrinha. …- e para de falar ao ver a mãe. — Mamãe

– Oi bonequinha- ela passa a mão no rosto da filha, que a princípio se encolhe ao ver a mãe estender o braço, aquilo doí nela- Desculpas minha filha, me desculpas- ela diz e começa a chorar, a menina ao ver o choro da mãe corre para abraçá-la, Emília aperta ela em seus braços- Me desculpas?

– Sim mamãe — Lívia se agarra ao pescoço da mãe- Não chora.

– Esta bem não vou chorar mais.