Emília

Ela vê Bernardo subir, sabe que a decisão dele esta tomada, que se preciso for ele iria pra fazenda sem ela, ela sobe vai ao quarto dos filhos, que já dormem e arruma as coisas para ele irem no outro dia, vai até o quarto do casal, Bernardo ja dorme ou finge dormir, ela arruma as coisas para ele levar, ainda não sabe se vai então não arruma as suas coisas, toma um banho, ela também está cansada, essa tensão toda,a doença do pai, a falta de credibilidade com o marido, as crianças também estão sentindo e ficando nervosa com isso, as vezes até ela se pergunta se realmente viu Lia, se não foi uma brincadeira de sua cabeça, mas quando se pergunta isso, vem também a certeza, quando lembra do tapa que deu ou do empurrão que sofreu, ela ainda não achou sua pulseira, cada vez mais tinha desconfiança que Lia tinha pego, mas como tudo que cerca essa mulher era só mais uma desconfiança, ao terminar o banho e sair para o quarto, faz tempo que não dorme com Bernardo, voltou a dormir com a filha, ela não sabe se vai ou fica, será se não era hora de uma trégua, ela sabe que não irá acontecer nada com ela ou os filhos, que estão seguros, mas era uma pressentimento constante de algo ruim acontecer que a atormentava, que não a deixava em paz, tentar era tudo o que lhe restava, ela fecha a porta e deita do lado dele, encosta o máximo que pode sem querer acordá-lo, beija de leve os lábios dele e vira de costas, quando esta quase dormindo, sente ele puxando ela para mais perto, envolvendo o corpo dela com seus braços, apertando ela contra ele, ela não sabia se era uma forma de ela não fugir na madrugada ou se era uma forma de proteção vindo dele, mas ela sabia ser a segunda opção, e assim mesmo sufocada por ele, ela acaba dormindo, um sono sem sonhos, mas sem pesadelos.

No outro dia ela acorda eles já estão tomando café.

–Bom dia — ela da um beijo nas crianças e em Bernardo- Já deixei as coisas de vocês pronta.

– Mamãe você não vai? — Lívia pergunta.

– Não tenho que ficar com o vovô.

– Ah, mas mamãe…

– Lívia, sua mãe disse que não vai, está certo. — Bernardo interfere.

O café termina ela sobe pra ajeitar a menina.

– O que foi Lívia? -aqueles olhinhos em cima dela, sabia que lá vinha uma pergunta.

– Mamãe quem vai dormir com você? quem vai cuidar de você ?

– A minha filha- Emília tenta se segurar pra não chorar na frente da menina.- Mamãe vai ficar bem, não te preocupa esta bem.

Ela termina de arrumar a menina, Beth desce com as crianças e dois seguranças, Bernardo fica para se despedir.

– Tem certeza que não quer ir? — ele se aproxima devagar dela, apesar da trégua de dormirem juntos ainda a um ar tenso entre eles.

– Não, vou ficar e ver o meu pai, você cuida bem deles?

– Isso é algo que nem precisa me pedir, não acha?

– Desculpas, sei que cuidará bem deles, só que…

– Porque não deixa de ser teimosa e vem com nós?

– Porquê. ..- ela nem sabe o que dizer, tendo ele tão perto, olhando fundo nos seus olhos.

– Se tem tanto receio assim, como pode ficar e deixar as crianças irem?

– Porque elas vão estar com o pai delas, pra nenhuma outra pessoa eu as entregaria- ele sorri ao ouvir ela dizer isso, tirando um sorriso dela também.

– Eu não vou insistir- ele passa os dedos de leve no rosto dela- Mas promete que ficará bem- ela faz que sim com a cabeça, ele a puxa a abraçando forte. — Qualquer coisa me liga- eles se beijam e ele se vai

Ela sente o vazio não só do apartamento, mas um vazio dentro dela, será se ela tomou a decisão certa?

Ela decide visitar o pai, ao chegar a clínica tem notícias de que ele teve uma leve melhora, em dias é a primeira vez que ele fica mais que alguns minutos acordado, ela entra no quarto e ele este visivelmente mente melhor, ao pegar em sua mão, ele abre os olhos.

– Oi pai. — ela lhe diz, ele tenta falar, mas devido a máscara de oxigênio ele não consegue.- Tudo bem pai, essa máscara dá pra tirar um pouco? — ela pergunta ao enfermeiro.

– O médico já vem dai pedimos a ele.

Ele sai ela fica ali conversando com ele, que parece entender tudo o que ela diz, por algum tempo ele a olha comi se soubesse quem ela é, mas pouco antes do médico chegar ele dorme de novo.

Ela conversa com ele que diz que na medida do possível, dentro do quadro dele, que esta tudo estável, ela fica mais uns minutos com ele e volta para casa. Sentindo-se muito só ela resolver arrumar uma pequena bagagem e decide ir de encontro ao resto da sua família.

Horas depois ela chega surpreendendo a todos, Lívia e Miguel correm para seus braços, Bernardo a observa de longe, da varanda, o filho entra carregando a bolsa dela.

– Oi — ela diz meio sem jeito, ele abraça.

– Fico feliz por você estar aqui- diz ele ao seu ouvido.

Eles tem o resto do dia feliz, acompanham as crianças em brincadeiras, dão um passeio a sós, ele consegue convencer ela a deixar o seguranças na fazenda, no fim do dia eles estão tranquilos, relaxando, tanto os dois quanto as crianças, feliz sem aquela tensão no ar.

No outro dia, pela manhã Emília dorme até tarde e Bernardo sabendo o quanto ela tem dormindo mal e deixa ela descansar, o telefone dela toca tantas vezes que ele se vê obrigado a atender, era da clínica.

Com muito pesar ele tem que acordar ela.

– Emília, Emília meu amor acorde.- ele faz um carinho no rosto dela, e se sente mal, por saber que ela vai perder aquele ar sereno que a custo ele conseguiu ver de novo no rosto dela.- Emília.

– Oi… Que foi Bernardo- ela acorda sentando na cama -O que foi...as crianças..

–Esta tudo bem com as crianças, olha — ele faz ela olhar para ele- precisamos voltar a cidade…

– Porquê? O que esta acontecendo- ela já esta aparentemente alterada.

– Temos que ir a clínica. ..seu pai. ..

– Ele morreu? ?

– Não mas está muito mal..eu não sei…

Ela salta da cama se arruma super rápido em minutos esta do lado de fora passando instruções pra Beth arrumar as crianças e ir direto para o apartamento, ela e Bernardo vão de helicóptero pra chegar o mais rápido possível, ela tem o olhar mais perdido que ele jamais viu, mas ela não chora, ele segura fortemente na mão dela que esta totalmente gelada, ele não sabe o que dizer então fica calado afagando a mão dela.

Na cabeça dela, sabe que é o fim, que ele vai deixá-la para sempre, várias imagens tente entrar em sua cabeça, seus olhos ardem pela lágrimas que não quer deixar sair, reza para ele ainda estar lá quando ela chegar, ela não quer acreditar, no dia anterior ele estava bem. Quando ela dá por si já chegaram a cidade, gentilmente Bernardoa conduz, ela sente ele o tempo todo, o toque dele em suas mãos, costas, o tempo todo a amparando, ao chegar a clínica logo são recepcionandos pelo médico, e pela cara que ele faz, ela sabe que chegou tarde demais.

Ela corre para o quarto do pai, que repousa sem vida sobre a cama, as máquinas ja desligada, ela não entende parece tudo normal, mas ao tocar o corpo dele, parece tocar algo muito gelado, enfim ela chora, as imagens que antes não permitiu lhe invadir, agora parece que vai se afogar em lembranças, como a vez que caiu da bicicleta e ele pacientemente veio lhe ajudar, e não a deixou desistir, ou quando derrubou o vaso caro da mãe e ele rapidamente substituiu, sempre seu parceiro, lembra das inúmeras conversas que tiveram, de algumas brigas, lembra quando a mãe morreu que ele segura o choro perto dela, mas ela o viu chorar várias vezes sozinho.

Ela não sabe quanto tempo se passou, até que sente um toque quente nos ombros, é Bernardo quem tenta tirar ela dali, ela não permite, grita algo impronunciável, ela segura na mão do pai como não querendo deixar ele ir, Bernardo tenta mais uma vez, e a custo consegue, ao soltar a mão do pai ela vê que ele segura algo, com esforço consegue fazer ele abrir a mão e ali esta sua pulseira, que perdeu no dia do encontro com Lia.