Emilia & Bernardo.. Nova história
62 Capítulo 62
*Emília*
Ela não crê no que vê, Bernardo ali parado, será uma ilusão? mas como ele chegou até ela, ela fica sem reação até finalmente ele diz:
— Emília – e ela não sabe se ele esta feliz ou triste por encontrá-la, pois seu olhar é de espanto, talvez ele esteja mais espantado que ela.
— Como me achou?- ela diz assim como se tivessem passado minutos que não se viam, não anos.
— É assim que recebe seu marido depois de cinco anos, sem ao menos me convidar a entrar.- ele é irônico, e impessoal com ela, Emília tenta puxar a porta para impedi-lo de entrar, mas foi em vão ele entra mesmo assim- O que vai me colocar para fora?
—O que quer Bernardo?. – ela diz, ele ri- O que é tão engraçado.
— Você me perguntar o que quero, como se não fosse óbvio, mas deixa eu refrescar sua memória e começarmos com o porque de você ter ido embora, sem uma explicação, sem um motivo decente, sem ao menos olhar em meus olhos.
— Expliquei que precisava de um tempo longe- ela ainda não acreditava que ele estava ali, cruza os braços sobre o peito, para ele parece em tom de desafio, mas é só para não demonstrar o quanto esta tremendo.
— Emília não foi um tempo de um ou dois dias, foram cincos anos- então ele repete e abre a mão para enfatizar — Cinco anos, que você fugiu porque não posso usar outra palavra para o que você fez. – Ele começa a se alterar, elevar o tom de voz.
— Vamos conversar outra hora- ela sabe que Lívia já vai voltar e não quer esse encontro entre eles, nem ela queria encontrá-lo, não está preparada para enfrentar essa situação.
— Não existe outra hora, ou pensa que vou deixar escapar de novo, que vou fingir que não a encontrei. — ele grita de volta.
— Bernardo sai da minha casa ou... – Emília grita de volta, ele se aproxima dela e a pega pelos ombros com um pouco de força, olha bem em seus olhos, quanta dor ela viu ali, desvia o olhar é demais para ela.
— Ou o que vai chamar a polícia e dar o seu nome de solteira, ou o seu falso nome que usa na clínica — ao ouvir ele dizer isso, ela o olha de volta e sustenta o olhar que ele lhe dirige — Sei de tudo Emília, das sua visitas a clínica, de sua livraria que esta no nome de Beth, ela ainda vai ter que me explicar isso, sei inclusi...
— A deixe em paz, — ela o interrompe- E me solta esta me machucando- ela puxa o corpo se soltando dele- Beth não tem nada com isso.
— Não é você quem decide, não mais- ele caminha pela sala — Como você pode sumir assim?, sem pensar em mim, no seu pai, em Miguel, não penso no nosso sofrimento? — ela vira de costas pois se dá por conta de toda a mágoa e sofrimento que ele teve durante todo esse tempo.
—Já disse que eu precisava ir, agora vai embora da minha casa.- ela percebe que esta começando a perder a confiança e o controle.
— Porque?, esta com medo de alguma coisa, de alguém, ou que eu descubra algo.
— Não sei do que esta falando- ele se aproxima dela e puxa do bolso uma foto.
— Dessa menininha, tem medo que eu saiba sobre ela, é isso?- ela pega a foto e a reconhece como uma das que mostrou ao pai no dia em que Bernardo esteve na clínica, percebe que pode ter deixado a foto cair no chão.- Lívia o nome dela não é? , um bonito nome, queria ter tido o direito de poder opinar sobre o nome dela.
— Ela… ela .. Não — Emília nem sabe o que dizer, não esperava que ele soubesse de Lívia.
— O que Emília vai dizer que pensou que eu não saberia da minha filha.
— Ela não é sua filha- precisa manter afastada Lívia dele, ele se aproxima e a pega pelos ombros de novo.
—Diga isso olhando nos meus olhos, pois tudo o que vejo nessa menina é traços meu e seu, mas diga, vamos ver até que ponto você esta disposta a ir.
—Bernardo, ela …- a porta se abre.
—Mamãe — ela e Bernardo olham ao mesmo tempo e Lívia esta assustada na porta, ele a solta.
— Oi bonequinha- Emília tenta sorrir para a filha, vai até ela e se abaixa e olha para a filha -Mamãe esta conversando com um amigo — ela olha para Cris como quem busca ajuda.
—Lívia vamos lá em casa pegar o desenho que te falei- ela dá a mão para a menina olha para Emília que diz baixinho.
—Esta tudo bem obrigada.- elas saem, ela olha para Bernardo que parece congelado no tempo, esta sem se mexer — por favor vai embora, me deixa em paz.
— Não vou deixá-la, nem você nem nossa filha.
— Ela é minha filha, só minha.
—Você sabe que será a coisa mais fácil desse mundo descobrir isso, mesmo tendo a certeza de que ela é minha filha, e tenho os meus direitos sobre ela.
—Está me ameaçando?
— Entenda como quiser, sou o pai dela e não deixarei mais você nos afastar. — rápido ela pega um vaso e joga na parede atrás dele, que por pouco escapa.
—Sai daqui, saí- ela grita e pega outra coisa para jogar- Sai.
— Vou embora, mas vou voltar — saí batendo a porta atrás de si.
Emília cai no chão sentada e chora, pensa em como ele estava mais seco, mais frio, quase nem demonstrou emoção, mas também o que ela queria, que ele se atirasse em seus braços, ela chora até não poder mais, levanta e liga para Beth.
—Alô Beth. — fala com a voz abalada pelo choro
—Emília o que houve.
—Ele sabe de tudo, acabou de sair daqui de casa- ela diz sem rodeios.
—Meu deus Emília, mas como?, e agora?, e como ele reagiu?
—Ah Beth, como ele mudou.
— Mas o que você queria, ele foi abandonado pela mulher que ama, pois ele ainda ama você, mesmo após os anos ele ainda a ama.
— Ele sabe de Lívia.
— Sério?
—Sim devo ter deixado alguma foto cair na clínica, e ela como você sabe é a cara dele, não foi difícil fazer uma conexão.
— Ele a viu?
— Por um breve momento, e eu neguei a paternidade.
— Você não fez isso.
—Fiz sim, o que mais poderia fazer.
—Dizer toda a verdade e acabar com essa história.
—Mas Beth..
—Nada de mas Beth- ela tenta imitar a voz de Emília- Você errou ao mentir sobre ele ser o pai.
— Ele deu a entender que pode me tirar ela.
— Você sabe que ele não faria isso, mentiu como você fez.
— Ele sabe que você sempre soube onde eu estava.
—Bom assim como você tenho que enfrentar minhas mentiras.
— Qualquer coisa vem pra cá.- ela tenta rir.
Elas conversam um pouco mais e desligam, Emília vai colocar ordem na bagunça que esta sua casa, pelo menos com aquilo ela pode lhe dar.
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