*Bernardo*
Já faz uma semana que esteve com o detetive, ele disse que eram informações superficiais, que a menina podia não ser ninguém, mas que talvez realmente Emília pudesse ter voltado e estar visitando o pai, e que se isso fosse verdade ele iria descobrir, só precisava de tempo. Era o que lhe restava tempo.


Bernardo não disse para ninguém suas suspeitas, nem para o filho, nem para Beth, ele queria ter a certeza primeiro, como o detetive o pediu fez sua visita normalmente na sexta, pois se ela o visitava e ele nunca percebeu era porque ela sabia da rotina dele em visitar Alberto todas as sextas, então era melhor fazer tudo normal, pra ela não desconfiar de nada. Nessa visita Alberto estava muito perdido por causa da doença, ele até perguntou por Emília, mas o senhor não esboçou reação nenhuma.


Mas cada vez mais ele sabia que ela tinha voltado nunca nesses cinco anos ele ficou tão certo disso, a foto da menina, Lívia, não saía de seu bolso, ele já tinha gravado cada detalhe daquela pequena face, ele até pegou uma foto de Miguel ainda pequeno para comparação, um ou outro detalhe era diferente, mas ali estava naquela foto a sua certeza cada vez maior, e se Emília tinha voltado, e se aquela menina era filha dela e dele, ela tinha muito a explicar.

*Emília*
O resto da semana ela não foi visitar o pai, ficou receosa de encontrar Bernardo, não sabe o que ocorreu para ele ter ido em um dia diferente, ela e Beth conversaram a amiga garantiu que ele de nada desconfiou ou perguntou, o que a deixou mais tranquila, tentaria ir na semana seguinte, mas com mais cautela que o normal.

Esta ao telefone falando com Beth falando novamente sobre o quase encontro que teve com Bernardo.
— Eu ainda estou sem acreditar quando ouvi aquela voz.
— Você podia ter dado um basta em toda essa situação Emília.
— Não é tão fácil – ela esta olhando a filha brincar de desenhar na mesa da sala.
— Emília alguma vez já pensou se ele descobre você, e ele vai saber de Lívia, o quanto ele vai se sentir traído por ter escondido dele uma filha e ter fugido sabendo que estava grávida .
— Algumas vezes pensei sim, mas é pouco provável que isso venha a acontecer.
— Emília, Emília, tanta coisa pode acontecer.
— Esta sabendo de algo Beth.
— Claro que não, já lhe disse, se não já tinha te avisado.


Elas conversam mais um pouco, e depois desligam, na semana seguinte ele vai ver o pai, se sentindo segura ela faz as duas visitas semanais, em dias que sabe que Bernardo não iria aparecer, as visitas são mais curtas que o normal, seu pai nem lembrou dela, depois da visita surpresa de Bernardo no mesmo dia em que as memórias do seu pai ficou tão fresca, achou melhor assim.


Na semana seguinte Lívia tinha ido dar uma volta com a Cris, ela aproveita para fazer um bolo, antes ela nunca se imaginava na cozinha preparando um bolo, mas pela filha tinha aprendido a cozinhar, e dizia ela que a “comida da mamãe era a melhor”, mas Emília tinha muito a aprender, tanto que esta toda suja de farinha, a cozinha uma bagunça, e a pia cheia de louça, mas pelo sorriso da filha valia a pena, e no meio do seu caos domiciliar a campainha toca achando ser Cris, ela abre a porta sem ver ainda com a massa do bolo em mãos, continua a bater.
— Entra Cris- ela se vira para saber o porque da moça não ter entrado- Cri... – e o pote com a massa do bolo se espatifa no chão ao ver na porta Bernardo.