Emília

Foi por pouco ela pensa, ao chegar em casa se abraça a filha como se ela fosse seu porto seguro, a menina nada entende, mas adora a mãe, mas logo o abraço fica sufocante e ela começa a dizer na sua linguagem infantil.

–Me solta mamãe, deixa brincar- ela se solta da mãe vai para a casinha de boneca que tem nos fundos do pátio.

–Dona Emília esta bem- é Cris, a moça quem cuida de Lívia, ela mora na casa ao lado.

–Sim Cris, obrigada- Emília paga a diária da moça. — obrigada pode ir.

–De nada, qualquer coisa pode chamar estou aqui do lado- ela tinha uma pena por ver Emília tão sozinha, sem ninguém para conversar, foram inúmeras as vezes em que ela a convidou para ir até a sua casa, passear, fazer alguma coisa, mas devido as negativas acabou desistindo, e aprendeu a respeitar esse lado reservado dela.

–Obrigada, muito obrigada.- ela agradece ao abrir a porta.

Vai para os fundos cuidar a filha e pensa no quanto aquele pequeno ser a mudou e o quanto ela era parecida com o pai e o irmão, aqueles olhos curiosos, sempre que Emília via aqueles olhos era como ser observada por Bernardo, nem se quisesse esqueceria ele, pois ele estava estampado naquele olhar, Lívia era uma menina quieta se tivesse uma boneca ou um desenho para ver na televisão já estava perfeito, elas dormiam juntas todas as noites, mais por causa de Emília, do que por Lívia, apesar de a menina ter o quarto dela, ela fez algumas tentativas de dormirem separadas, mas Emília não conseguia ficar tranqüila se não tivesse a filha do lado dela e sentir seu coração e sua respiração próxima a ela. Enquanto observa filha brincar não pode deixar de pensar se ela tivesse ficado e Lia fosse presa, tudo poderia ser diferente, ela não gostava de pensar nesse “se”, mas em momentos assim era inevitável não pensar, sem perceber acaba por chorar imaginando uma vida da qual não pertencia ou pudesse voltar atrás.

–Mamãe porque chora?- Lívia se aproxima senta em seu colo e começa a enxugar com os pequenos dedos a lágrimas da mãe.

–A mamãe esta bem, não foi nada.

–Não chora- dessa vez é ela quem abraça a mãe o mais forte que aquelas pequenos braços podem.

–Esta tudo bem. — e só o que Emília pode repetir entre lágrimas, Lívia a solta e sai correndo para a casa de bonecas- Minha filha volta aqui, já parei — ela acha que assustou a menina, mas Lívia assim como foi correndo volta correndo, com algo nas mãos.

–Toma mãe te empresto- é o ursinho que ela não desgrudava por nada nesse mundo, nem pra dormir.

–Ah minha bonequinha- Emília começa a chorar de novo, e abraça a filha, mas para não assustá-la mais, engole o choro e começa a fazer cócegas nela, transformado assim um momento triste em alegre, a filha ri e isso já muda o seu estado emocional e começa a rir também.