Lia
Ela esta no quarto de Miguel arrumando as roupas do menino, quando ela percebe que não levaram o remédio dele, tenta o celular de Bernardo mas esta desligado, sabendo qual restaurante eles iam resolve ir para lá, chegando no exato momento em que Miguel se joga nos braços de Emília, e isso toca em um ponto antes nunca mexido, Miguel jamais abraçou alguém assim, só ela,era ela quem ele procurava quando tinha medo, frio, sono ou fome, ele a tinha como uma mãe porque isso foi o que ela sempre representou, claro que ela amava Bernardo que já tinha feito loucuras para ter ele para si, mas o amor de Miguel foi espontâneo, natural ela não precisou trair, conspirar, acidentalmente matar para ter, foi um amor construído aos poucos, quando ele aprendeu a falar e a chamou de mãe, era isso que ela era e sentia, Mas agora ali vendo ele não só abraçar Emília, como dar uma mão a ela e outra a Bernardo formando uma família feliz, seu ódio por ela, uma intrusa em sua família a deixou cega, não pouparia nem mesmo Miguel, ela não iria machucá-lo, isso jamais, mas iria dar um susto nos três.
Ela sai e da um telefone para um velho amigo e fica observando o casal feliz de longe, no almoço, no museu no parque, teve que ficar observando calada os sorrisos, os agrados, os gestos, estava tomada de raiva e ódio.

Bernardo
Em momentos como esse ele podia dizer que era o homem mais feliz, estão no parque ele esta observando a mulher que ama, sim porque ele já a amava, e seu filho andarem em um dos brinquedos, ele nunca viu o menino tão feliz, tão solto, realmente sendo uma criança, ele ficou feliz que Miguel e Emília se deram bem, ele tinha um receio pelo lado do menino, pois sabia o quão bem Emília se dava e gostava de criança, mas Miguel sempre se deu bem só com Lia, as poucas namoradas que teve ele sempre ficou tímido, calado, mas com Emília era diferente eles sorriam uma para outro, trocavam cochichos, e desde que Emília falou em parque ele não pensou em outra coisa.
Os dois estão descendo do brinquedo e o filho vem correndo em sua direção contando o que achou, pedindo para ir em outro, Bernardo diz que precisa ir ao banheiro, entrega a bolsa de Emília que estava com ele, deixa os dois ali.
Minutos depois ele volta e percebe uma Emília aflita, e pergunta,
-O que foi Emília- a pega pelos ombros para ela parar e olhar para ele.
-Miguel sumiu.- ele sente o mundo desabar, o chão sumir de seus pés.
-Como assim — ele ainda esta segurando ela.
-Eu...eu...ele.. — ela começa a chorar.
-Emília olha para mim- ele tira as mãos do seus ombros e coloca no rosto dela fazendo ela olhar em seus olhos.- agora me diz o que aconteceu.
-Ele estava aqui comigo,segurando em minha mão, eu soltei porque meu telefone tocou, foi por poucos segundos para pegar o telefone e quando voltei minha mão para pegar a dele ele não estava aqui.- ela chora ainda mais- Bernardo eu não sei. ..me desculpas.
-Vamos — ele pega na mão dela olhando para tudo que é canto .
Chegam até um segurança informa o ocorrido, são levados a sala de administração, ele esta tão atordoado que nem lembra as roupas que o menino veste, é Emília quem diz, pega seu celular e mostra uma foto do filho, eles repassam a informação por rádio, jogam a foto no telão do parque, ele não sabe o que fazer, Emília diz que não consegue ficar parada e sai a procura de Miguel, ele também vai, sai cada um para um lado,perguntando,procurando.
Passa mais de duas horas, ele já esta sem forças, quase sem voz de tanto perguntar,e gritar o nome do menino, vasculhando cada canto do parque, se maldizendo por ter decido ir até ali,chegando a pensar que se não tivesse deixado o filho com Emília ele não tinha sumido, quando esse pensamento de culpá-la o corrói, ele ouve que enfim conseguem localizá-lo perdido no que chamam de casa do terror, que esta inativa.
Ele vai até lá correndo, chega no exato momento em que ele sai de dentro da casa do terror com um segurança.
-Filho.. Filho- ele grita o menino o vê e sai correndo para seus braços.
-Pai..tô com medo pai ..tô com medo.
-Tudo bem já passou ..já passou..me conta o que houve- diz ele embalando o menino um seus braços.
-Miguel — Emília chega até eles com os olhos vermelhos de tanto chorar.- graças a deus esta bem
-Eu não gosto mais de você — ele diz com o rosto colado ao peito do pai.
-Mas Miguel eu..
-Me deixou sozinho. ..soltou minha mão.
-Meu filho Emília estava lá.
-Não não estava… ela soltou minha mão alguém passou e me empurrou tentei voltar mas veio mais pessoas, chamei ela …- ele diz entre soluços.
-Miguel também chamei por você.
-Filho olha aqui para o papai- ele encara o filho- me conta como você veio para aqui.
-Um moço disse que ia me ajudar a procurar você me trouxe aqui e disse para entrar que você estava la, estava tudo escuro, gritei, chamei e ninguém apareceu estava com muito medo,quero ir para casa... quero a Lia- ele chora se novo.