Emelly White
1 Novo lar, novas oportunidades.
Notas iniciais
Eu estava sentada no banco traseiro do carro do meu pai ouvindo musica pelo celular e com a testa encostada no vidro, embora fosse quase impossível ver a paisagem lá fora devido a uma forte tempestade que caia a horas, sem parar.
Dentro do carro fazia um calor confortável , meu pai e minha madrasta conversavam no banco da frente do carro e um barulho suave de musica clássica saia do som do carro.
Desviei o olhar da janela e olhei para eles a frente.
Meu pai, Josh White, era simplesmente a melhor pessoa que você poderia conhecer, era um homem de meia-idade, com cabelos loiros começando a aparecer fios grisalhos e olhos verdes de aparência cansada, era professor de filosofia, por isso uma aparência de superioridade.
Minha madrasta, Jen White, era uma moça jovem, uns 26 ou 27 anos, tinha os cabelos curtos castanhos e olhos negros e brilhantes, tinha um rosto bondoso e era uma pessoa amável, ela e o meu pai se conheciam a 8 anos, e ela tinha praticamente sido a minha mãe, já que antes dela eu e meu pai éramos sozinhos.
Ela olhou pra mim do banco da frente e sorriu, indicando os ouvidos como um sinal para que eu me desconectasse dos fones.
— Bom, meu amor – disse ela a mim, a voz doce e me encarando com aquelas meigos olhos pretos. – Animada com a mudança?
O olhar dela era tão doce e positivista que não consegui negar que estava, ela olhou para o meu pai, e os dois deram um sorriso, voltei a colocar os fones.
Recostei a cabeça no banco do carro e senti as minhas pálpebras pesarem, eu não dormia desde a decolagem do avião, mais ou menos 24 horas atrás, eu estava completamente acabada. Adormeci.
Meus pesadelos começaram.
Eu estava em uma floresta de arvores secas, estava tudo coberto de uma neblina densa, que tornava quase impossível de se ver qualquer coisa, apesar de tudo isso, alem do frio cortante, eu percebi a presença de uma mulher na beirada de um penhasco a uma determinada distancia, ela tinha cabelos negros que brincavam nas suas costas nuas, balançados pelo vento forte que começara de repente, mas o que realmente chamou a minha atenção é que de alguma forma eu percebia que ela planejava se jogar lá de cima.
Comecei a correr em sua direção, na esperança de que pudesse salvá-la antes que o pior acontecesse, mas quanto mais eu parecia correr, mais pra trás eu ia, me afastado ainda mais dela. Ela se virou para mim, os olhos azuis eram tão penetrantes que por um momento, eu hesitei.
Ela olhou para mim com um sorriso afetado, antes de se jogar penhasco a baixo, eu só ouvia os meus gritos.
Acordei suando muito frio, Jen estava sobre mim, me cutucando de leve.
— Chegamos, meu amor – disse ela, com um sorriso.
Levantei a cabeça do banco e olhei pra fora, a chuva havia parado e um sol fraco começava a aparecer, o carro havia parado e a brisa estava fresca, eu tirei o sinto de segurança e desci do carro atrás de Jen, que já estava quase alcançando o meu, à alguns metros de distancia, conversando com um homem que eu não conhecia.
Estávamos em um lugar muito bonito, parecia um lugar dentro de uma floresta, a casa a nossa frente era enorme, cercada de arvores e flores ao redor, meu pai estava a conversar com um homem, me aproximei.
— Ah, que bom que você acordou – disse o meu pai quando eu me aproximei. – Esse é o Sr. Scott, o proprietário da nossa nova casa. – ele indicou o homem careca que esticou a mão pra me cumprimentar, tinha uma expressão seria.
— Acho melhor entrarmos para arrumar as coisas lá dentro – disse Jen, me puxando pela mão até dentro de casa. – É melhor deixar o seu pai conversar em paz lá fora, e também preciso de ajuda para arrumar as coisas aqui dentro.
— Por mim, tudo bem. – respondi, e entramos na sala de estar, era realmente uma casa muito grande, a sala tinha um piso de madeira que parecia algo do período colonial, as paredes cobertas de quadros antigos, os vários moveis dispostos pelo local estavam cobertos de panos brancos, todas as superfícies visíveis estavam cobertos de uma grossa camada de poeira, mas tirando isso a casa era simplesmente linda. – Uau!
— Sim – respondeu Jen, olhando ao redor também. – Essa casa realmente era de uma família muito rica aqui de Boston, mas depois que a filha deles morreu aqui, eles decidiram se mudar pra longe...
Olhei pra casa, era tão bem iluminada e tinha uma energia tão boa que achei que seria quase impossível que alguém já estivesse morrido ali, isso dava um clima um tanto fantasmagórico à casa...
— Mas bem... a limpeza – disse Jen, me tirando de um transe. – Eu vou pegar as coisas de limpeza no caminhão, se você quiser pode vir ajudar a descarregar a mudança comigo, já que também trouxe algumas coisas para o seu novo quarto.
Concordei, saímos de casa e vimos que o meu pai estava dentro no caminhão já, arrumando as coisas lá dentro, olhou pra nós duas quando nos aproximamos.
— Bom, podem vir me ajudar a descarregar a mudança. – Disse ele.
Ajudamos o meu pai a descarregar tudo e depois ele nos ajudou a limpar a casa.
Era realmente uma casa muito bonita, a cada pano de tirávamos da mobilha percebemos que eram moveis de alta classe, como os de uma família muitíssimo rica que habitara ali anos atrás. Além disso, a casa era ainda maior por dentro do que eu imaginava, tinha uma biblioteca, uma sala de jantar enorme, um escritório, 6 quartos, sendo que 3 deles eram as suítes, alem de uma piscina do lado de fora.
A limpeza durou horas e quando terminamos já estava escurecendo, por isso Jen foi ate a cozinha preparar alguma coisa para o jantar enquanto o meu pai examinava a biblioteca.
Eu precisava mesmo era de um banho, Jen me disse que o meu quarto ficava na terceira porta do andar de cima e eu subi as escadas ate a porta, e abri.
Meu queixo caiu.
Era um típico quarto estilo vitoriano, com 4 janelas, paredes de um tom areia, cobertas de janelas florais, uma cama com a cocha da mesma estampa das cortinas e um lustre de cristais no teto, tinha um sofá cinzento e algumas poltronas com almofadas, alem de uma escrivaninha clássica a um canto com uma cadeira de madeira.
Entrei no quarto, completamente deslumbrada com o que via, me sentei na cama, era muito macia.
Me levantei e segui para uma das duas portas que tinham ali, e dentro havia uma espécie de closet com penteadeira, onde havia uma escola cravejada de escrituras em um material que parecia ouro, alem de outras coisas que me despertaram para o fato de aquele quarto ser da filha do casal. Coloque as minhas roupas no armário e produtos de beleza na penteadeira.
Depois sai do quarto e entrei na outra porta, que finalmente era um banheiro.
Tomei um banho na banheira e sai, tinha esfriado muito e novas nuvens se formavam para uma tempestade, vesti uma calça de moletom, uma blusa branca e prendi os meus cabelos loiro – mel em um coque bagunçado, não me preocupei com maquiagem, só passei uma mascara nos meus cílios, tinha olhos verdes.
Mas algo estranho aconteceu quando eu saia do meu quarto e ia em direção a escada, uma musica começou a tocar, parecia opera ou musica clássica, eu nunca sabia a diferença, que vinha do andar de cima, possivelmente do sótão.
Estranhei aquilo, por isso fui até uma das portas a um canto, que era o acesso ao sótão, mas ela estava trancada, o que eu achei bizarro.
Mesmo atônita e confusa, desci a escada e fui ate a sala de jantar, onde meu pai e Jen já estavam sentados à mesa, comendo.
— Boa noite. – disse a eles antes de me sentar na cadeira ao lado de Jen.
— Boa noite. – responderam eles, sorrindo.
Depois do jantar eu sentia minhas pálpebras pesarem, o sono tomava conta de mim, subi pesadamente a escada e fui para o meu quarto.
Entrei, escovei os dentes e me joguei na cama sem nem pensar duas vezes.
Esperava que aquela coisa no sótão não fosse nada, e que a minha nova vida fosse boa.
Como eu me enganei...
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