A memória mais antiga de Fred Weasley II não passava de um borrão para ele, algo como ele correndo pela casa de seus avós paternos de mãos dadas com um garotinho tão pequeno quanto ele, ambos de fraldas, com carrinhos de brinquedo nas mãos e fazendo barulhos fofos com as bocas infantis para imitar os sons que carros de verdade produziam, no sofá observando os dois, Ginny Potter e Angelina Weasley riam e diziam que aqueles dois seriam inseparáveis.

Anos se passaram e esses garotos já não andam mais de fraldas pela casa dos avós, entretanto ainda correm de mãos dadas pela casa até se jogarem no sofá e ficarem um por cima do outro cochichando baixinho e rindo alto de piadas que só eles entendem, e então ficam muito entediados de ficarem presos em sua bolha particular e decidem compartilhar suas brincadeiras com os outros da sua maneira preferida: perturbando e zoando seus familiares e amigos.

Eram tão inseparáveis quanto suas mães haviam previsto anos atrás, Fred e James eram mais que amigos ou primos, se conheciam tão bem que eram quase a mesma pessoa, com pensamentos embolados e frases tão típicas de ambos que ninguém sabia onde terminava o Weasley e começava o Potter. Eles eram um. E ninguém podia contestar isso.

E talvez esse embolado todo tenha confundido não só quem olhava de fora como também a Fred. Não sabia em que ponto aquela proximidade tinha se tornado necessidade, ou o companheirismo ter se tornado desejo, ou até mesmo o ponto ele havia começado a levar as brincadeiras muito a sério e que o ciúme começou a se fazer presente quando via James com outras pessoas que não fossem Albus e Lily. Tudo o que sabia é que em um determinado ponto de sua vida ele se viu ali, de joelhos perante a gravidade de seus sentimentos, sangrando por dentro sem poder mostrar para ninguém que estava completamente apaixonado pela primeira vez, e por alguém impossível. Alguém que mais cedo ou mais tarde iria perceber porque nem toda a lerdeza do mundo iria sobrepor ao fato de que Fred e James eram tão próximos que liam a mente um do outro de uma forma que deixava qualquer legimente com inveja.

Só que James Sirius não era o tipo de pessoa que namorava, James era o cara que arrancava suspiros e as roupas de garotas e garotos por toda a Hogwarts e até então Fred tinha orgulho de bater no peito e rir na cara do amigo ao dizer que era imune aos charmes dele. Tinha. Porque agora tudo o que Fred queria era ser uma das pessoas que James levava para a Sala Precisa, tudo o que ele queria era ser tocado por James, beijado por James, amado por James, não somente de forma carnal. Ele queria apresentar o Potter para seus pais como seu namorado, queria andar por aí de mãos dadas e bater no peito cheio de orgulho dizendo que o outro tinha deixado todos os outros por ele, queria momentos de juras de amor que ninguém nunca iria saber, queria fotos para colocar na carteira e na mesa de cabeceira da sua cama em casa e o beijar sem motivos algum.

Era até cruel a forma como ele sabia que isso nunca aconteceria e por isso guardava seus sentimentos, disfarçava o ciúme e até o ignorava quando se sentia sufocado pela presença do outro. Chorava sozinho de noite tentando deixar os sentimentos iriem junto com as lágrimas e no outro dia sorria fraco confirmando com a cabeça quando o olhar desconfiado de James lhe atingia pela manhã o questionando se tava tudo bem, a mentira estampada nos seus olhos provavelmente era percebida pelo Potter, mas Fred agradecia pela falta de insistência ao assunto.

Podia não estar tudo bem para Fred Weasley II, mas ele e James Sirius Potter são um embolado só e ele não iria deixar sua confusão particular desembolar à amizade deles.

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