Quando Amber disse viagem, ela quis literalmente dizer viagem. Aquele lugar era enorme. Alex na verdade havia pensado que Embery Hills fosse menor quando viu pelo lado de fora. Mas estava enganada. Aquela espécie de castelo se resumia em inacabáveis corredores e mais corredores que se entrelaçavam em uma bagunça de direções onde qualquer um se perderia com facilidade. Ela falou durante todo o percurso, no começo de forma automática e distraída, mas então depois de um tempo, Amber realmente começou a se prender em sua tarefa de dar cada mínimo detalhe de Embery Hills e responder perguntas que a garota nem ao menos havia feito.
Quadros e mais quadros de pinturas clássicas que mostravam pessoas do busto para cima estavam espalhados por todos os lados, e em alguns pontos do colégio onde haviam poucas janelas, esses quadros pareciam mover seus olhos para acompanhar movimentos das duas. Sabia que era coisa de sua cabeça, mas, cara, aquilo era bizarro.
Já estava ficando tarde quando Amber disse que seria melhor interromper o tour por ali e irem se arrumarem para a fogueira. Alex havia até mesmo se esquecido disso. Ou melhor, havia esquecido de tudo, o que lhe deu certo alívio. O falatório de Amber havia varrido as lembranças de seu ataque mais cedo e tudo que eu precisava de mais um pouquinho de tempo para esquecer aquilo de vez.
Elas estavam atravessando o pátio de volta para os dormitórios quando alguns dos amigos de Amber apareceram. Eles vinham da mansão, percebeu enquanto eles desciam a pequena trilha de pedras direção das duas. Jo conversava com Stark, que Alexia viu dar um pequeno sorriso e acenar positivamente para o que quer que ela tenha dito. Vê-lo sorrir foi estranho. Ela nem sabia que ele era capaz de tal ato. Mas, oh, ele sorriu. Um fileira branca de dentes se mostrou de forma discreta, mas ainda assim era um sorriso.
Lisa dava gargalhadas, montada sobre as costas de um garoto que não Alex reconheceu. Ele era forte, baixo e balançava Lisa de um lado para o outro, fazendo-a rir ainda mais. E havia um terceiro garoto. Ele parecia ser o mais alto de todos e tinha cabelos e olhos castanhos escuro.
–Ei, Am! — Lisa cumprimentou Amber ainda montada nas costas do garoto quando eles pararam em sua frente. — Sentimos sua falta hoje nos... — e então ela viu Alex. — Oh, oi!
Ela lhe dei um aceno tímido e Lisa sorriu de volta, sem se preocupar em terminar o que quer que estivesse falando a Amber.
–Alex, esses são Dave Teegarden — Amber apontou para o garoto que carregava Lisa ao notar o silêncio constrangedor. — e Adam Gilligan, meu namorado.
O tal Adam se aproximou e baixou a cerca para dar um breve beijo em Amber antes de se virar para a morena e sorrir.
–Então você é Alexia Summers. — Dave disse com sua voz grave e um meio sorriso brincalhão. — Amber tem sonhado com a sua chegada há dias.
Adam, Dave e Jo riram de sua piada, embora Alexia não houvesse entendido. Ela ficou sem graça e Lisa deu um tapa na cabeça do amigo, lançando-lhe um olha significativo antes que ele e os outros se calassem.
–Não ligue para o que ele diz. — Amber revirou os olhos. — Dave se acha engraçado.
–Ei, você vai a fogueira, certo? — Adam perguntou.
–Claro que vai. — Amber, escorada contra o peito do namorado enquanto ele a abraçava por trás, lançou um olhar que dizia a colega de quarto que ela não tinha muita escolha. — É uma tradição.
E mesmo assim os outros continuavam a encarando, esperando uma resposta. A garota suspirou sentindo o olhar de Amber, quase lhe desafiando a recusar, e sorriu.
–Claro.
–Então vamos lá. — Amber disse escapando dos braços do namorado só para agarrar uma das mãos de Alex. — Você precisa comer e com sorte podemos encontrar algo no refeitório antes que você desmaie.
Ela na verdade não estava com fome. O almoço havia sido horas atrás e Amber não parecia se importar com isso. Havia algumas frutas e barras de granola no refeitório, e mesmo que teimasse, a Amber lhe fez comer praticamente a força. A garota havia dito a ela que precisava de um banho, já que depois de tanto andar, podia sentir o suor escorrendo por sua nuca. Não estava bem acostumada com o clima de Ohio. Em sua cidade geralmente tinha que tomar cuidado para não acabar congelada assim que colocasse os pés para fora de casa. Então Amber a deixou na porta do quarto 28, dizendo que tinha de ajudar os amigos com os preparativos da fogueira.
–Vai ficar bem sozinha? — ela perguntou com preocupação, parando no alto da escadaria e se virando para a colega.
Observou a porta camim, sabendo que não poderia agir como uma criança assustada. Era só um quarto, afinal. Então assentiu.
A primeira coisa que notou ao entrar foi a bagunça. A toalha que havia usado mais cedo estava no chão ao lado do beliche e em cima da escrivaninha havia um copo de água com algo que parecia ser açúcar. Se havia bebido aquilo, não se lembrava. Mas o maior estrago mesmo foi no banheiro. Alguem provavelmente já havia tentado varrer os cacos do chão, mas o esqueleto do que sobrara do espelho em cima da pia de mármore tinha pontas afiadas. Tocou a pia enquanto tinha pequenos lapsos de memória e encarou um dos pequenos pedaços de espelhos restantes intactos, colado na parede, que mostrava somente uma parte de seus olhos. Tentou se lembrar como diabos havia feito aquilo. Suas mãos não estavam machucadas, constatou ao tocar os nós intactos dos dedos, então ela definitivamente não havia socado o espelho.
Talvez eu só tenha ficado louca de vez, pensou ao apanhar até sua caixa de remédios e tentando ignorar aquela sensação de pânico crescente em si.
Ela já havia pensado nisso. Muitas vezes. Tinha certa noção de que pessoas normais não passavam por isso. Elas não tinham alucinações bizarras e não viam seu irmão morto. Muito menos eram surpreendidas por mulheres pálidas lhe avisando sobre perigo de vida enquanto tomavam banho. Ela sabia que nada daquilo era real. Fantasmas não existiam. Mas tudo parecia tão real... Era difícil ignorar.
Talve fosse só estresse. Havia saído da cada de seus pais e até mesmo mudado de país. Nada disso era supostamente fácil. Só precisava de algum tempo para se acostumar, isso é tudo. Alex só rezava para que seus malditos remédios pudessem fazer com que parecesse uma pessoa normal até lá.
Só deus sabia como ela odiava tomar aqueles remédio idiotas. Poderia superar os tremores ou o sono se isso lhe livrasse das pessoas de rostos brancos. Mas definitivamente não ficava nada feliz em parecer um zumbi.
Ela não demorou no banho e, por mais infantil que fosse, não ousou fechar os olhos enquanto lavava o cabelo. Allan não apareceu naquela noite, o que a fez suspirar de alívio. Devia tomar os remédios sem pausas, mas às vezes tinha saudades do irmão, o que a fazia parar por alguns dias para ter sua companhia, antes de voltar a tomá-los novamente. E se Allan não estava lá, então queria dizer que os outros também não estariam.
Estava sentada de pernas cruzadas na cama, penteando os cabelos e encarando o vazio quando alguém bateu palmas perto de seu ouvido. Alexia pulou com o susto e viu Amber lhe observando enquanto tentava não rir. Ela havia deixado a porta aberta atrás de si, mas a morena nem mesmo a viu entrar.
–Hora de ir. — Amber sorriu e se esticou até sua cama para apanhar um casaco preto. Quando ela puxou o casaco, um pequeno caderno de capa preta de couro caiu no chão, perto dos pés de Alex. Suas páginas se espalharam pelo chão e ela acabou vendo parte de seu conteúdo.
Nem mesmo sabia que Amber desenhava, já que não havia sequer indícios disso em nenhum lugar do quarto. Mas, droga, ela desenhava bem. Eram todos em preto e branco, sombreados e intensos. Davam a impressão de ter sido desenhados com carvão. Os que caíram perto dos pés da morena
não faziam muito sentido. Eram cenas aleatórias de vasos de flores espatifados contra o piso, alguns poucos móveis destruídos, livros espalhados e abertos sobre o chão e coisas do tipo. Mas o último foi o que mais me chamou atenção. Havia alguém, ombros largos como um de um homem, parado em frente a uma lareira em chamas. As sombras pareciam lhe cobrir enquanto ele observava o fogo, e havia algo estranhamente familiar sobre ele. Alex não conseguiu observar por muito mais, porque logo que os apanhou do chão Amber os tomou de suas mãos.
–Desculpe. — disse enquanto os enfiava dentro de seu caderno e os escondia em uma gaveta. — São particulares.
–Oh, claro. Perdão.
–Vamos, então. — Am sorriu, tentando deixar de lado o momento estranho que se seguiu.
A colega assentiu e a seguiu quando ela saiu do quarto.
–Ei, como se sente? — lhe perguntou alguns minutos depois.
Haviam pegado uma pequena trilha de pedras que levava à parte de trás do castelo onde a novata ainda não havia estado. Despois de um tempo as árvores começaram a lhes cercar e a escola ficou para trás. Estava mais frio do que antes e demorou para perceber que estavam chegando a uma pequena ponte de pedra.
Aquela ponte.
Imediatamente parou onde estava. Amber parou ao seu lado, sem entender sua reação, mas Alexia já não estava prestando atenção nela.
A ponte parecia um pouco diferente mas com certeza era a mesma. O musgo havia começado a tomar a maior parte das rochas e a vegetal ao redor parecia ter aumentado. Mas o riacho que passava por baixo da ponte continuava a ter o mesmo fluxo de água cristalina, correndo para leste enquanto o as pequenas ondas que se chocavam contra alguns cascalhos faziam barulho, assim como em sua alucinação. Mas se era a droga de uma alucinação, como aquele lugar poderia existir?
Alex.
O quê?
–O quê?
–Você... Chamou meu nome.
Amber a olhou de um jeito estranho.
–Não. Não chamei.
Tá legal. As coisas estavam ficando bizarras.
–Que lugar é esse?
Era estranho estar ali. E completamente insano. Ela nunca havia estado ali. Nunca havia sequer ouvido falar daquele lugar e, no entanto, ali estava... Tão familiar.
–Hmm... É o riacho que divide o território do colégio com a capela e a casa do lago. — Amber respondeu sem entender a reação da outra.
Aquilo não podia ser real. Mas ao olhar ao redor teve certeza de que era plenamente real. Alex estava onde ela havia estado. Se olhasse para o outro lado, poderia ver exatamente o lugar onde o homem havia se mostrado. Não o fez, no então. Não tinha coragem suficiente para fazê-lo. Ao invés disso só conseguia pensar "ele veio de fora do colégio."
–Já esteve aqui?
–Não. -mentiu, sabendo que seria considerada louca se dissesse o que estava passando por sua cabeça.
Não é nada, Amber. Só estou tentando entender como diabos esse maldito lugar existe já que aparentemente estou alucinando com uma mulher que pode ter sido morta aqui por um homem feito de sombras. Sabe como é, só mais um final de semana comum.
–Ei, talvez seja melhor irmos até Bloond. Se não estiver se sentindo bem para a fogueira tudo bem...
–Não! — ela se negou assim que lembrou de seu trato com Bloond. Definitivamente não iria voltar para casa. Não agora. — Está tudo bem. Onde estávamos indo mesmo?
Alex retomou o caminho com Amber logo atrás, tentando manter uma expressão neutra. A loira não disse nada, mas Alexia sabia que teria que tomar cuidado com ela por perto. Amber era perceptiva demais.
Três minutos depois finalmente chegaram ao final da trilha, onde uma clareira se abria. Como prometido, havia uma fogueira ali, três vezes maior do que havia imaginado. A morena ficou encarando aquilo por um momento, vendo as chamas fortes lambendo os troncos grossos de madeira, transformando-a em combustível. O fogo chegava a ficar em uma altura maior até mesmo que uma pessoa e parecia ameaçador, mas extremamente belo.
Havia grupos de adolescentes espalhados pela clareira. Alguns haviam forrados lençóis pela grama para se sentar sobre eles, outros estavam jogados sobre pufes, todos conversando animadamente enquanto uma música não muito alta vinha de algumas caixas de sons espalhadas. Algumas lampadas iluminavam partes da clareira e havia alguns fios que adentravam uma outra trilha que ela não havia visto. Pensou que talvez eles estivessem usando a energia da tal casa do lago que Amber havia falado.
Quase não notou Thomas do outro lado da clareira, acenando para ela. O garoto estava ao lado de alguns amigos e mexeu os labios como se dissesse "nos vemos mais tarde?". Alex sorriu e acenou positivamente com a cabeça.
Quando Amber finalmente achou seus amigos, sentados sobre um lençol de cetim vermelho em um canto mais afastado, ela grudou a colega pela mão e a obrigou a lhe seguir. A primeira coisa que viu ao ser praticamente obrigada a se sentar ao lado da garota, foi a careta de Sidney. Os outros disseram um breve "oi", mas havia um garoto calado ao lado de Sidney que a olhou com as sombrancelhas arqueadas. Seus olhos castanhos lhe mediram e Alex se sentiu incomodada ao notar que os outros apenas escaravam a cena.
–Alex, esse é Tyler. Tyler, Alex.
Ele apenas acenou com a cabeça como se não quisesse ser mal educado, mas a morena sabia que Sidney tinha mais um para seu pequeno clube " odeio-a-novata". Adam, notou, não estava ali. Mas isso não pareceu surpreender Amber.

(...)

–Então, Alex. De onde você veio? — Lisa perguntou, sorridente.
–Prince George.
–O quê? Canadá? -Sidney perguntou com certo deboche. — Aquele lugar parece uma geladeira.
–É um pouco frio. — deu de ombros. — Mas eu cresci lá. Meio que gosto do clima.
Alexia não entendeu porque, mas pela expressão de Sidney, ela pareceu levar aquilo para o lado pessoal. Afinal, o que tinha de errado com aquela garota?
–Bela camiseta. — Elliot apontou para a roupa que a morena vestia, querendo quebrar o silêncio tenso que se formou.
Ela olhou para baixo e sorriu ao ver o logo da banda Blink 182 estampada na camiseta.
–Era do meu irmão. Ele costumava All Of This para mim toda noite antes de dormir. -passou a mão pela camiseta e por um momento pôde jurar ter ouvido a voz de Allan chamando seu nome. — Acabei gostando.
–Ele mora com seus pais? — Amber perguntou, de repente interessada.
–Oh, não. Não mais. Ele... morreu quando eu tinha sete anos.
Aquilo pareceu pegar todos eles de surpresa, e mais uma vez se fez silêncio.
–Hey, Alex! — todos foram pegos de surpresa quando Thomas se abaixou ao lado de Alexia e bagunçou seus cabelos com a mão. Ela o afastou com um tapa, brincando, e aquilo o fez rir. — Pessoal, desculpem-me, mas serei obrigado a roubar Alex de vocês pelo resto da noite. Vamos, Summers.
Ela não teimou. Aceitou a mão que o amigo lhe oferecia para levantar e respondeu os breves acenos de Amber e Lisa com um sorriso enquanto o seguia para longe dali.
–Achei que precisaria de ajuda. — ele sussurrou, envolvendo um dos braços sobre seus ombros e riu.
–Serei grata eternamente.

(...)

–Quer beber algo? -Thomas perguntou, apoiando para algumas caixas térmicas em um canto da clareira.
Alex aceitou e o garoto se levantou, indo buscar alguma bebida. Ela continuou ali, sentada e encarando as pessoas ao redor quando ouviu novamente aquela voz.
Alex.
Olhou em volta, mas não havia ninguém lhe chamando ou sequer olhando em sua direção. Deve ser coisa de minha cabeça, pensou. Mas assim que deixou aquilo de lado, foi capaz de ouvir novamente.
Alex.
Uma brisa gélida atingiu suaa pele, vinda da floresta atrás de si. Um galho se partiu e Alex se levantou de onde estivera sentada, assustada. Havia um completo breu no meio das árvores. Ela via apenas alguns metro a frente, mas então a luz se tornava pouca para iluminar muito mais. Olhou na direção a qual Thomas havia partido e, vendo que ele ainda estava ocupado procurando nossas bebidas nas caixas térmicas, deu alguns passos a frente.
Sabia que provavelmente estava sendo paranóica, mas se sentia como se estivesse sendo observada. Mais um galho se partiu e ela pulou com sobressalto. Pensou ter visto algum vulto se movendo em meio as árvores, mas estava escuro demais.
Foi então que algo aconteceu. Alexia não soube o que era, mas sua visão foi se tornando mais clara, como se estivesse usando um daqueles óculos de visão noturna. Olhou ao redor para ver o que estava iluminando a floresta a sua frente, mas não havia sequer uma lâmpada por perto. Passou dos limites das árvores, entrando cada vez mais no meio das árvores com passos lentos. Havia algo se mexendo atrás de uma tronco caído. Se aproximou, e mais um galho se partiu. Estava prestes a dar meia volta e cair fora dali quando algo pulou em sua direção. A morena soltou um grito abafado e tropeçou em uma raíz, caindo de costas no chão. Talvez estivesse sendo covarde, mas fechou os olhos, esperando por qualquer ataque.
Mas ao invés de ouvir sua carne sendo rasgada, tudo o que ouviu foi um ronronar. Quando abriu os olhos, deu de cara com dois olhos pretos em fendas. O pequeno felino branco se aproximou de seu rosto e lhe cheirou, ronronando mais ainda e cutucando seu rosto com a pata. Alex sabia que era impossível, mas reconheceria aqueles olhos assustadoramente escuros em qualquer lugar.
–Butah?
Ela se sentou, acariciando a pelagem macia do gato ao seu lado. Tentou puxá-lo para o colo, mas seu temperamento não havia melhorado em nada, e o felino rabugento reclamou, escapando de suas mãos.
–Você me seguiu até aqui?
Alexia se levantou, batendo em sua calça para tirar a terra que estava impregnada no tecido. O quão louca poderia estar? Butah não poderia ter ter lhe seguido até outro país. Mas ao olhar em seus olhos negros, ela teve certeza de que era ele. Nunca havia visto um gato com um olhar tão intenso como o gato de sua vizinha. Às vezes chegava a se questionar se ele era realmente um animal.
–Só posso estar ficando louca. — sussurrou mais para si mesma.
Butah entortou de leve a cabeça, como se estivesse lhe analisando. Ela ficou parada ali, tentando decidir se aquilo era mesmo real. Mas então o felino soltou um miado e, sem olhar para trás, se embrenhou em meio as árvores, desaparecendo logo em seguida.
A floresta, notou, voltara a ficar escura, e qualquer claridade que pudesse haver ali havia ido embora. Só então Alex percebeu que havia m
Se afastado demais da clareira. Estava parada no escuro, a uns bons cinquenta metros da agitação na clareira. Então, tremendo de medo, tratou de caminhar apressadamente de volta. Por mais que acelerasse, o limite das árvores clareira mais longe e a morena quase podia sentir a escuridão lhe sufucar. Estava quase alcançando a clareira quando ouviu novamente, dessa vez tão perto que senti os pelos de sua nuca se arrepiarem.
Alex.
Olhou para trás e congelou. Havia duas órbitas vermelhas paradas em meio a escuridão, lhe encarando. Alexia não conseguia ver um corpo, mas pela altura sabia que havia um. E daquela vez, ela tinha certeza de que não seria recebida com um ronronado amigável.
Que porra e essa?, pensou desesperada, acelerando mais ainda. Mas mesmo andando em frente, apenas não conseguia desviar os olhos daqueles vermelho sangue, lhe encarando como se fossem devorar sua alma. A garota quase não percebeu quando se chocou contra alguém.
–Alex? — ela quis fugir quando chamaram seu nome, mas não era aquela voz. Não a voz fria e assustadora. Era a calma e serena de Thomas, que naquele momento segurou seus pulsos e a fez olhar em seus olhos. Ela sabia que seus olhos estavam úmidos, como se pudesse chorar a qualquer momento. -Ei, o que aconteceu? Você está bem?
Alex demorou um segundo para perceber que não estava mais na florestas e quando olhou para trás quem quer que fosse, havia ido embora. Se voltou para Thomas e viu a preocupação em seu rosto.
–Eu... acho que não estou me sentindo muito bem. — e ela na verdade não estava. Sua cabeça estava latejando como se fosse explodir e ela sabia que poderia vomitar a qualquer segundo. — Acho que... é melhor eu ir...
Estava prestes a sair dali quando Thomas segurou seus pulsos com mais firmeza.
–Você não vai a lugar algum assim. Parece que viu um fantasma.
Quem me dera.
Alexia respirou fundo e tentou se acalmar. Sua cabeça ainda doía, mas ela só queria sair dali e sabia que Thomas não a deixaria ir se achasse que estava a porto de desmaiar.
–Estou bem. — disse, colocando no rosto o sorriso mais convincente. Ela viu a dúvida rosto do amigo e tratou de lhe dar qualquer desculpa. — Acho que estou ficando gripada. Só preciso de um banho e da minha cama. Vou fica bem.
–Eu não acho que...
–Vou ficar bem. — repetiu.
–Tudo bem, então. — ele desistiu, finalmente soltando seus braços. — Só me deixe levá-la até seu quarto.
Ela fiquei tentada a teimar e lhe dizer que não era necessário. Mas então se lembrou do caminho de volta até os dormitórios e concordou. Definitivamente não queria andar sozinha pela floresta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.