Embarque
5 ❖ Não devia ter saído do quarto ❖

Bufou irritado. Era impossível dormir! O barco balançava constantemente por causa das ondas maiores. Aquilo o deixava além da fúria. Precisava descansar agora. E para enfurecê-lo ainda mais, Sparrow ou Rholy — não sabia qual dos dois —, havia colocado piratas no lado de fora de seu quarto, para impedi-lo de sair até que sua perna estivesse melhor... Iria surtar se ficasse mais tempo ali dentro.
Olhou para seu cetro. Poderia usa-lo para desmaiar os piratas... Mas o medo de Thanos o controlar era maior que a vontade de sair. Se não usasse magia não haveria riscos, mas caso fosse um homem maior, precisaria de um feitiço.
Bufou novamente. Ficou observando o teto por um longo tempo, enquanto ouvia o barulho de fora... Precisava pensar em algo e... Puf! A ideia surgiu junta com um sorriso do Deus.
Com dificuldade, levantou-se da cama e foi até a porta, abrindo-a. Quem estava de vigia era uma pirata. A mesma que tinha visto no primeiro dentro do barco.
— O que foi? Nem pense em sair. — Indagou a morena assim que o notou, indo a sua direção. O Deus olhou ao redor antes de continuar, conferindo se havia alguém por ali. Só os dois.
— Não vou sair. — Respondeu com um sorriso de escarnio. — Só gostaria de saber o que tem dentro daquele baú em meu quarto. — A pirata franziu o cenho, claramente confusa, e entrou no quarto.
— Eu não sabia que havia um baú no seu quarto e... — Loki aproveitou. Segurou seu cetro rapidamente e na mesma hora que ela virou-se, acertou em cheio sua cabeça, largando a "arma" logo em seguida. A pirata caiu inconsciente.
— Desculpe-me, eu preciso mesmo sair. — Se dirigiu a porta, mas antes mesmo de atravessa-la, parou e refletiu. Assim que os outros o vissem, o trariam para cá novamente.
Observou a pirata caída no chão e teve uma ideia. Embora não gostasse de usar seus poderes por causa de Thanos, o fez, ignorando o perigo. Colocou a morena deitada sobre a cama, e em seguida projetou uma ilusão, trocando a sua aparência com a dela. Crispou os lábios. Teria de ser assim.
Voltou-se para a porta e trancou a mulher sozinha dentro de seu quarto. Observou “suas” novas roupas e agradeceu, pelo menos não eram muito curta. Era estranha a sensação... Andou normalmente já ouvindo a cantoria dos marujos bêbados. Subiu alguns degraus, e avistou todos os piratas — até mesmo Sparrow, festejando. Faziam isso de vez em quando, era algo normal para eles, festejar sem motivo específico.
Uma pirata loira e robusta passou segurando uma bandeja com bebidas, e ofereceu uma ao Deus na forma de mulher, qual aceitou prontamente.
Caminhou entre as mesas. A cantoria animada, somada ao clima de festa, era divertida. Fazia o moreno esquecer sobre a dor em sua perna e lembrava-o de Asgard, nos dias de comemorações. Rholy substituía Thor no momento, rindo freneticamente em uma gargalhada sonora e bebendo até não aguentar mais. Gostava do pirata. Era muito parecido com Thor, quase como um irmão perdido no mar. Fazia-o lembrar de casa.
De repente calaram-se as vozes, e recomeçaram a cantar outra música. Loki franziu o cenho a ouvir a letra. Dizia respeito ao mundo dos elfos, o mesmo qual tinha citado ao Capitão e Rholy, e seus possíveis tesouros e perigos. Como sabiam da viagem? Sparrow não iria contar até que partissem, para não causar alarme entre eles... E foi logo depois, olhando em volta, que soube a resposta: O capitão estava sentado em uma mesa ali perto, cercado por outros marujos, completamente bêbado. Provavelmente nem se lembrava do por que não deviam contar.
Riu do pirata e voltou a andar. Virou-se para o lado e sentou em uma mesa qualquer. Os que estavam sentados nela conversavam alegres e entusiasmados sobre a viagem.
— Quanto ouro deve ter? — Questionou um deles para os demais.
— Provavelmente para lotar o navio. — Respondeu outro, em meio a gargalhadas.
A música estava alta, dificultando Loki a ouvir a conversa, mas mesmo assim o Deus ouviu Rholy elevar o tom de sua voz contra Jack, e imaginou estarem discutindo.
— Será que deve ter sereias para onde vamos? — Indagou um marujo na mesa. O moreno refletiu sobre aquilo. Sabia que havia criaturas mágicas nos outros mundos, mas nenhuma em especial. Sereias? Talvez.
— Com certeza! — Afirmou outro, mesmo sem saber. A maioria comemorou, até porque, o que é uma viagem sem perigos? Já o restante apenas deu um gole em sua bebida.
Desta vez ouviu Sparrow levantar a voz, mas não conseguiu entender o significado de suas palavras por causa da música.
— E você, linda? Como vai? — Perguntou o marujo ao seu lado. Loki riu por dentro, e ficou confuso... Era estranho. Muito estranho.
— Qual quer que seja a resposta, não é deu seu interesse. — Respondeu o Deus. Esperava que o homem ficasse com raiva e desistisse, mas ele riu.
— Está difícil hoje, não? — Comentou, se aproximando.
Estranho. Muito estranho mesmo.
— Não estou afim...
— Ora, vamos, não seja assim... — Chegou mais perto. — Você sabe que eu sempre consigo o que quero. De um jeito ou de outro. Não vai querer se arrepender, não é mesmo? — Disse, e Loki até cogitou em pegar sua adaga, se não tivesse deixado em seu quarto, então apenas afastou-se, deixando o outro irritado.
— Por favor, não insista. — Disse o moreno, começando a ficar preocupado.
— Tudo bem, então. Nos vemos em outro momento. — Disse e saiu com raiva da mesa, não antes de jogar um olhar sobre o outro.
Suspirou aliviado. Não gostaria de ser obrigado a matar alguém.
A conversa em sua mesa continuava alegre e energética.
— O que diabos são elfos? — Perguntou um marujo, franzindo o cenho. Como todos pareciam sem respostas, Loki resolveu responder.
— Criaturas com aparência humana, mas com dons mágicos. — Iniciou ele, trazendo a atenção para si. Deu um gole em sua bebida antes de prosseguir. — A única coisa de diferente entre os elfos e os humanos na aparência, é que possuem orelhas pontudas, olhos de tom violeta e, os mais poderosos de sua raça, asas.
Alguns soltaram um “Oh” surpreso, ou admirado. Loki voltou a beber e observar todos ao seu redor.
Logo todos se calaram. O Deus estranhou, e virou-se para onde todos estavam olhando. Sparrow tinha dito algo muito provocativo a Rholy, qual estava de pé, fitando o capitão com raiva. O navio ficou em um silêncio perturbador enquanto isso.
— Por favor, Sparrow! Todos neste barco sabem que você não serve para ser capitão. — O loiro expôs e Jack irritou-se, levantando-se também.
— Falas como se você me substituindo iria ser melhor. — Contrapôs.
Era raro para o Deus ver os dois discutindo. Eram colegas, e entre todos os marujos, Rholy era qual Jack mais confiava.
O que a bebida não faz?
Loki retirou-se de sua cadeira, pronto para parar com aquilo. Ir-se-iam para outro mundo, requeria que todos estivem preocupados com aquilo, e não com desavenças entre si.
Alguém cumprimentou Loki enquanto caminhava até eles, mas ele o ignorou. Provavelmente a pessoa era amiga da pirata qual estava disfarçado, e não saberia como responder.
— Haha! — Riu Rholy com deboche, de algo que o outro disse, mas o Deus não tinha ouvido. — E olhe para você, então. Não consegues nem mesmo se aproximar de uma dama! — Loki revirou os olhos. Sério? Teriam aquela discussão infantil?
Passou entre duas mesas e se pôs ao lado de Jack, tentando chamar sua atenção e acalmar as coisas, mas o pirata o ignorou. A bebida fazia-o prestar atenção apenas em Rholy e na conversa entre eles. Aquilo fez o Deus ficar com raiva. Iria joga-lo do navio por diversão caso ele não prestasse atenção.
— Não mesmo? — O capitão ergueu uma sobrancelha em desafio. Virou-se para o lado e só então Loki ainda na forma da pirata recebeu atenção.
O moreno preparava-se para falar o quão idiota era aquela discussão e fazer ameças para que parasse, mas antes de sequer começar, Sparrow, para desmentir Rholy, o puxou pela cintura e em um ato ousado, lhe beijou.
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