Embarque
2 ❖ Bem-vindo à bordo ❖
Notas iniciais

Abriu os olhos lentamente, sua audição ainda não tinha voltado ao normal. Estava meio grogue por causa do sono... Meio? Muito! Por um momento decidiu voltar a dormir, mas pulou da cama quando percebeu tudo balançar. Olhou ao redor assustado, garantindo que estava sozinho. Tanto o piso como as paredes eram de madeira escura. O quarto possuía uma cama simples, encostada na parede e um quadro pendurado ao lado. Pequeno e simples. Olhou para a cama novamente, e percebeu que seu cetro encontrava-se largado no chão, ao lado dela.
Continuaria a observar o quarto, mas a dor em seu peito o fez se deitar de novo, enquanto tentava a todo custo voltar a respirar normalmente. Levantou a blusa, e observou o curativo manchado de sangue. Era só mover um pouco o corpo, e aquilo doía como os infernos.
Voltou a olhar, franzindo o cenho por alguns segundos, quando sentiu uma leve balançada. E como um relâmpago, sua memória veio à tona.
Estava em um navio? Como fora parar ali? Até onde conseguia se lembrar, estava em uma ilha, morrendo sufocado com o próprio sangue. Mas o que mais lhe preocupava, era onde Thor estaria. Teria morrido? Não... Era azarado, mas não ao ponto de perder o laço com irmão no mesmo dia que o reconstruirá. E quanto mais pensava, mais perguntas sem respostas se acumulavam.
Obrigou seu corpo a se mexer, mesmo sentindo dor, e se levantou. Deu dois passos em direção a porta ao mesmo tempo em que três piratas entraram no quarto, sacando as armas. Voltou dois passos. Eram dois homens e uma mulher.
O pirata próximo a porta, possuía cabelos loiros e uma pele bronzeada. Usava vestimentas quaisquer, sujas e rasgadas. Era alto e forte, chegando até, de certa forma, fazendo-o lembrar de Thor.
Já o outro, era o completo oposto. Cabelos compridos e negros, pele clara e suas roupas, juntas com seu jeito de andar e a maquiagem nos olhos, fazia o moreno questionar-se se era uma mulher.
A pirata ao lado esquerdo do último citado, tinha a pele morena e seu cabelo estava solto, chegando até sua cintura, sendo pretos, assim como seus olhos. Vestia uma blusa branca, com um colete de couro por cima. Enquanto mirava para o moreno, parecia fuzila-lo com os olhos e o jogar no tártaro, apenas em sua mente.
— Olá... — Cumprimentou o mais bem vestido entre eles. — Pessoa que não sei o nome, e nem pretendo saber. — Deu um sorriso inclinando a cabeça ao lado. — Mas vamos fingir que ligamos um para o outro, e falaremos nossos nomes. Como se chama?
— Loki... — Respondeu, perguntando-se o porque de estar conversando com o pirata... Ou a pirata. Mas pela voz era mais provável ser um homem.
— Prazer, Lokei.
— Loki. — Corrigiu.
— Me chamo Jack Sparrow, Lokei. — Disse apresentando-se, ignorando o outro. Parecia que em todos os momentos o homem continuava com o sorriso zombeiro. — Mas assim como para todos desse navio, deve me chamar por Capitão Jack Sparrow. Pois sou eu, obviamente, que comanda essa imundice. — O moreno franziu o cenho, tentando intender a mente do pirata. Esperou alguns segundos para ver qual era a brincadeira, mas o mesmo continuou em silêncio. E só após vários instantes, compreendeu, começando a rir como um demente.
— Capitão?!
— Vejo que aprende rápido. — Comentou Sparrow, abrindo um sorriso maior ainda. O deus parou por alguns segundos, apenas para botar seus pensamentos em ordem. "Quer mesmo competir para ver quem tem a língua mais afiada?".
— Me deram um tiro, quase mataram meu irmão, se não o mataram, e quer que eu o chame por Capitão? — Questionou rindo. — Nas histórias contadas para meu povo, diziam que os piratas de Midgard eram inteligentes e astutos.
— Desculpe, mas você só viria se nós o raptasse. — Argumentou como se fosse a coisa mais normal do mundo, tentando intender o significado de "Midgard". O estranho para o deus, era ver o homem fazendo gestos com a mão enquanto falava. Provavelmente... Maluco. Mas também... Interessante. — Agora depende de você. — Falou fitando-o.
— Depende o quê?
— Se vai preferir me servir, ou ser lançado ao mar. — Fez mais um gesto, indicando uma pessoa andando na prancha. Porém diferente da maioria dos piratas, aquele não tentava passar medo através da vós. E se tentava, não conseguia. Andava lentamente pelo quarto durante a conversa inteira.
— Mas nem que me torturassem eu iria obedecê-lo. Se um dia eu receber ordens de alguém, esta pessoa terá de ser alguém com sabedoria. — Disse aproximando-se. — E aliás... Você viu aquela besta verde destroçando seus piratas? — Questionou indignado, esquecendo-se da dor . — Faz parte do grupo de meu irmão. E eu sou prisioneiro deles... A forma mais fácil de conseguir fazer a S.H.I.E.L.D. vir atrás de você é capturar um de seus prisioneiros.
Loki estava confuso. Piratas... Não... Espere, como assim? Ou a S.H.I.E.L.D. estava brincando com ele, ou Loki estava discutindo com um pirata chamado Sparrow que parecia uma mulher. E que por mais incrível que pareça, ele e sua tripulação o tinha capturado. E o pirata andava... rebolando?
— Se é um prisioneiro ficarão felizes por fazermos o trabalho deles. — Disparou a mulher, que em nem um momento abaixou a arma. O deus e a mulher se fitaram por um tempo, um fuzilando ao outro.
— Mas se for o que diz, é um prisioneiro importante para o loiro-elétrico. — Opinou Jack, colocando um dedo sobre os lábios e passando a observar o teto, enquanto cerrava os olhos, indicando que estava pensando "seriamente" em algo "importante". Loki logo concluiu sobre qual "loiro-elétrico" eles estavam falando. Como viviam no mar, não faziam a miníma ideia de quem eram os vingadores, ou sobre o ataque de Nova York... Se soubessem é claro, que Nova York existia. — Se vai mesmo fazer de tudo para voltar aos seus amiguinhos, vou logo mandar preparar a prancha.
Loki estava pronto para falar algo até lembrar-se do que o esperava, caso voltasse a Asgard. Como encararia Thor novamente? Como lidaria com todas as suas antigas ações? Fora Thanos. O gigante o perseguiria até o matar.
— E se eu lhe oferecesse um acordo? — Questionou ao pirata.
— Qual seria este?
— Antes disso... — Começou com uma voz misteriosa, qual fez o pirata ficar interessado. — Vou contar a você, sobre de onde eu vim, e os poderes quais possuo...
— ❖ —
— Agentes da categoria vinte e dois, e vinte e três. — Pronunciou Nick em alto e bom som, com as mãos para trás. — Quero todos dirigindo-se junto ao esquadrão de elite. — Ordenou, virando-se logo depois para Maria e Agente 13. — Encaminhem os vingadores para a ala do general, e façam com que eles entendam as regras e suas missões. Não percam tempo! Quanto mais demoram, mais possibilidades dele elaborar um plano.
As duas se retiraram lado-a-lado, sendo observadas até sumirem do campo de visão do diretor. Coulson aproveitou o momento e se aproximou o suficiente de Fury para poderem sussurrar.
— Como aliado ou prisioneiro? — Perguntou o agente.
— Prisioneiro e nada mais.
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