Emaranhado de Pensamentos
3 O fogo destrói
Notas iniciais

O fogo queima, destrói. Corrói lentamente tudo que vê pela frente. É quente, hipnotizante. Existem vários adolescentes sentados em troncos velhos e um pouco apodrecidos, rindo e conversando bobagens enquanto assam marshmallows. No em dos troncos, está Milly. Ela tem o violão caramelado em mãos, tocando algumas notas suavemente enquanto canta de olhos fechados, se deixando levar pelo chiado do fogo. Sua voz é linda, calma. Ela canta as últimas notas, antes de todos se despedirem e irem dormir. Oito barracas. E ela continua lá fora, olhando fixamente para o fogo.
O fogo queima. O fogo é destrói. O fogo consome. Renasce. Faz delirar. E Milly, a pequena Illy, estava delirando. Ouvia as chamas chicotearem o ar com bravura, desafiando a natureza sem medo. E Milly começou a ouvir sussurros.
Mate-os, Milly. Eles não gostam de fogo, então os faça gostar. Mate-os, garotinha, não seja tola. Eles vão apagar o fogo, então simplesmente os mate. Vamos Milly, me ajude.
E Milly os matou. Colocou fogo em todas as barracas, e enquanto ouvia os gritos apavorados e os choros histéricos, ela sorria. Sorria porque amava o fogo, e sabia, que, depois do "pequeno favor", o fogo a amaria também. Então se aproximou, quase saltitando.
— Vamos meu amor, me tome para si. Me ame, abraça-me! — e ele nem se mexeu. Continuo lá, queimando os restos dos corpos. E a pequena Milly se aborreceu, fazendo um enorme bico no rosto bonito. — Ei, meu querido. Eu estou aqui! Venha e me consuma.
E então, o fogo realizou seu desejo. Mas fogo não ama, fogo corrói. O corpo de Milly foi incendiado e destruído lentamente. Dolorosamente. E a garota deixou uma última lágrima cair, ao perceber que estava errada.
Fogo não ama. O fogo destrói.
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